sábado, 9 de dezembro de 2017

Miminho para os catequizandos

Hoje, ao fim da Missa com crianças, os catequizandos voltaram ao Centro Paroquial. Na garagem, tinham um pequeno lanche à espera. No espaço do GASPTA, havia um brinquedo que podiam escolher se assim o quisessem.
A ideia nasceu do GASPTA e contou com o empenho do Grupo de Catequistas. O GASPTA pôs à disposição das crianças brinquedos, após escolha e exposição, além de cuidar da árvore de Natal. Os catequistas confecionaram o lanche.
Lembrámos que os locais onde ocorreram incêndios e que foram contactados disseram que não precisavam de brinquedos fora daqueles que mencionaram.  Assim surgiu a ideia  de oferecer um brinquedo a crianças da comunidade. E com que alegria muitas crianças aderiram! Afinal, como dizem os ingleses, a caridade começa em casa.
Um gesto de solidariedade intergeracional. Grupos de gente mais velha não esqueceram os mais novos que, assim, aprendem a beleza da partilha solidária.




Grupo de Jovens e Escuteiros do 1006 embelezam nataliciamente a Rotunda do Mártir

Na tarde deste sábado, jovens do Grupo de Jovens e Escuteiros do 1006 embelezam com motivos natalícios a Rotunda do Mártir.
É tão bom quando os grupos sabem colaborar! Afinal somos uma só Paróquia...
Parabéns aos intervenientes.  



sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Vigília Mariana, no dia da Imaculada Conceição

Foto de António Rodrigues.
Foto de António Rodrigues.

21 horas  de 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria. O Grupo de Jovens, após a devida preparação, dinamizou uma Vigília de Oração na Igreja Paroquial.
Ao celebramos Aquela que foi concebida sem pecado, lembrámos o momento, belo e marcante, do nosso batismo. No batismo, associados à Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, ficamos livres da mácula do pecado, concebidos pela Graça, tornámo-nos filhos de Deus  - e somo-lo de facto!
A Vigília, muito bem concebida e orientada pelos jovens, terminou com as pessoas presentes, de mãos dadas, num só coração e numa só alma, a apresentarem a Deus, por Maria, as suas intenções. Assim, cada um rezou por todos e todos rezaram por cada um.
Que mais pode agradar a uma mãe do que ver os seus filhos unidos, partilhantes, altruístas?
Parabéns aos jovens! Parabéns às pessoas presentes! Belo momento com Deus por Maria e com Maia.

10 Dezembro 2017 – 2º Domingo do Advento – Ano B

Leituras: aqui



2º Domingo do Advento
Pobreza cultural
(Ação de Graças)

 
Jovem africano: Senhor, um jovem africano. Não sei ler nem escrever porque nunca fui à escola. Na zona de África onde moro, não há escolas. O meu país é muito pobre, anda em guerra e há gente a morrer de fome. Senhor, que o pão da cultura chegue também ao meu continente!

Velhinha: Senhor, sou uma idosa e não sei ler. Quando era criança, em vez de ir à escola, puseram-me a guardar o gado. Agora, que estou velha e não posso trabalhar, gostava de ler um livro, um jornal, uma revista…. ou poder ler as legendas dos filmes. Ajudava-me a passar o tempo. Quando chega uma carta, tenho que ir pedir à vizinha o favor de ma ler, dando a conhecer a minha vida… Senhor, no fim da vida, a pobreza cultural ainda torna mais carregados os meus dias! Restas-me Tu, Senhor, em quem eu confio.

Desempregado: Senhor, não gostei da escola e por isso abandonei-a antes do tempo. Quando vou à procura de emprego, perguntam-me pelas minhas habilitações. E eu digo. Já estou cansado de ouvir a mesma resposta: Não tens as habilitações exigidas. É esta a minha pobreza.  Senhor, que as crianças e jovens nunca desistam de aprender, de progredir  culturalmente

Cidadão: Senhor, sou um cidadão e, como tal, movimento-me pelos serviços, pelos locais de encontro, contacto com colegas e amigos. Muitas vezes o que ouço, deixa-me arrepiado, tal a ignorância de quem fala. As pessoas falam de tudo mas ignoram tudo. E nada há mais atrevido do que a ignorância. Então de religião, política, família e futebol as pessoas julgam-se verdadeiros sábios! É uma verdadeira pobreza cultural.
Concede-nos, Senhor o dom da humildade diante da vida.  O grande mal não é desconhecer, o grande mal é achar que se sabe tudo e não há necessidade de aprender. Esta é a pobreza maior.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O Vídeo de Papa - Dezembro de 2017 - Pelos idosos




Intenção
Pelos idosos, para que, sustentados pelas famílias e pelas comunidades cristãs, colaborem com a sua sabedoria e experiência na transmissão da fé e na educação das novas gerações.
Oração
Pai de bondade,
 neste mês em que celebramos o nascimento do teu Filho Jesus,
 damo-nos conta que a Encarnação acontece no seio de uma família,
 como o lugar onde Deus veio habitar entre nós.
 A família é o núcleo da sociedade,
 a primeira escola de socialização,
 onde se aprende a lidar com as diferenças e as riquezas de cada um.
 A história de cada família
 é marcada pela experiência de vida dos mais velhos,
 que deixam um testemunho importante
 para as gerações futuras.
 Senhor Deus,
ensina-nos a valorizar o contributo dos mais idosos,
 a não os descartarmos,
 e a prestarmos atenção aos seus ensinamentos
 e às suas lições de vida.
Desafios
– Visitar familiares ou conhecidos idosos neste tempo de Natal e levar-lhes a alegria do nascimento de Jesus.
– Promover na própria comunidade algum momento de partilha de histórias de vida da parte de alguns idosos, orientado para os mais jovens.
– Estar atentos a situações de abandono ou fragilidade de pessoas idosas e ajudar a resolvê-las.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Papa Francisco a dois países asiáticos, Myanmar e Bangladesh

Papa visita casa fundada por Santa Teresa de Calcutá, no Bangladesh, para crianças órfãs e doentes. Foto: Andrew Madichini/EPA
Resumo da Visita do Papa Francisco a dois países asiáticos, Myanmar e Bangladesh.
Belas imagens legendadas oferecem um resumo desta importante Viagem Apostólica.
Aqui

sábado, 2 de dezembro de 2017

Jovens em movimento

Foto de Luis Funina.
Foto de Telma Teixeira.
Foto de Luis Funina.
Foto de Mónica Trigo Carvalho.
Foto de António Rodrigues.
Os jovens da comunidade paroquial tarouquense em trabalhos a favor dos outros.
Desde a colaboração na  recolha de alimentos do Banco conta a Fome, passando pela preparação e montagem do presépio e terminando na elaboração do símbolo do Advento.
Entretanto, já preparam outras ações, como a Vigília Mariana que terá lugar no dia 8 deste mês, às 21h, na Igreja Paroquial. Eles contam com a presença de todos.

Imaculada Conceição na Paróquia de Tarouca

PARTICIPE!

Como é tradição, 8 de dezembro é o dia da Côngrua Paroquial, junto das pessoas do costume.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

3 Dezembro 2017 – 1º Domingo do Advento – Ano B

Leituras: aqui

CAMINHADA DO ADVENTO
1º Domingo do ADVENTO
Momento: início da Missa
(Do fundo da Igreja, surge o cortejo dos catequizandos onde apenas transportam o símbolo do Advento que colocam junto ao altar. Depois, alguns catequizandos, lendo alto e devagar, explicam o sentido do símbolo…)
1º Leitor: Estamos a começar o Advento e, com o Advento começa o Novo Ano Litúrgico, que será o Ano B.
2º Leitor: A palavra Advento significa vinda, chegada. Então no ADVENTO, celebramos as três vindas do Senhor. O Senhor veio há 2017 anos; o Senhor vem hoje à vida das pessoas e comunidades; O Senhor virá no fim dos tempos, cheio de poder e de glória. Então será o novo céu e a nova terra.
3º Leitor: Para símbolo da nossa caminhada do Advento, temos, este ano, a MEIA, onde antigamente, na noite de Natal, eram colocadas as prendas para os mais pequeninos.
1º Leitor: Então a meia recorda-nos as prendas de Natal. A maior prenda é Jesus que nasceu pobrezinho na manjedoura, vindo ao mundo para nos salvar. Diz o Evangelho que Deus amou o mundo de tal maneira que lhe ofereceu o Seu Próprio Filho. Jesus Cristo é o «rosto humano de Deus e rosto divino do homem.”
2º Leitor: A meia protege do frio. E neste tempo de Dezembro, bem preciso é…O nosso tempo está cheio de muitos frios que são as várias pobrezas.
3º Leitor: Muitas são as pobrezas do nosso tempo: a pobreza material e económica; a pobreza cultural;  a pobreza relacional; a pobreza  espiritual e anímica. Vamos reflectir sobre estas pobrezas ao longo do Adento.
1º Leitor: Neste Ano Pastoral, cujo tema é a Caridade, o tempo do Advento apela a que, à volta do mistério do Natal, as pessoas olhem e reconheçam os pobres de hoje e cultivem sentimentos e atitudes de apreço e solidariedade. Daí o slogan do Advento:
Todos: O POBRE É IRMÃO. VAI, DÁ-LHE ATENÇÃO!
 2º Leitor: A meia também aconchega o pé. O amor de Deus aconchega-nos e envolve-nos constantemente. É um amor bonito, que nunca cheira a suor, que oferece o perfume novo da salvação, que liberta do pecado e do mal. O Natal é o grande abraço de Deus aos homens! Corramos para Aquele que vem ao nosso encontro.
3º Leitor: É natural que as pessoas procurem ter o “seu pé-de-meia” para se precaverem no futuro. Na vida da fé, o nosso “pé-de-meia” consiste em acolher na nossa vida Jesus Cristo que vem, amá-l’O, e segui-l’O, procurando amar os outros com o mesmo amor com que Ele nos ama. Assim nos preparemos para o encontro com o Senhor na eternidade.
1º Leitor: O pecado é como a meia rota ou como a meia que cheira a suor. O Papa Francisco disse há dias que é urgente que os cristãos não caiam no pecado da indiferença em relação aos pobres e deserdados da vida. Porque:
Todos: O POBRE É IRMÃO. VAI, DÁ-LHE ATENÇÃO!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

No próximo Domingo, começa o Novo Ano Litúrgico

MAS O QUE É O ANO LITÚRGICO?
1. O ano litúrgico, ou ano cristão, é o espaço de tempo ao longo do qual a Igreja recorda progressivamente a salvação realizada por Deus. A Igreja distribui por esse período os diversos tempos litúrgicos que celebram o mistério de Cristo.
2. O ano litúrgico dura de fato um ano, mas não começa nem termina nos dias 1º de janeiro e 31 de dezembro, como o ano civil. Suas datas de começo e fim são móveis.
3. O início do ano litúrgico começa com as vésperas do I Domingo de Advento, que ocorre no dia 30 de novembro ou no domingo mais próximo a essa data. O Advento, portanto, é o primeiro tempo litúrgico do ano cristão e prepara-nos para o Nascimento de Jesus. Seu término acontece logo antes das vésperas do Natal do Senhor.
4. Nas vésperas do Natal do Senhor, tem início o segundo tempo litúrgico do ano cristão: o Tempo do Natal.  Estende até o domingo depois da Epifania, ou seja, o dia 6 de janeiro ou o primeiro domingo seguinte ao dia 6 de janeiro.
5. Na segunda-feira imediatamente seguinte ao domingo da Epifania, começa o Tempo Comum, que se divide em duas etapas. A primeira etapa vai até a terça-feira de carnaval, incluindo-a. Na Quarta-Feira de Cinzas, o Tempo Comum é interrompido pela sequência de Quaresma, Tríduo Pascal e Tempo Pascal. Somente a partir da segunda-feira seguinte ao domingo de Pentecostes, que encerra o Tempo Pascal, é que começa a segunda etapa do Tempo Comum, que ocupará todo o restante do ano cristão, terminando logo antes das vésperas do I Domingo de Advento.
6. O Tempo da Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas e se prolonga até imediatamente antes da celebração da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa.
7. A partir da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, que celebra a instituição da Eucaristia durante a Última Ceia de Cristo com seus Apóstolos, começa o Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor. Seu ápice é a Vigília Pascal e seu término são as vésperas do Domingo da Ressurreição.
8. No domingo da Páscoa da Ressurreição, começam os cinquenta dias do Tempo Pascal, que termina no domingo do Pentecostes. O Tempo Pascal, liturgicamente, é como se fosse um único e longo dia de festa pela Ressurreição de Cristo. Seus primeiros oito dias constituem a Oitava da Páscoa: são dias de exultação, celebrados como solenidades do Senhor.
9. As cores litúrgicas dos vários tempos litúrgicos estão representadas na imagem acima.
O branco simboliza a luz, a alegria, a ressurreição, a vitória, a inocência, a pureza, a purificação, a alegria e a glória.
O vermelho simboliza o sangue, o fogo do amor, do Espírito Santo, da caridade ou do martírio. Simboliza sobretudo o sangue de Cristo e dos sues mártires.
O verde, a cor base dos vegetais, simboliza a esperança e a vida. Está ligado ao crescimento.
O roxo simboliza a penitência, a contrição, a serenidade, a sobriedade, a temperança e a esperança contra as adversidades.
Quanto ao tempo do Advento, há uma tendência a se usar o violeta ou violáceo, em vez do roxo, para diferenciá-lo do tempo quaresmal (penitência) e acentuar a dimensão de alegre expectativa da vinda do Senhor.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O Evangelho de São Marcos no Ano B


O próximo dia 3 de dezembro, primeiro domingo do Advento, marca o início do Ano litúrgico, tendo o ano litúrgico anterior sido encerrado com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Como é o Ano B, toma-se geralmente como leitura do Evangelho na celebração litúrgica da Eucaristia dominical o texto de São Marcos.

Apesar de escrito num grego simples e mesmo popular, o texto reveste-se de intenso encanto literário, o que desmente a ideia de alguns que veem neste Evangelho uma simples manta de retalhos com base em relatos soltos de que Marcos seria herdeiro e fiel depositário.

A tradição antiga, que remonta ao séc. II, atribui a obra do autor do segundo Evangelho canónico a Marcos, identificado com João Marcos, filho de Maria, em cuja casa os cristãos se reuniam para orar (vd At 12,12). Com Barnabé, seu primo, Marcos acompanha Paulo durante algum tempo na primeira viagem missionária (vd At 13,5.1315,37.39) e depois aparece com ele, prisioneiro em Roma (vd Cl 4,10), mas liga-se mais a Pedro, que o trata por ‘meu filho’ na saudação final da sua 1.ª Carta (1 Pe 5,13). Marcos terá escrito o Evangelho pouco antes da destruição de Jerusalém, que aconteceu no ano 70 e talvez logo após o Apóstolo Paulo ser martirizado por volta de 64 d.C.

Apesar de não estar entre os discípulos originais de Jesus Cristo, Marcos ter-se-á convertido posteriormente e tornou-se assistente do Apóstolo Pedro e pode ter escrito seu Evangelho com base no que aprendeu com ele.

Marcos e sua mãe, Maria, viveram em Jerusalém; sua casa era um local de reunião dos primeiros cristãos (vd At 12,12). Marcos deixou Jerusalém para ajudar Barnabé e Saulo (Paulo) em sua primeira jornada missionária (vd At 12,25; 13,4-6.42-48). Mais tarde, Paulo escreveu que Marcos estava com ele em Roma (vd Cl 4,10; F1m 1,24) e elogiou Marcos como companheiro, que era “muito útil para o ministério” (2Tm 4,11). Pedro referiu-se a ele como “meu filho Marcos” (1Pe 5,13), sugerindo a proximidade do seu relacionamento.
***

O livro, de redação tersa e ritmo veloz com frases carregadas de grande dramatismo, reflete a catequese que Pedro, testemunha presencial dos acontecimentos, espontâneo e atento, ministrava à sua comunidade em Roma. É o menos extenso dos quatro livros do Evangelho e situa-se no Cânon entre os dois mais extensos Mateus e Lucas e a seguir a Mateus, o de maior uso na Igreja. Até ao século XIX, Marcos foi pouco estudado e comentado, para não dizer praticamente esquecido. Santo Agostinho anacronicamente considerava-o como um resumo de Mateus. Agora, é comum afirmar-se que todos os outros Evangelhos, sobretudo os Sinóticos, supõem e utilizaram mais ou menos o texto de Marcos, assim como o seu esquema histórico-geográfico da vida pública de Jesus: Galileia, Viagem para Jerusalém, Jerusalém.

A investigação aprofundada desde o século XIX, em torno da origem e da génese dos Evangelhos, trouxe Marcos à luz da ribalta; hoje, é geralmente considerado o mais antigo dos quatro, embora se creia que antes circulavam em folhas soltas relatos e extratos de discursos escritos em aramaico tradicionalmente tidos como “os ditos do Senhor”. Na verdade, a obra do evangelista supõe uma fase mais primitiva da reflexão da Igreja acerca do Acontecimento Cristo, que a originou; e só ele conserva o esquema da mais antiga pregação apostólica, sintetizada em Atos 1,22: começa com o baptismo de João (1,4) e termina com a Ascensão do Senhor (16,19).

Inicia-se repentina e dramaticamente e mantém um ritmo rápido, relatando acontecimentos numa sucessão muito veloz. Marcos usa com frequência os termos logo e imediatamente, devido ao efeito do ritmo rápido e de ação. Apesar de mais de 90% do material de Marcos ser encontrado nos relatos de Mateus e Lucas, os relatos de Marcos incluem detalhes adicionais que nos ajudam a apreciar mais a compaixão do Salvador e a reação das pessoas ao Seu redor (vd Mc 9,14-27 e Mt 17, 14-18). Por exemplo, Marcos relatou a receção ampla e entusiástica do Salvador pelo povo da Galileia e em outros locais no início de Seu ministério (vd Mc 1,32-33.45; 2,2;3,7-9; 4,1). E narrou cuidadosamente a reação negativa dos escribas e dos fariseus, cuja oposição rapidamente passou de apenas ter pensamentos céticos (vd Mc 2,6-7) para conspirar a fim de destruir Jesus (vd Mc 3,6).

Entre os temas importantes vêm as questões sobre quem era Jesus e quem entendeu a sua identidade, bem como o papel do discípulo (diferente da multidão, embora recrutado de entre as mais pessoas) como alguém que precisa de “tomar a sua cruz e seguir Jesus” (Mc 8,34). Ademais, Marcos é o único a relatar a parábola da semente que cresceu sozinha (vd Mc 4,26-27), a cura dum surdo na região de Decápolis (vd Mc 7,31-37) e a cura gradativa dum cego em Betsaida (vd Mc 8,22-26).

Este Evangelho contém pormenores – como citações traduzidas do aramaico, expressões latinas e explicações dos costumes judeus – que parecem direcionados a um público de romanos e pessoas de outras nações pagãs, bem como os que se converteram ao cristianismo, mais provavelmente em Roma e por todo o Império Romano. Muitos creem que Marcos pode ter estado com Pedro em Roma durante o período marcado por duras provas de fé para muitos membros da Igreja que residiam em diversos locais do Império Romano.

Um terço deste Evangelho relata os ensinamentos e as experiências do Salvador durante a última semana da sua vida terrena. Marcos prestou testemunho de que o sofrido Filho de Deus finalmente triunfou sobre o mal, o pecado e a morte – testemunho que significou que os seguidores do Salvador não precisavam de ter medo, porque, ao enfrentarem perseguição, provações ou mesmo a morte, estariam a seguir o Mestre. Deviam perseverar com confiança, sabendo que o Senhor os ajudaria e que a suas promessas serão sempre cumpridas
***

Evidenciando alguma pobreza de vocabulário e uma sintaxe menos cuidada, Marcos é parcimonioso em discursos, apresenta apenas dois discursos de fôlego: o capítulo das parábolas (cap. 4) e o discurso escatológico (cap. 13). Mas é exímio na arte de contar, apresentando muitas narrações – o que faz com nítido realismo e sentido do concreto, enriquecendo os relatos com pormenores e dando-lhes vida e cor. A este respeito, são típicos os casos do possesso de Gerasa, da mulher com fluxo de sangue e da filha de Jairo, no cap. 5. Presta especial atenção às palavras textuais de Jesus em aramaico, por ex. “Talitha qûm” (5,42) e “Eloí, Eloí, lemá sabachtáni” (15,34). E é de referir o dia-tipo da atividade de Jesus, descrito na assim chamada “jornada de Cafarnaúm” (1,21-34). De entre as perícopas e simples incisos próprios de Marcos, menciona-se o único texto bíblico em que Jesus aparece como “o Filho de Maria” (6,3), ao contrário dos outros que falam de Maria, mãe de Jesus.
***

Pode dizer-se, porventura de uma forma demasiado simples, que Marcos se torna espectador com os leitores acompanhando-os na realidade ora normal ora surpreendente. Como eles, acompanha e vive o drama de Jesus de Nazaré, desenrolado em dois atos, coincidentes com as duas partes deste Evangelho. Ao longo do primeiro, vai-se perguntando: Quem é Ele? E Pedro responderá por si e pelos outros, de forma direta e categórica: “Tu és o Messias!” (8,29). O segundo ato pode esquematizar-se com pergunta-resposta: De que maneira se realiza Ele, como Messias? Morrendo e ressuscitando (8,31; 9,31; 10,33-34).

Este Evangelho apresenta, assim, uma Cristologia simples e acessível: Jesus de Nazaré é verdadeiramente o Messias que, pela Morte e Ressurreição, demonstrou, como o reconheceu o centurião romano, ser verdadeiramente o Filho de Deus (15,39) que a todos possibilita a salvação. “Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos” (10,45). Foi esta a finalidade da sua encarnação.

Este plano é desenvolvido ao longo das 5 secções em que podemos dividir o Evangelho de Marcos, segundo a Bíblia dos Capuchinhos: I. Preparação do ministério de Jesus (1,1-13); II. Ministério na Galileia (1,14-7,23); III. Viagens por Tiro, Sídon e a Decápolis (7,24-10,52); IV. Ministério em Jerusalém (11,1-13,37); V. Paixão e Ressurreição de Jesus: (14,1-16,20).***

Ou de outra maneira:

Do cap. 1 ao cap. 4, Jesus é batizado por João Batista e começa a pregar, chama discípulos e realiza milagres. Conforme a oposição contra Ele aumentava, ensinava mais por parábolas.

Do cap. 5 ao cap. 7, Jesus continua a realizar muitos milagres, demonstrando a sua compaixão pelas pessoas. Depois que João Batista é morto, Jesus alimenta mais de cinco mil pessoas e caminha sobre as águas. E ensina contra falsas tradições.

Do cap. 8 ao cap. 10,  Jesus Cristo continua a realizar milagres. Pedro testifica que Jesus é o Cristo. O Salvador profetiza três vezes sobre o seu sofrimento, a sua Morte e a sua Ressurreição, mas os discípulos não entendem plenamente o significado. Ele ensina-os sobre a humildade e o serviço exigidos aos discípulos.

E do cap. 1 ao cap. 4,  durante a última semana da sua vida terrena, o Salvador entra em Jerusalém, ensina os discípulos, sofre no Getsémani e é crucificado. Por fim, Jesus Cristo ressuscita e sobe aos Céus.
***

Tal como os outros evangelistas, Marcos apresenta-nos a pessoa de Jesus e o grupo dos discípulos como primeiro modelo da Igreja.

Em relação ao Jesus Cristo, mais do que em qualquer outro Evangelho, Jesus, “Filho de Deus” (1,1.11; 9,7; 15,39), revela-se profundamente humano, de contrastes por vezes desconcertantes: é distante (4,38-39) e acessível (8,1-3), repele (8,12-13) e acarinha (10,16); impõe “segredo” acerca da sua pessoa e do bem que faz e manda apregoar o benefício recebido; manifesta limitações e até aparenta ignorância (13,32). É verdadeiramente o “Filho do Homem”, título da sua preferência. Desta sorte, a pessoa de Jesus torna-se misteriosa, porque encerra em si, conjunta e simultaneamente, um homem verdadeiro e um Deus verdadeiro. Vai residir aqui a dificuldade da sua aceitação por parte das multidões que O seguem e mesmo por parte dos discípulos.

Na primeira parte deste Evangelho (1,14-8,30), Jesus mostra-se mais preocupado com o acolhimento do povo, atende às suas necessidades e ensina; na segunda parte (8,31-13,37) volta-se preferencialmente para os Apóstolos que escolheu (3,13-19): e com sábia pedagogia vai-os formando, revelando-lhes progressivamente o plano da salvação (10,29-30.42-45) e introduzindo-os na intimidade do Pai (11,22-26).

Quanto ao Discípulo de Jesus, este Jesus, tão simples e humano, é também muito exigente para com os discípulos. Desde o início da sua pregação (1,14), arrasta as multidões atrás de si e alguns discípulos seguem-no (1,16-22). Porém, após a escolha dos Doze (3,13-19), começa a desenhar-se uma certa separação entre este grupo mais íntimo e as multidões. Todos seguem Jesus, mas de modos diferentes. Este seguimento exige esforço e capacidade de abertura ao divino, que se manifesta em Jesus de forma velada e indireta através dos milagres que Ele realiza. É por meio dos milagres que o discípulo descobre no Filho do Homem a presença de Deus, vendo em Jesus de Nazaré o Filho de Deus. Porque a pessoa de Jesus é essencialmente misteriosa, para o seguir, o discípulo precisa de fé a toda a prova: sente-se duvidoso, inseguro e tentado a abandoná-lo, vendo nele apenas o carpinteiro de Nazaré. Por isso, Jesus é também um incompreendido: os seus familiares pensam que Ele os trocou por uma outra família (3,20-21.31-35); os doutores da Lei e os fariseus não aceitam a sua interpretação da Lei (2,23-28; 3,22-30), nas questões do sábado e da expulsão dos demónios; os chefes do povo e dos sacerdotes veem-no como um revolucionário perigoso e dilemático para o seu “status quo” (11,27-33). Por isso, desde o início do Evangelho, se desenha o destino de Jesus: a morte (3,1-6; 14,1-2).

Mas, os discípulos “de dentro” não são muito melhores do que “os que estão de fora” (4,11). Também eles sentem dificuldade em compreender o mistério da pessoa de Jesus, que tem que lhes explicar as parábolas: parecem-se com os cegos (8,22-26; 10,46-53), que olham e não veem, e com os surdos que ouvem sem escutar (cf 4,11).

A incompreensão é uma das mais negativas caraterísticas do discípulo no texto de Marcos. É este o motivo por que, ao confessar o messianismo de Jesus (8,29), Pedro pensava num messias (termo hebraico que significa “Cristo” em grego) mais político que religioso e que libertasse o povo dos dominadores romanos. Isso aparece claro quando Jesus desvia o assunto e anuncia pela primeira vez a sua Paixão dolorosa (8,31). Pedro, não gostando de tal messianismo, começa a repreender o Mestre, vindo este a mandar-lhe que se retire e a acusá-lo de defender os interesses dos homens e não os de Deus (8,31-33). O que ele queria era como todos os discípulos de todos os tempos um cristianismo sem esforço e sem grandes compromissos, quando o Mestre trazia um messianismo radical a mover inteligências, corações e atitudes. A revolução é de dentro para fora e não de fachada e transitória.

Apesar da incompreensão manifestada pelos discípulos em relação aos seus ensinamentos, Jesus não desanima e continua a ensiná-los na perspetiva da cruz e do serviço pela Vida (8,31-38; 9,30-37; 10,32-45). O efeito não foi muito positivo: no fim da caminhada para Jerusalém e depois de Ele lhes ter recordado as dificuldades por que iria passar a sua fé (14,26-31), ao verem-no atraiçoado por um dos Doze e preso (14,42-45), “deixando-o, fugiram todos” (14,50-52):

Então, os discípulos, deixando-o, fugiram todos. Um certo jovem, que o seguia envolto apenas num lençol, foi preso; mas ele, deixando o lençol, fugiu nu.”.

E Pedro negou-O, como o fazemos tantas vezes, que também o traímos e fugimos dele.

Este é, certamente, o Evangelho onde qualquer cristão se sentirá mais bem retratado.

2017.11.28 – Louro de Carvalho

sábado, 25 de novembro de 2017

Festa da Catequese assinala o 1º aniversário da inaguração do Centro Paroquial

Para uma paróquia do interior - embora seja a sede do concelho - o número de crianças é interessante. Temos cerca de 350 catequizandos do 1º ao 10º ano. Quando se sente a natalidade - inverno em tantas e tantas freguesias deste interior, tão pouco zelado pelo poder central - não podemos deixar de nos sentir contentes com as crianças que ainda vamos tendo. Graças a Deus!
Hoje foi a festa da catequese.  Presença de muitos pais e amigos das crianças. Bom o trabalho realizado pelas crianças e jovens. Um aplauso para eles do tamanho do Amor de Deus! Viveram profundamente o momento, dentro das várias tarefas que desempenharam.
É justa uma palavra de enorme apreço pelo trabalho, dedicação, persistência dos catequistas. Muitos parabéns! São fantásticos!

Os apresentadores estiveram à altura das circunstâncias. Merecem aplauso.
Obrigado a quem colaborou com o trabalho e adequação do som, bem como a quem realizou as projeções.
 Na Eucaristia vespertina de Cristo Rei, celebramos um Deus de amor que Se faz Pastor para orientar e aquecer o coração dos crentes e afirma as Obras de Misericórdia como caminho do Reino.
Seguidamente, os 10 grupos de catequese desenvolveram o tema "a Caridade" que orienta este Ano Pastoral.
 A mensagem bíblica sobre a caridade, a caridade como forma de vencer desencontros, expressões da caridade, um Deus que pede para acolhermos o Seu amor, a beleza da caridade... Tudo passou naquele palco pela bela atuação dos mais novos.
Através de  representações, cânticos, textos, mensagens bíblicas dramatizadas, gravações, power point,  os catequizandos ofereceram ao público a beleza e o encanto da Caridade, porque Deus é Caridade.
O público esteve concentrado durante as atuações. É mesmo bom ver as pessoas contentes! E olhem que há gente nova com muito jeito mesmo para a representação! 5 estrelas.