segunda-feira, 30 de março de 2015

Quando termina a Quaresma? O que é o tríduo pascal?


A Quaresma, caminho rumo à Pascoa da Ressurreição, começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina na Quinta-Feira Santa, com a chamada “hora nona” da Liturgia das Horas.  Ou seja, dura até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive (carta apostólica Mysterii Paschalis, 28). O documento utiliza o termo “exclusive”, não “inclusive”. Então, a Quaresma não inclui a Missa da Ceia do Senhor.

Com esta missa, à tarde, começa o Tríduo Pascal, que é o coração do ano litúrgico. Não podemos esquecer que o costume judaico-cristão considera o início do dia desde a sua véspera; por este motivo, a Sexta-Feira Santa começa no final da Quinta-Feira Santa.

Na Missa da Ceia do Senhor, Ele antecipa sua paixão; por isso, na missa, se faz o memorial da morte e ressurreição de Jesus.

“O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, tem seu centro na Vigília Pascal e termina com as Vésperas do domingo da Ressurreição” (carta apostólica Mysterii Paschalis, 19).

A palavra “tríduo” sugere a ideia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de orações.

A Quaresma é preparação, e o Tríduo Pascal se apresenta não como um tempo de preparação, mas como uma só coisa com a Páscoa. O tríduo é uma unidade e precisa ser considerado como tal; nele se dá a totalidade do mistério pascal.

A unidade do tríduo está no próprio Cristo: quando Ele aludia à sua paixão e morte, nunca as dissociava da sua ressurreição.

O Evangelho fala delas em seu conjunto: “Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará” (Mt 20, 19).

A unidade do mistério pascal tem algo importante a  ensinar-nos: ela nos diz que a dor não somente é seguida pela alegria, mas que já a contém em si mesma.

O tríduo se refere também aos três dias aos quais Jesus se referiu quando disse: “Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias” (Jo 2, 19).

As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias, como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da mesma cena; juntos, formam um todo. Cada quadro em si é completo, mas precisa ser visto em relação aos outros dois.
Fonte: aqui

sábado, 28 de março de 2015

Comunhão Pascal e Jubileu das Almas


Tarde do dia 28 de março. Comunhão Pascal na Paróquia de S. Pedro de Tarouca. Após a celebração do Sacramento da Reconciliação (15-17 horaqs), teve lugar o Jubileu das Almas.
Tudo correu bem. Houve um número interessante de pessoas que vieram fazer a experiência do perdão de Deus. Podiam estar mais? Podiam e deviam. Muitas mais.
Precisamos de rezar mais, evangelizar mais e melhor. Mas parabéns aos que vieram!
O jubileu correu bem, com boa participação das pessoas.

sexta-feira, 27 de março de 2015

VIA SACRA PELOS POVOS - Castanheiro do Ouro




Ao entardecer do dia 27 de março.
Momento de uma serenidade fantástica! Parabéns aos povos do Castanheiro do Ouro, aos catequistas e aos catequizandos presentes. Estiveram todos muito bem. Belo momento de Deus!...
Na solidariedade da paróquia, parabéns a quem emprestou o micro. Parabéns a quem emprestou as instalações para finalizar a Via Sacra.
As várias estações estavam devidamente sinalizadas e aquela cruz feita de velas a arder junto da Imagem de Santa Apolónia foi uma bela ideia.
Esta Via Sacra trouxe-nos mais uma vez a mensagem de um Deus próximo e amigo de cada família, de cada pessoa. Com Ele os invernos da vida transformam-se em primaveras de esperança.
Só em Cristo está o perdão dos nossos pecados.

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quinta-feira, 26 de março de 2015

Este ano, o Folar da Páscoa é para o nosso 'Menino", o Centro Paroquial

Paróquia de São Pedro de Tarouca.
Nos próximos dias, vários colaboradores paroquiais vão passar por cada casa onde deixarão o Boletim APELO da Páscoa e um envelope.
Este ano, o Folar da Páscoa é para o nosso 'Menino", o Centro Paroquial.
Pedimos a sua melhor atenção e agradecemos a sua generosidade.


29 de março: DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR

Leituras: aqui
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terça-feira, 24 de março de 2015

OBRIGADO AO GRUPO SOLIDÁRIO ELAS


O Grupo Solidário Elas promoveu o lançamento de umas rifas em prol do Centro Paroquial.
Na festa que este Grupo promoveu no último domingo no Auditório Municipal, foram sorteados os vencedores dos prémios contemplados nas referidas rifas.
Por mais esta atitude de carinho em favor do nosso Centro Paroquial, muito obrigado.
Sobre este assunto, ver mais no próximo número do Sopé da Montanha.

VALE A PENA VIVER (e morrer) ASSIM




1. Há vidas que sabem a morte. Há mortes que sabem a vida.
Faz hoje, dia 24 de Março, 35 anos que D. Óscar Romero, Arcebispo de S. Salvador, foi assassinado.
A morte foi arrebatá-lo no meio da Missa e no auge da missão. A Missa celebra a entrega de Cristo pela humanidade. A missão de Óscar Romero foi uma entrega, em Cristo, para que a humanidade dos mais pobres fosse respeitada.
Ninguém o aconselhava a ser assim. Aliás, todos lhe recomendavam que não fosse assim. Era mais normal. Mais cómodo. Mais tranquilo. Provocaria menos ondas e muito menos danos.
Ninguém obrigou D. Óscar Romero a fazer o que fez. Ele é que se sentiu obrigado a proceder como procedeu.


2. Eis o modelo de um cristão (e, a fortiori, de um bispo) cuja atualidade não pára de crescer. A muitos títulos, é um exemplo para todos. Permitia-me destacar apenas três características que avultam da sua trajetória.
Foi Óscar Romero, em primeiro lugar, um homem de profunda espiritualidade. A sua acão era o corolário da sua oração. Foi junto de Deus que sentiu o alento, o estímulo e o apoio para anunciar a verdade e denunciar as injustiças.
Afirmou-se, em segundo lugar, como alguém estruturalmente independente em relação ao poder. Esta liberdade, que escorre no Evangelho, não o inibia de conviver com os poderosos, mas fazia-o sem subserviências.
Como os apóstolos da primeira hora, não calava o que via e ouvia (cf. Act 4, 20). Alinhado foi só com a sua consciência, jamais com interesses.
Finalmente, recusou ser neutral, ainda que à custa da própria vida. Foi a voz dos sem voz, o eco dos espezinhados e amordaçados. Envolveu-se. Empenhou-se. Não recuou nem perante as ameaças. Não pensou no que outros podiam pensar. Não andou às curvas, mas em linha recta. Não trazia máscaras. Foi autêntico. Foi firme. Foi ele. Foi Cristo nele.

 
3. Óscar Romero conseguiu ver Deus no lugar onde Deus Se encontra: no ser humano, particularmente nos mais desfavorecidos.
Profundamente espiritual, votou a sua vida a Deus e devotou o seu sangue pelo próximo. Porque era Homem de Deus, tornou-se um Homem para os homens: um Homo Dei é sempre um Homo homnibus.
A sua palavra interpela-nos ainda hoje quando nos diz que «temos cristãos de missas dominicais e de semanas injustas».
Não vacila nos princípios: «Jamais pregamos a violência. Só a violência do amor, a que deixou Cristo cravado numa cruz, assume cada um para vencer os seus egoísmos e para que não haja desigualdades tão cruéis entre nós. É a violência do amor, a da fraternidade, que converte as armas em foices para o trabalho».

 
4. A Igreja e o mundo precisam de pastores assim: cheios de Deus, cheios de amor, cheios de humanidade. Capazes de amar até ao fim. Capazes de perdurar para lá do fim.
D. Óscar foi morto por causa da sua verticalidade. Recebeu ameaças sucessivas para que se calasse. Não se calou. Humilde, considerava não ser digno da «graça do martírio».
Mas as balas surgiram e irromperam, cruéis, pela Igreja em que oficiava. D. Óscar Romero levou a Eucaristia à vida e à morte. Foi alguém que leu o Evangelho nos livros e o reescreveu na (sua) existência.
Morreu com um tiro no coração. Porque era o seu coração que mais incomodava.
Curiosamente é no coração das pessoas que D. Óscar subsiste. E é no coração de Deus que D. Óscar se mantém vivo e vivificante.
Vale a pena viver assim. Vale a pena morrer assim. Tanto mais que quem assim morre nunca se ausenta. Permanece para sempre!
Fonte: aqui

domingo, 22 de março de 2015

5ª Semana da Quaresma - Atividades


VIA SACRA PELOS POVOS - Quintela, Vila Pouca e Ponte das Tábuas

Tarde do dia 22 de março.
Momento de uma serenidade fantástica! Parabéns aos povos de Quintela, Vila Pouca e Ponte das Tábuas, aos catequistas e aos catequizandos presentes. Estiveram todos muito bem. Belo momento de Deus!...
Na solidariedade da paróquia, parabéns a quem emprestou o micro.
Foi muito interessante a forma como o povo sinalizou as várias estações.
Esta Via Sacra trouxe-nos mais uma vez a mensagem de um Deus próximo e amigo de cada família, de cada pessoa. Com Ele os invernos da vida transformam-se em primaveras de esperança.


sexta-feira, 20 de março de 2015

VIA SACRA PELOS POVOS - Arguedeira

Ao entardecer do dia 20 de março.
Momento de uma serenidade fantástica! Parabéns ao povo Arguedeira, aos catequistas e aos catequizandos presentes. Estiveram todos muito bem. Belo momento de Deus!...
Na solidariedade da paróquia, parabéns a quem emprestou o micro.
Foi muito interessante a forma como o povo sinalizou as várias estações.
Esta Via Sacra , no primeiro dia de Primavera, trouxe-nos mais uma vez a mensagem de um Deus próximo e amigo de cada família, de cada pessoa. Com Ele os invernos da vida transformam-se em primaveras de esperança.


quinta-feira, 19 de março de 2015

22 de março 2015 - V DOMINGO DA QUARESMA

Leituras:aqui
video 
 

5º Domingo da Quaresma
Símbolo da Quaresma: Um coração sobre a Cruz, com estas palavras dentro: Chamados a ser família segundo o coração  de Deus
Símbolo do 1º domingo: Camisa rota
 Momento de intervenção: Antes do “Senhor, tende piedade de nós”

1º Leitor: Vamos ouvir Deus afirmar na 1ª leitura de hoje: Vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas.»
2º Leitor: Quaresma é tempo conversão.
3º Leitor: O ponto mais alto da nossa conversão quaresmal é o Sacramento da Confissão que vamos receber no próximo sábado.
4º Leitor: O Papa Francisco afirma que “todos somos pecadores e todos somos tentados, e a tentação é o pão nosso de cada dia. Se algum de nós dissesse “nunca tive tentações”, ou é um anjo ou é um pouco tolo …»
 5ª Leitor: E é o Papa a dizer-nos que o maior pecado de hoje é a perda do sentido do pecado.
6º Leitor: Sem a consciência de que somos pecadores, não experimentamos o perdão de Deus que acaricia a nossa alma ferida pelo pecado. Só o misericordioso perdão de Deus nos pode perdoar.
Todos: Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
            pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.
2º Leitor: O pecado é sempre uma falta de amor: para com Deus, para com o próximo, para com a natureza. Esse amor que Deus belamente nos propõe nos dez mandamentos!
3º Leitor: Não fiquemos na indiferença perante o perdão que Deus nos oferece. Preparemos bem a nossa confissão do próximo sábado. Ponhamos de lado a vergonha de nos confessarmos. Deus espera-nos de braços abertos e de coração misericordioso.
4º Leitor: E as nossas famílias não precisarão do perdão de Deus? Famílias, Deus não tira nada e dá tudo!
5ª Leitor: O perdão de Deus aquece os nossos corações, oferece a Sua paz, torna mais puro e belo o amor familiar.
Todos: FAMÍLIA: CHAMADOS A VIVER o perdão de Deus!
2º Leitor: Deixemos o perdão de Cristo entrar na nossa vida, pois Ele “tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna.”
Todos: Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará – diz Jesus.
1º Leitor: Hoje vamos colocar junto ao símbolo da Quaresma uma camisa rota, que significa o nosso o nosso pecado e o desejo de sermos revestidos do perdão de Deus.


quarta-feira, 18 de março de 2015

19 de Março: Festa de S. José e Dia do PAI

Jose14Celebra-se, a 19 de Março, a Solenidade de São José. Neste dia, a Igreja recorda solenemente a santidade de vida do seu padroeiro, proclamado em 1870 por Pio IX. S. José, esposo da Virgem Maria, modelo de pai e esposo, protector da Sagrada Família, foi escolhido por Deus para ser o patrono de toda a Igreja. O seu nome, em hebraico, significa "Deus cumula de bens".
No Evangelho de São Mateus vemos como foi dramático para esse grande homem de Deus acolher, misteriosa, dócil e obedientemente, a mais suprema das escolhas: ser pai adoptivo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Messias, o Salvador do mundo: "Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa" (Mt 1,24). Jesus, o Verbo Encarnado, quis viver em família.
Hoje, deparamos com o testemunho de José, "Deus cumula de bens"; mas, para que este bem maior penetrasse na sua vida e história, ele precisou renunciar a si mesmo e, na fé, obedecer a Deus acolhendo a Virgem Maria, por sua esposa.
Da mesma forma, hoje São José acolhe a Igreja, da qual é o padroeiro, e grande intercessor de todos nós. Que assim como ele, possamos ser dóceis à Palavra e à vontade do Senhor. São José, rogai por nós!

DIA DO PAI
poema com a definição de pai

terça-feira, 17 de março de 2015

PODE DEUS SER ASSIM?

    1. Jesus andou quase sempre pelas margens: pelas margens dos rios e pelas margens da vida.
    Grande parte da Sua actividade decorreu à beira do mar da Galileia, cujo principal afluente — e também efluente — é o Jordão. Foi, aliás, nas margens deste rio que Ele foi baptizado (cf. Mc 1, 9).
     
    2. Ao longo da Sua missão, Jesus ia alternando de margens.
    Passava de margem para margem (cf. Mc 4, 35), mas nunca deixou as margens. E jamais abandonou os que eram postos à margem (cf. Lc 16, 19-31).
     
    3. Curiosamente, alguns peritos, como John Meier, apresentam Jesus como «marginal».
    Não se trata de marginal no sentido de contestatário ou de irrelevante, mas no sentido de alternativo.
     
    4. Jesus contestou sempre a hipocrisia e a auto-suficiência dos que se julgavam superiores (cf. Mt 23, 27).
    A mensagem e a conduta de Jesus foram de tal modo relevantes que muitas multidões se formaram à Sua volta (cf. Mt 5, 1).
     
    5. O Seu programa era verdadeiramente alternativo.
    Jesus não só não pertencia aos principais grupos do judaísmo como defendia um projecto de vida, em muitos casos, oposto ao deles.
     
    6. Proclama o perdão em vez da vingança (cf. Lc 6, 37) e estende o amor aos próprios inimigos (cf. Mt 5, 44).
    Jesus não foge dos que falham (cf. Mt 11, 19). Sente-se bem com os doentes (cf. Mt 14, 14), os famintos (cf. Mt 15, 32), os pobres (cf. Mt 5, 1) e os perseguidos (cf. Mt 5, 10).
     
    7. Como se isto não bastasse, frequentava ambientes pouco recomendáveis (cf. Mc 2, 16).
    Enfim, nunca hesitou em tomar partido pelos mais humildes (cf. Mt 25, 40).
     
    8. Jesus não era ambíguo nas palavras ou equívoco nas acções.
    Quando teve de escolher, optou por quem estava em baixo e por quem ficava de fora.
     
    9. Aberto a todos, não quis ser imparcial. Preferiu os preteridos e incluiu sempre os excluídos.
    Afagou as lágrimas dos pecadores (cf. Lc 7, 38) e fazia questão de tocar nas feridas dos sofredores (cf. Mc 1, 41). Jesus é o Deus que (nos) toca.
     
    10. Poderá Deus ser assim? Pena é que, vinte séculos depois, ainda não tenhamos percebido que Deus é (mesmo) assim.
     
    É sempre nas margens que O conhecemos. Serão os marginalizados os que melhor O entenderão?
    Fonte: aqui

sábado, 14 de março de 2015

Atividades da 4ª Semana da Quaresma

- 19 de março: Festa de São José e Dia do Pai. Celebração na Igreja às 18.30h
20  de março,Via Sacra em Arguedeira às 18.30h: do São Tiago até à capela de  Santo António.
- 22 de março, Via Sacra em Quintela, Vila Pouca e Ponte das Tábuas, às 17h: do Senhor da Protelada até à capela da Senhora das Necessidades.

VIA SACRA PELOS POVOS - Esporões

Ao entardecer do dia 13 de março.
Momento de uma serenidade fantástica! Parabéns ao povo dos Esporões, aos catequistas e aos catequizandos presentes. Estiveram todos muito bem. Belo momento de Deus!...
Na solidariedade da paróquia, parabéns a quem emprestou o micro.
Foi muito interessante a forma como o povo sinalizou as várias estações.
Também esta Via Sacra fez parte da nossa maneira de nos unirmos ao «Dia do Perdão», convocado pelo Papa, celebrando «Deus, rico de misericórdia».








sexta-feira, 13 de março de 2015

Papa convoca Jubileu dedicado à Misericórdia

(Lusa)
O Papa Francisco anunciou hoje no Vaticano que decidiu proclamar um “jubileu extraordinário”, com início a 8 de dezembro deste ano, centrado na “misericórdia de Deus”.


“Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: ‘Sede misericordiosos como o Pai’ e isto especialmente para os confessores”, disse, na homilia da celebração penitencial a que presidiu na Basílica de São Pedro, na abertura da iniciativa ’24 horas para o Senhor’.
Francisco explicou que a iniciativa nasceu da sua intenção de tornar “mais evidente” a missão da Igreja de ser “testemunha da misericórdia”.
O Papa defendeu que “ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus” e que a Igreja “é a casa que acolhe todos e não recusa ninguém”.
“As suas portas estão escancaradas para que todos os que são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta aos que se convertem”, realçou.
À imagem do que fez em 2014, durante o ‘rito pela reconciliação dos mais penitentes’, com absolvição individual, o Papa começou por se confessar, antes de dirigir-se a outro confessionário para ouvir algumas pessoas.
O 29.º jubileu na história da Igreja Católica, um Ano Santo extraordinário, vai começar na solenidade da Imaculada Conceição e terminar a 20 de novembro de 2016, domingo de Jesus Cristo Rei do Universo, “rosto vivo da misericórdia do Pai”, explicou o Papa.
“É um caminho que começa com uma conversão espiritual e temos de seguir por este caminho”, prosseguiu.
A organização dos vários momentos do jubileu vai estar a cargo do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização e quer ser, segundo Francisco, uma “nova etapa do caminho da Igreja na sua missão de levar a cada pessoa o Evangelho da misericórdia”.
Este é o primeiro jubileu desde o que foi convocado pelo João Paulo II no ano 2000, para assinalar o início do terceiro milénio.
Francisco destacou na sua homilia a importância de viver a misericórdia de Deus, através do sacramento da Reconciliação, como “sinal da bondade do Senhor” e do “abraço” de Jesus.
“Ser tocados com ternura pela sua mão e plasmados pela sua graça permite que nos aproximemos do sacerdote sem medo por causa das nossas culpas, mas com a certeza de ser acolhidos por ele em nome de Deus”, assinalou.
O Papa sublinhou que o julgamento de Deus é o da “misericórdia”, numa atitude de amor que “vai para lá da justiça”, e desafiou os fiéis a não ficar pela “superfície das coisas”, sobretudo quando está em causa uma pessoa.
“Somos chamados a ver mais além, a concentrar-se no coração para ver de quanta generosidade é capaz cada um”, apelou.
No dia em que decorre o 2.º aniversário da sua eleição pontifícia, Francisco deixou votos de que o próximo jubileu ajude a Igreja a “redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus” junto dos homens e mulheres dos dias de hoje.
Fonte: aqui

“24 horas para o Senhor”


Deus rico de misericórdia” é o tema da jornada de oração e confissão organizada pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização e convocada pelo Papa Francisco.


O convite foi feito pelo Papa a toda a Igreja. “Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração”, escreveu Francisco na sua mensagem para a Quaresma 2015.

Esta Paróquia aceitou o desafio num “convite que é feito a todos nós”.  É uma “oportunidade de estarmos unidos em oração, se calhar não 24 horas, mas nas nossas orações, lembrar que nos unimos principalmente com os que mais sofrem e são perseguidos neste preciso momento.

Em primeiro lugar, Deus é rico em misericórdia, ama e perdoa-nos sempre. Se Ele não é indiferente aos nossos problemas e está sempre presente na nossa vida, então a oração é uma forma de eu não me mostrar indiferente ao problema dos outros.

Se eu percebo o amor de Deus por mim, alimentando-me desse amor então tenho de o levar aos outros e isso materializa-se na minha ação de caridade para com os outros, no meu aproximar, no meu tocar a realidade do outro, contra a indiferença.


A Paróquia tem hoje a Via Sacra pelos povos. Esporões, às 18.30h. Para:
- proclamar a riqueza da misericórdia de Deus  que ama e perdoa sempre
- nos unirmos em oração com todos os que mais sofrem e são perseguidos nos nossos dias
- sentirmos que somos chamados a ser próximos e amigos dos outros pelo serviço da caridade e pela rejeição da indiferença.
- compreendermos que não há matrimónio sem cruz e que esta é caminho de salvação.

quinta-feira, 12 de março de 2015

15 de março: 4º DOMINGO DA QUARESMA - Ano B

A Salvação é um dom de Deus:
a salvação, presente de Deus, chega a nós mediante a fé
em, por e com Cristo... 

 Leituras: aqui
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4º Domingo da Quaresma

Símbolo da Quaresma: Um coração sobre a Cruz, com estas palavras dentro: Chamados a ser família segundo o coração  de Deus
Símbolo do 4º domingo: bastão
 Momento de intervenção:
   
1º Leitor: O rei da Pérsia, Ciro, disse aos judeus exilados: “Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele».
3º Leitor: A Quaresma é uma caminhada. Caminhar de mão dada com Deus, caminhar seguindo Jesus.
4º Leitor: Mas para o seguirmos precisamos de escutar a Sua voz.
 5ª Leitor: O tema da escuta é recorrente no ensino do Papa Francisco... Ele diz-nos que "necessitamos de ouvir em cada Quaresma o grito dos profetas que levantam a sua voz e nos despertam". E ainda: "A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e assim chegarmos a ser como Ele. Isto sucede quando escutamos a Palavra de Deus".
 6º Leitor: Viver como Igreja em saída, uma Igreja que caminha, que assume a sua natureza missionária.
Diz o Papa que a Igreja em saída atualiza-se nas comunidades e paróquias. Na Igreja local estamos chamados a viver a alegria da vitória de Cristo ressuscitado, a qual nos permite "superar tantas formas de indiferença e de dureza de coração". Só assim faremos o nosso coração semelhante ao de Cristo, que é "forte e misericordioso, vigilante e generoso".
Todos: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Quem Me segue não anda nas trevas.
2º Leitor: Na 2ª leitura, São Paulo diz: “É pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus.”
3º Leitor: A salvação é dom e oferta gratuita de Deus. O Senhor salva-nos porque nos tem amor.
4º Leitor: E as nossas famílias não precisarão de acolher a salvação que Deus lhes oferece? Não são o dinheiro, nem as novas tecnologias, nem o gozar a vida, nem o egoísmo que podem salvar as famílias…
Todos: FAMÍLIA: CHAMADOS A VIVER  A SALVAÇÃO DE DEUS.
2º Leitor: Guardemos no centro do coração esta boa notícia que Jesus nos dá no Evangelho: “Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.”
5ª Leitor: Deus não é indiferente. Deus não se fecha em Si mesmo. Deus vem ao encontro de cada um de nós para nos salvar. Porque nos ama.
Todos: Salvos por Cristo, caminhemos com Ele, escutando-O e levando-O às periferias humanas.
1º Leitor: Hoje vamos colocar junto ao símbolo da Quaresma um bastão, que significa a nossa condição de caminhantes e a presença amiga de Deus na nossa caminhada.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Exame de consciência

Um guia com perguntas para ajudar você a preparar uma ótima confissão

Você poderá usar esta reflexão na preparação para a sua Confissão, através de um exame de consciência bem feito. Para você fazer uma boa confissão é preciso examinar a sua consciência, com a luz do Espírito Santo, coragem, e nada esconder do sacerdote, que ali representa o próprio Jesus.

1. Amo a Deus mais do que as coisas, as pessoas, os meus programas? Ou será que eu tenho adorado deuses falsos, como o prazer do sexo, antes ou fora do casamento, o prazer da gula, o orgulho de aparecer, a vaidade de me exibir, de querer ser “o bom”, etc.?

2. Eu tenho, contra a Lei de Deus, buscado poder, conhecimento, riquezas, soluções para meus problemas, em coisas proibidas, como: horóscopos, mapa astral, leitura de cartas, búzios, tarôs, pirâmides, cristais, espiritismo, macumba, candomblé, magia negra, invocação dos mortos, leitura das mãos, etc.? Tenho cultivado superstições? Figas, amuletos, duendes, gnomos e coisas parecidas? Procuro ouvir músicas que me influenciam provocando alienação, violência, sexo, rebeldia e depravação?

3. Eu rezo, confio em Deus, procuro a Igreja, participo da Santa Missa nos domingos? Eu me confesso? Comungo?

4. Eu leio os Evangelhos, a Palavra viva de Jesus, ou será que Ele é um desconhecido para mim?

5. Eu respeito, amo e defendo a Deus, Nossa Senhora, os Anjos, os Santos, as coisas sagradas, ou será que sou um blasfemador que age como um inimigo de Jesus?

6. Eu amo, honro, ajudo os meus pais, os meus irmãos, a minha família? Ou será que eu sou “um problema a mais” dentro da minha casa? Eu faço os meus pais chorarem? Eu sou um filho que só sabe exigir e exigir? Eu minto e sou fingido com eles? Vivo o mandamento: “honrar pai e mãe”?

7. Como vai o meu namoro? Faço da minha garota um objeto de prazer para mim? Como um cigarro que eu fumo e jogo a “bita” fora? Ela (e) é uma “pessoa” para viver ou é apenas uma “coisa” para me dar prazer?

8. Eu vivo a vida sexual antes do casamento, fora do plano de Deus? Eu peco por pensamentos, palavras, atos, nesse assunto? Masturbação, revistas pornográficas, filmes, desfiles eróticos, roupas provocantes?

9- Eu respeito o meu corpo e a minha saúde que são dons de Deus? Ou será que eu destruo o meu corpo, que é o templo do Espírito Santo, com a prostituição, com as drogas, as aventuras de alto risco, brigas, violências, provocações, etc.?

10. Sou honesto? Ou será que tapeio os outros? Engano meus pais? Pego dinheiro escondido deles? Será que eu roubei algo de alguém, mesmo que seja algo sem muito valor? Já devolvi?

11. Fiz mal para alguém? Feri alguém por palavras, pensamentos, atitudes, tapas, com armas? Neguei o meu perdão a alguém? Desejei vingança? Tenho ódio de alguém?

12. Eu falo mal dos outros? Vivo fofocando, destruindo a honra e o bom nome das pessoas? Sou caluniador, mexeriqueiro? Vivo julgando e condenando os outros? Sou compassivo, paciente, manso? Sei perdoar, como Jesus manda?

13. Sou humilde, simples, prestativo, amigo de verdade?

14. Vivo a caridade, sei sofrer para ajudar a quem precisa de mim? Partilho o que tenho com os irmãos ou sou egoísta?

15. Sou desapegado das coisas materiais, do dinheiro?

A Festa da Páscoa se aproxima, portanto, peçamos ao Divino Espírito Santo que nos ilumine e nos encoraje para uma boa e santa confissão de nossos pecados. Ensina-nos Santo Agostinho: “A confissão das más obras é o começo das boas obras. Contribuis para a verdade e consegues chegar à luz”.
Fonte: aqui

Papa Francisco explica a diferença entre pedir perdão e pedir desculpa

"Não tem nada a ver uma coisa com outra. O pecado não é um simples erro", afirma o Papa Francisco
VATICAN CITY, VATICAN - APRIL 09 : Pope Francis greets the pilgrims during his weekly general audience in St Peter's square at the Vatican on April 09, 2014.
Para pedir perdão a Deus, é preciso seguir o ensinamento do “Pai-Nosso”: arrepender-se com sinceridade dos próprios pecados, sabendo que Deus perdoa sempre. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa de hoje na Casa Santa Marta.

Deus é onipotente, mas também a sua onipotência de certo modo se detém diante da porta fechada de um coração. Um coração que não pretende perdoar quem o feriu. O Papa se inspirou no Evangelho do dia, em que Jesus explica a Pedro que é preciso perdoar “setenta vezes sete”, que equivale a “sempre”, para reafirmar que o perdão de Deus para nós e nosso perdão aos outros estão estreitamente relacionados.

Francisco explicou que tudo parte de como nós, antes de todos, nos apresentamos a Deus para pedir perdão. O exemplo do Papa é extraído da Leitura do dia, que mostra o Profeta Azarias invocando clemência pelo pecado do seu povo, que está sofrendo, mas também é culpado por ter “abandonado a lei do Senhor”. Azarias, indicou Francisco, não protesta, “não se lamenta diante de Deus” pelos sofrimentos; pelo contrário, reconhece os erros do povo e “se arrepende”.

“Pedir perdão é outra coisa, é diferente de pedir desculpa. Eu erro? Mas me desculpe, errei… Pequei! Não tem nada a ver uma coisa com outra. O pecado não é um simples erro. O pecado é idolatria, é adorar o ídolo, o ídolo do orgulho, da vaidade, do dinheiro, do “eu mesmo, do bem-estar… Tantos ídolos que nós temos. E, por isso, Azarias não pede desculpas: pede perdão”.

O perdão deve ser pedido com sinceridade, com o coração, e de coração deve ser doado a quem cometeu um deslize. Como o patrão da parábola contada por Jesus, que perdoa um grande débito movido pela compaixão diante das súplicas de um dos seus servos. E não como aquele mesmo servo faz com outro servo, tratando-o sem piedade e mandando-o à cadeia, mesmo que a dívida fosse irrisória. A dinâmica do perdão – recordou o Papa – é aquela ensinada por Jesus no “Pai-Nosso”.

“Jesus nos ensina a rezar ao Pai assim: ‘Perdoa os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’. Se eu não sou capaz de perdoar, não sou capaz de pedir perdão. ‘Mas, padre, eu me confesso, vou ao confessionário...’. ‘E o que faz antes de se confessar?’. ‘Mas, eu penso nas coisas que fiz de mal...’. ‘Tudo bem’. ‘Peço perdão ao Senhor e prometo não fazer de novo...’. “Certo. E depois vai até ao sacerdote? Antes, porém, falta algo: perdoou a quem lhe fez mal?”.

Em poucas palavras, Francisco retomou o pensamento: “o perdão que Deus lhe dará” requer “o perdão que você dará aos outros”.

“Este é o discurso que Jesus nos ensina sobre o perdão. Primeiro: pedir perdão não é um simples pedido de desculpas, é ter consciência do pecado, da idolatria que eu perpetrei, das tantas idolatrias. Segundo: Deus sempre perdoa, sempre. Mas pede que eu perdoe. Se eu não perdoo, em um certo modo fecho as portas ao perdão de Deus. ‘Perdoa os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’”.
Fonte: aqui

segunda-feira, 9 de março de 2015

Sobre o Ano da Vida Consagrada


Está a decorrer, desde o dia 30 do mês de novembro do ano transato, I Domingo de Advento, até 2 de fevereiro de 2016, festa da Apresentação de Jesus no Templo, o Ano da Vida Consagrada, proclamado por Carta Apostólica do Papa Francisco, de 21 de novembro de 2014, festa da Apresentação de Maria.

Abarcando o Ano Internacional da Luz sob a égide a ONU (os discípulos são a luz do mundo – Mt 5,14), é confiado à Virgem da escuta e da contemplação, a primeira discípula do seu amado Filho, filha predileta do Pai e revestida de todos os dons da graça, para a qual olhamos como modelo insuperável de seguimento no amor a Deus e no serviço do próximo.

Ora, constituindo a primeira e grande iniciação cristã o Batismo, sacramento instituído por Jesus Cristo, para cunhar na alma dos crentes o selo indelével pelo qual Ele nos tornou propriedade da Santíssima Trindade, filhos do mesmo Pai e seus irmãos – os membros do Povo de Deus ou fiéis já são consagrados pelo Batismo.

A este respeito, pode ler-se na Constituição Dogmática sobre a Igreja, a Lumen Gentium, n.º 11:

A índole sagrada e orgânica da comunidade sacerdotal efetiva-se pelos sacramentos e pelas virtudes. Os fiéis, incorporados na Igreja pelo Batismo, são destinados pelo caráter batismal ao culto da religião cristã e, regenerados para filhos de Deus, devem confessar diante dos homens a fé que de Deus receberam por meio da Igreja.

No entanto, embora o serviço fundamental da Igreja pudesse em tese desenvolver-se sem a presença da imensa plêiade daqueles e daquelas que decidem seguir, de forma mais específica e próxima, o Cristo pobre, obediente e casto, a Igreja assume a consagração especial dos religiosos e religiosas que voluntariamente optam pela profissão explícita e radical dos valores evangélicos da pobreza voluntária, da obediência inteira e da castidade perpétua, bem como dos leigos e leigas que optam por viver estes valores no meio do mundo, entregues às lides profissionais como quaisquer outros cidadãos. São estes e estas a que vulgarmente se dá a denominação de consagrados e consagradas. Alguns são também consagrados pelo sacerdócio. E todos os sacerdotes, mesmo os ditos seculares, são chamados a um sério compromisso com a obediência, com a castidade (na Igreja Latina, mesmo a castidade celibatária) e uma certa sobriedade no uso e fruição dos bens terrenos.

No seu n.º 44, mesma Lumen Gentium ensina que, pelos votos de observação dos preditos valores ou conselhos, o cristão se entrega “totalmente ao serviço de Deus”, ficando destinado ao serviço do Senhor por novo e especial título. Se pelo Batismo morrera para o pecado e fora consagrado a Deus, pretende agora, para colher mais abundantes frutos da graça batismal, libertar-se, pela profissão dos conselhos evangélicos, dos impedimentos que o possam afastar do fervor da caridade e da perfeição cultual. Fica assim mais intimamente consagrado ao serviço divino. E esta consagração será tanto mais perfeita quanto mais a firmeza e a estabilidade dos vínculos representarem a união de Cristo à Igreja, Sua esposa. E como aqueles conselhos, pela caridade a que conduzem, unem os que os seguem, de modo especial, à Igreja e ao seu mistério, deve também a sua vida espiritual ser consagrada ao bem de toda a Igreja. Daqui nasce o dever de trabalhar na implantação e consolidação do reino de Cristo nas almas e de o levar a todas as regiões com a oração e com a ação, segundo as próprias forças e a índole da própria vocação. (…)

A profissão dos conselhos evangélicos aparece como sinal que pode e deve atrair todos os membros da Igreja a corresponderem animosamente às exigências da vocação cristã. E, porque o Povo de Deus vai em demanda da cidade futura (cf Hbr 13,14), o estado de consagração, tornando os seus seguidores mais livres das preocupações terrenas, manifesta melhor aos fiéis os bens celestes, já presentes neste mundo, sendo assim testemunho da vida nova, adquirida pela redenção de Cristo e pré-anunciando a ressurreição futura e a glória do reino celeste.

Também o estado de consagração patenteia de modo especial a elevação do reino de Deus sobre tudo o que é terreno e as suas relações transcendentes, revelando aos homens a grandeza do poder de Cristo e a potência infinita com que o Espírito Santo atua na Igreja.

E, embora o estado constituído pela profissão dos conselhos evangélicos, não pertença à estrutura hierárquica da Igreja, está contudo inabalavelmente ligado à sua vida e santidade.

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Fazendo uma aligeirada visita à aludida carta pastoral, convém surpreendê-la na sua tríplice estrutura: objetivos do Ano da Vida Consagrada; expectativas para o Ano da Vida Consagrada; e horizontes do Ano da Vida Consagrada.

– Objetivos –

Francisco começa por citar João Paulo II na Exortação pós-sinodal Vita consecrata: “Vós não tendes apenas uma história gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir! Olhai para o futuro, para o qual vos projeta o Espírito a fim de realizar convosco ainda coisas maiores” (n. 110). E refere que indicou como objetivos para este Ano os mesmos que o pontífice polaco propusera à Igreja no início do terceiro milénio. São três: olhar com gratidão o passado; viver com paixão o presente; e abraçar com esperança o futuro.

- Olhar com gratidão o passado. Cada Instituto de Vida Consagrada provém duma rica história carismática em cujas origens está presente a ação de Deus que chama algumas pessoas para seguirem Cristo, traduzirem o Evangelho numa forma peculiar de vida, lerem com os olhos da fé os sinais dos tempos, responderem às necessidades da Igreja. Depois, desenvolveu-se tocando outros membros em novos contextos geográficos e culturais, como semente que se torna árvore alargando os seus ramos. Por isso, será oportuno que cada família carismática recorde os seus inícios e a sua história, para agradecer a Deus os dons que tornam a Igreja bela e habilitada para toda a boa obra. Repassar a própria história afigura-se indispensável para manter viva a identidade, robustecendo a unidade da família e o sentido de pertença dos membros.

- Viver com paixão o presente. A grata lembrança do passado impele-nos a implementar de modo cada vez mais profundo os aspetos constitutivos da vida consagrada. Desde os inícios do monaquismo até às “novas comunidades” de hoje, cada forma de vida consagrada nasceu da chamada do Espírito para seguir a Cristo segundo o ensinamento do Evangelho. A regra é o Evangelho e qualquer outra regra é apenas expressão do Evangelho e instrumento para o viver em plenitude. Por isso, hoje a questão é de saber se e como nos deixamos interpelar pelo Evangelho. Também viver com paixão o presente é tornarmo-nos “peritos em comunhão”, ou “testemunhas e artífices” daquele “projeto de comunhão” que está no vértice da história do homem segundo Deus. Somos, pois, chamados a oferecer um modelo de comunidade que, mediante o reconhecimento da dignidade de cada pessoa e a partilha do dom de que ela é portadora, promova as relações fraternas na sociedade marcada pelo conflito, pela convivência difícil entre culturas, pela prepotência sobre os mais fracos e pelas grandes desigualdades.

- Abraçar com esperança o futuro. São grandes as dificuldades da vida consagrada: a diminuição das vocações e envelhecimento, sobretudo no mundo ocidental; os problemas decorrentes da grave crise financeira mundial; os desafios da internacionalidade e globalização; as insídias do relativismo; a marginalização e a irrelevância social... Mas é nestas incertezas, que partilhamos com muitos contemporâneos, que atua a nossa esperança, fruto da fé no Senhor da História que garante a sua presença reconfortante junto de nós. Esta esperança não se funda em números ou em obras, mas n’Aquele em quem pusemos a nossa confiança (cf 2 Tm 1,12). É por isso necessário não ceder à tentação dos números e da eficiência, e menos ainda à tentação de confiar nas próprias forças, mas atender às recomendações de Bento XVI: “Não vos unais aos profetas de desventura, que proclamam o fim ou a insensatez da vida consagrada na Igreja dos nossos dias; pelo contrário, revesti-vos de Cristo e muni-vos das armas da luz – como exorta São Paulo (cf Rm 13,11-14) –, permanecendo acordados e vigilantes.

E o Papa, que faz uma referência específica aos jovens como futuro da Igreja e da Sociedade, termina o capítulo augurando que o “encontro” que os diferentes Institutos vão empreender se torne caminho habitual de comunhão, de apoio mútuo, de unidade.

As expectativas

Francisco diz o que espera deste Ano de graça da vida consagrada. Espera: a alegria; a profecia; a espiritualidade da comunhão; a missão; e a resposta a Deus e à humanidade.

- A alegria. Ma convicção de que Deus preenche o coração e nos faz felizes, deve a fraternidade vivida em nas comunidades alimentar a alegria da nossa entrega total à Igreja, às famílias, aos jovens, aos idosos, aos pobres, que nos realiza e dá plenitude à nossa vida. Um consagrado triste é um contratestemunho. Ora, numa sociedade que ostenta o culto da eficiência, saúde e sucesso e que marginaliza os pobres e exclui os “perdedores”, podemos testemunhar, através da vida, a verdade das palavras da Escritura: Quando sou fraco, então é que sou forte (2 Cor 12,10). A vida consagrada não cresce pela organização de belas campanhas vocacionais, mas pelo nosso testemunho de homens e mulheres felizes.

- A profecia. Espera o Papa que os consagrados despertem o mundo, porque esta é uma das caraterísticas da vida consagrada. Sendo pedida a todos a radicalidade evangélica e não só aos religiosos, estes seguem o Senhor de um modo especial – profético e interpelante. O religioso não pode renunciar à profecia. Recebendo de Deus a capacidade de perscrutar a história e interpretar os acontecimentos, é como a sentinela que vigia durante a noite e percebe a chegada da aurora (cf. Is 21,11-12). Conhecendo Deus e os homens, torna-se capaz de discernimento e de denúncia do mal do pecado e das injustiças. Porque é livre, não responde a outros senhores que não a Deus, nem tem outros interesses além dos de Deus. Está do lado dos pobres e indefesos, porque sabe que Deus está do lado deles. Sendo assim, Francisco espera que os Institutos e todos os lugares que nasceram da caridade e da criatividade carismática – e ainda farão nascer, com nova criatividade – se tornem cada vez mais o fermento duma sociedade inspirada no Evangelho, a “cidade sobre o monte” que mostra a verdade e a força da palavra de Jesus.

- A espiritualidade da comunhão. Os consagrados são chamados a ser “peritos em comunhão”. Por isso, o Papa deseja que essa espiritualidade se torne realidade e que os consagrados estejam na vanguarda abraçando “o grande desafio que nos espera” neste milénio: fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: comunhão praticada dentro das respetivas comunidades (na aceitação e solicitude recíprocas, na partilha dos bens materiais e espirituais, na correção fraterna, no respeito pelas pessoas mais frágeis); comunhão entre os membros dos diferentes Institutos, através de projetos comuns de formação, de evangelização, de intervenções sociais; e procura duma sinergia sincera entre todas as vocações na Igreja, a começar pelos presbíteros e os leigos, a fim de “fazer crescer a espiritualidade da comunhão, primeiro no seu seio e depois na própria comunidade eclesial e para além dos seus confins”.

- A missão. Também os consagrados têm de sair de si mesmos para ir às periferias existenciais. “Ide pelo mundo inteiro” (cf Mc 16,15) – é o mandato de Jesus. E a humanidade aguarda: pessoas sem esperança, famílias em dificuldade, crianças abandonadas, jovens a quem está vedado o futuro, doentes e idosos abandonados, ricos saciados de bens mas com o vazio no coração, homens e mulheres à procura do sentido da vida, sedentos do divino. Dos consagrados Francisco espera gestos concretos de acolhimento dos refugiados, de solidariedade com os pobres, de criatividade na catequese, no anúncio do Evangelho, na iniciação à vida de oração; e almeja a racionalização das estruturas, a reutilização das grandes casas em favor de obras mais cônsonas às exigências atuais da evangelização e da caridade, a adaptação das obras às novas necessidades.

- A resposta a Deus e à humanidade. Cada forma de vida consagrada deve interrogar-se sobre o que lhe pedem Deus e a humanidade de hoje. Os grupos contemplativos podem encontrar-se ou conectar-se entre si para troca de experiências sobre a oração, modo de crescer na comunhão em Igreja, apoiar os cristãos perseguidos, acolher e acompanhar as pessoas que andam à procura duma vida espiritual mais intensa ou necessitam de apoio moral ou material. E os grupos de ação poderão fazer o mesmo. O Espírito gerou modos de vida e obras tão diferentes que não podemos facilmente catalogá-los ou inseri-los em esquemas pré-fabricados. Mas neste Ano, ninguém deveria subtrair-se a um sério controlo sobre a sua presença na vida da Igreja e sobre o seu modo de responder às incessantes e novas solicitações que se levantam ao nosso redor, ao clamor dos pobres.

Só com atenção às necessidades do mundo e na docilidade aos impulsos do Espírito é que este Ano se tornará um autêntico kairós, um tempo de Deus, rico de graças e de transformação.

Os horizontes

- Além das pessoas consagradas, o Papa dirige-se aos leigos que, com elas, partilham ideais, espírito, missão. Na realidade, à volta de cada família religiosa, bem como das Sociedades de Vida Apostólica e dos Institutos Seculares, gravita uma família maior, a “família carismática”, englobando os vários Institutos que se reconhecem no mesmo carisma e sobretudo os leigos que se sentem chamados, na condição laical, a participar da mesma rede carismática. Neste sentido, devem celebrar o Ano com toda a “família”, para crescerem e responderem juntos aos apelos do Espírito na sociedade atual.  

- O Ano da Vida Consagrada diz respeito à Igreja inteira. Assim, o Pontífice dirige-se  a todo o povo cristão, para que tome cada vez maior consciência do dom que é a presença das pessoas consagradas, herdeiras de grandes Santos que fizeram a história do cristianismo. Por isso, todas as comunidades cristãs devem viver o Ano, procurando agradecer ao Senhor e, reconhecidas, recordar os dons que foram recebidos, e ainda recebemos, pela santidade dos Fundadores e das Fundadoras e da fidelidade de tantos consagrados ao seu próprio carisma, bem como estreitarem-se ao redor dos consagrados, rejubilar com eles, partilhar as suas dificuldades, colaborar na prossecução do seu serviço e obra, que são os da Igreja.

Aqui, Francisco não resiste a fazer especial alusão à coincidência do Ano da Vida Consagrada com o Sínodo da Família, desejando realçar a complementaridade entre a espiritualidade dos consagrados e a da vocação matrimonial e familiar – ambas expressão da vida eclesial.

- Ousa o Papa dirigir-se também às pessoas consagradas e aos membros de fraternidades e comunidades pertencentes a Igrejas de tradição diversa da católica. O monaquismo é património da Igreja indivisa, bem vivo nas Igrejas ortodoxas e na Igreja católica. Nele bem como nas sucessivas  experiências do tempo em que a Igreja do Ocidente ainda estava unida, se inspiram iniciativas análogas surgidas no âmbito das Comunidades eclesiais da Reforma, tendo estas continuado a gerar no seu seio novas expressões de comunidades fraternas e de serviço. É desejável que se desenvolva o conhecimento mútuo, a estima, a cooperação recíproca, de modo que o ecumenismo da vida consagrada sirva de ajuda ao caminho mais amplo rumo à unidade entre todas as Igrejas.

- O Papa, reconhece a presença do monaquismo e doutras expressões de fraternidade religiosa em todas as grandes religiões e as experiências, já consolidadas, de diálogo intermonástico da Igreja católica com algumas das grandes tradições religiosas. Assim, augura que o Ano seja ocasião para avaliar o caminho percorrido, sensibilizar as pessoas consagradas neste campo, questionar-nos sobre os passos a dar para um conhecimento recíproco cada vez mais profundo e uma colaboração crescente em muitos âmbitos comuns do serviço à vida humana, na certeza de que o caminhar em conjunto é sempre um enriquecimento e pode abrir caminhos novos nas relações entre povos e culturas que, neste período, aparecem carregadas de dificuldades.

- Vêm no final os bispos como que a apor a chancela da hierarquia sobre a vivência carismal. Devem eles aproveitar o ensejo para acolher, cordial e jubilosamente, a vida consagrada como um capital espiritual que contribui para o bem de todo o corpo de Cristo e não só das famílias religiosas, dado que “a vida consagrada é dom feito à Igreja”: nasce e cresce na Igreja, “está totalmente orientada para a Igreja”. Por isso, o Bispo de Roma convida os irmãos no episcopado a uma especial solicitude em promover nas comunidades diocesanas os diferentes carismas – os históricos e os novos – apoiando, animando, ajudando no discernimento, acompanhando com ternura e amor as situações de sofrimento e fraqueza em que se encontrem alguns consagrados e, sobretudo, esclarecendo com o ensino pastoral o povo de Deus sobre o valor da vida consagrada, de modo a fazer resplandecer a sua beleza e santidade na Igreja.

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Aqui deixo pequena súmula de um documento cujo alcance, na minha reiterada distração, pensei de interesse restrito, mas que afinal constitui uma mensagem dirigida a toda a Igreja (a ler na íntegra e a meditar), especificando diversos setores, e também ao mundo ecuménico e ao mundo inter-religioso, em prol da ação comum por Deus e a bem da humanidade, ao serviço da vida!

2015.03.08 – Louro de Carvalho