sábado, 21 de julho de 2012

7 tópicos sobre o Baptismo

  Sabe o dia em que foi baptizado?

É uma graça imensa que deve também aos meus pais, mas sobretudo, a Deus, que assim o fez tomar parte da Sua proximidade.

Vamos ver a excelente lição do Papa Bento XVI à diocese de Roma no passado dia 11 de Junho, exactamente sobre o baptismo.

Entretanto “É o carteiro” publicou em “fascículos” uma arrumação muito pedagógica da lição do Papa. Com a devida vénia e gratidão irei lembrar cada um destes pontos da lição do Papa.

Veja aqui


Por conseguinte, ser baptizado quer dizer estar unido a Deus; numa existência única e nova  nós pertencemos a Deus,  estamos imersos no próprio Deus.

Pensando nisto, podemos ver imediatamente algumas consequências.

A primeira, é que Deus já não está muito distante de nós, não é uma realidade a debater – se existe ou não existe – mas nós estamos em Deus, e Deus está em nós.

A prioridade, a centralidade de Deus na nossa vida constitui uma primeira consequência do Baptismo.

À pergunta: «Deus existe?», a resposta é:  «Existe, e está connosco; centra na nossa vida  esta proximidade de Deus, este estar no próprio Deus, que não é uma estrela distante, mas é o ambiente da minha vida».


Uma segunda consequência daquilo que eu disse é que nós não nos fazemos cristãos.

 Tornar-se cristão não é algo que deriva de uma minha decisão: «Agora faço-me cristão».

Sem dúvida, também a minha decisão é necessária, mas é sobretudo uma acção de Deus comigo:  não sou eu que me faço cristão, mas eu sou assumido por Deus, guiado pela mão por Deus e assim, dizendo «sim» a esta acção de Deus, torno-me cristão.

Tornar-se cristão, num certo sentido, é passivo: eu não me faço cristão, mas é Deus quem me faz um homem seu, é Deus quem me toma pela mão e realiza a minha vida numa nova dimensão.

Do mesmo modo como não sou eu que me faço viver a mim mesmo, mas é a vida que me é dada; nasci não porque me fiz homem, mas nasci porque o ser homem me foi dado.

E este facto do passivo, de não nos fazermos cristãos sozinhos, mas de termos sido feitos cristãos por Deus, já inclui um pouco o mistério da Cruz: só morrendo para o meu egoísmo, saindo de mim mesmo, posso ser cristão.


E finalmente, voltemos à Palavra de Cristo aos saduceus: «Deus é o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob», e portanto eles não estão mortos; se são de Deus, estão vivos.

Quer dizer que com o Baptismo, com a imersão no nome de Deus, estamos também nós já imersos na vida imortal, somos vivos para sempre.

Por outras palavras, o Baptismo é uma primeira etapa da Ressurreição: imersos em Deus,

já nos encontramos imersos na vida indestrutível, começa a Ressurreição.


O Sacramento do Baptismo não é o gesto de uma hora, mas constitui uma realidade de toda a nossa vida, é um caminho de toda a nossa existência.

Na realidade, por detrás encontra-se também a doutrina dos dois caminhos, que era fundamental no primeiro cristianismo: um caminho ao qual dizemos «não», e outro caminho al qual dizemos «sim».

Comecemos pela primeira parte, as renúncias.

São três, e realço sobretudo a segunda: «Renunciais às seduções do mal, para não vos deixardes dominar pelo pecado?».

Que são estas seduções do mal?

Na Igreja antiga, e ainda durante séculos, aqui havia esta expressão: «Renunciais à pompa do diabo?», e hoje sabemos o que se entendia com esta expressão: «pompa do diabo».

A pompa do diabo eram sobretudo os grandes espectáculos cruentos, nos quais a crueldade se torna divertimento, matar homens se torna algo espectacular: espectáculo, a vida e a morte de um homem.

Estes espectáculos cruentos, este divertimento do mal, é a «pompa do diabo», onde se manifesta com beleza aparente e, na realidade, aparece com toda a sua crueldade.

Mas para além deste significado imediato da palavra «pompa do diabo», devia-se falar de um tipo de cultura, de um way of life, de um estilo de vida no qual não conta a verdade mas a aparência, não se procura a verdade mas o efeito, a sensação, e sob o pretexto da verdade, na realidade, destroem-se homens, deseja-se destruir e criar-se só a si mesmo como vencedor. Portanto, esta renúncia era muito real: era a renúncia a um tipo de cultura que é uma anticultura, contra Cristo e contra Deus.

Agora deixo a cada um de vós a reflexão sobre esta «pompa do diabo», sobre esta cultura à qual dizemos «não».

Ser baptizado significa exacta e substancialmente, um emancipar-se, um libertar-se desta cultura.

Conhecemos também nos dias de hoje um tipo de cultura na qual a verdade não conta; não obstante, aparentemente, se deseje fazer manifestar toda a verdade, só contam a sensação e o espírito de calúnia e de destruição.

Uma cultura que não procura o bem e cujo moralismo é, na realidade, uma máscara para confundir, criar confusão e destruição.

Contra esta cultura, na qual a mentira se apresenta nas vestes da verdade e da informação,

contra esta cultura que procura unicamente o bem-estar material e nega Deus, digamos «não».

Conhecemos bem, inclusive graças a numerosos Salmos, este contraste de uma cultura na qual uma pessoa parece intocável por todos os males do mundo, pondo-se acima de todos, acima de Deus, enquanto na realidade é uma cultura do mal, um domínio do mal.


«Renunciais ao pecado para viver na liberdade dos filhos de Deus?».

Hoje liberdade e vida cristã, observância dos mandamentos de Deus, caminham em direcções opostas; ser cristão seria como uma escravidão; liberdade é emancipar-se da fé cristã, emancipar-se – no final de contas – de Deus.

A palavra pecado parece para muitos quase ridícula, porque dizem: «Como?! Não é possível ofender a Deus!

Deus é tão grande, o que interessa a Deus, se eu faço um pequeno erro?

Não podemos ofender a Deus, o seu interesse é demasiado grande para ser ofendido por nós».

Parece verdade, mas não é assim.

Deus fez-se vulnerável.

Em Cristo crucificado vemos que Deus se fez vulnerável, fez-se vulnerável até à morte.

Deus interessa-se por nós porque nos ama, e o amor de Deus é vulnerabilidade, o amor de Deus é interesse pelo homem, o amor de Deus quer dizer que a nossa primeira preocupação

deve ser não ferir, não destruir o seu amor, não fazer nada contra o seu amor porque, caso contrário, viveremos também contra nós mesmos e contra a nossa liberdade.

E, na realidade, esta liberdade aparente na emancipação de Deus torna-se imediatamente escravidão de muitas ditaduras do tempo, que devem ser seguidas para se ser considerado à altura do tempo.


No final permanece a questão – apenas uma breve palavra – do Baptismo das crianças.

É justo fazê-lo, ou seria mais necessário percorrer primeiro o caminho catecumenal para alcançar um Baptismo autenticamente realizado?

E outra pergunta que se apresenta sempre é a seguinte: «Mas podemos impor a uma criança a religião que ela há-de viver ou não? Não devemos deixar à criança a escolha?».

Estas perguntas demonstram que já não vemos na fé cristã a vida nova, a vida verdadeira, mas vemos uma escolha entre outras, e também um peso que não se deveria impor sem obter o assentimento da parte do sujeito.

A realidade é diferente.

A própria vida é-nos dada sem que nós possamos escolher se queremos viver ou não; a ninguém pode ser perguntado: «Queres nascer ou não?».

A própria vida é-nos dada necessariamente sem consentimento prévio, é-nos concedida assim e não podemos decidir antes «sim ou não, quero viver ou não».

E, na realidade, a pergunta verdadeira é: «É justo dar a vida neste mundo, sem ter recebido o consentimento – queres viver ou não? Pode-se realmente antecipar a vida, dar a vida sem que o sujeito tenha tido a possibilidade de decidir?».

Eu diria: só é possível e justo se, com a vida, podemos oferecer também a garantia de que a vida, com todos os problemas do mundo, é boa, que é bom viver, que existe uma garantia

de que esta vida é boa, é protegida por Deus e que é um dom autêntico.

Só a antecipação do sentido justifica a antecipação da vida.

E por isso o Baptismo como garantia do bem de Deus, como antecipação do sentido, do «sim» de Deus que protege esta vida, justifica também a antecipação da vida.

Por conseguinte, o Baptismo das crianças não é contrário à liberdade; é precisamente necessário oferecê-lo, para justificar também o dom – que doutra maneira seria questionável – da vida.

Só a vida que está nas mãos de Deus, nas mãos de Cristo, imersa no nome do Deus trinitário, é certamente um bem que se pode oferecer sem escrúpulos.

E assim estamos gratos a Deus que nos concedeu esta dádiva, que se deu a Si mesmo a nós.

E o nosso desafio consiste em viver este dom, em vivê-lo realmente, num caminho pós-baptismal, tanto as renúncias como o «sim», sempre no grande «sim» de Deus, e deste modo viver bem.

Fonte: aqui

O menino distraído

Um pai pedira ao filho para realizar um recado, dizendo-lhe "vai num perna e vem noutra!"
mas o rapaz saiu de casa e pôs-se a jogar a bola com os amigos, entreteve-se a ver as montas e não resistiu à tentação de subir à árvore para observar um ninho. Resultado: esqueceu-se do recado e da sua urgência.

O nosso tempo está cheio de "meninos e meninas distraídos", e de todas as idades.
Deus chama-nos à vida, quer que deixemos o mundo um bocadinho melhor do que o encontrámos, mas que não nos esqueçamos que não somos daqui, a nossa pátria está no Além.
O nosso tempo está cheio de "meninos e meninas distraídos", que , atraídos pela magia do dinheiro, do ter, do poder, do sexo, da moda, da importância social, do egoísmo, perdem a noção do sentido da existência e comportam-se como se a pátria definitiva fosse aqui.
No mundo caminhamos como irmãos para a Casa do pai.

Onde fica Deus na vida de tanta gente!?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano B

1. Vinde, retiremo-nos para um lugar solitário, e descansai um pouco” (Mc.6,31)! É radiante encontrar-se com este Jesus, que sabe compreender as necessidades mais profundas do ser humano: o desfrutar a beleza da vida, o fazer a festa do encontro, o gozar das maravilhas de Deus, através da criação inteira. Por isso nos enche a alma de alegria, ao ouvir o convite que Jesus dirige aos doze e a nós, que chegámos ao fim de um ano de trabalho: «Vinde, retiremo-nos para um lugar solitário, e descansai um pouco». Parece, mas não é uma frase apelativa de um qualquer cartaz turístico. O destino deste descanso é o próprio coração de Cristo! É Ele o lugar de repouso, onde a nossa vida desfeita se refaz!
2. Na verdade, somos muitos os que vivemos submetidos a um trabalho que nos vai desgastando. Submetido durante todo o ano a ritmos que não são os seus, aturdido por ruídos, maltratado por uma alimentação negligente, stressado pela falta de sono, o nosso corpo aspira por reencontrar a sua liberdade, harmonia e beleza. Deus, que no-lo confiou, espera que cuidemos verdadeiramente dele. Por isso, ao chegar o verão, todos procuramos, duma maneira ou doutra, um tempo de descanso que nos ajude a libertar-nos da tensão, da angústia e do desgaste que fomos acumulando ao longo dos dias! E esse poderá muito bem ser o nosso primeiro dever das férias. Uma tarefa que exigirá atenção e delicadeza e que, longe de ser uma preocupação egoísta, nos abrirá a relações mais abertas e francas com Deus e com os outros.
3. Mas, que é descansar? É suficiente recuperar as nossas forças físicas, apanhando sol, horas e mais horas, nas areias de qualquer mar? Basta esquecer os nossos problemas e conflitos, mergulhando no ruído das nossas festas e arraiais? Ao regressar de férias, muitos têm a sensação interior de que as perderam. É que, também nas férias, podemos cair na tirania da agitação, do ruído, da superficialidade e da ansiedade, do gozo fácil e esgotante. Temos necessidade urgente de nos iniciarmos na arte do verdadeiro descanso! Um descanso, que não seja uma simples pausa laboral, mas oportunidade para reler a vida, inventando outros caminhos. Um descanso que não seja simples quebra de rotina, mas mergulho no coração da Deus, para recuperar a harmonia interior e cuidar das raízes da vida.
4. Para isso, precisamos de nos encontrarmos profundamente connosco mesmos, de procurarmos o silêncio, a calma e a serenidade, para escutar o melhor que há dentro de nós e à nossa volta. Precisamos de redescobrir a natureza, contemplar a vida que brota perto de nós. Precisamos de pararmos diante das coisas pequenas e das pessoas simples e boas. Precisamos de recordar que o sentido último da vida não se esgota no esforço, no trabalho e na luta. Pelo contrário, revela-se-nos com mais clareza, na festa, na alegria partilhada, na amizade e na convivência fraterna. Mas precisamos, sobretudo, de enraizar a nossa vida neste Deus «amigo da vida», fonte do verdadeiro e definitivo descanso! Poderá, alguma vez, descansar o coração do ser humano, sem se encontrar com Deus?
5. Aprendamos, pois, a fazer férias de outra maneira. Para recuperar de novo a vida, não basta visitar novos países, descobrir paisagens desconhecidas ou entabular novas amizades! A novidade deve vir de dentro para fora e não de fora para dentro! Há, na verdade, um descanso que só se pode encontrar, no mistério de Deus, acolhido no nosso coração e seguindo os passos de Jesus e na sua companhia! É Ele o paraíso das nossas férias de sonho! E parece dizer-nos, com sentido novo: «Este ano, vá para fora cá dentro»...
Fonte: aqui

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Festa de Cristo Rei


No Próximo Domingo, 22 de Julho, será a Festa de Cristo Rei.
Pelas 12 horas terá lugar a celebração da Eucaristia, seguida de procissão local.
De Cristo Rei tem-se uma visão paisagística fantástica!
Vale a pena subir até lá e deixar a vista "comer" o manjar paisagístico.
Vale a pena subir até lá e encher os pulmões e a alma de ar puro.
Vale a pena subir até lá e partilhar com amigos um lanche, aproveitar para assar uma febra ou uma sardinha.
Vale a pena subir até lá e apreciar a água límpida e fesca que brota da fonte.
Vale a pena subir até lá e fazer um pouco de silêncio, aproveitando a sinfonia do policromado da natureza para se elevar até ao Criador de tão admirável quadro natural.
Vale a pena subir até lá na festa para rezar, partilhar, sentir-se bem.
Só não vale a pena estragar, danificar, poluir, faltar ao respeito ao monte santo.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ave Maria en Kathedraal de GAUDI

Comunicado sobre trágico acidente deste Domingo

Nota de Imprensa

O Sr. D. António José da Rocha Couto, Bispo de Lamego, em conjunto com o presbitério da Diocese e, em particular, os Reverendos P. Amadeu Costa e Castro e P. José Filipe Mendes Pereira, Párocos de Pereiro, concelho de Tabuaço, Diocese de Lamego, vêm, por este meio, manifestar a sua proximidade às vítimas e seus familiares do trágico acidente que, na manhã deste Domingo, dia 15 de Julho, vitimou uma pessoa e deixou feridas, com certa gravidade, outras cinco.
Todas elas, bem como a Comunidade Paroquial de Pereiro, estão no pensamento e nas orações do Sr. Bispo e dos fiéis da Diocese de Lamego, que invocam a ajuda de Deus para superar este momento difícil e trágico.
A esperança que nasce da fé não deixará esmorecer a caridade fraterna dos irmãos que pertencem àquela comunidade paroquial.

Lamego, 15 de Julho de 2012

Diocese de Lamego – Gabinete de Imprensa


sábado, 14 de julho de 2012

DOIS PADRINHOS MASCULINOS? DUAS MADRINHAS? Nãoooooooooo

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Havia alguma confusão na interpretação do Código de Direito Canónico sobre padrinhos de Baptismo.
... A Santa Sé veio esclarecer totalmente a questão:

Uma criança NÃO pode ter dois homens padrinhos ou duas mulheres madrinhas. "Radicalmente não", diz a Santa Sé.

Um menino (a) para ser baptizado (a) precisa:
- de um padrinho e de uma madrinha
ou
- só de um padrinho
ou
- só de uma madrinha.

Claro, que para ser padrinho/madrinha mantêm-se as condições que já sabemos:
 Para alguém poder assumir o munus de padrinho de baptismo requer-se que seja católico, confirmado e já tenha recebido a Santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e as funções que vai desempenhar.
(Código de Direito Canónico, can. 874, 3º).

Conselho de Arciprestes



Na manhã do dia 13 de Julho de 2012, reuniu-se, na Casa de Retiros de S. José, em Lamego, o Conselho de Arciprestes, presidido pelo Bispo da Diocese, D. António José da Rocha Couto.
Neste encontro, para além dos representantes de todos os Arciprestados da Diocese de Lamego, marcaram ainda presença o Mons. Joaquim Dias Rebelo, Vigário Geral; o Mons. José Bouça Pires, Vigário Episcopal para a Pastoral; o Cón. José Manuel Melo, responsável do Secretariado Diocesano da Catequese; o P. Adriano Cardoso, responsável da Cáritas Diocesana; e o P. José Abrunhosa, Secretário do Conselho de Presbíteros.
Esta reunião tinha como principais pontos da Agenda a planificação do Plano Pastoral para o próximo ano, que está a ser elaborado; a análise dos Estatutos do Arciprestado, que estão a ser actualizados; e o estudo de questões relacionadas com a possível reorganização dos Arciprestados existentes de maneira a poder haver, entre eles, uma maior entreajuda na pastoral e na formação dos fiéis.
A Diocese de Lamego, actualmente, é constituída por catorze Arciprestados, com uma população de cerca de 120 mil pessoas.
Fonte: aqui

sexta-feira, 13 de julho de 2012

XV Domingo do Tempo Comum - Ano B

Leituras: aqui

Muito se tem falado da «partícula de Deus». A descoberta foi anunciada pelo Centro Europeu de Investigação Nuclear. Os cientistas afirmam que a nova partícula tem características de massa e comportamento, previstas para o bosão, que é considerado, pelos físicos, a mais elementar das partículas atómicas constitutivas do universo! A anunciada descoberta do Bosão de Higgs vem assim reafirmar a existência de uma “estrutura racional” neste universo, de que fazemos parte. Este mundo, em que vivemos, não se constituiu, nem se evolui, de forma anárquica ou irracional, mas organiza-se e expande-se, de modo racional ou inteligente. As descobertas científicas, apoiadas na lógica físico-matemática, revelam-nos assim que há afinal uma estrutura inteligente do universo!

 Na verdade, bem vistas as coisas, a racionalidade lógica do nosso pensamento humano não poderia descobrir as leis que regem logicamente o universo, se na origem de ambas, não se encontrasse uma Razão primordial, uma espécie de princípio criador inteligente. Assim, quanto mais se estuda a constituição deste mundo, na sua génese e evolução, mais se percebe que o Universo, não é obra da arbitrariedade ou do acaso!

  As descobertas científicas vão sugerindo, cada vez mais, que por trás de tudo, há afinal uma grande Inteligência, na qual poderemos confiar! Ora, este princípio inteligente, que está na origem da vida e a fez despontar e evoluir, - diz-nos a fé cristã - é também e sobretudo, Amor: amor criador, amor redentor, amor pessoal. Por outras palavras, esta Razão eterna e incomensurável, que preside à criação, na sua génese e evolução, não é apenas uma espécie de “matemática do universo” e, ainda menos, uma “causa primeira” que, depois de ter provocado o Big Bang, se retirou. Pelo contrário, contrário, esta razão primordial, este grande Logos, tem coração. Como disse Bento XVI, este “Deus, que é a fonte originária de todo o ser e o princípio criador de todas as coisas é, ao mesmo tempo, Alguém que nos ama, com toda a paixão de um verdadeiro amor(Bento XVI, DCE, 10).

 Trazemos aqui estas considerações, porque elas estão em perfeita sintonia, com o desígnio amoroso de Deus, que São Paulo nos apresentava na 2ª leitura! Muitas vezes, julgamos que ciência e fé, criação e evolução, são irreconciliáveis; que a lógica matemática tenha descoberto tudo; que o mundo é fruto da casualidade, e que se a matemática não descobriu ainda o teorema Deus é porque Deus não existe. Nem sempre é fácil, reconduzir tudo a um projeto divino, inscrito na natureza e na história do Homem. Mas, na verdade, se tudo fosse fortuito, a vida não teria sentido! Ora, a harmonização deste hino de São Paulo, com a descoberta da “partícula de Deus”, vem ajudar-nos a ver mais claramente: nem a vida do mundo, nem o mundo da minha vida, são um acaso. Não somos um produto casual e sem sentido da evolução. A criação vive de um milagre de amor, que acontece a cada instante! “Fomos amados por Deus, ainda antes de começarmos a existir! Movido exclusivamente pelo seu amor incondicional, Deus criou-nos do nada para nos conduzir à plena comunhão consigo. A verdade profunda da nossa existência está, pois, contida neste mistério admirável: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um ato de amor de Deus. É a descoberta deste facto que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida(Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial das Vocações 2012).

Em tempo de férias, eis o desafio: ler, com os olhos da razão, o grande livro da natureza! E ler, com os olhos da fé, o livro das Escrituras. Ambos nos desvendam que o segredo da mais pequena “partícula de Deus” é o amor! Por amor, Deus nos ama, nos cria e nos e chama a esta Vida! E, por isso, a única razão de ser, de estar e de viver, neste mundo, é sempre o mesmo e eterno Amor de Deus, por todos e por cada um!
Fonte: aqui

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Baptismo I - Porque é necessário ser baptizado?

In: É o Carteiro
- 
PORQUE É NECESSÁRIO SER BAPTIZADO?
As últimas palavras do Senhor nesta terra
aos seus discípulos foram : «Ide, fazei discípulos
de todos os povos e baptizai-os no nome do Pai
e do Filho e do Espírito Santo» (cf. Mt 28, 19).

 Fazei discípulos e baptizai.

 Por que motivo não é suficiente, para o discipulado, conhecer as doutrinas de Jesus, conhecer os valores cristãos?

 Por que é necessário ser baptizado?

 Uma primeira porta se abre, se lermos atentamente estas palavras do Senhor.

"baptizai-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".

 A escolha da palavra «no nome do Pai», no texto grego, é muito importante:
o Senhor diz «eis» e não «en», ou seja, não «em nome» da Trindade – como nós dizemos que um vice-prefeito fala «em nome» do prefeito, um embaixador fala «em nome» do governo: não.

 Ele diz: «eis to onoma», isto é, uma imersão no nome da Trindade, um estar inserido no nome da Trindade, um interpenetrar-se do ser de Deus e do nosso ser, um estar imerso no Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, do mesmo modo como no matrimónio, por exemplo, duas pessoas se tornam uma só carne, se tornam uma nova e única realidade, com um novo e único nome.


É precisamente isto que acontece no nosso ser baptizados: somos inseridos no nome de Deus, de tal maneira que pertencemos a este nome, e o Seu nome torna-se o nosso nome.

Fonte: aqui

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Porquê isto a mim?

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Todos os que lidam com pessoas sabem das dificuldades que há em perdoar ofensas, sobretudo quando estas são graves. Vale pois a pena trazer para aqui o testemunho verídico de uma mulher que inspirou o filme «A última caminhada».

«Deus, por que deixaste que me fizessem isto a mim?». Essa é a pergunta que Debbie Morris – uma jovem que aos 16 anos foi sequestrada e violada por Rober Wilie e Joe Vaccaro em Madisonville (USA) – formula em um livro-testemunho no qual narra sua conversão interior para chegar ao perdão após o sofrimento.

Agora, vinte e quatro anos depois do ocorrido, esta mulher conseguiu perdoar e explica num livro o seu caminho até à reconciliação com Deus, com ela mesma, com os sequestradores, um dos quais foi condenado à cadeira eléctrica (cujo caso chegou aos cinemas através do filme «Dead Man Walking» traduzido em português como «A Última Caminhada»).
«A justiça não fez nada para me curar: o perdão sim», afirma Debbie Morris. Nas páginas de «A Última Caminhada. Um caminho para o perdão», a autora oferece a parte que faltava no filme de Tim Robbins. O filme centra-se na relação entre o condenado à morte (Sean Penn) e a religiosa Helen Prejean (Susan Sarandon), que ganhou o Óscar de melhor actriz.
Foi precisamente a ausência no filme de seu ponto de vista o motivo pelo qual Debbie Morris entrou em contato telefónico com Helen Prejean, a religiosa que encabeça a luta contra a pena de morte nos Estados Unidos. Houve entre ambas uma relação de confiança e a religiosa convenceu-a a escrever a sua história.
No seu livro-testemunho repassa as horas de violência, medo, diálogo com Deus e o sofrimento durante o sequestro e relata a difícil luta para seguir adiante e superar o trauma, o ódio e chegar à serenidade do perdão.

Um livro a ler por quem tem dificuldade em vencer o ódio e seguir em frente.
Fonte: aqui

Um minuto com Deus

terça-feira, 10 de julho de 2012

Vai e caminha...

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Alocução final, pronunciada pelo P.e Zé Fernando, ao terminar a Procissão do Adeus. Dia 8 de Julho, em Santa Helena.

A felicidade, o Amor, a Paz experimenta-se, vive-se, partilha-se, realiza-se e conquista-se quando peregrinamos

É a caminhar, é a peregrinar, é fazendo caminho, pé ante pé, passo a passo que mergulharemos nas águas profundas da felicidade.

A felicidade, o Amor, odeia a apatia, a indiferença, a nostalgia, a rotina, a ausência de Deus e o esquecimento do outro.

A felicidade, o Amor, exige, requer, impõe caminhar, peregrinar...

Peregrinar é andar à procura, ir ao encontro, é descobrir um santuário, ermida ou monte onde se respira Deus.

Celebrar a Festa da S. Helena é empreender uma Peregrinação. É ousar caminhar. É querer subir. É vir até aqui.

O que nos move e moveu neste dia, e ao longo destes dias, foi a vontade de caminhar. A aventura de trepar ao cume. Ir mais alto. Explorar o horizonte da nossa vida. O desejo de ouvir palavras de Deus. Querer caminhar em família. E a alegria de receber carícias de Deus.

Peregrinar é andar sem nunca desistir. É resistir à sede do desânimo. É cantar vitória, celebrar a festa, vencer os erros, conquistar o tempo, libertar a alma. Peregrinar é viver...

Fomos muitos os que durante a semana, quisemos empreender esta viagem, os que enfrentamos os desfiladeiros do nosso coração, os que desafiamos as incertezas da nossa fé, os que madrugamos com as inquietações do nosso erro, os que caímos nas encruzilhadas, os que duvidamos, os que choramos, os que encontramos consolo, os que se comprometeram com a fidelidade, os que nos perdoaram, os que nos amaram, os que nos encorajaram com os odores de Cristo, os que peregrinaram...

Ser cristão é peregrinar, é caminhar, é ser forasteiro em terra estranha, é andar de lugar em lugar, é não ser reconhecido, é descobrir Deus, é acolher o outro, é ser generoso.

A minha família é o lugar onde peregrino, é o espaço ideal para caminhar, celebrar a festa, viver e sentir o cansaço do trabalho. É o lugar do encontro da paz, do perdão, do amor...

A minha Família grita e brada por mim, quer que peregrine, cresça, caminhe... Com a certeza de que nesta jornada não vou só, levo Deus e o outro ou a outra que vive ao meu lado e me ama.

Peregrinos de St. Helena... peregrinemos, caminhemos, em e com as nossas famílias... Sejamos aventureiros conquistemos a felicidade que já mora à nossa beira, na nossa família.

Caminhemos de mãos dadas, juntos, a esposa com o esposo, o pai com a filha, a nora com a sogra.

Caminhemos em silêncio e na escuta de Deus.

Caminhemos unidos na fidelidade da aliança assumida no casamento ou na ordenação sacerdotal.

Caminhemos preocupados com a educação e a vocação dos filhos.

Caminhemos com o que sofre, o que anda triste, perdido e só.

Caminhemos pela justiça lutando contra o desemprego, a exploração social e económica.

Caminhemos contra a violência doméstica, os maus tratos e o abandono escolar.

Caminhemos na destruição do orgulho, na mania de que só eu é que sei.

Caminhemos no respeito e no diálogo.

Caminhemos pelo amparo e protecção do pai e da mãe no outono da vida.

Caminhemos com os casais re-casados e que procuram, com verdade, uma nova oportunidade.

Caminhemos com os esposos e filhos abandonados e esquecidos.

Caminhemos com a nossa comunidade paroquial na edificação do Reino de Deus.

Caminhemos com o nosso pároco e com ele construamos a Família de Deus.

Caminhemos em oração, na fracção do pão e na vivência da caridade.

Caminhemos pela defesa da vida dando a oportunidade a todos de viverem.

Caminhemos no e pelo Amor...

Caminhemos... Resistindo a todos os obstáculos,  construindo pontes em vez de muros e numa confiança plena em Deus.

Não tenhamos medo... sejamos ousados....  aventureiros e honestos...

Caminhemos... Peregrinemos... em e pela Família.

Vai e caminha...

P. Zé Fernando

S. Helena
8/07/2012