domingo, 30 de dezembro de 2012

1 de Janeiro: Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz 2013

Leituras: aqui

Os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém(Lc 2, 16).

 
1. E entramos já, e a toda a pressa, no novo ano de 2013! Não a contrarrelógio, por causa da subida dos impostos, mas depressa, e bem, até Belém, porque a alegria da fé, a ardência da esperança e a urgência do amor, não se fazem esperar! Na verdade, logo que os anjos se afastaram, os pastores disseram uns para os outros: “Vamos a Belém, ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer” (cf. Lc 2, 15). E logo depois, “os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém” (Lc.2, 16). Uma curiosidade santa os impelia, desejosos de verem, numa manjedoura, este Menino, de quem o anjo tinha dito que era o Salvador, o Messias, o Senhor, de quem todos estavam à espera. A grande alegria, de que o anjo falara, apoderara-se dos seus corações e dava-lhes asas. Eles seriam os primeiros a poder vê-l’O!
2. No nosso caso, talvez aconteça muito raramente, que nos apressemos pelas coisas de Deus. Hoje, Deus não faz parte das nossas realidades urgentes. As coisas de Deus – assim o pensamos e dizemos – podem esperar. E, todavia, Ele é a realidade mais importante, o Único que, em última análise, é verdadeiramente importante. E quantos cristãos se apressam hoje, quando se trata das coisas de Deus? No entanto, se há algo que mereça pressa, são precisamente as coisas de Deus. Por que motivo, não deveríamos também nós ser tomados pela curiosidade de ver mais de perto e conhecer o que Deus nos disse?!
3. Vamos a Belém! Ao dizermos estas palavras uns aos outros, como fizeram os pastores, pensamos – neste dia Mundial da Paz – não apenas na grande travessia da fé, até junto do Deus vivo, mas também na cidade concreta de Belém. Pensamos nas pessoas que atualmente vivem e sofrem lá. Rezamos para que lá haja paz. Rezamos para que Israelitas e Palestinianos possam conduzir a sua vida na paz do único Deus e na liberdade. E rezamos também pelos países vizinhos – o Líbano, a Síria, o Iraque, etc. – para que lá se consolide a paz. Que os cristãos possam conservar a sua casa, naqueles países onde teve origem a nossa fé; que cristãos e muçulmanos construam, juntos, os seus países, na paz de Deus. “Na verdade, onde Deus é esquecido ou até mesmo negado, também não há paz. Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então, o ser humano deixa de ser a imagem de Deus, que devemos honrar em todos e cada um, no fraco, no estrangeiro, no pobre. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram ligados uns aos outros. Por isso, da fé no Deus que Se fez homem, nunca cessou de brotar forças de reconciliação e d e paz” (adapt. Bento XVI, Homilia de Natal 2012). Pois só nEle nos reconhecemos irmãos!
4. Vamos até lá, a Belém: diz-nos a liturgia da Igreja. É mesmo preciso, atravessar, ir até lá, ousar o passo, que vai mais além, que faz a «travessia», saindo dos nossos hábitos de pensamento e de vida, e ultrapassando o mundo meramente material, para chegarmos ao essencial, ao além, rumo àquele Deus que, por sua vez, viera ao lado de cá, para junto de nós. Que esta pressa para as coisas de Deus, se torne, como a pressa de Maria, (Lc 1,39), cuidado rápido e empenho apressado nas causas e nas coisas dos homens. “Neste dia, e em cada dia deste novo ano, aí mesmo, onde cada um esteja, olhai em redor, em casa, na vizinhança, ou onde poderdes chegar; reparai em algo a fazer, alguém a ajudar, algum caso a resolver; não deixeis acabar o dia (muito menos, o ano) sem terdes feito algo nesse sentido, por pouco que seja; amanhã, mais um passo... E pensai: este dia, cada dia, é belo demais, para esperar outro ano” (adapt. Dom Manuel Clemente, Homilia de Natal 2012).
5. Que o Senhor nos dê a capacidade de ultrapassar os nossos limites; que Ele nos ajude a encontrá-l’O, sobretudo no momento, em que Ele mesmo, nesta Santa Eucaristia, Se coloca, nas nossas mãos e no nosso coração, dizendo-nos também a cada um de nós: vem, depressa, «que Eu hoje quero ficar em tua casa» (Lc 19,5)!
Fonte: aqui

Dois gestos interessantes

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Arguedeira

Realizou-se a Novena do Menino em Arguedeira como nos outros povos da Paróquia.
Em Arguedeira, durante a novena, fez-se o peditório, com uma finalidade: Centro Paroquial Santa Helena da Cruz.
O gesto é tanto mais interessante quanto nasceu da comunidade. Foram as pessoas que tiveram a iniciativa de contribuir desta maneira para a casa comum da paróquia.
Mais do que a quantidade, vale a qualidade do gesto. A delicadeza e o interesse das pessoas por aquilo que tem a ver com toda a comunidade.
Marcante gesto de Natal!

Valverde/Cravaz

 
 
Se outros povos deixaram desaparecer a tradição, Valverde e Cravaz não deixaram. Por isso, em cada ano é feito o chamado "peditório para o Santíssimo".
Outro gesto que revela interesse pela comunidade, sentido de pertença a uma paróquia, generosidade.
Outro gesto marcante de partilha!

Horário das Missas no Dia de Ano Novo


Na Passagem de Ano, por este motivo e por aquele, muita gente deita-se a altas horas da noite e alguns fazem-no mesmo de manhã.
Para proporcionar a todos diferentes oportunidades de começarem o Novo Ano com Deus, a Paróquia de São Pedro de Tarouca oferece aos cristãos um horário especial nesse dia:
- 8 horas: Missa na Igreja
- 10 horas: Missa no Teixelo
- 11 horas: Missa na Igreja
- 17 horas: Missa na Igreja
- Há ainda Missa Vespertina em Gondomar na 2ªfeira, às 18h.

Começe o Novo Ano Com Deus e com a comunidade. Não se feche no comodismo ou no "gozar a vida".
Sorria com Deus à esperança!

sábado, 29 de dezembro de 2012

Arautos da Alegria

O Grupo de Jovens da Paróquia de S. Pedro de Tarouca - Arautos da Alegria - teve neste Natal um gesto muito significativo e merecem ser felicitados por isso.
Ao fim das Eucaristias celebradas na Igreja (Missa do Galo e Missas do Dia) ofereceram a cada pessoa uma pequenina prenda feita por eles.
Não é pelo valor da oferta, que logicamente não poderia ser grande, é pela atitude, pelo carinho e interesse manifestados para com a comunidade.
Jovens atentos, que sabem transmitir o valor da fé e da comunidade através de um sorriso e de um gesto.
Jovens, a Igreja precisa de vós e vós precisais da Igreja.
O vosso lugar só pode ser um: na linha da frente.
Parabéns pelo que sois! Parabéns pelo que podeis ser!

40 mil jovens vão entrar em 2013 a rezar

Veja aqui

Reunião Arciprestal e Escola da Fé

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REUNIÃO ARCIPRESTAL
Na noite da última quinta-feira, teve lugar mais uma reunião dos sacerdotes deste Arciprestado.
Desta vez a reunião centrou-se na Consulta sobre o Arcipreste do novo Arciprestado Armamar-Tarouca.
De acordo com as normas estabelecidas para este efeito, cada padre recebeu  um boletim onde colocou três nomes de sacerdotes, meteu-o num envelope que fechou. Seguidamente todos os envelopes foram colocados num envelope maior que foi fechado e será enviado ao Prelado diocesano.
Tudo correu bem, com a dignidade que o acto merecia.
Este encontro sacerdotal, embora mais breve do que o normal, foi também partilha, amizade e alegria.

2º ENCONTRO DA ESCOLA DA FÉ
Na noite desta sexta-feira, teve lugar no Centro Paroquial o 2º Encontro da Escola da Fé.
Após um nota introdutória em que nos debruçámos sobre o tema do Plano Pastoral 2012/2013 "VAMOS JUNTOS CONSTRUIR A CASA DA FÉ E DO EVANGELHO", visualizando a gravura afixada na fronte da Igreja Paroquial e explicando-a, passou-se ao tema do encontro:
- Creio em um só Deus - Santíssima Trindade, unidade de natureza, trindade de Pessoas:
- Deus Pai todo-poderoso, Criador e Senhor;
- Jesus Cristo: Senhor, Cristo, Filho Unigénito, Consubstancial ao Pai, Palavra Criadora;
- Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem;
- Incarnação;
- Salvação.

Parabéns às pessoas que estiveram presentes. Foram participativas.
Muita mais gente poderia e DEVERIA estar, pois o maior mal do cristianismo português é a ignorância religiosa.
Esperamos que no próximo encontro - ano novo, vida nova - mais e mais gente apareça.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Domingo, 30 de Dezembro: SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ - Ano C

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Leituras: aqui


1. Pelo Natal, um salto de pardal”, diz a sabedoria do povo, ao falar da luz natural, que o dia ganha à noite, e que, todos os dias, se vai aumentando, devagarinho, e a custo zero! Mas o evangelho dá mais que “um salto de carneiro, em Janeiro”, passando muito rapidamente do nascimento do Menino à adolescência de Jesus! Em todo o caso, não se trata, aqui, de um aumento anormal, de um crescimento súbito do Menino, pois “Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc 2,51-52). Na verdade, Jesus pensa e aprende de maneira humana. A sabedoria de Jesus não é uma ciência abstrata; ela está enraizada numa história concreta, num lugar e num tempo, nas várias fases da vida humana! No fundo, este fragmento do evangelho coloca-nos, no lento caminho do crescimento do Filho de Deus feito Homem, o que implica, em todo o caso, aceitarmos também nós, percorrermos, em família, um caminho de fé, que é demorado, e que é feito, dia a dia, como o de Maria e José, com mais perguntas, do que respostas!
2. E então a pergunta mais radical da fé surge sempre em situações mais aflitivas. Maria faz-se nossa porta-voz: “Filho, porque nos fizeste isto? Olha que Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura” (Lc 2,48). Quantas vezes, na desorientação e na escuridão da dor, não exclamámos: “Senhor, porque me fizeste isto”? São, sobretudo, para Maria e José, três dias de angústia e de sofrimento, por causa da falta de Jesus, três dias de uma escuridão, que nos reportam à espada de dor, causada pela ausência de Jesus, entre a Cruz e a ressurreição, ao terceiro dia!
3. Mas a resposta de Jesus à pergunta da Mãe é outra pergunta impressionante: “Porque me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai” (Lc 2, 49). Como se Jesus dissesse: “Eu estou com o Pai. O meu pai não é José, mas um Outro: é o próprio Deus. A Ele pertenço. Com Ele estou”. Como Filho, Jesus encontra-Se diretamente com o Pai; vive na sua presença; vê-O! Jesus está com o Pai, vê as coisas e os homens, na sua luz. Por isso, esta resposta misteriosa não significa que Jesus é um adolescente, que está no Templo, como um rebelde, contra os pais. Não. Jesus não é um revolucionário, que pretende afirmar a sua liberdade, descartando-se de qualquer vínculo. A sua liberdade não é a de um liberal, mas a do Filho, obediente, totalmente unido, no amor, à vontade do Pai, até à Cruz.
4. “Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse (…) sua Mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (Lc 2,50.51). Na verdade, a palavra de Jesus é grande demais, por essa altura. A própria fé de Maria é uma fé «a caminho», uma fé, que repetidas vezes se encontra na escuridão e, atravessando a escuridão, deve amadurecer. Maria não compreende as palavras de Jesus, mas guarda-as no seu coração, onde as faz chegar lentamente à sua maturação. Na verdade, as palavras de Jesus nunca deixam de ser maiores do que a nossa razão; superam, sempre, de novo, a nossa inteligência. Temos, muitas vezes, a tentação de as reduzir e manipular, para as fazer entrar na nossa medida. Mas o que se nos pede é a humildade da fé, capaz de respeitar esta grandeza. Crer significa submeter-se a esta grandeza de Deus, e crescer, pouco a pouco, rumo a ela.
5. Gostaria, por fim, de extrair, desta cena evangélica, algumas aplicações práticas, para as nossas famílias, no âmbito do Ano da fé:
 
5.1. Primeira: Vede – caros pais - como é importante aproveitar as ocasiões favoráveis, para introduzir, na família, a questão da fé, e para fazer amadurecer uma reflexão crítica, relativamente aos modos e modas atuais, do pensar e do viver, que tanto condicionam a vida dos mais novos. Os pais devem estar muito vigilantes, atentos a tudo o que se diz, ao que se escreve, ao que se passa, num mundo global e local, e também no mundo virtual, que é hoje boa parte do mundo real dos nossos adolescentes. Só assim podereis conhecer o mundo dos vossos filhos e ajudá-los a ver as coisas à luz da fé, a ver cada situação, com os olhos do próprio Deus!
5.2. Segunda: Esta atenção dos pais implica uma fina sensibilidade, para intuir e entender as possíveis interrogações religiosas, que afinal até estão presentes no espírito dos mais novos, às vezes de forma evidente, outras vezes, de forma escondida e até envergonhada ou reprimida, pelo pensamento dominante. A rebeldia do adolescente é, muitas vezes, o sintoma de uma insatisfação do coração por preencher, de uma pergunta da razão por responder, de uma liberdade por aprender. Importa, como Maria e José, com Jesus, saber escutar e perscrutar o mundo oculto dos filhos. Importa ainda conciliar liberdade e obediência. “O adolescente Jesus era deixado livre, para decidir juntar-se aos seus amigos e aos da sua idade, e ficar na sua companhia ao longo do caminho. Mas, à noite, esperavam-no os pais”, para uma visão do dia, para uma revisão de vida!
5.3. Por isso, e por fim, esta conversa entre Jesus, Maria e José, sugere-nos a importância da escuta e do diálogo, em família. É aí, em primeiro lugar, que as pessoas devem aprender a estar juntas, a harmonizar os contrastes, a estabelecer um diálogo recíproco, que é feito de escuta e de palavra; é aí que devem aprender a compreender-se, a comprometer-se e a amar-se. É aí, que devem entender a obra de Deus e reconhecer a presença do bem, que não faz ruído. E aí, em casa. Mas, para começar em casa e chegar aí, é preciso que os pais não deixem de percorrer com os filhos o caminho de ida ao Templo e de regresso a casa: é preciso voltar a estar com os filhos, e como filhos de Deus, na casa e nas coisas do Pai! Só assim, aprenderemos, que, na pequena ou na grande família, somos sempre uma “comunidade de caminho”, que precisa de crescer, todos os dias, na fé, e de a pedir sem cessar: Senhor, com Maria e José, aumenta, aumenta a nossa fé!
Fonte: aqui

Participe! Leve um amigo também!

 
No Centro Paroquial de Tarouca
Amanhã, sexta-feira, dia 28, pelas 20.45 horas

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal de Jesus Cristo 2012

“Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido,
envolto em panos e deitado na manjedoura” (Lc 2,12)

 
1. O sinal de Deus é o Menino! O Menino é a brilhante Estrela da Manhã, o Sol nascente, que irrompe na noite santa, com o seu enorme clarão de luz. O sinal de Deus - anuncia o Anjo aos Pastores - é que Ele faz-se pequenino, por nós. Este é o seu modo de nascer e de ser; este será o seu modo de estar e de viver, de morrer e de reinar. Ele não vem, com enorme poder e grandeza. Ele vem, como Menino, inerme e necessitado da nossa ajuda. Não nos quer dominar, com a força do bastão. Tira-nos o medo da sua grandeza. Ele simplesmente pede o nosso amor: por isso, faz-se Menino, para que O possamos ver e tocar, conhecer e reconhecer, acolher, abraçar, beijar e amar.
2. E os pastores “encontraram Maria, José, e o Menino deitado na manjedoura” (Lc 2,16). Por isso, depressa puderam aprender a olhar para aquele Menino, com os olhos da fé, de Maria e de José. Também eles olhavam, para o Seu Menino, procurando compreender. Mas como poderiam entendê-lo? Se Deus queria descer ao mundo, porque havia de entrar assim, pela porta traseira da pobreza? Não podiam entender o desconcerto desta surpreendente realidade divina, na fragilidade de uma criança! Mas fiavam e confiavam, acolhiam o dom de Deus, feito Menino, e acreditavam n’Ele. Afinal, porque haveriam de querer saber mais do que o próprio Deus? Quem eram, eles, para julgar os pensamentos do Senhor e os insondáveis caminhos, escolhidos por Ele, para chegar até nós? Quem poderia impedir Deus, de intervir, diretamente sobre a matéria, no corpo de uma mulher, para fazer brotar do seu seio o rebento divino? O Menino estava ali, era realmente uma torrente de alegria, infinitamente mais verdadeira, que qualquer resposta, um sinal luminoso de esperança: era o Filho de Deus, e com ele, Deus oferecia à humanidade, um novo início! Por isso olhavam-n’O todos, os Pastores, Maria, José, com o mesmo pasmo e espanto da fé!
3. Mas, afinal, - perguntaremos ainda - por onde andam o boi mudo e o burro de carga, que figuram nos nossos presépios, a afagar o Menino? Em boa verdade, nenhum dos evangelhos do natal refere estas amáveis criaturas. Mas a meditação dos cristãos, guiada pela fé, soube religar o Antigo e o Novo Testamento, e não tardou a preencher esta lacuna! Para isso, se deitou mão de um velho texto do profeta Isaías, que dizia: “o boi conhece o seu dono, e o jumento, o estábulo do seu senhor; mas Israel, meu Povo, nada entende” (Is 1,3). A par desta, há ainda outra antiga profecia a insinuar: “No meio de dois seres vivos, tu serás conhecido; quando vier o tempo, tu aparecerás” (Hab 3,2). Estes dois seres vivos designam, com certeza, os querubins, que cobriam a arca da aliança e encobriam a presença misteriosa de Deus (cf. Ex.25,18-20). Pelo que, juntando estas passagens bíblicas, pôde bem imaginar-se, ao lado da manjedoura, o boi e o burro! São Francisco de Assis, autor da primeira representação do presépio, em Greccio, no ano de 1223, não hesitou em fazê-lo. E doravante “nenhuma representação do Presépio dispensará o boi e o burro” (cf. J. RATZINGER-BENTO XVI, Jesus de Nazaré. A infância de Jesus, Ed. Principia, 2012, 62.). E a mensagem torna-se mais clara: a manjedoura é o lugar, onde se avista o “mistério encoberto desde os tempos antigos”, mas agora exposto diante dos homens (cf. Ef.3,3-6) e no meio deles. Por outras palavras, podíamos dizer: chegou, para o boi e para o burro, - e sem ofensa - chegou, para nós, para a humanidade inteira, a hora do conhecimento de Deus! Na verdade, por si mesma, a humanidade estaria sempre desprovida de compreensão, no que toca ao mistério de Deus. Mas, na pobreza de tal nascimento divino, a luz é dada a todos, e a todos ensina a ver e a compreender. O Menino, no presépio, abre-nos os olhos, de modo que agora todos podem conhecer o rosto e reconhecer a voz e a presença do seu Senhor, tal como “o boi conhece o seu dono e o burro o estábulo do seu senhor” (Is.1,3).
Afinal, bem vistas as coisas, estamos todos, diante do mistério deste Deus, feito Menino, mudos como o boi diante do palácio, e humildes como o burro, prostrado, no curral de Belém!
4. Se quisermos, hoje, encontrar Deus, manifestado como Menino, então devemos descer do cavalo da nossa razão «iluminada», e tomar o lugar humilde do burro. Devemos depor a nossa soberba intelectual, que nos impede de perceber a proximidade de Deus. Devemos caminhar, espiritualmente, a pé, como os pastores, para podermos entrar pelo portal da fé, e encontrar um Deus, que é diverso das nossas ideias feitas e perfeitas: um Deus que Se esconde na humildade de um menino acabado de nascer! E este Deus, assim feito Homem, não é um absurdo! É mistério. E o mistério não é qualquer coisa de irracional, de insensato; pelo contrário, o mistério é superabundância de sentido, de significado, de verdade. Se,olhando para este mistério, a inteligência humana se sente ainda dominada pela obscuridade, não é porque, neste mistério do Natal, não haja luz, mas sobretudo, porque há nele luz em excesso (cf. Bento XVI, Audiência, 21.1.2012)! E esta luz, tal como o sol, só precisa das portas abertas de um coração humilde, para ser recebida. Se lhe resistirmos, de frente, com a nossa arrogância, ficaremos cegos. Mas não: nós queremos, na pobreza, na humildade, e na simplicidade da nossa fé e da nossa vida, fazer do Natal a festa do coração, para celebrar, no coração, a festa do Natal.
5. Desejo a todos um santo Natal! Que o Menino Jesus, Estrela da Manhã, brilhe no coração e na família de cada um, e desperte em nós a mesma humildade e obediência da fé, dos pastores, de Maria e José. Pela fé, possamos todos contemplar, na força indefesa daquele Menino, a luz do Sol Nascente e invencível, a iluminar-nos o rosto, de paz, de amor, de esperança e de alegria. Fazei ecoar este anúncio de Natal: “Deus ama-te, Cristo veio por ti”! (João Paulo II, CL, 34)! O Deus, feito Menino, é a notícia! Afaga-o, com os teus beijos. Faz-lhe uma carícia!
Fonte: aqui

domingo, 23 de dezembro de 2012

SANTO NATAL, AMIGOS!


Senhor, depositamos diante de Tua manjedoura todos os sonhos, todas as lágrimas e esperanças contidos em nossos corações. Pedimos por aqueles que choram sem ter quem lhes enxugue uma lágrima. Por aqueles que gemem sem ter quem escute seu clamor. Suplicamos por aqueles que Te buscam sem saber ao certo onde Te encontrar. Para tantos que gritam paz, quando nada mais podem gritar. Abençoa, Jesus-Menino,cada pessoa do planeta Terra, colocando em seu coração um pouco da luz eterna que vieste acender na noite escura de nossa fé.
Fica conosco, Senhor!


Desejo sincero de Boas Festas para cada paroquiano residente ou emigrado, amigos, visitantes deste blog, pessoas de boa vontade,
Paróquia de São Pedro de Tarouca

Um amor sem prazos de duração

Um casal desta comunidade celebrou hoje as suas Bodas de Prata na Vespertina na Igreja.
É sempre muito bom celebrar o amor fiel, sem prazos de duração, exactamente num tempo em que o que está na moda são os divórcios.
Remar contra a maré é preciso muitas vezes. Celebrar a alegria de um amor que resiste a modas e é fiel é uma boa notícia.
Há dias vi um programa na televisão em que pessoas ex-casadas festejavam com amigos o seu divórcio, com champanhe e tudo. Segundo a reportagem, que se esmerou em fazer passar a ideia que o divórcio é a coisa mais natural do mundo, "porque cada pessoa tem direito a ser feliz", são cada vez mais frequentes estes festejos acolhidos pela comunicação social como normais. O que parece chocar a comunicação social  é aquilo que deveria ser o normal: casais que festejam 25 e 50 anos de amor fiel e feliz.
Neste tempo de Natal, somos chamados a olhar com olhos de ver e com um coração capaz de compreender a Família de Nazaré: Jesus, Maria e José. Esta família foi confrontada, desde o início, com mil e um problemas, os quais foram vencidos pelo amor forte e firme que unia as pessoas.
Segredo, além do amor? Deus nas suas vidas e no seu coração.
Não será a ausência de Deus na vida de tantas famílias o caminho mais rápido para o divórcio?..
 
 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Novena do Menino


Está a decorrer na Paróquia de S. Pedro de Tarouca a Novena ao Menino Jesus.
Neste Ano da Fé, pediu-se às pessoas que celebrassem a Novena nas capelas e na Igreja.
Está a decorrer com o entusiasmo e participação dos que vão. Podiam ir mais? E deviam... Mas parabéns aos que participam.

Para o efeito, foi elaborado um guião para a Novena. As leituras breves, a proclamar em cada mistério, foram tiradas do Catecismo da Igreja Católica e do Concílio Vaticano II.
A Novena inicia-se com a Oração para o Ano da Fé e termina com o Credo.

Com o guião e a motivação das pessoas para a participação na Novena, procurou-se:
- Favorecer a oração dos crentes, enquanto povo de Deus, reunidos no Senhor;
- Propiciar a existência de tempos de reflexão e de interiorização;
- Fomentar o crescimento e o fortalecimento na Fé através da formação;
- Desenvolver o espírito de colaboração, de partilha e de superação de respeitos humanos;
- Suscitar a abertura do coração e da mente ao Deus que vem para nós;
- Propor a conversão ao Senhor que vem.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Onde Estava Deus no tiroteio na escola primaria de Sandy Hook, Newtown em Connecticut?

IV DOMINGO DO ADVENTO - Ano C

Leituras: aqui
 
Caminhamos fracos e perdidos, sem o Pão de cada dia! Tu nos nutres, com a luz do Natal! És para nós a Estrela da Manhã! Com Maria, a primeira entre os crentes, Senhor, nós Te pedimos: Aumenta, aumenta a nossa fé”!
1. Às portas do Natal, guia-nos, para Belém, e visita-nos, na própria casa, uma Estrela muito especial. Uma Estrela, que não brilha, em nenhum concurso de beleza feminina, nem é aqui “nome” ou capa de revista! Maria é proclamada por Isabel a “bendita entre todas as mulheres”, porque escolhida, por Deus, para ser a “Mãe d’Aquele que havia de reinar sobre Israel” (cf. Mq.5,1-4). Por isso, enquanto João Batista, exulta de alegria, no seu seio, Isabel exalta a fé de Maria, causa da sua e da nossa alegria: «feliz és tu porque acreditaste» (Lc 1,45). Em Maria, a felicidade não está na sorte grande, nem na sorte dos grandes; não está na ilusão de uma fama efémera, ou de uma facilidade enganadora; toda a felicidade de Maria vai e vem, vem e provem da sua fé. Pela fé, Maria põe-se a jeito, e ao jeito, do que Deus quer e espera. Nessa disponibilidade inteira, Maria corresponde à vontade de Deus e é feliz assim, pois, «quem quer o que Deus quer, tem tudo o que quer» (São João da Cruz).
2. Entre todos os santos, profetas e pobres, Maria, é realmente a Estrela de maior brilho, em toda a galáxia da fé: ela brilha, com fulgor único, porque não brilha de luz própria, mas reflete a luz de Cristo, o Sol Nascente. Ela é, mesmo a primeira entre os crentes: a primeira, no tempo e no modo, a primeira na fidelidade e na radicalidade, com que adere à vontade de Deus, e segue Jesus, o Seu Filho. Ela tornar-se-á, pela fé, a primeira discípula, a percorrer o caminho aberto por Jesus. Por isso, e muito bem, Isabel exalta a verdadeira razão de ser da felicidade de Maria: «feliz és tu, porque acreditaste» (Lc.1.45)!
3. Queridos irmãos e irmãs: «“Desde sempre, a Igreja venera em Maria a mais pura realização da fé” (CIC 149). Neste Ano da fé, representado simbolicamente na imagem de uma barca, a Igreja olha, para Maria, como verdadeira “Estrela-do-Mar”, que brilha, como sinal e guia, no caminho da fé! É o próprio Papa, que sugere esta viagem da fé, comparável à de uma barca, que atravessa o mar da história “com frequência enevoada e tempestuosa; uma viagem na qual perscrutamos os astros, que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão. Elas são luzes de esperança.” (Spe Salvi, 49).
4. Certamente, Jesus Cristo é a luz por excelência; o Sol erguido sobre todas as trevas da história. Mas, para chegar até Ele, precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão luz recebida, da luz d'Ele, e oferecem, assim, orientação para a nossa travessia. E quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela de esperança” (Spe Salvi, 49), que assim nos guia e nos precede, no caminho da fé?!
5. Queridos irmãos e irmãs: Maria, Estrela da Esperança, nutre-nos, com a luz do Natal. Faço votos de que, “no mar da vida e da história, Maria resplandeça, para todos, como Estrela-do-mar, de modo a orientar-nos na viagem, e a manter-nos na rota de Cristo, especialmente em momentos obscuros e agitados”, como estes que vivemos!
“Com Maria, a primeira entre os crentes,Senhor, nós Te pedimos:Aumenta, aumenta a nossa fé”!
Fonte: aqui

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Mensagem de Deus para Casais

Boletim do Natal

 
 
A Igreja que sai para fora das igrejas e vai ao encontras das pessoas e das famílias. Vinte colaboradores paroquiais entregarão de casa em casa o Boletim do Natal .
Obrigado a estes colaboradores.
Profundamente enraizado no Plano Pastoral e contextualizado por esta quadra festiva, o Boletim leva ainda informações da vida da comunidade às pessoas.
É um gesto de simpatia e de atenção. Esperamos o melhor acolhimento e desejamos ter contribuído para vivência do Natal cristão.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

D. Manuel Martins contra submissão ao «lucro»

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Antigo bispo de Setúbal diz sofrer pela situação do «pobre povo» português e pela «certeza» de que a crise vai continuar

O bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, criticou o modelo económico-financeiro seguido em Portugal, afirmando que sofre com as consequências da crise na população e que a Igreja Católica está a falhar na sua missão.
O sistema predominante no Ocidente “é uma espécie de religião fundamentalista seguida pelos poderosos que passam a vida ajoelhados diante do lucro e do dinheiro, sugados de todas as formas possíveis e imaginárias” a quem “menos pode defender-se” e a quem “cada vez pode menos”, declarou em entrevista à ECCLESIA, que pode ser acompanhada esta quarta-feira na RTP 2 (18h00).
A austeridade causada por Portugal estar “num poço sem fundo e nem sequer ter dinheiro para comprar a corda para se salvar”, é uma “imposição sobre os pobres, e agora já sobre os menos pobres”, que “estão a ser sacrificados naquilo que é o mais sagrado”, ou seja, “o direito a uma vida digna”, sublinhou.
“Sofro muito com a situação que o nosso pobre povo está a viver e pela certeza de que esta realidade vai continuar por muito tempo”, referiu D. Manuel Martins, acrescentando que “grande parte da população vive no escuro do desespero”.
Os portugueses têm “a ilusão de viver num regime democrático”, mas que na realidade está dominado “por mil ditaduras”, como é o caso do “medo do hoje, do amanhã, de perder o trabalho, de não poder resolver este problema e aquele, de deixar a casa”.
Para o prelado o governo deve comprometer-se a dar “condições minimamente necessárias” para que “as pessoas possam ter a certeza, tanto quanto é possível, que o pão da sua mesa nunca vai faltar”.
Referindo-se à legislação laboral, D. Manuel Martins diz-se “espantado” por ver “como é que ninguém na Igreja denunciou muitas das medidas do Código Laboral que nada têm a ver com os direitos consignados na Constituição”.
A Igreja Católica, que devia “apontar outros horizontes”, está a “cumprir só metade da sua missão, que é dar de comer a quem tem fome”, faltando-lhe a tarefa “importante” de “descobrir as causas [da pobreza]”, apontou.
Ao mesmo tempo o prelado mostra reservas quanto às paralisações: “Estamos numa situação tão grave que um português minimamente civilizado, consciente e responsável devia renunciar à greve, neste momento, para ver se, todos juntos, e com outras renúncias, somos capazes de pôr o comboio nos trilhos e começar a avançar”.
O antigo bispo setubalense considera que os políticos “não deixam de dormir, de comer e de viver descansados e regalados por causa do povo”, e deixa um aviso: “Estamos a pagar-lhes, e bem, para nos servirem. Portanto, cautela”.
“Não digo que mudem os políticos mas que mudem as políticas, pedagogias e modos de estar, não só ao nível de quem ocupa as cadeiras do poder mas sobretudo daqueles que estão com ânsia de as ocupar”, aponta, depois de censurar uma “filosofia económica desgraçada” que tem levado a casos de “fome”.
O prelado salienta que “Portugal está muito perto do abismo” e que 2012 “fica marcado pelo cataclismo que se abateu sobre a sociedade portuguesa”, que a mantém num clima de “muito desânimo, de muito medo”.
D. Manuel Martins sustenta que é preciso “pregar a esperança” de forma “insistente e convicta”, evitando no entanto o “risco” de “estar a alienar as pessoas”.
agência ecclesia

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Reorganização do tecido Arciprestal da Diocese de Lamego


O Sr. D. António José da Rocha Couto, Bispo da Diocese de Lamego procedeu à redução do número de Arciprestados que compõe a Diocese, que, de 14, passam a ser apenas 6.
Esta reconfiguração do tecido arciprestal da Diocese de Lamego ocorre para permitir que os Arciprestados que, até agora, contavam com um número muito reduzido de sacerdotes, possam permitir a sua integração em zonas pastorais mais amplas, “em ordem a possibilitar encontros mais proveitosos de estudo, programação, avaliação, oração e comunhão sacerdotal”, lê-se no Decreto episcopal datado do passado dia 08 de Dezembro.
Esta decisão é o culminar de um processo de estudo e de reflexão, que envolveu, não só os Arciprestados, mas também os vários órgãos consultivos da Diocese.
Importa salientar que a redução do número de Arciprestados corresponde à fusão de alguns deles, e não à sua supressão. Com esta medida, não se pretende eliminar Arciprestados, mas simplesmente juntá-los em áreas geograficamente maiores, permitindo que a Nova Evangelização na Diocese possa contar com mais recursos, não só pelo maior número de sacerdotes que os integram, mas também com uma maior envolvência dos leigos nos vários órgãos arciprestais.
Os novos Arciprestados que resultam desta alteração são: Armamar-Tarouca; Castro Daire-Vila Nova de Paiva; Cinfães-Resende; Lamego; Mêda-Penedono-S. João da Pesqueira-V. N. de Foz Côa; Moimenta da Beira-Sernancelhe-Tabuaço.
Para além da reorganização do Mapa Arciprestal, foram ainda aprovados pelo Sr. D. António Couto os novos Estatutos do Arciprestado, que, entre as novidades, preveem a criação, em cada um deles, de Escolas de vivência da fé, que modo a facultar a todos os cristãos adultos a formação necessária para aprofundar e amadurecer a própria fé. Uma especial referência merece, ainda, a criação, em cada Arciprestado, do Conselho Pastoral Arciprestal, onde se prevê a participação activa dos leigos na Nova Evangelização que o Sr. D. António Couto deseja realizar em toda a Diocese de Lamego.
Foi, também, iniciado o processo de consultas tendo em vista a nomeação, por parte do Sr. Bispo de Lamego, dos novos Arciprestes de cada um dos espaços agora reorganizados, e que deverão ser conhecidos no início de 2013.

MENSAGEM DE NATAL DO SENHOR D. ANTÓNIO COUTO, BISPO DE LAMEGO

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A NOTÍCIA DO NATAL

Chega uma criança
À madrugada
Desarmada
Traz mãos e pés e uns olhos tão bonitos
Traz um rasto de lume e de esperança
E uma espada
Apontada
À raiz dos nossos conflitos.
 
1. É assim que vem Jesus em filigrana pura, em contra-luz coada de alegria, e atravessa ao colo de Maria as páginas arenosas da Escritura. Ei-lo que vem rosado de ternura, acorda, esfrega os olhos azulados de lonjura, salta para o chão, vê-se que procura a minha mão, sabe o meu nome e o de toda a criatura.
2. Conta-me histórias, a dele e a minha, mas conta também as estrelas uma a uma, apresenta-me Abraão, Moisés, David, demora-se um pouco no caminho com Elias, Isaías, Miqueias, Jeremias, recebe os pastores dos campos de Belém, canta com eles, acena aos anjos nas alturas, fica longamente extasiado a abrir os presentes trazidos pelos magos.
3. O espaço que habita é um curral que os animais gratuitamente acederam partilhar com ele, com ele brincam, vê-se que sabem de cor a partitura de Génesis um e de Isaías onze.
4. Maria e José também conhecem e jogam esse jogo, esfuziante corre-corre de alegria, até eu dou por mim a fazer casinhas num prato de aletria, mas na sala ao lado há gente a dormir longe dali, refastelada e dormente, indiferente, trocando a luz do dia pela romaria.
5. Oh humanidade sem sal, sem sol e sem sonho, só com sono, acorda que já a luz desponta, todo o tempo é pouco porque o tempo é graça, não fiques atolada na desgraça, desconsolada e triste, como quem tem sempre que pagar a conta.
6. Levanta-te, olha em redor e vê que já nasceu o dia, e há-de andar por aí uma roda de alegria. Se não souberes a letra, a música ou a dança, não te admires, porque tudo é novo. Olha com mais atenção. Se mesmo assim ainda nada vires, então olha com os olhos fechados, olha apenas com o coração, que há-de bater à tua porta uma criança. Deixa-a entrar. Faz-lhe uma carícia. É ela que traz a música e a letra da canção. Ela é a Notícia.
+ António Couto
mm
Ps – O mais belo Natal de Jesus para todos e um Novo Ano cheio das maravilhas do nosso Deus, são os votos do vosso bispo e irmão, António.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

domingo, 16 de dezembro de 2012

"Arautos da Alegria - Grupo de Jovens da Paróquia de S.Pedro de Tarouca"

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10 Milhões de Estrelas – um gesto pela paz
 
A operação “10 Milhões de Estrelas – um gesto pela paz” traz consigo a mensagem da luz, sinal de fé e esperança, sinal da caridade entre os homens e, por isso, mais do que uma mera angariação de fundos, nos dias de hoje, com toda a adversidade que recai sobre os portugueses, esta é uma oportunidade de intensificar a partilha de bens, promover a solidariedade a todos os níveis e a lutar por mais justiça.
Segundo a Cáritas Portuguesa que lançou a operação '10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz', as  receitas  destinam-se este ano a famílias carenciadas e a um projeto de desenvolvimento rural na Amazónia.
65 por cento do valor angariado com a venda de velas vai ser entregue às Cáritas Diocesanas em Portugal, a quem caberá "a sua aplicação na resposta às famílias” atingidas pela crise.A restante percentagem será aplicada num projeto internacional e “está relacionado com o desenvolvimento do mundo rural: Casas Familiares Rurais”, no Brasil, adianta a Cáritas Portuguesa.

O Grupo de Jovens da Paróquia de S. Pedro de Tarouca - "Arautos da Alegria" - disse presente e vai participar activa e empenhadamente no '10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz', no próximo fim-de-semana, dinamizando a vendas das velinhas.
Certamente que a comunidade vai aderir empenhadamente.


PRESÉPIO
Presépio - Igreja Paroquial de Tarouca
 
O Grupo de Jovens da Paróquia de S. Pedro de Tarouca - "Arautos da Alegria" meteu mãos à obra e concebeu o presépio que se encontra na Igreja Paroquial.
O presépio que os jovens montaram procura contextuar-se em duas realidades: Plano Pastoral da Paróquia e Ano da Fé. E conseguiram-no belamente. Estão de parabéns!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

D E U S

Deus de Abraão,
da partida para não se sabe onde,
do filho que se ensina cada dia a perder,
da promessa que não para de se realizar,
do humor que amadurece da esterilidade.

Deus de Jacob
do combate de toda a noite e sem vitória ao fim
do esgotante esforço para unir doze irmãos inimigos,
do périplo no estrangeiro onde tu vives disperso
da desordem trocista de todos os direitos de progenitura.

Deus de Moisés,
da lei que quereria definir o bem e o mal,
do deserto que o próprio Deus já não é de ninguém
da brisa suave, não da tempestade
da terra entrevista, e do morrer ao vê-la.

Deus de David,
do templo em que o homem te quer aprisonar,
do amor da mulher até ao remorso
da alegria der de cantar Aleluia
da fraqueza estampada na fronte do super-homem.

Deus de Elias,
do fogo que reaviva cada um dos nossos falsos deuses,
da terra à imagem dos corações, ressequida
da fome da barriga dos pobres e da vingança nos seus olhos
da profecia que desconstrói hábitos e poderes.

Deus de Job
da dor que abala o menor ponto de apoio
da carência onde se articula o que nos resta de esperança
da solidão onde se extinguem os cordiais falsos semblantes
do desespero e da esperança.

Deus da Babilónia,
do exílio que desenraíza todas as certezas
da cidade cosmopolita que recua as fronteiras
da alegria de viver, se ela fosse melhor partilhada,
do regresso e da utopia duma conversão jamais acabada.

Deus de Jesus,
da solidariedade com os pobres e os impuros
do gesto mais verdadeiro que todos os ritos
do quotidiano banal recebido em acção de graças
da morte por uma fé vivida em amor.

Deus deste pão,
da refeição onde cada um partilha o espirito de que vive
da mesa onde cada um tem fome de todos os outros
do corpo oferecido a todos os corpos
e que os torna oblativos.

Deus deste vinho,
da alegria que vem de passar o cálice de mão em mão
do sangue derramado por amor das veias do novo homem.

Deus de nós todos,
amigo exigente e difícil, conciliante todavia
poço de silêncio, veneno mortal das nossas elucubrações
palavra ardente, convicção o das nossas inquietações .

Deus de cada manhã,
vida que escapa ao passado para não ser nunca tradição
espirito que ultrapassa o instante para não ser nunca possessão
caminho através das idades sem fim e sempre-a-vir.

Deus do outro,
espaço intransponível do meu coração ao seu
fronteira permanentemente recuando entra a minha raça e a sua
muralha a desmoronar-se entre a minha dignidade e a sua.

Deus absolutamente outro,
mais familiar do que não é ainda do que já é
mais rico de todo o possível do que o que já vemos
mais parecendo rostos ainda a decifrar do que aqueles que nós já conhecemos.

J. Th. Maertens

Mensagem para o Dia Mundial da Paz critica crescimento económico à custa da «função social» do Estado

Deve continuar a ser encarado como «prioritário o objetivo do acesso ao trabalho para todos», vinca o Papa


A mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, divulgada hoje pelo Vaticano, critica quem defende que “o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado”.
Além da diminuição do papel dos organismos estatais no apoio às pessoas mais desfavorecidas,as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública”, a mesma atitude para as “redes de solidariedade da sociedade civil”, sublinha Bento XVI no texto a que a Agência ECCLESIA teve acesso.
“Há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos”, frisa o papa no documento intitulado “Bem-aventurados os obreiros da paz”.
O Papa declara que deve continuar a ser encarado como “prioritário o objetivo do acesso ao trabalho para todos”, um dos “direitos e deveres sociais atualmente mais ameaçados”.
Bento XVI apela ao surgimento de “um novo modelo de desenvolvimento” e uma “nova visão da economia”, já que a orientação que “prevaleceu nas últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, numa ótica individualista e egoísta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta às exigências da competitividade”.
O “obreiro da paz” exerce a “atividade económica para o bem comum, vive o seu compromisso como algo que ultrapassa o interesse próprio, beneficiando as gerações presentes e futuras”, sustenta o Papa.
O texto vinca que é “imprescindível” a “estruturação ética dos mercados monetário, financeiro e comercial, que devem ser “melhor coordenados e controlados, de modo que não causem dano aos mais pobres”.
O documento apela a uma maior “determinação” na resolução da “crise alimentar, muito mais grave do que a financeira”, causada por “bruscas oscilações do preço das matérias-primas agrícolas com comportamentos irresponsáveis por parte de certos agentes económicos e com um controle insuficiente por parte dos Governos e da comunidade internacional”.
“O papel decisivo da família, célula básica da sociedade, dos pontos de vista demográfico, ético, pedagógico, económico e político”, é igualmente realçado na mensagem para o 46.º Dia Mundial da Paz, que se assinala a 1 de janeiro.
Para o Papa “a estrutura natural do matrimónio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização”.
“Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida”, desde “a conceção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural”, acentua Bento XVI ao mencionar o “aborto” e a “eutanásia”.
Segundo o Papa “estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa” mas são “reconhecíveis pela razão” e, por isso, “comuns a toda a humanidade”.
Uma “condição preliminar para a paz é o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente autónoma, que impede o reconhecimento de quão imprescindível seja a lei moral natural inscrita por Deus na consciência de cada homem”, salienta.

In agência ecclesia

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

III Domingo de Advento - Ano C

Leituras: aqui

Com os pobres que estão esperando à porta, Senhor, nós Te pedimos: Aumenta, aumenta a nossa fé”.

1. À porta da fé, batem também os pobres e todos os feridos pela vida, órfãos da alegria! Eles espreitam pela nossa porta e esperam que este nosso encontro, com Cristo, nos abra os olhos para o seu mundo decadente, e se traduza, da nossa parte, em mãos largas, que partem e repartem, o pão de cada dia! Assim, a porta da fé não é apenas “uma porta de entrada na vida de comunhão com Deus e com a sua Igreja” (PF1). A porta da fé é também uma porta de saída, para o vasto mundo dos pobres, dos cansados, dos doridos, dos que têm feridas abertas, pelo desemprego, pelo desabrigo, pelo abandono, pela indiferença, ou até mesmo pela descrença. É, aos pobres, em primeiro lugar, que o Espírito do Senhor nos envia, a anunciar a Boa Nova! Foi esse o caminho de João Batista, que “anunciava ao povo a Boa nova” (Lc.3,18). E foi essa a opção de Cristo, ungido do Espírito e enviado do Pai, para anunciar a Boa nova aos pobres! (cf. Lc.4,18; Is.61,1).
2. Mas também nós perguntaremos a João Batista: «Que devemos fazer»? Ou «como devemos anunciar a Boa Nova aos pobres»? O Batista sugere-nos duas formas concretas: a primeira, é nem sequer falar de Deus, para deixar Deus falar na eloquência de um gesto de amor, que nem sequer faz ruído. A segunda é anunciar explicitamente a Boa Nova, levando a cada um a alegre notícia do amor de Deus: “o Senhor teu Deus, está perto de ti, como poderoso salvador” (Sof.3,17).
3. Comecemos então pelo anúncio aos pobres, que passam fome, sede, frio, dor, solidão, vítimas da injustiça e da violência! Para estes, o anúncio da Boa Nova dispensa qualquer sermão ou exortação. A estes, o anúncio faz-se por gestos! A estes pobres, a fé transmite-se pela caridade! A estes, as boas festas do Natal escrevem-se em gestos de proximidade. Aliás, “o cristão sabe quando é tempo de falar de Deus e quando é justo não o fazer, deixando falar somente o amor. O cristão sabe que Deus é amor, e que este Deus se torna presente, precisamente nos momentos em que nada mais se faz, que não seja amar” (Bento XVI, DCE 31). Neste sentido, o Ano da fé, não é apenas desafio a um renovado anúncio do evangelho! “É também ocasião propícia, para intensificar o testemunho da caridade” (PF 14). Para este anúncio concreto, para este gesto de amor, não se quer, nem se requer, como condição, a fé dos pobres; pelo contrário, para este serviço aos pobres, exige-se, a quem o pratica, uma maior força e riqueza da própria fé, sem a qual a caridade corre o risco de se tornar um sentimento, à mercê da dúvida, sob condição e a prazo.
4. Mas há, de facto, hoje, outras formas de pobreza, que requerem o anúncio explícito e corajoso da Boa Nova. Pensemos naqueles, nos quais a fé se debilitou, e que se afastaram de Deus, deixando de O considerar relevante na própria vida: são pessoas que, no fundo, perderam uma grande riqueza, «decaíram» de uma alta dignidade – não económica, mas espiritual –, e perderam a orientação segura e firme da vida: estes tornaram-se mendigos do sentido da existência. Estas inúmeras pessoas, que estão à nossa porta, fora e dentro de portas, “precisam de uma nova evangelização, isto é, de um novo encontro com Jesus Cristo, o Filho de Deus (cf. Mc 1, 1)” (Bento XVI, Homilia no encerramento do Sínodo, 28-10-2012).
5. Nesta terceira semana de advento, vamos, pois, com alegria, ao encontro de Cristo, guiados pelos pobres, como estrelas cadentes. O encontro com os pobres “muda as pessoas, mais do que um discurso; ensina fidelidade, permite compreender a fragilidade da vida, pede oração; em suma, leva-nos a Cristo» (Mensagem Final, Sínodo dos Bispos 2012, n. 12).
Esta semana, acendamos a terceira vela e coloquemos a terceira estrela na coroa de advento. E a tua estrela irá brilhar, se a tua fé atuar pela caridade; se a tua caridade, for sustentada pela fé; se o outro for o centro das tuas atenções e serviços; se souberes oferecer o teu tempo e o teu carinho, sobretudo às pessoas que vivem sozinhas, aos doentes, aos tristes aos mais desanimados; se fizeres tudo o que podes, em família, para acolheres e ajudares os membros que passam por maiores dificuldades; se as prendas que ofereceres forem ajuda, para quem precisa (cf. CEP, Mensagem Natal 2012), se reacenderes nos mais débeis de esperança a chama da fé.
“Renovemos, irmãos, o nosso espírito de serviço aos pobres, principalmente para com os mais abandonados. Esses hão de ser os nossos senhores e protetores” (São Vicente de Paulo, Carta 2546), serão mesmo

FIM DO MUNDO?


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Prémio Direitos Humanos



Prémio Direitos Humanos












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A Cáritas Portuguesa recebeu, em 10 de Dezembro presente, das mãos da presidente da Assembleia da república o prémio Direitos Humanos. Atribuído anualmente pelo Parlamento este prémio distingue organizações e pessoas que lutam na defesa da justiça e da solidariedade entre todos.
O presidente Eugénio Fonseca aceitou este prémio em nome do grande “exército” que todos os dias trabalha localmente nos muitos grupos de ação social. “No seu pensamento”, afirmou, estão todos os que “sofrem situações de pobreza e de exclusão”.
“A Cáritas sente o reconhecimento pelo trabalho de animação de diversos organismos eclesiais presentes na operatividade dos Direitos Humanos, sobretudo na salvaguarda concreta de direitos sociais”, afirmou Eugénio Fonseca.
Num apelo claro à superação das dicotomias entre “caridade e justiça, assistência e direitos, ação pontual e desenvolvimento económico-social” que prejudicam a acção social, Eugénio Fonseca deixou um apelo para a congregação de esforços por parte de todos os que estão envolvidos no combate à pobreza.
Além da Cáritas, foi atribuída a medalha de ouro comemorativa do 50.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem a Isabel Fernandes, voluntária da organização não-governamental ‘Ataca’ e fundadora da Associação ‘Kutsemba’, e a Miguel Neiva, mestre em Design, Comunicação e Marketing, “criador do Código ColorAdd, sistema de identificação de cores para daltónicos”
Fonte: aqui
 

Indulgências no Ano da Fé


Para comemorar o cinquentenário da abertura solene do Concílio Ecuménico Vaticano II, o Papa Bento XVI instituiu o Ano da Fé, iniciado em 11 de Outubro de 2012 e que se prolongará até 24 de Novembro de 2013 e concedeu que, nesse tempo, houvesse a possibilidade de se alcançarem indulgências, para o bem espiritual dos fieis.
Por isso, de acordo com o Decreto da Penitenciaria Apostólica, de 14 de Setembro de 2012, durante o Ano da Fé «poderão obter a Indulgência Plenária da pena temporal para os próprios pecados concedida pela misericórdia de Deus, aplicável em sufrágio das almas dos defuntos, todos os fiéis sinceramente arrependidos, confessando-se devidamente, comungando sacramentalmente, e que rezem segundo as intenções do Santo Padre».
 
Igrejas da Diocese designadas pelo Senhor Bispo para a obtenção da Indulgência Plenária:
Igreja Catedral;
 Santuário de Nossa Senhora dos Remédios;
 Santuário de Nossa Senhora da Lapa;
 Santuário de Santa Eufémia (Penedono);
Igreja de Santa Maria de Cárquere;
Igreja de São Miguel de Armamar;
 Igreja São Pedro de Castro Daire;
 Igreja São João Baptista de Cinfães;
 Igreja São Bento de Meda;
 Igreja de São João da Pesqueira;
 Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço;
 Igreja Nossa Senhora do Pranto de Vila Nova de Foz Coa.
Santuário de Santa Helena (Tarouca)
Lamego, 08 de Dezembro de 2012, Solenidade da Imaculada Conceição
Joaquim Dias Rebelo, Vigário Geral

domingo, 9 de dezembro de 2012

O Evangelho de São Lucas - Evangelho da Salvação universal

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Neste Ano Litúrgico - Ano C - que teve início com o 1º Domingo do Adento (2/12/2012), o evangelista que mais de perto nos vai acompnhar é São Lucas.

 
O terceiro Evangelho é atribuído a Lucas, que também é o autor dos Actos dos Apóstolos. Segue os usos dos historiógrafos do seu tempo, mas a história que ele deseja apresentar é uma história iluminada pela fé no mistério da Paixão e Ressurreição do Senhor Jesus. O seu livro é um Evangelho, uma obra que apresenta a Boa-Nova da salvação centrada na pessoa de Jesus Cristo.

DIVISÃO E CONTEÚDO
O esquema geral do livro é o mesmo que se encontra em Mateus e em Marcos: uma introdução, a pregação de Jesus na Galileia, a sua viagem para Jerusalém, a Paixão e Ressurreição como cumprimento final da sua missão. A construção literária é elaborada com cuidado e reflecte grande sensibilidade, procurando salientar os tempos e lugares da História da Salvação e pondo em evidência a projecção existencial do projecto evangélico.
Prólogo (1,1-4) em que anuncia o tema, o método e o fim da sua obra. Lucas expõe por ordem o que se refere à vida e à mensagem de Jesus de Nazaré, filho de Maria, Filho de Deus.
I. Evangelho da infância (1,5-2,52) de João Baptista e de Jesus.
II. Prelúdio da missão messiânica de Jesus (3,1-4,13).
III. Ministério de Jesus na Galileia (4,14-9,50): a sua atitude face às multidões, aos primeiros discípulos e aos adversários (4,31-6,11); o seu ensino aos discípulos (6,12-7,50); a associação estreita dos Doze à sua missão (8,1-9,50).
IV. Subida de Jesus a Jerusalém (9,51-19,28). O esquema literário de Lucas é, ao mesmo tempo, original, mas artificial, sem continuidade geográfica nem progressão doutrinal. Tal quadro permite ao autor reunir uma série de elementos, em parte convergentes com os de Mateus e Marcos, colocando-os na perspectiva do evento pascal, a consumar-se na cidade de Jerusalém. Jesus dirige-se a Israel, chamando-o à conversão; mas é, sobretudo, para os discípulos que os seus ensinamentos se orientam, tendo em conta o tempo em que já não estará presente entre eles.
V. Ministério de Jesus em Jerusalém (19,29-21,38): o ensino de Jesus no templo (20,1-21,37).
VI. Paixão, morte e ressurreição de Jesus (22,1-24,53): a narração da Paixão e as narrações da Páscoa (22,1-24,53). Omitindo a tradição das aparições na Galileia e situando todos os eventos pascais em Jerusalém, Lucas põe em evidência o lugar central daquela cidade na História da Salvação. De lá vai irradiar também a mensagem evangélica, relatada pelo mesmo autor no livro dos Actos.

O TEMPO DE JESUS E O TEMPO DA IGREJA
Uma das ideias-chave de Lucas é distinguir o tempo de Jesus e o tempo da Igreja. Sem esquecer a singularidade única do acontecimento salvífico de Jesus Cristo, põe em relevo as etapas da obra de Deus na História. Mais do que Mateus e Marcos, ao falar de Jesus e dos discípulos, Lucas pensa já na Igreja, cujos membros se sentem interpelados a acolher a mensagem salvífica na alegria e na conversão do coração. É isso que faz deste livro o Evangelho da misericórdia, da alegria, da solidariedade e da oração. No respeito pelo ser humano, a salvação evangélica transforma a vida das pessoas, com reflexos no seu interior, nos seus comportamentos sociais e no uso que fazem dos bens terrenos.
Jesus anuncia a sua vinda no fim dos tempos, o qual, segundo Lucas, coincidirá com o termo do tempo da Igreja. Mas a insistência deste evangelista na salvação presente, na realeza pascal do Senhor Jesus, na acção do Espírito Santo na Igreja, contribuem para atenuar a tensão relativa à iminente Parusia. A própria destruição de Jerusalém, vista como um acontecimento histórico, despojando-o da sua projecção escatológica, presente em Mateus e Marcos, é sinal de uma consciência viva do dom da salvação presente no tempo da Igreja.

COMPOSIÇÃO E DATA
Na composição do seu Evangelho, Lucas utilizou grande parte de materiais comuns a Marcos e Mateus, além dos que lhe são próprios e dos contactos com o Evangelho de João. Todos os materiais da tradição estão marcados pelo trabalho do autor, que se reflecte quer na sua ordenação, quer no vocabulário, quer no estilo. A arte e a sensibilidade de Lucas manifestam-se na sobriedade das suas observações, na delicadeza de atitudes, no dramatismo de certas narrações, na atmosfera de misericórdia das cenas com pecadores, mulheres e estrangeiros. A composição deste Evangelho é situada por volta dos anos 80-90, porque Lucas deve ter conhecido o cerco e a destruição da cidade de Jerusalém por Tito, no ano 70.

DEDICATÓRIA E AUTOR
O livro é dedicado a Teófilo, mas destina-se a leitores cristãos de cultura grega, como se vê pela língua, pelo cuidado em explicar a geografia e usos da Palestina, pela omissão de discussões judaicas, pela consideração que tem pelos gentios.
Segundo uma tradição antiga (Santo Ireneu), o autor é Lucas, médico, discípulo de Paulo. Pelas suas características, este Evangelho encontra-se mais próximo da mentalidade do homem moderno: pela sua clareza, pelo cuidado nas explicações, pela sensibilidade e pela arte do seu autor. Lucas mostra o Filho de Deus como Salvador de todos os homens, com particular atenção aos pequeninos, pobres, pecadores e pagãos. Para ele, o Senhor é Mestre de vida, com todas as suas exigências e com o dom da graça, que o discípulo só pode acolher de coração aberto.
Por isso, Lucas é o Evangelho da Salvação universal, anunciada pelo Profeta dos últimos tempos que convida discípulos profetas, aos quais envia o Espírito Santo, para que, por sua vez, sejam os profetas de todos os tempos e lugares (Lc 24,45-49; Act 1,8).
Fonte: aqui

sábado, 8 de dezembro de 2012

Desperdício alimentar é "um crime contra aqueles que estão a passar mal"

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O porta-voz da Conferência Episcopal, o padre Manuel Morujão, considerou hoje o desperdício alimentar "um crime contra aqueles que estão a passar mal", sublinhado que há "inércia e falta de iniciativa para rentabilizar o que sobra".
 
"Sendo a alimentação um assunto de emergência nacional porque há franjas da nossa população que sabem que a palavra fome não está no dicionário a mais, mas é uma experiência viva que sentem, todo o desperdício é de alguma maneira um crime contra aqueles que estão a passar mal sobretudo nestes tempos de crise. É uma desonestidade que importa evitar", disse Manuel Morujão.
O porta-voz da Conferência Episcopal portuguesa comentava assim as primeiras conclusões de um estudo nacional sobre desperdício alimentar, antecipadas hoje pelos jornais Público e Expresso, que indica que Portugal perde anualmente um milhão de toneladas de alimentos.
O valor corresponde a 17 por cento dos alimentos que o país produz para consumo humano e as perdas ocorrem ao longo de toda a cadeia de aprovisionamento (produção, transformação e consumo).
Apesar do valor ser inferior à média europeia, cada habitante português desperdiça 97 quilos de alimentos por ano.
"Não é por má intenção que estas coisas acontecem. Acho que há inércia e falta de iniciativa para rentabilizar aquilo que sobra. O que sobra a alguém é o que falta a outras pessoas, que vivem com carências alimentares, por vezes graves", sublinhou Manuel Morujão.
O porta-voz da Conferência Episcopal sublinhou que em Portugal existem já boas iniciativas de combate ao desperdício, nomeadamente nos restaurantes, defendendo o reforço do investimento nesta área.
"Há já belas iniciativas daqueles que recorrem a restaurantes e outras casas de alimentação para darem depois [as sobras] a obras de assistência social, cantinas, refeitórios sociais e, muitas vezes, levando a alimentação à casa das pessoas que são conhecidas como tendo necessidades alimentares", disse.
"É uma frente de batalha em que é preciso investir para que haja menos desperdícios e que mais pessoas sintam que na sua mesa não falta o pão de cada dia. É uma questão de estrita justiça social[...]as questões de alimentação são questões sobrevivência e do mínimo de dignidade humana que devem ter todos", acrescentou.
Fonte: aqui

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

NOSSA SENHORA

Num sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade
É que eu vi o teu olhar de piedade...
E (mais que piedade) de tristeza...
Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na Natureza...

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só de perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!

Antero de Quental

Para que convida os seus amigos?


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Imaculada Conceição

Portugal celebra este sábado, dia 8 de dezembro, a sua Padroeira.
D. João IV , ao recuperar o trono dos seus antepassados, a 1 de Dezembro de 1640, movido por eterna gratidão pelo feliz sucesso daqueles perigosos acontecimentos, deliberou tomar Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Padroeira e Protectora do Reino, o que submeteu à aprovação das Cortes. A proclamação decorreu a 25 de Março de 1646, no Terreiro do Paço, em Lisboa, com grande entusiasmo da população. Consagrava-lhe, ainda, a Família Real e prometia que os portugueses sempre defenderiam que a Virgem foi concebida sem pecado original. Como prova da sua sinceridade, ofereceu-lhe aquela Coroa que ela o ajudara a recuperar. E nunca mais os reis a usaram em Portugal, para que ficasse claro que a realeza pertencia à Imaculada.
Passados mais de duzentos anos, a 8 de Dezembro de 1854, pela bula "Ineffabilis Deus", o Papa Pio IX declarou como verdade de fé a conceição imaculada da Virgem Maria:
"Por autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a Santíssima Virgem Maria no primeiro instante da sua Conceição foi por graça e privilégio singular de Deus Todo-Poderoso, e em vista dos merecimentos de Jesus Cristo Salvador do género humano, preservada e isenta de toda a mácula da culpa original, foi revelada por Deus, e como tal deve ser firme e constantemente crida por todos os fiéis".
Celebrar esta Festa é renovar a esperança de que temos como padroeira a Mãe de Jesus e nossa Mãe, que, lá no Céu, vela por todos nós, que nos acolhemos à sua protecção.
Fonte: aqui