quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

NÃO TE IMPORTES DE CHORAR

O nosso pranto não é inócuo. Às vezes, até pode ser sadio chorar. O adágio segundo o qual «um homem nunca chora» carece de veracidade e sobretudo de sapiência. Porque não chorar?

Com efeito, há tanto para chorar à nossa volta. Há tanto para chorar dentro de nós. O nosso egoísmo. O nosso ensimesmamento. A nossa resistência à vontade de Deus. A nossa férrea oposição ao desígnio do Pai. A nossa mediocridade. A nossa indiferença. O nosso repentismo. A nossa tibieza. O nosso calar perante a injustiça. O nosso falar exaltante sobre as falhas dos outros.

Não são estes sobejos motivos para chorar? Mas não basta.

Só Deus redimirá as nossas lágrimas: as que deslizam furtivas e as que correm convulsas.

Vai, por isso, ao encontro do Senhor. Não hesites em pedir o Seu perdão. Oferece-Lhe o teu arrependimento. Ele presentear-te-á com a torrente da Sua misericórdia.

Há quanto tempo não celebras o Sacramento da Reconciliação? Há quanto tempo não te aproximas de Cristo presente no sacerdote?

Também és dos que dizem confessar-se directamente a Deus? Então e a confissão sacramental é feita a quem? Não é Cristo que está na pessoa do padre? Onde mora, afinal, a tua fé?

O padre também peca? Pois peca. Tanto ou mais que tu.

Mas não achas maravilhoso — e sumamente comovente — acolher o perdão divino através de um instrumento tão frágil? Tão parecido contigo? Porque complicas pois o que Cristo simplificou?

Ser um homem como tu a oferecer-te Deus, em forma de perdão, não achas que é um dos maiores prodígios que se pode conceber?
http://theosfera.blogs.sapo.pt/

1 comentário:

  1. Claro que é um grande prodígio. E aí está um lembrete, preciso de me confessar. Há muito tempo que digo isto, e vou adiando, hoje por isto amanhã por aquilo. Peço a Deus que tenha piedade de mim-
    Maria

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