quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

21 Janeiro 2018 – 3º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Leituras: aqui
A síndrome de Jonas ou o sinal de Jonas

1. Hoje apetece-me voltar à história de Jonas. É a personagem de um livro, de três páginas apenas, numa espécie de parábola dramatizada, em quatro capítulos. Um belo conto marinho ou novela antiga. O argumento pode resumir-se assim: Deus confia a Jonas a missão de pregar a conversão em Nínive, capital da Assíria, a grande cidade, que era vista pelos judeus como símbolo por excelência do povo inimigo. E Jonas embarca no porto de Jafa, fugindo à missão impossível que Deus lhe confiara. Era como ir a Berlim em 1936 dizer aos nazis para se arrependerem! E parte, em sentido oposto, lá para o fim do mundo, para Társis, que ficaria ali pela Andaluzia, na vizinha Espanha. Na viagem, uma tempestade atinge o barco e os marinheiros acham que é Jonas quem lhes está a dar má sorte. Não têm mais: lançam-no ao mar. Engolido por um peixe, dentro do qual passará três dias, é largado em Nínive, onde cumpre a missão de anunciar a conversão, como caminho de salvação. E o mais improvável acontece. A cidade, do rei aos súbditos, aproveita a oportunidade e converte-se. Jonas fica arreliado, maldisposto, com o sucesso da sua pregação, porque tudo lhe sai ao contrário do programa que tinha na cabeça. Como é possível Deus amar e perdoar esta gente? Como pode esta gente, a seus olhos, má e terrível, acreditar na Sua Palavra? A grande cidade deixa Jonas deprimido. Será ele agora quem mais precisará de conversão.
2. Esta história bíblica está cheia de ironia e de sabedoria, sobretudo quando pensamos hoje na evangelização das grandes cidades, das culturas urbanas, dos meios tradicionais marcados por indiferentismo religioso e por certo medo de afirmação cristã,  ou daqueles meios e ambientes, onde o anúncio do Evangelho nos parece condenado ao fracasso. Tal como Jonas, temos medo de enfrentar a grande cidade ou de começar, como Jesus, “pela Galileia dos pagãos”. Gostamos mais de pescar no nosso aquário, propondo o Evangelho àqueles que nos parecem recetivos ou simpáticos. E não nos damos conta de que, mesmo naqueles ambientes mais difíceis, Deus está lá, na busca e na luta diária por uma vida melhor. E não é preciso sequer inventar essa presença de Deus. Bastará ajudar a desvelá-la, pô-la a descoberto. Na história da vida das pessoas há tantos sinais de um Deus que não desaparece do mapa da vida de ninguém, nem sequer da vida de uma grande cidade. 
3. Precisamos de vencer a síndrome de Jonas, o preconceito em relação aos que nos parecem não querer nada de Deus, do Evangelho, da Igreja. Temos demasiados respeitos humanos e infundados medos e, por isso, procuramos, como Jonas, fugir à missão, que temos por impossível, dando os outros como perdidos! A síndrome de Jonas manifesta-se na tentação de cumprir apenas as nossas obrigações religiosas, evitando sair para as periferias, a anunciar a Boa Nova!
4. Vençamos, pois, a síndrome de Jonas, saindo ao encontro das pessoas, para lhes levar a feliz notícia de que está próximo delas o Reino de Deus, de que Deus está nas encruzilhadas das suas vidas, nas suas casas, ruas e praças! Sair para encontrar as pessoas, para as ouvir, para as abençoar, para dialogar e caminhar com elas. Há que ir e sair por aí a chamar, como Jesus, um a um: o irmão em casa; o colega na escola; o amigo no emprego; o companheiro do café. Sair a anunciar, pessoa a pessoa, olhos nos olhos, coração a coração, o amor de Deus por cada um. 
5. E escolhamos então o sinal de Jonas, de que falará Jesus (cf. Mt 12,40; Lc 11,30), que é o sinal da misericórdia, do triunfo do amor de Deus, que Se manifestará três dias depois, na manhã da Ressurreição. Dêmos testemunho da misericórdia e da compaixão de Deus por cada um, sobretudo junto dos pobres mais pobres, daqueles a quem falta o pão ou daqueles que, tendo o pão necessário, lhes falta descobrir a riqueza de Deus, nos anseios do seu coração. Irmãos e irmãs: aprendamos o amor na Palavra do Senhor! Partamos e façamos nós da mesma maneira que Jonas.
Amaro Gonçalo (com alterações)


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

SABE O QUE É O OITAVÁRIO DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS?

Foto de Centro Paroquial Santa Helena.
Foto de Centro Paroquial Santa Helena.
O Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos surgiu em 1908, por iniciativa de Thomas Watson, um convertido do anglicanismo ao catolicismo, que propôs a vários grupos de cristãos rezar pela unidade, entre os dias 18 de janeiro (Festa da Cátedra de S. Pedro) e 25 de janeiro (Festa da Conversão de S. Paulo). A partir dos anos 60 do séc. XX, passou a haver um subsídio comum para este Oitavário, elaborado com a cola...boração da Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial das Igrejas e do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Nas palavras de P. Paul Couturier (1881-1953), esta Semana de Oração não pretende antecipar uma unidade institucional, mas antes rezar pela unidade plena, que ultrapassa as limitações históricas e eclesiais e que "será como Deus quer, quando Ele quiser e através dos meios que Ele escolher".
Em 2018, o Oitavário tem como mote  "A tua mão direita, Senhor, resplandeceu de força"
( Êxodo 15, 6)


O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos  apresenta a seguinte reflexão sobre o tema:
A libertação e a salvação do povo de Deus vêm através do poder de Deus. A mão direita de Deus pode ser compreendida como a vitória de Deus sobre os seus adversários e também como a infalível proteção do próprio povo. Apesar das ordens do Faraó, Deus escutou o clamor do seu povo e não deixará o seu povo perecer porque Deus é o Deus da vida. Com o seu domínio sobre o vento e o mar, Deus mostra o seu desejo de preservar a vida e destruir a violência (Êxodo 15,10). O objetivo dessa redenção era fazer dos israelitas um povo de louvor, que reconhece o amor perseverante de Deus.
A libertação trouxe esperança e uma promessa para o povo. Foi esperança porque um novo dia havia despontado, em que o povo podia livremente adorar o seu Deus e por em ação o seu potencial. Era também uma promessa: o seu Deus os acompanharia por toda a caminhada e nenhuma força poderia derrotar o propósito de Deus para eles.
O capítulo 15 do Êxodo faz-nos ver como o caminho para a unidade precisa frequentemente de passar por uma experiência comunitária de sofrimento. A libertação dos israelitas da escravidão é o evento fundamental da constituição desse povo. Para os cristãos o processo tem o seu ponto alto na encarnação e no mistério pascal. Embora na libertação/salvação Deus tenha a iniciativa, Deus envolve forças humanas na realização do seu objetivo e nos planos para a redenção do seu povo. Os cristãos, pelo batismo, participam do ministério divino de reconciliação, mas as nossas divisões restringem o nosso testemunho e a nossa missão num mundo necessitado da cura que vem de Deus.
(in Rede Mundial de Oração do Papa)

domingo, 14 de janeiro de 2018

Família que reza unida, permanece unida!

PROPOSTA PARA JANEIRO/FEVEREIRO
- Ler o Evangelho de São Marcos, o Evangelista do Ano
APRENDER O AMOR
NA PALAVRA DO SENHOR
Colocar os ouvidos do coração no chão da Palavra de Deus para escutar a VOZ!

Durante 14 semanas, ler o Evangelho de São Marcos. Dá um capítulo por semana!
A família decide o dia. Todos juntos escutam a leitura do Evangelho que é proclamado por um dos membros da família.
Após a leitura, tempinho de silêncio para permitir que a Palavra lida escorra pelo coração e a VOZ de Deus fique a germinar na alma.

A palavra de Deus como fonte e força que sustenta e aumenta o amor familiar.
A Palavra de Deus que orienta, aquece e ilumina toda a Caridade.

Observação: A família pode aproveitar as novas tecnologias  e ler  o Evangelho de São Marcos pela internet.
AQUI o 1º capítulo

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

2º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Leituras: aqui

APRENDER O AMOR
NA PALAVRA DO SENHOR
Com o Evangelho de São Marcos,
colocar o ouvido no chão e escutar a Voz

Dormia no Templo e tudo. Conhecia-lhe os cantos e recantos, via e ouvia os outros rezar e falar. Sempre pronto para o serviço, estava em todas as rezas e orações. Habituado, como ninguém, às palavras, aos sermões, às rezas e às chamadas de serviço... Muito pronto, para Eli, ouviu chamar pelo seu nome e logo respondeu: “aqui estou”! Engano. Samuel era o seu nome. Mais um chamamento e de novo a prontidão: “aqui estou”! Não te chamei, observa Eli. E o jovem acólito, viciado como ninguém nas lides do Templo, andava distraído, ainda não conhecia verdadeiramente o seu Senhor, ainda não distinguia a voz. A Palavra de Deus ainda não lhe tinha sido revelada. O seu conhecimento de Deus era ainda e apenas exterior. E por isso, no meio das palavras, teve dificuldade em distinguir a Voz, em acolher a Palavra. Dada a insistência, Eli compreende que é o Senhor quem chama, e ensina a Samuel as palavras certas: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta”! 
                É a voz de Deus que chama sempre, com insistência e sem desistência. Chama sem cessar. Chama pelo nome. Chama a cada um para uma relação singular, espera uma resposta pessoal. Chama para o diálogo. Chama à comunhão com ele. Toma a iniciativa. Vem, imprevisível, ao encontro de cada homem... E quando acontece esse chamamento, Samuel não percebe. Tem dificuldade em dar-se conta da presença de Deus quando Ele está por perto, a chamar pelo próprio nome. ali, no lugar comum da sua vida. Samuel confunde a voz de Deus com as palavras humanas, julga serem falas dos homens quando é a Palavra silenciosa de Deus a chamar. Tem mais dificuldade em discernir de Quem é a voz do que em se dispor prontamente a escutar. Ajudou-o Eli nesta descoberta e então, percebendo ser a voz de Deus, Samuel acolhe o apelo da Palavra: “Falai Senhor, que o vosso servo escuta”. 
Creio que esta é a história de muitas histórias. Talvez a história de todos nós, habituados que estamos a encher o Templo com palavras... sem ouvirmos, no silêncio, a voz d’Aquele que nos fala e nos chama. Oiço muito as pessoas dizerem que O escutam. Há demasiadas palavras e pouco silêncio. Muito barulho e pouca escuta. Talvez esteja nesta dificuldade de Samuel retratada a confusão de cada um de nós ao ouvirmos apelos vindos de todos os lados, embrulhados em palavras doces e bem sonantes. Muitas palavras, muitos apelos, muitas chamadas que o mundo nos oferece. O que nos sobra em palavras de superfície, ocas, vazias, falta-nos em vozes de profundidade, em ecos de silêncio, em gestos que falem sem dizer palavra. Invadiu-nos um caudal impúdico de palavras vazias, despidas de espírito e forma, tagarelice fastidiosa e aviltante. E faltaram-nos as vozes. Palavras encarnadas, empenhadas, vividas, sangradas em testemunho. A voz é o rosto das palavras, os olhos das palavras, a verdade das palavras. Cristo Jesus, apenas com um olhar e um aceno no rosto chamou para a sua aventura alguns homens de poucas palavras. E no entusiasmo daquele encontro outros perceberam o mesmo apelo e seguiram-no. Sem discursos, sem programas: “Vinde e vede”. 
Que este templo, erguido no coração da Cidade, seja refúgio e abrigo para um silêncio profundo. No meio da gritaria das palavras saibamos, aqui colocar o ouvido no chão e escutar a Voz. Que aqui ressoe viva no coração de cada um a voz íntima e cordial do Mestre. Ele nos chama a ser santos, a estar e a permanecer com Ele. Tu que aqui vens, pára, escuta, olha... e segue por onde essa Voz te chamar.
Amaro Gonçalo

PROPOSTA PARA JANEIRO/FEVEREIRO
- Ler o Evangelho de São Marcos, o Evangelista do Ano
- Colocar os ouvidos do coração no chão da Palavra de Deus para escutar a VOZ!