sexta-feira, 31 de agosto de 2012

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano B

Leituras: aqui
 
“Este Povo honra-me com os lábios,
mas o seu coração está longe de mim”!
(Mc.7,6; Is.29,13)

1. Fomos a banhos, nestes meses de Verão! E trazemos já, com certeza, as nossas mãos lavadas e o corpo despoluído, nas águas imensas do mar salgado. Mas a Palavra de Deus, neste regresso a casa, quer lavar-nos, por dentro, para nos deixar inteiramente limpos (cf. Jo15, 3)do contágio deste mundo, e preparar-nos assim, para o encontro com Deus! É isso mesmo a fé verdadeira! A fé é a abertura inteira do coração humano, a esse Deus, que vem até nós! E é mesmo o próprio Deus, que se aproxima de nós, que nos purifica e nos prepara, para viver na intimidade e na comunhão com Ele. Não somos nós que, a custo e à nossa custa, nos purificamos, para termos acesso a Deus e à sua morada santa. É Ele, que chegando até nós, nos purifica e santifica, por dentro, fazendo de nós a sua morada!
2. Tendo em vista o “Ano da Fé”, que já se avizinha e se apressa, é, por graça, que a Palavra de Deus, nos direciona precisamente neste sentido: ir ao coração da fé! E ir ao coração da fé significa e implica prender-se ao essencial, do nosso encontro pessoal, vital e eclesial, com Deus, sem nos perdermos no acessório, de práticas rotineiras antigas! Ir ao coração da fé significa e implica deixar de lado uma religião, feita de costumes e de meras práticas exteriores, para viver com Deus uma relação, que brota do mais profundo do coração, até a professar, celebrar, viver, rezar e testemunhar publicamente. Ir ao coração da fé significa e implica deixar de lado doutrinas que não passam de preceitos humanos, para acolher docilmente e pôr em prática a Palavra de Deus, em nós plantada, mas nem sempre implantada! Ir ao coração da fé significa e implica deixar de lado uma religião, reduzida a um catálogo de pecados, de obrigações e proibições, para viver a “religião pura e sem mancha” dos que limpam o coração, sujando as mãos, no esforço da caridade, que é o pleno cumprimento da Lei. Ir ao coração da fé significa e implica sobretudo descobrir e testemunhar a alegria e a beleza do nosso encontro com Cristo, na comunhão com a Igreja. Na verdade, “a fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele” (PF 10). Nesse encontro, renova-se e alegra-se a nossa própria vida!
3. E Jesus quer mesmo reconduzir-nos ao coração da fé. E, para tal, cita-nos o profeta Isaías (29,13): “Este Povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”. Por isso, em primeiro e último lugar ir ao coração da fé, significará e implicará sempre que a fé brote do coração. A fé não se resume a dizer ou a cantar, da boca para fora, um conjunto de palavras ou doutrinas que, na maior parte das vezes, não passam de preceitos humanos! Acreditar, desde a sua raiz, implica «dar o próprio coração», isto é, abrir o coração e aderir a Deus, que Se revela em Cristo. Como nos diz São Paulo: «Acredita-se com o coração. E, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Rm 10, 10). O coração é aqui o centro da pessoa, dos seus pensamentos e sentimentos, dos seus projetos e decisões fundamentais! Neste sentido, só o coração pode abrir-se a Deus e chegar à fé! Ou deixar-se endurecer e fechar-se a Ele! Por isso, “o coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça, que age e transforma a pessoa, até ao mais íntimo dela mesma” (PF 10).
4. Que o nosso coração, assim aberto pela graça de Deus, alcance sempre renovado o dom da fé: um dom a descobrir de novo, a cultivar continuamente e a testemunhar a todos, com renovado entusiasmo (cf. PF 7)!
Caminhemos juntos, na direção do essencial, até irmos bater à porta do coração da nossa fé! Ou à porta da fé, que bate, desde o nosso coração!
Fonte: aqui

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

"QUEM NÃO É APÓSTOLO É APÓSTATA"

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O mandato de Cristo "Ide por todo o mundo e ensinai a Boa Nova" é dirigido a cada cristão, que como diz Tertuliano, já no século III, se não for apóstolo é apóstata.
A missão é pois um dever e uma tarefa de todos e de cada cristão.
Ao princípio os apóstolos eram apenas 12 e nem por isso deixaram de ir um pouco por todo o lado e levar a mensagem de Cristo a todos quantos puderam. Quando conseguiam converter um grupo de pessoas, deixavam aí alguém que se responsabilizasse por essa comunidade e partiam para outra terra. É isso que ainda hoje fazem os missionários.

Os leigos são hoje chamados a desempenhar tarefas que ainda há pouco os padres faziam, como presidir a festas e funerais, animar catequeses e outras pastorais. E penso que com o tempo as comunidades irão organizar-se e, quem sabe?, crescer mais na comunhão eclesial e no sentir-se mais responsáveis no crescimento do Reino de Deus.

"Cristão nunca pode tirar férias"

Semana Bíblica Nacional dedicada aos "Desafios da nova evangelização



D. António Couto diz que um "cristão nunca pode tirar férias. Se vivo esse meu Cristianismo com alegria e com convicção tenho o dever de o transmitir, não posso estar parado, nem calado" 
A 35ª Semana Bíblica Nacional arranca em Fátima e vai ser dedicada aos "Desafios da nova evangelização", o tema central do Sínodo dos Bispos, agendado para Outubro, no Vaticano.
D. António Couto, especialista em Bíblia, aponta falhas no que se refere à transmissão da fé: “Nós não temos conseguido transmitir a fé aos nossos vizinhos, aos nossos amigos, às pessoas em geral. Um cristão nunca pode tirar férias, por definição. Se vivo esse meu Cristianismo com alegria e com convicção tenho o dever de o transmitir, não posso estar parado, nem calado, nem quieto”.

O presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização considera que “estamos num período de desconstrução de um mundo, de uma sociedade, em que a fé também está a esboroar-se”.
“Praticamente, as pessoas passam a fé para o lado com muita tranquilidade, sem sequer se perguntarem o que é ser cristão. Obviamente que aflige a Igreja e aflige muitos daqueles que são cristãos”, sublinha D. António Couto.

Fonte: aqui

Nota Pastoral sobre a Solenidade de Nossa Senhora dos Remédios

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SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

Nota Pastoral

1. No próximo dia 8 de Setembro, dia em que a Igreja celebra a Festa da Natividade da Virgem Santa Maria, a Igreja que vive na Cidade de Lamego celebra a Solenidade de Nossa Senhora dos Remédios, sua Padroeira principal.

2. Nossa Senhora dos Remédios é, com certeza, nas suas coordenadas culturais e religiosas, o ponto mais alto (falo de outras alturas) da cidade de Lamego, mas também de toda a nossa Diocese de Lamego, e ainda de muita gente humilde e devota do inteiro Portugal e até do estrangeiro, que acorre a este lugar alto (a Bíblia chama «lugar alto» [maqôm], mais alto do que eu, aos santuários de Deus) para, juntamente connosco, bater a esta porta aberta desta Casa da Mãe de Deus e nossa Mãe, à procura de algum consolo para as suas dores e de um bocadinho de esperança para a sua vida.

3. A nós, Igreja de Deus que vive nesta Cidade e nesta Diocese de Lamego, compete-nos, portanto, pôr a mesa e acender a lareira, para que esta Casa da nossa Mãe seja um lar belo e acolhedor, onde todos aprendamos outra vez a sentir-nos verdadeiramente filhos e irmãos.

4. Ouso, por isso e para isso, apelar a todos os Movimentos e a todas as Comunidades Paroquiais espalhadas pelo espaço da nossa Diocese de Lamego, com os seus párocos e fiéis, acólitos e porta-estandartes, a marcarem presença activa, peregrinante e orante, de modo a enchermos de Fé, de Amor e de Esperança todos os caminhos que vão dar ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

5. O Dia Grande é o Dia 8 de Setembro. Nesse Dia haverá no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, às 10 horas, a Solene Celebração da Eucaristia. E às 16 horas terá lugar a Solene Procissão que, saindo da Igreja das Chagas e atravessando as ruas da cidade, se dirigirá para o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

6. Toda a grande Celebração requer que nos preparemos condignamente para ela. Nesse sentido, o Santuário oferece um itinerário de preparação, que decorrerá de 30 de Agosto a 7 de Setembro, com dois momentos altos em cada um dos dias desta novena: às 6 horas da manhã, haverá a Recitação do Terço, Adoração e Celebração da Eucaristia; e às 18 horas, haverá um tempo de oração mariana, orientado pelas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras. No dia 6, no final da Oração da manhã, a imagem de Nossa Senhora dos Remédios será levada em Procissão para a Igreja das Chagas, de onde sairá no dia 8, em Solene Procissão, às 16 horas.

7. Aproveitemos este tempo de graça para renovarmos a nossa Alegria cristã e a nossa Dedicação à Mãe de Deus e Mãe nossa, que sempre nos acolhe na sua Casa e nos conforta nos seus braços maternais.

Lamego, 11 de Agosto de 2012, memória de Santa Clara de Assis

+ António Couto, Bispo de Lamego

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

PRECE

CATEQUESE PAROQUIAL

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CALENDÁRIO

·      A partir de 15 de Setembro, na Igreja Paroquial,  inscrições dos meninos que vêm para o 1º ano

·      7 de Outubro, 14.30 horas, reunião geral de catequistas no Centro Paroquial

·      Abertura da Catequese em 13 de Outubro:
-15 horas - Eucaristia na Igreja Paroquial, seguida de:
- Reunião geral de pais
- Distribuição dos grupos de catequese e início da catequese

28 de Agosto: Santo Agostinho

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 Santo Agostinho de Hipona foi um importante bispo cristão e teólogo. Nasceu na região norte da África em 354 e morreu em 430. Era filho de mãe que seguia o cristianismo, porém seu pai era pagão. Logo, na sua formação, teve importante influência do maniqueísmo (sistema religioso que une elementos cristãos e pagãos).
 
Pensamentos de Santo Agostinho:

 "O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios."

"Não basta fazer coisas boas - é preciso fazê-las bem."

"Não é tanto o que fazemos, mas o motivo pelo qual fazemos que determina a bondade ou a malícia."

"Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser."

"Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem."

"Deus não será maior se o respeitas, mas tu serás maior se o servires. "

"Na procura de DEUS é ELE quem se adianta e vem ao nosso encontro."

"Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti."

"A fé e a razão caminham juntas, mas a fé vai mais longe."

"A beleza é realmente um bom dom de Deus; mas que os bons não pensem que ela é um grande bem, pois Deus a distribui mesmo para os maus."

"Não queiras entender para crer; crê para que possas entender. Se não crês, não entenderás."

"Uma lágrima se evapora, uma flor murcha, só a oração chega ao trono de Deus."

"Uma boa consciência é o palácio de Cristo, templo do Espírito Santo,
paraíso do deleite, descanso permanente dos santos."

"Amem esta Igreja, sejam essa Igreja, fiquem na Igreja! E amem o Esposo!"

"O cuidar dos funerais, a escolha da sepultura, a pompa das exéquias, visam mais à consolação dos vivos do que ao interesse dos mortos."

(Fonte: aqui)

terça-feira, 28 de agosto de 2012


O Valor de um Testemunho

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Josué disse então a todo o povo:
«Se não vos agrada servir o Senhor,
escolhei hoje a quem quereis servir:
se os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio,
se os deuses dos amorreus em cuja terra habitais.
Eu e a minha família serviremos o Senhor».
Mas o povo respondeu:
«Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses;
porque o Senhor é o nosso Deus,
que nos fez sair, a nós e a nossos pais,
da terra do Egipto, da casa da escravidão.
Também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus».

sábado, 25 de agosto de 2012

A História do José, mais conhecido por Zé Tuga

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O José, mais conhecido por Zé Tuga, nasceu em Portugal. Logo, nasceu católico. Isto é, faz parte do grupo daqueles cerca de muitos porcento que vão ser baptizados. Não tardou nem um ano e foi baptizado, levado ao colo pelos seus pais, com esta ideia. Queremos que ele tenha a nossa religião. O Zé Tuga entrou na catequese como os outros meninos, pois entra-se na catequese quase como se entra na escola. Faz parte da vida dos porcento que estão baptizados. Entrou na catequese para fazer a Primeira Comunhão e o Crisma. A Catequista era uma senhora Conceição muito devota da terra, que sabia tudo e ensinava tudo. O Zé gostava muito da senhora Conceição. Mas depois da Primeira comunhão as coisas começaram a azedar, a não fazer muito sentido, pois os amigos mais velhos, os maiores lá da escola, diziam que aquilo era uma seca. Ora, os amigos é que sabem tudo. Sabem mais tudo que a senhora Conceição. Por alturas da profissão de fé, já o Zé faltava mais vezes do que ia à catequese. Mas ainda se aguentou para o Crisma, embora nos anos que mediaram a Primeira Comunhão e o Crisma, não tenha ido muito à Missa. Ia à catequese, mas não ia à missa. Não precisava da missa para fazer o Crisma. Era amigo de Deus, dizia, embora na escola dissesse aos amigos que era mais do tipo agnóstico, que isto está na moda. Do tal amigo que se chama Deus ou Jesus, lembrava-se por alturas dos testes dos estudos ou da vida. Lá esboçava um Pai Nosso, ou ia a Fátima. Aliás, foi lá umas duas ou três vezes a pé com uns amigos dos copos, uns anos depois do casamento. Casou-se pela Igreja para as fotografias. O padre que presidiu à cerimónia ainda se lembra do sorriso maroto do Zé quando lhe passou o cálice para as mãos. Na altura confessou-se para calar o padre, embora não contasse todos os pecados. Aliás, isso dos pecados só eu é que sei. Ou melhor, nem sei o que é pecado. Digo umas asneiras e pronto. Voltou à Igreja quando a primeira filha foi a Baptizar, e lembra-se de discutir muito com o padre porque ele é que sabia quem seria o melhor padrinho para ela. Foi à reunião de preparação, e até gostou da conversa. Mas só foi interessante. Mais nada. Nessa ocasião, já nem se confessou. Fez mais ou menos o mesmo por alturas da segunda filha e no dia da Primeira Comunhão delas. Também nunca faltava aos funerais dos amigos, embora ficasse para além da porta dos fundos e nem entrasse no cemitério. Isso só fez no funeral da mãe e do pai. Foi à Missa e ficou no banco da frente. Entrou no cemitério e chorou porque Deus os levara. Mas era muito amigo de Deus, dizia, pois tinha a sua fé. Eu cá tenho a minha fé. No café, entre um copo e outro, falava muito mal da igreja, que os padres isto e aquilo, que as beatas eram umas falsas, que a igreja tem muito dinheiro. Por isso também nunca contribuiu muito para as causas da Igreja. Os padres é que tiram a fé. Mas ele não a perdia, porque carregava muitas vezes o andor da santinha nossa senhora de Fátima e não faltava à maior parte das festas. Ou melhor, à maior parte das procissões das festas. Não era má pessoa, como se isso bastasse para ser bom. Enfim, fazia parte dos cerca de muitos porcento que são católicos em Portugal. Há dias adoeceu. E em pouco mais de um mês faleceu. Teve um funeral digno, com missa e tudo, na mesma Igreja que uns dias antes não prestava, a pedido da família que ainda marcou missa de sétimo dia. A maior parte dos seus amigos ficou, como é hábito, para além da porta dos fundos. O padre foi muito simpático em falar da Vida Eterna. E para lá caminhou o Zé Tuga, quando lhe apareceu um gajo vestido de branco, um branco tão branco que nem há aqui na terra, e lhe fez uma pergunta. Zé Tuga, tu conheces-me? E o Zé Tuga olhou-o assim, bem, de alto a baixo, e respondeu. Acho que sim. Tu não és… deixa cá ver se me lembro, que isto da morte faz-nos esquecer tudo… aquele a quem chamavam de Jesus? O gajo de branco repetiu mais umas cinquenta vezes. Zé Tuga, tu conheces-me? Perante a insistência, o Zé respondeu com algumas semelhanças a umas respostas, em tempos, de um tal Pedro. Sim, Senhor, tu sabes tudo, sabes que te conheço. Quando já parecia que o senhor de branco estava satisfeito, ouviu mais umas setenta mil e setenta e sete vezes a mesma pergunta, num tempo que parecia nem ser tempo. Um tempo sem tempo. Um tempo que só podia ser agora e eterno. Cansado de ouvir e não sabendo como responder, sentou-se e ali ficou sentado para sempre.
In Confessionário dum Padre, aqui

A PORTA DA FÉ - 14,15


14.  «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé?
O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tg 2, 14-18).
A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Ped 3, 13; cf. Ap 21, 1).
15. Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte
Já no termo da sua vida, o apóstolo Paulo pede ao discípulo Timóteo que «procure a fé» (cf. 2 Tm 2, 22) com a mesma constância de quando era novo (cf. 2 Tm 3, 15). Sintamos este convite dirigido a cada um de nós, para que ninguém se torne indolente na fé. Esta é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo. Aquilo de que o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim.
Que «a Palavra do Senhor avance e seja glorificada» (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro. As seguintes palavras do apóstolo Pedro lançam um último jorro de luz sobre a fé: «É por isso que exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações; deste modo, a qualidade genuína da vossa fé – muito mais preciosa do que o ouro perecível, por certo também provado pelo fogo – será achada digna de louvor, de glória e de honra, na altura da manifestação de Jesus Cristo. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, credes n’Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas» (1 Ped 1, 6-9). A vida dos cristãos conhece a experiência da alegria e a do sofrimento. Quantos Santos viveram na solidão! Quantos crentes, mesmo em nossos dias, provados pelo silêncio de Deus, cuja voz consoladora queriam ouvir! As provas da vida, ao mesmo tempo que permitem compreender o mistério da Cruz e participar nos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1, 24) , são prelúdio da alegria e da esperança a que a fé conduz: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2 Cor 12, 10). Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte. Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele: Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lc 11, 20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n’Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai.
À Mãe de Deus, proclamada «feliz porque acreditou» (cf. Lc 1, 45), confiamos este tempo de graça.
PORTA FIDEI, BENTO XVI

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A PORTA DA FÉ - 12,13


12. Não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas, embora por caminhos diferentes, tendem para a verdade
Assim, no Ano em questão, o Catecismo da Igreja Católica poderá ser um verdadeiro instrumento de apoio da fé, sobretudo para quantos têm a peito a formação dos cristãos, tão determinante no nosso contexto cultural. Com tal finalidade, convidei a Congregação para a Doutrina da Fé a redigir, de comum acordo com os competentes Organismos da Santa Sé, uma Nota, através da qual se ofereçam à Igreja e aos crentes algumas indicações para viver, nos moldes mais eficazes e apropriados, este Ano da Fé ao serviço do crer e do evangelizar.
De facto, em nossos dias mais do que no passado, a fé vê-se sujeita a uma série de interrogativos, que provêm duma diversa mentalidade que, hoje de uma forma particular, reduz o âmbito das certezas racionais ao das conquistas científicas e tecnológicas. Mas, a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas, embora por caminhos diferentes, tendem para a verdade.[22]

13. A história da nossa fé
Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos.
Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e anélito do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação.
Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lc 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lc 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lc 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mt 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. Jo 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lc 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Act 1, 14; 2, 1-4).
Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (cf. Mc 10, 28). Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa (cf. Lc 11, 20). Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele (cf. Jo 13, 34-35). Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (cf. Mc 16, 15) e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas.
Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (cf. Act 2, 42-47).
Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores.
Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma acção em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lc 4, 18-19).
Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (cf. Ap 7, 9; 13, 8), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados.
Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história.
PORTA FIDEI, BENTO XVI

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A PORTA DA FÉ - 8,9,10,11


8. Queremos celebrar este Ano de forma digna e fecunda
Nesta feliz ocorrência, pretendo convidar os Irmãos Bispos de todo o mundo para que se unam ao Sucessor de Pedro, no tempo de graça espiritual que o Senhor nos oferece, a fim de comemorar o dom precioso da fé. Queremos celebrar este Ano de forma digna e fecunda. Deverá intensificar-se a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver. Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo.

9. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada
Desejamos que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança. Será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia, que é «a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força».[14] Simultaneamente esperamos que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada[15] e reflectir sobre o próprio acto com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo neste Ano.
Não foi sem razão que, nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender de memória o Credo. É que este servia-lhes de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumido com o Baptismo. Recorda-o, com palavras densas de significado, Santo Agostinho quando afirma numa homilia sobre a redditio symboli (a entrega do Credo): «O símbolo do santo mistério, que recebestes todos juntos e que hoje proferistes um a um, reúne as palavras sobre as quais está edificada com solidez a fé da Igreja, nossa Mãe, apoiada no alicerce seguro que é Cristo Senhor. E vós recebeste-lo e proferiste-lo, mas deveis tê-lo sempre presente na mente e no coração, deveis repeti-lo nos vossos leitos, pensar nele nas praças e não o esquecer durante as refeições; e, mesmo quando o corpo dorme, o vosso coração continue de vigília por ele».[16]

10. «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé»
Queria agora delinear um percurso que ajude a compreender de maneira mais profunda os conteúdos da fé e, juntamente com eles, também o acto pelo qual decidimos, com plena liberdade, entregar-nos totalmente a Deus. De facto, existe uma unidade profunda entre o acto com que se crê e os conteúdos a que damos o nosso assentimento. O apóstolo Paulo permite entrar dentro desta realidade quando escreve: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Rm 10, 10). O coração indica que o primeiro acto, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e acção da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo dela mesma.
A este respeito é muito eloquente o exemplo de Lídia. Narra São Lucas que o apóstolo Paulo, encontrando-se em Filipos, num sábado foi anunciar o Evangelho a algumas mulheres; entre elas, estava Lídia. «O Senhor abriu-lhe o coração para aderir ao que Paulo dizia» (Act 16, 14). O sentido contido na expressão é importante. São Lucas ensina que o conhecimento dos conteúdos que se deve acreditar não é suficiente, se depois o coração – autêntico sacrário da pessoa – não for aberto pela graça, que consente ter olhos para ver em profundidade e compreender que o que foi anunciado é a Palavra de Deus.
Por sua vez, o professar com a boca indica que a fé implica um testemunho e um compromisso públicos. O cristão não pode jamais pensar que o crer seja um facto privado. A fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele. E este «estar com Ele» introduz na compreensão das razões pelas quais se acredita. A fé, precisamente porque é um acto da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita. No dia de Pentecostes, a Igreja manifesta, com toda a clareza, esta dimensão pública do crer e do anunciar sem temor a própria fé a toda a gente. É o dom do Espírito Santo que prepara para a missão e fortalece o nosso testemunho, tornando-o franco e corajoso.
A própria profissão da fé é um acto simultaneamente pessoal e comunitário. De facto, o primeiro sujeito da fé é a Igreja. É na fé da comunidade cristã que cada um recebe o Baptismo, sinal eficaz da entrada no povo dos crentes para obter a salvação. Como atesta o Catecismo da Igreja Católica, «“Eu creio”: é a fé da Igreja, professada pessoalmente por cada crente, principalmente por ocasião do Baptismo. “Nós cremos”: é a fé da Igreja, confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, de modo mais geral, pela assembleia litúrgica dos crentes. “Eu creio”: é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus pela sua fé e nos ensina a dizer: “Eu creio”, “Nós cremos”».[17]
Como se pode notar, o conhecimento dos conteúdos de fé é essencial para se dar o próprio assentimento, isto é, para aderir plenamente com a inteligência e a vontade a quanto é proposto pela Igreja. O conhecimento da fé introduz na totalidade do mistério salvífico revelado por Deus. Por isso, o assentimento prestado implica que, quando se acredita, se aceita livremente todo o mistério da fé, porque o garante da sua verdade é o próprio Deus, que Se revela e permite conhecer o seu mistério de amor.[18]
Por outro lado, não podemos esquecer que, no nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro «preâmbulo» da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus. De facto, a própria razão do homem traz inscrita em si mesma a exigência «daquilo que vale e permanece sempre».[19] Esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro.[20] É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé.

11. O Catecismo da Igreja Católica constitui um dos frutos mais importantes do Concílio Vaticano II
Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica. Este constitui um dos frutos mais importantes do Concílio Vaticano II. Na Constituição apostólica Fidei depositum – não sem razão assinada na passagem do trigésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II – o Beato João Paulo II escrevia: «Este catecismo dará um contributo muito importante à obra de renovação de toda a vida eclesial (...). Declaro-o norma segura para o ensino da fé e, por isso, instrumento válido e legítimo ao serviço da comunhão eclesial».[21]
É precisamente nesta linha que o Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de facto, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé.
Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária. Repassando as páginas, descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja. Na verdade, a seguir à profissão de fé, vem a explicação da vida sacramental, na qual Cristo está presente e operante, continuando a construir a sua Igreja. Sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não seria eficaz, porque faltaria a graça que sustenta o testemunho dos cristãos. Na mesma linha, a doutrina do Catecismo sobre a vida moral adquire todo o seu significado, se for colocada em relação com a fé, a liturgia e a oração.

PORTA FIDEI, BENTO XVI

21º Domingo do Tempo Comum - Ano B

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Li numa revista...


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A PORTA DA FÉ - 5,6,7


5.  O Ano da Fé e o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II
Sob alguns aspectos, o meu venerado Predecessor viu este Ano como uma «consequência e exigência pós-conciliar»[8], bem ciente das graves dificuldades daquele tempo sobretudo no que se referia à profissão da verdadeira fé e da sua recta interpretação. Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, «não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa».[9] Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: «Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja».[10]

6. O Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor
A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. O próprio Concílio, na Constituição dogmática Lumen gentium, afirma: «Enquanto Cristo “santo, inocente, imaculado” (Heb 7, 26), não conheceu o pecado (cf. 2 Cor 5, 21), mas veio apenas expiar os pecados do povo (cf. Heb 2, 17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação. A Igreja “prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus”, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1 Cor 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz».[11]
Nesta perspectiva, o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelou plenamente o Amor que salva e chama os homens à conversão de vida por meio da remissão dos pecados (cf. Act 5, 31). Para o apóstolo Paulo, este amor introduz o homem numa vida nova: «Pelo Baptismo fomos sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Rm 6, 4). Em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afectos, a mentalidade e o comportamento do homem vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida. A «fé, que actua pelo amor» (Gl 5, 6), torna-se um novo critério de entendimento e de acção, que muda toda a vida do homem (cf. Rm 12, 2; Cl 3, 9-10; Ef 4, 20-29; 2 Cor 5, 17).

7. Só acreditando é que a fé cresce e se revigora
«Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele» (2 Cor 5, 14): é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra (cf. Mt 28, 19). Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos crentes, que jamais pode faltar. Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar: de facto, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos. Os crentes – atesta Santo Agostinho – «fortificam-se acreditando».[12] O Santo Bispo de Hipona tinha boas razões para falar assim. Como sabemos, a sua vida foi uma busca contínua da beleza da fé enquanto o seu coração não encontrou descanso em Deus.[13] Os seus numerosos escritos, onde se explica a importância de crer e a verdade da fé, permaneceram até aos nossos dias como um património de riqueza incomparável e consentem ainda que tantas pessoas à procura de Deus encontrem o justo percurso para chegar à «porta da fé».
Por conseguinte, só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus.

PORTA FIDEI, BENTO XVI

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Serra de Santa Helena: Quem era Carolina?

Um livro de Daniel Teixeira Pinto, que reside nesta Paróquia, no povo de Castanheiro do Ouro.
É uma achega para saber algo desta personagem "algo misteriosa" que viveu e morreu na Serra de Santa Helena.
O livro pode ser encontrada em Santa Helena, na Igreja Paroquial de Tarouca, junto do autor.

A PORTA DA FÉ - 2,3,4


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2. Redescobrir o caminho da fé
 Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. Durante a homilia da Santa Missa no início do pontificado, disse: «A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude»[1]. Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado.[2] Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.

3. «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» 
Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mt 5, 13-16). Também o homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. Jo 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. Jo 6, 51). De facto, em nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (Jo 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» (Jo 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: crer n’Aquele que Ele enviou» (Jo 6, 29). Por isso, crer em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação.

4. Decidi proclamar um Ano da Fé
À luz de tudo isto, decidi proclamar um Ano da Fé. Este terá início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Na referida data de 11 de Outubro de 2012, completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo meu Predecessor, o Beato Papa João Paulo II,[3] com o objectivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé. Esta obra, verdadeiro fruto do Concílio Vaticano II, foi desejada pelo Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985 como instrumento ao serviço da catequese [4] e foi realizado com a colaboração de todo o episcopado da Igreja Católica. E uma Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos foi convocada por mim, precisamente para o mês de Outubro de 2012, tendo por tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Será uma ocasião propícia para introduzir o complexo eclesial inteiro num tempo de particular reflexão e redescoberta da fé. Não é a primeira vez que a Igreja é chamada a celebrar um Ano da Fé. O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, proclamou um ano semelhante, em 1967, para comemorar o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo no décimo nono centenário do seu supremo testemunho. Idealizou-o como um momento solene, para que houvesse, em toda a Igreja, «uma autêntica e sincera profissão da mesma fé»; quis ainda que esta fosse confirmada de maneira «individual e colectiva, livre e consciente, interior e exterior, humilde e franca».[5] Pensava que a Igreja poderia assim retomar «exacta consciência da sua fé para a reavivar, purificar, confirmar, confessar».[6] As grandes convulsões, que se verificaram naquele Ano, tornaram ainda mais evidente a necessidade duma tal celebração. Esta terminou com a Profissão de Fé do Povo de Deus,[7] para atestar como os conteúdos essenciais, que há séculos constituem o património de todos os crentes, necessitam de ser confirmados, compreendidos e aprofundados de maneira sempre nova para se dar testemunho coerente deles em condições históricas diversas das do passado.
PORTA FIDEI, BENTO XVI

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A PORTA DA FÉ - 1

A PORTA DA FÉ (cf. Act 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Baptismo (cf. Rm 6, 4), pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna, fruto da ressurreição do Senhor Jesus, que, com o dom do Espírito Santo, quis fazer participantes da sua própria glória quantos crêem n’Ele (cf. Jo 17, 22). Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus que é Amor (cf. 1 Jo 4, 8): o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos enquanto aguarda o regresso glorioso do Senhor.
PORTA FIDEI, BENTO XVI

domingo, 19 de agosto de 2012

Os Hipócritas que vão à Missa

 

A propósito do despropósito dos católicos não praticantes
Foi há já algum tempo que uma pessoa, algo impertinente, disparou contra mim, à queima-roupa, a razão da sua não prática religiosa:
- Eu não vou à Missa porque está cheia de hipócritas!
Apesar de não ser um argumento propriamente original – na realidade, nem sequer é um argumento – o tópico deu-me que pensar, sobretudo porque é esgrimido, com frequência, pelos fervorosos «católicos não praticantes» que, como é sabido, abundam. São, em geral, fiéis descomprometidos, ou seja, pessoas baptizadas que dispensam a prática religiosa colectiva, com a desculpa de que nem todos os praticantes são cristãos exemplares.
Alguns praticantes são, no sumário entendimento dos que o não são, pessoas duplas, porque aparentam uma fé que, na realidade, não vivem, enquanto outros há, como os ditos não praticantes, que mesmo não cumprindo esses preceitos cultuais, são mais coerentes com a doutrina cristã. A objecção faz algum sentido, na medida em que a vida cristã não se reduz, com efeito, a uns quantos exercícios piedosos.
Mas o cristianismo é doutrina e vida: é fé em acção, esperança viva e caridade operativa. Portanto, a prática comunitária é essencial à vida cristã e a praxe litúrgica, embora não seja suficiente, é-lhe necessária. Assim sendo, mesmo que os praticantes não vivam cabalmente todas as virtudes cristãs, pelo menos não descuram a comunhão eclesial, nem a prática sacramental e a vida de oração. Deste modo, cumprem uma das mais importantes exigências do seu compromisso baptismal, ao contrário dos não praticantes, não obstante a sua auto-proclamada superioridade moral.
Os fiéis que não frequentam a igreja, à conta dos fariseus que por lá há, deveriam também abster-se de frequentar qualquer local público, porque provavelmente está mais pejado de hipócritas do que o espaço eclesial. Estes novos puritanos deveriam também abster-se de ir aos hospitais que, por regra, estão cheios de doentes, e às escolas, onde pululam os ignorantes. É de supor que o único local digno da sua excelsa presença seja tão só o Céu, onde não consta qualquer duplicidade, pecado, fraqueza, doença, ignorância ou erro. Mas também não, ao que parece, nenhum católico não praticante…
Segundo a antropologia cristã, todos os homens, sem excepção, são bons, mas nem todos praticam essa bondade. Um mentiroso não é uma pessoa que não acredita na verdade, mas que não é sincero, ou seja, não pratica a veracidade. Os ladrões são, em princípio, defensores da propriedade privada, mas não a respeitam em relação aos bens alheios. Um corrupto não o é porque descrê da honestidade, mas porque a não pratica. Aliás, as prisões estão repletas de boa gente, cidadãos que crêem nos mais altos e nobres valores éticos, mas que os não praticam.
Mas, não são farisaicos os cristãos que são assíduos nas rezas e nas celebrações litúrgicas, mas depois não dão, na sua vida pessoal, familiar e social, um bom testemunho da sua fé? Talvez. Só Deus sabe! Mas, mesmo que o sejam, convenhamos que são uns óptimos hipócritas. Os hipócritas são bons quando sabem que o são e procuram emendar-se, e são maus quando pensam que o não são, justificam-se a si próprios, julgam e condenam os outros. Os crentes que participam assiduamente na eucaristia dominical, sempre que o fazem recebem inúmeras graças e reconhecem, publicamente, a sua condição de pecadores, de que se penitenciam, com propósito de emenda. Mesmo que não logrem de imediato a total conversão, esse seu bom desejo e a participação sincera na celebração eucarística é já um grande passo no caminho da perfeição.
Foi por isso que, com alguma ironia e um sorriso de verdadeira amizade, não pude deixar de responder àquele simpático «católico não praticante»:
- Não se preocupe por a Missa estar cheia de hipócritas: há sempre lugar para mais um!
P. Gonçalo Portocarrero de Almada, A Voz da Verdade, 2012.06.17, in POVO
Fonte: aqui


Leia Indicações Pastorais para o Ano da Fé - Congregação para a Doutrina da ´Fé

Fonte: aqui

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

20º Domingo do Tempo Comum - Ano B

A liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum repete o tema dos últimos domingos: Deus quer oferecer aos homens, em todos os momentos da sua caminhada pela terra, o “pão” da vida plena e definitiva. Naturalmente, os homens têm de fazer a sua escolha e de acolher esse dom.

A primeira leitura, Prov 9, 1-6 oferece-nos uma parábola sobre um banquete preparado pela “senhora sabedoria” para os “simples” e para os que querem vencer a insensatez. Convida-nos à abertura aos dons de Deus e à disponibilidade para acolher a vida de Deus (o “pão de Deus que desce do céu”).
A segunda leitura, Ef 5, 15-20 lembra aos cristãos a sua opção por Cristo (aquele Cristo que o Evangelho de hoje chama “o pão de Deus que desceu do céu para a vida do mundo”). Convida-os a não adormecerem, a repensarem continuamente as suas opções e os seus compromissos, a não se deixarem escorregar pelo caminho da facilidade e do comodismo, a viverem com empenho e entusiasmo o seguimento de Cristo, a empenharem-se no testemunho dos valores em que acreditam.
No Evangelho, Jo 6, 51-58:
• Nas semanas anteriores, a liturgia disse-nos, repetidamente, que Jesus era o “pão descido do céu para dar vida ao mundo”… O Evangelho deste domingo liga esta afirmação com a Eucaristia: uma das formas privilegiadas de Jesus continuar presente, no tempo, a “dar vida” ao mundo é através do “pão” que Ele distribui à mesa da Eucaristia. A Eucaristia que as comunidades cristãs celebram cada domingo (ou mesmo cada dia) não é um rito tradicional a que “assistimos” por obrigação, para acalmar a consciência ou para cumprir as regras do “religiosamente correcto”; mas é um encontro com esse Cristo que Se faz “dom” e que vem ao nosso encontro para nos oferecer a vida plena e definitiva. Como é que eu “sinto” a Eucaristia? Que importância é que ela assume na minha vida e na minha existência cristã?

• Participar no encontro eucarístico, “comer a carne” e “beber o sangue” de Jesus é encontrar-se, hoje, com esse Cristo que veio ao encontro dos homens e que tornou presente na sua “carne” (na sua pessoa física) uma vida feita amor, partilha, entrega, até ao dom total de si mesmo na cruz (“sangue”). Participar no encontro eucarístico, “comer a carne” e “beber o sangue” de Jesus, é acolher, assimilar e interiorizar essa proposta de vida, aceitar que ela é um caminho para a felicidade, para a realização plena do homem, para a vida definitiva.

• Sentar-se à mesa da Eucaristia é também identificar-se com Jesus, viver em união com Ele. Na Eucaristia, o alimento servido é o próprio Cristo. Por isso, é a própria vida de Cristo que passa a circular nas veias dos crentes. Quem acolhe essa vida que Jesus oferece torna-se, portanto, um com Ele. Comer cada domingo (ou cada dia) à mesa com Jesus desse alimento que Ele próprio dá e que é a sua pessoa, leva os crentes a uma comunhão total de vida com Jesus e a fazer parte da família do próprio Jesus. Convém termos consciência desta realidade: celebrar a Eucaristia é aprofundarmos os laços familiares que nos unem a Jesus,  identificarmo-nos com Ele, deixarmos que a sua vida circule em nós. Este crente, identificado com Cristo, torna-se uma pessoa nova, à imagem de Cristo.

• Na concepção judaica, a partilha do mesmo alimento à volta da mesa gera entre os convivas familiaridade e comunhão. Assim, os crentes que participam da Eucaristia passam a ser irmãos: em todos circula a mesma vida, a vida do Cristo do amor total. Dessa forma, a participação na Eucaristia tem de resultar no reforço da comunhão dos irmãos. Uma comunidade que celebra a Eucaristia e que vive depois na divisão, no ciúme, no conflito, no orgulho, na auto-suficiência, na indiferença para com as dores e as necessidades dos irmãos, é uma comunidade que não está a ser coerente com aquilo que celebra; e, nesse caso, a celebração eucarística é uma incoerência e uma mentira.

• Finalmente, o “comer a carne” e “beber o sangue” de Jesus implica um compromisso com esse mesmo projecto que Jesus procurou concretizar em toda a sua vida, em todos os seus gestos, em todas as suas palavras. Como Jesus, o crente que celebra a Eucaristia tem de levar ao mundo e aos homens essa vida que aí recebe… Tem de lutar, como Jesus, contra a injustiça, o egoísmo, a opressão, o pecado; tem de esforçar-se, como Jesus, por eliminar tudo o que desfeia o mundo e causa sofrimento e morte; tem de construir, como Jesus, um mundo de liberdade, de amor e de paz; tem de testemunhar, como Jesus, que a vida verdadeira é aquela que se faz amor, serviço, partilha, doação até às últimas consequências. Se a Eucaristia for, de facto, uma experiência profunda e sentida de adesão a Cristo e ao seu projecto, dela resultará o imperativo de uma entrega semelhante à de Cristo em favor dos nossos irmãos e da construção de um mundo novo.
Fonte: aqui e aqui

Incêndio no Santuário da Nossa Senhora da Lapa

 


Às 3:00 da madrugada de hoje soou o alarme no Santuário da Lapa, Irmã Jacinta e Lúcia aperceberam-se das janelas do Convento que se tratava de um incêndio na zona interior do Santuário onde se localizava o lampadário e acorreram prontamente, poucos minutos após o alarme contactaram os Bombeiros, foram utilizados os extintores do local e populares acorreram massivamente com cisternas para travar a desgraça. A chegada dos Bombeiros foi considerada rápida e o seu trabalho extremamente eficiente. O incêndio apenas se propagou ao telhado na retaguarda da Igreja, que cobre uma parte da lapa da aparição e onde se encontra exposta réplica do sardão. As dificuldades prenderam-se apenas com a ausência de bocas-de-incêndio e por à hora dos acontecimentos a iluminação pública se encontrar desligada, se bem que muito diminuídas pela ajuda dos populares. O Comandante dos Bombeiros Voluntários de Sernancelhe adianta que o foco terá sido o lampadário onde o excesso de velas do dia de ontem, um dos 3 dias de maior afluência de peregrinos e romeiros (dia de Nossa Senhora) em que estiveram presentes cerca de 5000 pessoas, terá desencadeado pequeno incêndio que se alastrou ao telhado ainda em vigas de madeira e a um fio de electricidade presente no local. Irmã Lúcia afirmou que agora é tempo de se fazer um ponto da situação, começar rapidamente a reconstrução e analisar com as entidades competentes uma solução viável para a transferência do lampadário para o exterior do Santuário, permitindo apenas dentro deste alternativas electrónicas. Apesar de este ter sido o terceiro incêndio em poucos meses e sempre focalizado no mesmo sítio, a destruição não alastrou a zonas de maior riqueza e culto, sendo os prejuízos considerados mínimos e de fácil intervenção, a Igreja, Capela, altares e quelha da Sra. da Lapa permaneceram incólumes para descanso do povo, comunidade religiosa e para todos aqueles que visitam e conhecem.
Fonte:  aqui

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Irmãos e tão diferentes!

Aquela mãe tinha dois filhos.
O mais velho sabia muito bem o caminho para a casa da mãe quando precisava. Um contratempo e lá ia ele pedir ajuda à mãe. Uma doença em que precisasse de apoio económico ou dos serviços da mãe e lá ia ele visitá-la.
Para este filho a mãe era apenas bombeira, banco e criada.
Quando a vida corria bem, nem se lembrava da casa da mãe.

O filho mais novo ia todos os dias visitar a mãe, pois dia em que o não fizesse, não se sentia bem. Gostava de estar ao pé dela, ouvi-la. Pedia conselho, desabafava, elogiava a sua postura e as suas qualidades. Nos dias especiais da mãe - mormente aniversário e casamento - leva-lhe uma flor ou um miminho. Sentia enorme satisfação quando ela podia visitar a sua casa e levava-a a passear com a mulher e os filhos.
Era um filho presente, que gostava de manifestar e sentir o amor filial. Reconhecido e grato, amigo e carinhoso.

Daqui pode-se passar para Nossa Senhora.
À semelhança do filho mais velho, quantos se lembram só de Nossa Senhora nos momentos difíceis!? Para estes, Maria não passa de uma bombeira, um banco, um criada. Quando a vida corre bem, desconhecem Nossa Senhora.
Mas há também quem, à semelhança do segundo filho, ame Maria Santíssima, goste de exaltar a sua postura humana e crente, a veja como modelo e exemplo da Igreja que somos. Felizmente existem pessoas que agradecem, louvam e exaltam a "humilde serva do Senhor", gostam de estar com Ela, rezam e escutam.

Qual é o seu caso?