quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

"A barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas do Senhor”

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Última audiência pública do pontificado
Bento XVI afirmou hoje no Vaticano que a sua decisão de renúncia ao pontificado, que se conclui esta quinta-feira, implicou uma “inovação” e disse que a mesma foi para o "bem da Igreja".
“Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e inovação, mas com uma profunda serenidade de espírito”, explicou o Papa, em português, perante mais de 150 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a última audiência pública do pontificado.
À imagem do que fez no último dia 11, quando anunciou a resignação, Joseph Ratzinger, de 85 anos, explicou a sua renúncia com a idade avançada e a falta de forças.
“Sentindo que as minhas forças tinham diminuído, pedi a Deus com insistência que me iluminasse com a sua luz para tomar a decisão mais justa, não para o meu bem, mas para o bem da Igreja”, precisou.
O Papa agradeceu “o respeito e a compreensão” com que foi recebida a sua decisão de renunciar ao pontificado e deixou uma promessa: “Continuarei a acompanhar o caminho da Igreja, na oração e na reflexão, com a mesma dedicação ao Senhor e à sua esposa que vivi até agora e quero viver sempre”.
Bento XVI sustentou que um Papa “não está sozinho na condução da barca de Pedro [Igreja Católica], embora lhe caiba a primeira responsabilidade”.
Nestes quase oito anos, sempre senti que, na barca, está o Senhor e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas do Senhor”, prosseguiu.
O Papa evocou o dia da sua eleição, a 19 de abril de 2005, lembrando que na altura falou num “grande peso” que lhe era colocado sobre os ombros.
“O Senhor colocou ao meu lado muitas pessoas que me ajudaram e sustentaram”, observou.
Bento XVI disse que vai continuar a “acompanhar a Igreja” com a sua oração e pediu aos fiéis que rezem por si e pelo seu sucessor.
“Peço que vos recordeis de mim diante de Deus e sobretudo que rezeis pelos cardeais chamados a escolher o novo sucessor do Apóstolo Pedro. Confio-vos ao Senhor, e a todos concedo a Bênção Apostólica”, apelou, em português, uma das 12 línguas em que o Papa interveio esta manhã.
Bento XVI apresentou a sua renúncia no último dia 11, com efeitos a partir de quinta-feira, por causa da sua “idade avançada”, abrindo caminho à eleição do seu sucessor.
A última renúncia de um Papa tinha acontecido há quase 600 anos, com a abdicação de Gregório XII, em 1415.
In agência ecclesia

“Fé Comprometida. Cidadania ativa”


Para o Dia Nacional da Cáritas, 3 de Março
 
1. Ao propor o Ano da Fé, que estamos a celebrar, o Santo Padre afirmava: a fé “é companheira de vida, que permite perceber, com olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós.
Solícita a identificar os sinais dos tempos, no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornarse sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo” (Porta Fidei, 15).
A fé, como dom a acolher e vida a praticar, é chamada a estar presente em todos os
acontecimentos e âmbitos do viver humano. Como encontro íntimo com Cristo a fé “caminha” nos conteúdos e situações da vida humana, sem excluir nenhuma dimensão ou sector. Tudo lhe diz respeito e tudo deve ser visto a partir dela. Assumida como encontro com Cristo, deve traduzir-se em critérios, comportamentos, atitudes que tornem visível a solicitude dum Pai Criador, manifestada através do amor redentor do Filho muito amado e concretizada na variedade imensa de talentos e qualidades das pessoas como fruto do Espírito de Amor presente e atuante na história.
2.Este necessário envolvimento da fé na vida desperta o cristão para a história humana, sabendo que os sinais que os tempos nos oferecem nos interpelam, pedem a nossa responsabilidade, exigem o nosso compromisso. Como cidadãos e cristãos nunca poderemos alhear-nos das condições de vida das pessoas e dos problemas da sociedade. Antes, somos chamados a tomar consciência do bater do seu coração, animados interiormente por um “coração que vê” e quer tornar visíveis no mundo os sinais do amor gratuito de Deus pela humanidade, sinais esses que se concretizam através da fidelidade e generosidade do agir humano.
Passar ao lado da realidade ou ignorá-la nas suas interpelações à consciência humana e crente contradiz uma fé esclarecida e comprometida. Percorrendo os caminhos dos homens e mulheres do nosso mundo e do nosso tempo, concretizamos o compromisso da fé através duma cidadania ativa, atenta às responsabilidades da hora presente, convicta da força transformadora dos gestos e dos sinais que, como expressão da fé, apontam para uma humanidade renovada. Se a fé é luz e força que faz compreender o quotidiano humano e procura transformá-lo para o bem (de cada um e da comunidade no seu conjunto), não podemos desresponsabilizar-nos, deixando de pensar a vida segundo os critérios do Evangelho e de colocar as orientações que dele decorrem na praça do diálogo e do confronto tolerante com os nossos concidadãos. Trata-se de uma colaboração a prestar através da reflexão (Semana Social) e da acção em ordem a que seja possível um novo modelo de sociedade.
São muitas as dificuldades que se apresentam e as forças adversas que pressionam em sentido contrário. É mais fácil permanecer no imobilismo, na desconfiança ou até num certo saudosismo do passado do que abrir-se à novidade de estilos de vida diferentes, de decisões estruturais indispensáveis, de compromissos voltados para futuro. O Evangelho é o mesmo de sempre, indicando-nos o caminho promissor e libertador do amor a Deus e ao próximo. Acreditar no Evangelho de Jesus e seu sentido para o viver humano individual e colectivo não é nunca um fato privado duma relação pessoal com Deus: “a fé implica um testemunho e um empenho público”; fé consciente e caridade activas não se separam; mais ainda, a caridade não é uma simples consequência da fé, mas expressão, vivência da própria fé, fé em acto.
3. Perante a simbologia da palavra crise, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI lança o desafio: “para sair da crise financeira e económica actual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico.”
Sabemos que a Igreja Católica, por graça de Deus e fidelidade de muitos homens e mulheres que a constituem, tem marcado a diferença no campo social, tornando manifestas, em múltiplas situações, a amplitude e a profundidade do amor cristão. Factos recentes sinalizam o reconhecimento disso mesmo: a “Carta de Louvor” atribuída pelo Conselho de Ministros à Obra Católica Portuguesa das Migrações e o “Prémio Direitos Humanos” atribuído pela Assembleia da República à Cáritas Portuguesa.
Contudo, há sempre um caminho a percorrer na fidelidade ao Evangelho e na consciência da cidadania responsável. Este tempo quaresmal que estamos a viver exige-nos um exame de consciência, reavaliando a autenticidade e a qualidade do que vamos fazendo, olhando mais ampla e profundamente para as tarefas que estão à nossa frente. Mergulhado nas circunstâncias concretas e complexas deste mundo, o cristão nunca esquece que a meta a alcançar e o maior de todos os prémios a receber é a vida eterna! Os reconhecimentos civis são um indicativo de que estamos no bom caminho e fortalece-nos na nossa determinação, mas, à luz do Evangelho, sabemos que o caminho a percorrer é longo, sempre de novo ameaçado pelas nossas fragilidades.
Aliás, Jesus é muito claro na sua advertência: “Se não vos arrependerdes…”. E, mais tarde, Paulo sublinhará na Primeira Carta aos Coríntios: “Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou.”
4. Por tudo isto, o Dia Nacional da Caritas deve ser uma ocasião para favorecer uma maior consciencialização sobre o lugar que a caridade deve ocupar nas nossas vidas e reforçar a coragem duma indispensável presença interventiva na sociedade. A fé incute-nos o dever de oferecer e propor aos homens e mulheres deste século XXI uma nova gramática do humano, onde a caridade seja estilo coerente e feliz de vida e, assim, a relação entre as pessoas e o funcionamento das estruturas da sociedade consigam ser expressões mais consentâneas de um mundo onde vale a pena viver. Apesar de todas as contrariedades e obstáculos, quando a fé e o amor caminham
juntos, podemos experimentar que, de facto e como recorda o filme de Roberto Benini, afinal “A vida é sempre bela”.
+ Jorge Ortiga, A. P.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Bento XVI na antevéspera de partir

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Momentos insólitos
do Pontificado de Bento XVI


 

Bento XVI não publicará a encíclica sobre a fé – embora em fase avançada – que devia apresentar na primavera. Já não tem tempo. E nenhum sucessor é obrigado a retomar uma encíclica incompleta do próprio predecessor. Mas existe outra encíclica de Bento XVI, escondida no seu coração, uma encíclica não escrita. Ou melhor, escrita não pela sua pena mas pelo gesto do seu pontificado. Esta encíclica não é um texto, mas uma realidade: a humildade.
A 19 de abril de 2005 um homem que pertence à raça das águias intelectuais, temido pelos seus adversários, admirado pelos seus estudantes, respeitado por todos devido à acutilância das suas análises sobre a Igreja e o mundo, apresenta-se, recém-eleito Papa, como um cordeiro levado para o sacrifício. Utilizará até a terrível palavra «guilhotina» para descrever o sentimento que o invadiu no momento em que os seus irmãos cardeais, na Capela Sistina, ainda fechada para o mundo, se viraram para ele, eleito entre todos, para o aplaudir. Nas imagens da época, a sua figura curvada e o seu rosto surpreendido testemunham-no.
Depois teve que aprender o mister de Papa. Extirpou, como raízes arraigadas sob o húmus da terra, o eterno tímido, lúcido na mente mas desajeitado no corpo, para o projetar perante o mundo. Foi um choque para ambas as partes. Não conseguia assumir a desenvoltura do saudoso João Paulo II. O mundo compreendia mal aquele Papa sem efeito. Bento XVI nem teve os cem dias de "estado de graça" que se atribuem aos presidentes profanos. Teve, sem dúvida, a graça divina, fina mas pouco mundana. Contudo teve, ainda e sempre, a humildade de aprender sob os olhares de todos.
Foram sete anos terríveis de pontificado. Nunca um Papa teve, num certo sentido, tão pouco "sucesso". Passou de polémica em polémica: crise com o Islão depois do seu discurso de Ratisbona, onde evocou a violência religiosa; deformação das suas palavras sobre a Sida durante a primeira viagem à África, que suscitou um protesto mundial; vergonha sofrida pelo explodir da questão dos sacerdotes pedófilos, por ele enfrentada; o caso Williamson, onde o seu gesto de generosidade em relação aos quatro bispos ordenados por D. Lefebvre (o Papa revogou as excomunhões) se transformou numa reprovação mundial contra Bento XVI, porque não tinha sido informado sobre os discursos negacionistas da Shoah feitos por um deles; incompreensões e dificuldades de pôr em ação o seu desejo de transparência quanto às finanças do Vaticano; traição de uma parte do seu grupo mais próximo no caso Vatileaks, com o seu mordomo que subtraiu cartas confidenciais para as publicar...
Não teve nem sequer um ano de trégua. Nada lhe foi poupado. Às violentas provações físicas do pontificado de João Paulo II, ao atentado e ao mal de Parkinson, parecem corresponder as provações morais de rara violência desta litania de contradições sofrida por Bento XVI.
Ao renunciar, o Papa eclipsa-se. À própria imagem do seu pontificado. Mas só Deus conhece o poder e a fecundidade da humildade.
Jean-Marie Guénois
Copiado do SNPC.
Fonte: aqui

Bento XVI vai ser «Papa emérito»

 
Cidade do Vaticano, 26 fev 2013 (Ecclesia) – Bento XVI vai ser chamado “Papa emérito” após o final do seu pontificado, esta quinta-feira, anunciou hoje o porta-voz do Vaticano, em conferência de imprensa.
O padre Federico Lombardi adiantou que após a renúncia de Joseph Ratzinger, este manterá os títulos de “sua santidade Bento XVI”, “Papa emérito” e “Romano Pontífice emérito”.
O responsável confirmou que a denominação foi escolhida “de acordo com o Santo Padre”.
Bento XVI vai manter a “batina branca simples” como vestimenta, mas deve deixar de usar a 'mozeta' (capa curta que cobre os ombros) e os habituais sapatos vermelhos que o acompanharam desde 2005, quando foi eleito como sucessor de João Paulo II.
O padre Lombardi gracejou com esta situação e disse que o Papa alemão está muito satisfeito com os sapatos que lhe foram oferecidos em León, na viagem ao México, em março de 2012.
De acordo com a constituição apostólica ‘Universi Dominici Gregis’ (1996) de João Paulo II, o anel do pescador e o selo de chumbo do pontificado, insígnias oficiais do Papa, vão ser “anulados” pelo cardeal camerlengo. D. Tarcisio Bertone, e os seus colaboradores.
O gesto tem o significado de sublinhar que no período da Sé vacante - tempo entre o fim do pontificado e a eleição do Papa - ninguém pode assumir prerrogativas próprias do bispo de Roma.
Feito em ouro, o Anel do Pescador tem uma representação de São Pedro num barco, a pescar, e o nome do Papa em volta da imagem.
“O Papa já não utilizará o anel do pescador”, sublinhou o porta-voz do Vaticano, mas vai utilizar outro anel.
Bento XVI apresentou a sua renúncia no último dia 11, com efeitos a partir de quinta-feira, por causa da sua “idade avançada”, abrindo caminho à eleição do seu sucessor.
A última renúncia de um Papa tinha acontecido há quase 600 anos, com a abdicação de Gregório XII.
A Igreja Católica entra esta quinta-feira, depois das 20h00 de Roma (menos uma em Lisboa), no período de Sé vacante.
O cardeal decano, D. Angelo Sodano, vai enviar na sexta-feira uma “carta de convocação” aos cardeais para as congregações gerais, órgão interino de governo da Igreja.
“É verosímil que as congregações comecem após o sábado e o domingo [2 e 3 de março], o mais rapidamente possível”, afirmou o padre Federico Lombardi.
A data de início do próximo Conclave vai ser determinada durante estas reuniões gerais [congregações] de cardeais.
O Conclave, palavra com origem no latim 'cum clavis' (fechado à chave), pode ser definido como o lugar onde os cardeais se reúnem em clausura para eleição do Papa.
In agência ecclesia

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A comunhão como identidade e tarefa

Conceito-chave da eclesiologia do Vaticano II

A importância do pós-Concílio é notória na acentua­ção que tem sido feita da comunhão como “ideia central e fundamental nos documentos do Concílio” Convirá, entretanto, recordar o itinerário percorrido até se ter expli­citado este reconhecimento para se poder aferir, com a maior clareza possível, a sua verificabilidade.


Compreendida como mistério, a Igreja não é redutível a palavras ou definições. Daí que o Concílio tenha, conscien­temente, evitado descrevê-la através de um único conceito, recorrendo a várias representações como redil, rebanho, construção de Deus, esposa do Cordeiro, etc. Aliás, a própria Sagrada Escritura, onde se encontram estas repre­sentações, recorre a um extenso elenco de imagens para exprimir a realidade teológica da Igreja. Cada uma destas imagens acentua um determinado aspeto, sem que qual­quer delas constitua, por si só, uma descrição exaustiva da Igreja.
É, contudo, função da teologia utilizar estas imagens de forma reflexiva, “a fim de elaborar uma noção mais precisa e mais geral de Igreja. É aqui que aparecem os chamados modelos, enquanto referências a partir das quais se procura situar, teologicamente, a Igreja. Sabemos que o Vaticano II procurou superar um modelo marcadamente jurídico e institucional que pairava quer na compreensão, quer na prática da Igreja.
Percebe-se assim que a noção de de Deus tenha sido objeto de uma preferência dos Padres conciliares, como se depreende, desde logo, pelo lítulo do capítulo segundo da Lumen Gentium: precisamente O povo de Deus. É que esta noção prestava se a Ilustrar a conceção, essencialmente comunitária, de Igreja que o Concílio pre­tendia propor. Com ela, na verdade, ficava suficientemente realçada uma afirmação importante: a de que a Igreja não pode ser identificada apenas com a hierarquia. A Igreja diz respeito a todos os batizados, tanto no que concerne à sua dignidade de membros como no que se refere à sua responsabilidade na missão.
Além disso, nesta noção de povo de Deus, sublinhava-se outra vertente fundamental da compreensão da Igreja. Trata-se da sua unidade, que é de natureza religiosa. Com efeito, o próprio Deus é o autor de toda a comunhão eclesial. Por conseguinte, é preciso dispensar, nesta noção, uma atenção especial ao determinativo de Deus. Pois é a Deus que este povo (a Igreja) deve a sua existência e a sua identidade.
Foi exatamente neste domínio que a assimilação da eclesiologia do Vaticano II se revelou mais problemá­tica. De facto, uma leitura superficial do Concílio levou a que a noção de povo de Deus fosse, não raramente, apreendida e divulgada de forma ideológica. Em certos ambientes, a compreensão do povo de Deus não terá sido completamente imune à influência do próprio marxismo, ficando assim amputada do seu sentido original, que é bíblico.
O risco de se permanecer numa Igreja prevalentemente institucional era patente, embora de modo diferente: a acentuação do pólo hierárquico dava lugar a uma ênfase na oposição entre povo e hierarquia. Mais uma vez, a comunhão, na sua genuinidade, estava em perigo. É neste contexto que o Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985 propõe uma releitura do mistério da Igreja polarizada em torno do modelo da comunhão.
Não se trata, portanto, de substituir uma noção por outra, mas de fazer uma nova acentuação. Tenha-se, com efeito, em linha de conta que a comunhão aparecia já refe­rida ao mistério da Igreja nos documentos do Concílio, nomeadamente na Lumen Gentium e no Unitatis Redintegratio. Deste modo, chega-se à conclusão de que “o conceito de comunhão é muito adequado para exprimir o núcleo profundo do mistério da Igreja e pode ser cer­tamente a chave de leitura de uma renovada eclesiologia católica”.
In Continuará o Concílio atual

RECEITA QUARESMAL

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domingo, 24 de fevereiro de 2013

O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética… o que mais me preocupa é o silêncio dos bons! ( Luther King)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e levaram-me ;
já não havia mais ninguém para reclamar…

Martin Niemöller,(1892-1984)– símbolo da resistência aos nazistas.

Tarouca no Dia Diocesano do Catequista


O Departamento Diocesano da Catequese promoveu, no passado dia 23 de Fevereiro, o Dia Diocesano do Catequista, que teve lugar no Centro Paroquial de Almacave, em Lamego. Este dia de encontro dirigido a todos aqueles que vivem a missão de transmitir a fé, de um modo estruturado, inseridos nas próprias Paróquias e demais instituições eclesiais, foi presidido pelo Sr. D. António Couto, Bispo da Diocese.
Depois do acolhimento, pelas 09h30, seguiu-se a oração da manhã e a conferência, a cargo do Pe. Vasco Gonçalves, Diretor do Departamento da Catequese da Diocese de Viana do Castelo, subordinada ao tema: "Catequese familiar como desafio à iniciação cristã".
Da parte da tarde, os catequistas por paróquias foram convidados a apresentar em jeito de partilha, projetos já realizados com os pais e crianças de catequese.
Acompanhados pelo Diác. Adriano, alguns catequistas da Paróquia de São Pedro de Tarouca participaram no encontro com visível participação. Como habitualmente.
Os catequistas tarouquenses não puderam estar nas atividades da tarde, visto que a catequese paroquial tem exatamente lugar na tarde de sábado.
Além disso, no sábado próximo é a Festa da Catequese e, por tal motivo, os grupos estão em preparação intensiva.
 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado

Na noite de ontem, sexta-feira, teve lugar o 4º encontro da Escola da Fé.
O tema de ontem foi esta verdade de fé: "Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado."

Depois de uma introdução em que se abordou a Quaresma, falou-se da Paixão, Morte e Sepultura de Cristo", buscando o enquadramento bíblico.
A salvação e o pecado foram duas realidades presentes no encontro, perspectivadas e analisadas a partir da Bíblia e do Catecismo da Igreja Católica.
Houve um tempo para trabalho de grupo, cujas conclusões foram apresentadas à assembleia. O encontro terminou com a oração de Completas.
Como sempre, a projecção de power- points focalizou a atenção das pessoas.

O próximo encontro - 22 de março às 20.45 horas - abordará um tema que diz particularmente a todos: O SOFRIMENTO. Por que motivo existe? Por que motivo o permite Deus? etc...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Somos Igreja que vive da oração.


Todos: Somos Igreja que vive da oração.

1.- Hoje somos surpreendidos pelo episódio maravilhoso da transfiguração do Senhor…
2.- Sim! Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar.
3.- Enquanto orava, alterou-se o aspeto do seu rosto, e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente..
1. Pedro e os companheiros viram a glória de Jesus e Moisés e Elias, grandes homens do passado, que conversavam com Ele!
2.- Como é bom estarmos aqui! – Exclamou Pedro…
2.- Pedro, Tiago e João tiveram uma experiência extraordinária de Jesus no monte Tabor!
3.- Sim! Uma experiência gozosa e feliz! Enquanto orava, alterou-se o aspeto do seu rosto, e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente..
1.- Foi uma experiência de Deus muito intensa e maravilhosa que perpassou as suas entranhas…
2.- Jesus estava a prepará-los para os momentos difíceis que se aproximavam… Para a sua Paixão e Morte na cruz, difíceis de aceitar e de compreender…
3.- E estava a dizer-nos a todos que não podemos ser fortes na fé e na vida comos seus discípulos se não tocarmos a Sua intimidade, se não nos deixarmos tocar pela Sua intimidade…
1.- E o caminho que nos leva a tal é o da oração… Jesus orava…
2.- A oração é diálogo de Deus connosco e de nós com Deus.
3.- Oração é comunicação entre dois corações: o coração de Deus e o nosso coração…
Todos: Que lugar tem a oração na nossa vida? Que tempo dispensamos à oração? Como é que rezamos?... Entre nós, costumamos rezar em família?
1.- Só as pessoas de oração podem ser verdadeiros e felizes amigos de Deus.
2.- «Abrão acreditou no Senhor»… Confiou…
3. - «O Senhor estabeleceu com Abrão uma aliança».
1.- A oração faz-nos confiar no Senhor… É confiança no Senhor!
2. A oração faz-nos compreender que «a nossa pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo»…
3.- Sim! E também nos faz compreender que esse Céu já está aqui, porque o Senhor Jesus está connosco.
1.- Aceitemos o convite:
Todos - «Permanecei firmes no Senhor»
2. – Cultivemos o sentido da oração na nossa vida!...
Todos:- Que a nossa paróquia e as nossas famílias sejam casas e escolas de oração!
3. - Ouçamos um bocadinho do tanto que nos diz o Catecismo da Igreja Católica sobre a oração:
«O Senhor conduz cada pessoa pelos caminhos e da maneira que Lhe apraz. Por seu turno, cada fiel responde-Lhe conforme a determinação do seu coração e as expressões pessoais da sua oração. No entanto, a tradição cristã conservou três expressões principais da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a contemplação. Têm um traço fundamental comum: o recolhimento do coração. Esta atenção em guardar a Palavra e permanecer na presença de Deus faz destas três expressões tempos fortes da vida de oração». (nº 2699).
Todos: - Irmãos, a Igreja vive da Escritura, da Palavra que Deus nos dirige. A Igreja vive da oração. Vivemos da comunhão e diálogo de Deus connosco. Queremos que os nossos lares sejam casa e escola da Palavra de Deus, casa e escola da oração.

D. António Marcelino diz que o Papa «sentiu-se impotente ante os conflitos, manobras e até traições» que dominam a Cúria Romana

Bispo emérito de Aveiro espera que o sucessor de Joseph Ratzinger contribua para «enfrentar» estes problemas e encontrar soluções.

Veja aqui

2º DOMINGO DA QUARESMA - Ano C

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ALFABETO DO CRISTÃO

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A Igreja é para todos, mas não é para tudo

 
A Igreja é para todos, mas não é para tudo. Ela tem de estar aberta a todas as pessoas, mas não pode ser conivente com todas as situações. Ela tem de saber acolher. Mas também tem de ser capaz de discernir. Ela não pode desistir das pessoas. Mas também não pode abandonar a mensagem. Ela está no mundo não para receber aplausos, mas para prestar um serviço. Agradar nem sequer rima com servir. O que mais agrada pode não ser o que mais ajuda. Bento XVI denunciou «a busca do aplauso». O aplauso pode ser reconfortante, mas não é um bom sintoma. Um medicamento raramente é agradável. Mas é ele que nos cura!
João Teixeira, in facebook

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O nosso ‘As’ de trunfo

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O cristianismo tem uma mo­ral mas não é um moralismo. Tem uma doutrina mas não é uma filosofia.Tem um culto mas não é um ritualismo. Tem orações mas não é uma rezadoria... Tem profecia nas não é advinhação. Tem mílagres mas não é uma magia.

Então o que e essen­cialmente o cristianismo?
O cristianismo é uma boa notí­cia: ‘Jesus venceu o pecado e a morte’.

Poderás dizer-me que já tens essa Fé mas as tuas obras são muito diferentes das de Jesus. Possivelmente a tua religiosidade é um moralismo, ou uma filosofia, ou um ritualismo, uma procura de rezas para isto ou para aquilo, uma procura de presságios de boa sorte que te incutam confi­ança de soluções milagrosas para os teus problemas. Tudo o que essencialmente não é o cristianismo. Talvez nem sequer vivas como cristão.

Podes até conhecer pessoas que estão na comunidade e, porque são assim ou assado, tu pensas: "este caminho não é para mim". Pensa outra vez. Isso quer dizer que tu também podes caminhar da maneira como tu és, cabemos lá todos. Podemos ser coscuvilheiros ou calados. Julgadores ou murmuradores, perversos ingénuos,  ajuizados ou sem juízo, ricos ou pobres, sortudos ou azarados, cultos ou incultos. O importante é se queremos ter a Fé e a Vida de Jesus Cristo.
Neste Ano da Fé, eis a grande oportunidade pastoral que a Paróquia de São Pedro de Tarouca pode proporcionar. O nosso ‘As’ de trunfo se me per­mitem a comparação. Não é nada de novo mas continua a ser uma novidade. É cer­tamente o meio mais seguro para alcançar o que este ano nos propõe.

Já estamos com saudades de estar convosco, por causa de vós e d’ELE.
Na última sexta-feira de cada mês, Escola da Fé, no Centro Paroquial, 20.45 horas.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Papa convida Igreja a superar «orgulho e egoísmo»

Bento XVI pediu orações por si e pelo seu sucessor num dos últimos encontros com peregrinos.



A tradicional catequese destes encontros de oração foi dedicada ao episódio evangélico das “tentações” de Jesus, a partir das quais o Papa alemão alertou para a necessidade de os católicos rejeitarem os apelos “do egoísmo e o orgulho, do dinheiro e do poder”.
“A Igreja, que é mãe e mestra, chama todos os seus membros a renovar-se no espírito, a reorientar-se decididamente para Deus, renegando o orgulho e o egoísmo para viver no amor”, declarou.
Bento XVI referiu que Jesus teve de “desmascarar e recusar as falsas imagens do Messias” que se revelavam também “falsas imagens do homem, que em todos os tempos seduzem a consciência, travestindo-se de propostas convenientes e eficazes”.
“Neste Ano da Fé, a Quaresma é um tempo favorável para redescobrir a fé em Deus como critério-base da nossa vida e da vida da Igreja. Isso comporta sempre uma luta, um combate espiritual”, acrescentou.
Instrumentalizar Deus para os próprios fins
Segundo o Papa, o “núcleo central” das tentações consiste em “instrumentalizar Deus para os próprios fins” dando mais importância “ao sucesso e aos bens materiais”.
“Desta maneira, Deus torna-se secundário, reduz-se a um meio, torna-se definitivamente irreal, já não conta, desvanece-se. Em última análise, nas tentações está em jogo a fé, porque está em jogo Deus”, precisou.
A intervenção de Bento XVI deixou votos de que a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa iniciado esta quarta-feira, seja para os católicos “caminho de uma autêntica conversão para Deus e tempo de partilha intensa” da fé em Jesus Cristo.
In agência ecclesia

Conselho Económico

Reuniu na passada sexta-feira o Conselho Económico Paroquial.
Em análise estiveram o processo da construção do 3º corpo do Centro Paroquial, a situação económica da paróquia, pequenas intervenções em Santa Helena, informações prestadas e outros assuntos.
A reunião decorreu num ambiente sereno, as pessoas expressaram o seu ponto de vista e apontaram-se algumas linhas de rumo a seguir. São pessoas que combinam seriedade com empenho. Estão de parabéns por isso.
Este Conselho quer ser sempre grato a quem ajuda a paróquia e isso foi manifestado.




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O nosso boletim APELO

 
Será distribuído nas Missas deste fim-de-semana.

1º Domingo da Quaresma - 2013

(Símbolos a valorizar: bordão, caixa da renúncia, Bíblia, Youcat, pão, vinho e vela)

Bordão
1º Leitor: Estamos a viver o primeiro domingo da Quaresma. Quaresma é um tempo muito especial na vida dos cristãos.
Ao longo da Quaresma somos convidados a uma particular atenção à nossa vida, à Palavra de Deus.
Senhor, como sinal da nossa caminhada quaresmal, apresentamos-Te este bordão, o bordão do caminhante.

Caixa da Renúncia
2º Leitor: Quaresma é tempo de conversão. É tempo de olharmos para o nosso coração para verificar o que nele existe de bom e de menos bom para melhorar o nosso modo de ser.
É tempo de olharmos para o coração de Deus, e de nos abrirmos à generosidade infinita da sua misericórdia e do seu perdão…
É tempo de nos olharmos como comunidade cristã, como Igreja, que tem muito de bom e maravilhoso, mas que é constantemente chamada à conversão, a melhorar o seu estilo de vida.
Senhor, como sinal do nosso desejo de conversão, apresentamos a nossa caixa da renúncia. Queremos que ela signifique a abertura do nosso coração à misericórdia de Deus e ao amor aos irmãos.

 Bíblia
1º Leitor: Hoje somos especialmente convidados a confiar em Deus e na Sua Palavra. Diz-nos a segunda leitura desta Eucaristia: «A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração». «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido»
Todos: - Irmãos, a Igreja vive da Escritura, da Palavra de Deus que Deus nos dirige
2º Leitor: Jesus também foi tentado: - «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão».
Mas Jesus vence a tentação e indica-nos o caminho certo e seguro: ‘Nem só de pão vive o homem’. ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’».
Sim! Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus!
Todos: - Irmãos, a Igreja vive da Escritura, da Palavra de Deus que Deus nos dirige
1º Leitor:  Senhor, trazemos-Te a Bíblia, o livro da Palavra que nos deste, para indicar:
- que queremos a Palavra de Deus na nossa vida;
-  que queremos a Palavra de Deus  no nosso lar;
- que queremos apoiar a nossa oração nos textos da Bíblia;
- que queremos que a Palavra de Deus que nos é dirigida em cada domingo, tenha eco tem no nosso coração e na nossa vida.

Youcat
2º Leitor: somos chamados a «readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são discípulos de Jesus».
Atendamos ao testemunho dos primeiros cristãos: Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos.
Todos: - Irmãos, a Igreja vive da Escritura, da Palavra de Deus que Deus nos dirige. A Igreja vive dos ensinamentos que os sucessores dos Apóstolos têm dado à humanidade.
1º Leitor: Eis o Catecismo da Igreja Católica! Aqui que está a doutrina fundamental da Igreja, organizada e apresentada de uma forma sistemática e integral…. Aqui estão as grandes verdades da nossa fé em linguagem do nosso tempo.
Todos: - Irmãos, a Igreja vive da Escritura, da Palavra de Deus que Deus nos dirige. A Igreja vive dos ensinamentos que os sucessores dos Apóstolos têm dado à humanidade.
2º Leitor: Perguntemo-nos: E nós? O que é que conhecemos da doutrina da Igreja? O que é que conhecemos dos ensinamentos do Santo Padre e do nosso Bispo?
Gostamos de frequentar reuniões de formação cristã? Ou temos pouca preocupação em esclarecer a nossa fé?
1º Leitor: Senhor, trazenos-Te o Catecismo da Igreja Católica. Ajuda-nos a gostar da tua Verdade, de toda a Tua Verdade!
Todos: - Irmãos, a Igreja vive da Escritura, da Palavra de Deus que Deus nos dirige. A Igreja vive dos ensinamentos que os sucessores dos Apóstolos têm dado à humanidade.

Pão, o vinho e a vela
1º Leitor: A primeira leitura diz: «Deus dos nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz, viu a nossa miséria, o nosso sofrimento e a opressão que nos dominava. O Senhor fez-nos sair do Egipto».
Trazemos- Te, Senhor, estes dons que nos deste.
A vela, símbolo da nossa fé. Que a fé ilumine a nossa caminhada quaresmal!
O pão e o vinho que se vão tornar no Corpo e Sangue de Cristo, sustento da nossa vida cristã. Que pela força da Eucaristia sintamos mais coragem para a caminhada de conversão quaresmal.
Todos:  Sintamos o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são discípulos de Jesus.

ORAÇÃO DIÁRIA EM FAMÍLIA PARA A 1ª SEMANA DA QUARESMA

Senhor, nós somos a Vossa Igreja, que  vive da Escritura Sagrada, e dos ensinamentos que os sucessores dos Apóstolos têm dado à humanidade. Queremos que o nosso lar sejam casa e escola da Palavra de Deus, casa e escola dos ensinamentos da Igreja. Amen                                                                                                           

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Os valores cristãos na vida dos pequeninos

Escrito por Rachel Abdalla. Publicado em Catequese

 
 Se a criança recebe, desde a sua primeira infância, orientações voltadas para os valores cristãos, isso faz com que ela cresça praticando as virtudes e os ensinamentos de Jesus, de modo natural. E, esta orientação deve ser feita inicialmente pelos pais, no dia a dia, constantemente, sem desânimo e acreditando que não só as palavras, mas principalmente as atitudes são mais perceptíveis aos olhos dela. E, depois, estas orientações e exemplos devem continuar na catequese, lembrando o que pediu o Senhor: Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos céus! (Mc 10,14).
O Evangelho, que é a Palavra do próprio Deus para os homens, não é uma teoria distante, mas uma orientação de como viver a prática do amor e, por isso, precisa ser vivenciado e praticado. É como uma cartilha que aponta o caminho a ser seguido para se encontrar a felicidade.
A partir do momento em que a criança é inserida numa comunidade cristã, desde o seu Batismo, ela precisa aprender a viver coerentemente com os princípios que regem esta comunidade, pois a violência e a falta de caráter, por exemplo, são frutos de uma formação indiferente aos valores cristãos. Segundo Santo Thomás de Aquino: O pai é princípio da geração, da educação e da disciplina, de tudo o que se refere ao aperfeiçoamento da vida humana1. E segundo a Declaração Gravissimum Educationis, sobre Educação Cristã, promulgada no Concílio Vaticano II, 'as crianças têm direito de serem estimuladas a estimar retamente os valores morais e a abraçá-los pessoalmente, bem como a conhecer e a amar Deus mais perfeitamente'.
Os valores cristãos devem ser conhecidos pelas crianças para que, através da prática, se tornem cristãs de verdade. Contrariando o provérbio que diz que 'o hábito não faz o monge', é importante acreditar que os hábitos cristãos tornam as pessoas cristãs sim, pois, suas atitudes revelam o seu caráter e a sua integridade, a sua crença e a sua fé, ou seja, aquilo que ela é de fato.
No Discurso à Comunidade do Caminho Neocatecumenal, em 20 de janeiro de 2012, o Papa Bento XVI disse: 'Amadas famílias, a Igreja agradece-vos; ela tem necessidade de vós para a nova evangelização. A família é uma célula importante para a comunidade eclesial, onde as pessoas se formam para a vida humana e cristã...É com grande alegria que vejo os vossos filhos, tantas crianças que olham para vós, para o vosso exemplo... Convido-vos a não ter medo: quem leva o Evangelho nunca está sozinho.'
Isso vem reforçar a importância da prática dos ensinamentos e valores cristãos na vida dos pequeninos que olham para seus pais como um caminho a ser seguido, a fim de que cresçam fortes na fé e solidários aos apelos do mundo e dos menos favorecidos, seguindo os exemplos de Jesus Cristo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quarta-feira de cinzas

 
É na quarta-feira de cinzas que começa a quaresma. Passam-se quarenta dias antes da Sexta-feira Santa. O nome “oficial” da quarta feira de cinzas é “ O Dia das cinzas”. O motivo pelo qual este dia ficou conhecido como quarta-feira de cinzas é que são 40 dias antes da Sexta-feira Santa, e o primeiro dia é sempre uma quarta-feira.
 
"Qual será o sentido das Cinzas?
 
Descobrimos uma série de textos bíblicos que nos sugerem o significado das Cinzas na liturgia cristã. Ora vejamos: «Abraão continuou: Eu atrevo-me a falar ao meu Senhor, eu que sou poeira e cinza» (Gen 17, 28). «Jejuaram naquele dia, vestiram-se com saco, cobriram a cabeça com cinza e rasgaram as suas vestes» (1 Mac 3, 47). «Satanás feriu com chagas malignas desde a planta dos pés ao cume da cabeça. Então Job apanhou um saco de cerâmica para se coçar e sentou-se no meio da cinza» (Job 2, 8). «De que se orgulha quem é terra e cinza?» (Ecle 10, 9)…
Cobrir a cabeça com a cinza ou sentar-se sobre a cinza, é sinal exterior de uma realidade profunda, a realidade da existência interior: arrependimento dos caminhos da destruição, reconhecer que sou tão frágil como o pó que desaparece ao mais pequeno sopro e que ainda há muito para mudar e converter.
Esta prostração e este despojamento, poderão ferir as mentes menos esclarecidas ou mais ávidas na exaltação da grandeza do homem. A razão, aparentemente, poderá estar do seu lado, porém, este sentido das cinzas pretende relembrar que será no reconhecimento da sua pequenez, que o homem manifesta a sua grandeza e que na sua simplicidade encontra a sua verdadeira dimensão diante de Deus, da Criação e, sobretudo, diante dos seus semelhantes.
Deus não quer o sofrimento, a morte e a angústia humana. Deus quer um homem vivo e feliz em plenitude. Deus consiste no amor. Não cria homens religiosos, mas cria homens para viverem em plenitude.
Mesmo na pequenez e fragilidade humana, Deus quer que o homem se afirme infinitamente na construção do amor e da paz para todos. Não deseja nunca que o homem se negue a si próprio. Não nos quer sofredores e perdidos, mas que sejamos nós a negar o pecado, o mal, a falta de amor, a falta de esperança e tudo o que seja egoísmos e ódios. O Deus que se descobre em todo o tempo, mas particularmente, neste Tempo da Quaresma, é o Deus da acção afirmativa, da acção sempre positiva sobre e para a humanidade.
Reparemos no que diz o profeta: «…ó povo de Gomorra: Que me interessa a quantidade dos teus sacrifícios? - diz Javé. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos. Não gosto do sangue de bois, carneiros e cabritos. Quando vindes à minha presença e pisais os Meus átrios, alguém vos exige alguma coisa? Deixai de trazer ofertas inúteis. O incenso é coisa nojenta para mim; luas novas, sábados, assembleias… não suporto injustiça juntamente com solenidade. Eu detesto as tuas luas novas e solenidades. Para mim torna-se um peso que já não posso suportar. Quando para mim ergueis as mãos, Eu desvio o Meu olhar; ainda que multipliqueis as vossas orações, Eu não vos escutarei. As vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos e purificai-vos, tirai da frente dos meus olhos as maldades que praticais. Deixai de fazer o mal, e aprendei a fazer o bem…» (Is 1, 10-20).
Perante esta declaração qual será o verdadeiro jejum? - Será este: deixar a injustiça, a mentira, o egoísmo, a ganância, a violência das palavras e dos gestos, a concorrência desleal, a calúnia, a inverdade das coisas como norma de vida pessoal e social, a religiosidade puramente exterior, o fundamentalismo religioso e todas as fezadas infantis, o comodismo interesseiro, o silêncio calculado, a vida centrada no ego sem pensar que somos comunidade, o mal como opção consciente, a recusa do encontro (se quiserem podem continuar a lista)... Podem ser estes ou outros os propósitos de jejum para esta Quaresma e para toda a nossa vida. Tentar não custa e se realizada qualquer coisa nem que seja em pequeno gesto ou sinal pode já fazer uma grande diferença. Tentemos..."
Fonte: aqui

O que é a Quaresma?

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A Quaresma é um período de 40 dias, excetuando os domingos, marcado por apelos ao
 jejum,
partilha
e penitência,
que serve de preparação para a Páscoa (celebrada este ano a 31 de março), a principal festa do calendário cristão.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Missão País na nossa comunidade

Os jovens universitários da Missão País, acompanhados do sr. P.e Miguel, que desde o dia 7 deste mês têm estado entre nós, vão partir amanhã.
Veja aqui

Mensagem para esta Quaresma, de D. António Couto, Bispo de Lamego

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RESPONDER AO AMOR DE DEUS

1. Na sua mensagem para esta Quaresma, vivida em pleno Ano da Fé, o Papa Bento XVI convida-nos a entrelaçar a fé e o amor. Assim: é de Deus a iniciativa de vir amorosamente ao nosso encontro (Dei Verbum, n.os 2 e 21), e é dele o primeiro movimento de amor em relação a nós (1 João 4,10 e 19), quando em nós nada havia de amável (Romanos 5,8). Portanto, diz bem o Apóstolo: «o amor vem de Deus» (1 João 4,7a).
2. A este Deus que toma a iniciativa de vir ao nosso encontro por amor, e a nós se entrega por amor, só nos compete responder pela fé, que é a nossa entrega pessoal a Deus, implicando todas as nossas energias, faculdades e capacidades, também o nosso amor (Dei Verbum, n.º 5), que o amor primeiro de Deus em nós faz nascer. É outra vez verdade o que diz o Apóstolo: «Quem ama, nasceu de Deus» (João 4,7b). E é assim também que a nossa fé é verificada pelo amor.
3. Mas como Deus não veio apenas ao meu encontro para só a mim se entregar por amor e só em mim fazer nascer o amor, mas veio ao encontro de todos e a todos se entregou por amor, então a minha fé é verificada pelo meu amor a Deus e a todos os meus irmãos amados por Deus. Diz bem outra vez o Apóstolo: «Quem não ama o seu irmão, que bem vê, não pode amar a Deus, que não vê» (João 4,20).
4. E o Apóstolo insiste em pôr diante dos nossos olhos esta chave de verificação: «Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte» (1 João 3,14). A verdadeira morte não é então o termo da vida, mas aquilo que, desde o princípio, impede de nascer: o não acolhimento do Deus que vem por amor, para, por amor, fazer nascer em nós o amor e novas e impensáveis pautas de fraternidade.
5. Sim, então o amor ou a caridade não cabe, longe disso, naquilo que habitualmente designamos por solidariedade ou ajuda humanitária. O amor ou a caridade desborda sempre dessas realidades, e impele-nos ao anúncio do Evangelho, que é mostrar Deus que vem por amor ao nosso encontro, para nos servir o amor e fazer nascer em nós, como resposta, o serviço humilde, próximo e dedicado do amor.
6. Por isso, o tempo da Quaresma é um tempo diferente. Não é o tempo segmentado de chrónos, em que se sucedem os dias e as horas, mas um tempo novo e insuspeitado, que a Bíblia chama kairós, que se mede, não pela quantidade, mas pela qualidade, não pelo que passa, mas pela plenitude: trata-se da enchente da Palavra de Deus que, inundando a nossa vida, reclama a nossa resposta amante e transforma a nossa vida.
7. Um visitante estrangeiro foi visitar o famoso rabino polaco Hofez Chaim, e ficou espantado quando viu que a casa do rabino era apenas um simples quarto cheio de livros, e os únicos móveis eram uma mesa e um pequeno banco. «Mestre, onde estão os teus móveis?», perguntou o visitante. «E os teus onde estão?», retorquiu o rabino. «Os meus? Mas eu sou um visitante; estou aqui apenas de passagem», respondeu o visitante. «Também eu», retorquiu o rabino.
8. Sim, convenhamos que acabámos de assistir a uma eloquente lição de «renúncia» aos bens terrenos. Mas facilmente nos apercebemos que o termo «renúncia», hoje, nesta cultura de «Laodiceia» em que vivemos, e que obedece ao refrão «sou rico, enriqueci, e não preciso de nada» (Apocalipse 3,17), está claramente fora de moda e resulta incompreensível. «Deixar é perder», repetem tranquilamente os maus mestres.
9. Mas o Mestre mesmo, que é Jesus, ensina-nos a «renunciar» às coisas e até a nós mesmos, às nossas gorduras materiais e espirituais. «Renunciar» é «dizer não». Aos pesos que atrapalham a suavidade e a leveza que nos configuram ao Mestre (Mateus 11,28-30). A Quaresma é este tempo novo, não nosso, de fazer um verdadeiro jejum na nossa vida. Jejuar não é deixar de comer hoje, para comer amanhã. De nada nos valeria. Jejuar é olhar para a nossa vida, para a nossa casa e para a nossa mesa, até perceber que tudo é dom de Deus, não apenas para mim, mas para todos os seus filhos e meus irmãos, e, agir em consequência, partilhando com todos a minha vida, a minha casa, a minha mesa.
10. Apelo, portanto, a todos os irmãos e irmãs que Deus me deu nesta querida Diocese de Lamego a que, nesta Quaresma, deixemos a enxurrada da Palavra de Deus tomar conta da nossa vida. No meio da enxurrada, perceberemos logo que não salvaremos muitas coisas, e que aquilo que mais queremos encontrar é uma mão segura que nos ajude a salvar a nossa vida.
11. Aí está o tempo santo da Quaresma. Já estamos a sentir a mão de Deus (Isaías 41,13; 42,6; 45,1; Jeremias 31,32). Demos também a nossa mão aos nossos irmãos mais necessitados. Por isso e para isso, proponho que façamos um verdadeiro caminho de «renúncia» quaresmal. Como já fizemos o ano passado, convido-vos a olhar por e para os nossos irmãos de perto e de longe. Vamos destinar uma parte da nossa «renúncia» quaresmal para o fundo solidário diocesano, para aliviar as dores dos nossos irmãos de perto que precisem da nossa ajuda. Olhando para os nossos irmãos de longe, vamos destinar outra parte do contributo da nossa caridade para as missões dos Padres Vicentinos espalhadas pelas zonas de Chókwe e Caniçado, no Vale do Rio Limpopo, Moçambique, grandemente devastadas pelas cheias, que ali provocaram dezenas de mortos e mais de 100 mil desalojados, e que deixam as populações pobres à mercê da fome e de doenças várias, como a cólera e a malária. A finalidade da nossa Renúncia Quaresmal será anunciada em todas as Igrejas da nossa Diocese no Domingo I da Quaresma, realizando-se a Colecta no Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.
12. Com a ternura de Jesus Cristo, saúdo todas as crianças, jovens, adultos e idosos, catequistas, acólitos, leitores, escuteiros, cantores, ministros da comunhão, membros de todas as associações e movimentos, departamentos e serviços, todos os nossos seminaristas, todos os consagrados, todos os diáconos e sacerdotes que habitam e servem a nossa Diocese de Lamego ou estão ao serviço de outras Igrejas. Saúdo com particular afecto todos os doentes, carenciados e desempregados, e as famílias que atravessam dificuldades. Uma saudação especial aos nossos emigrantes.
Na certeza da minha oração e comunhão convosco, a todos vos abraça o vosso bispo António.