terça-feira, 31 de agosto de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A esmola apaga os pecados

«Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te, para achares graça diante do Senhor […]. A água apaga a chama, a esmola apaga os pecados»
(Ben Sirá 3,20 e 30).

VANDALISMO! Modo de se expressarem???


O vandalismo é uma das formas que, certos jovens encontraram para se expressarem, assim como acontece com muitos gangs… lá nas grandes cidades.
Partem e destroem objectos, públicos e muitas vezes agem com violência.
Jovens revoltados… a agirem sem pensar.
Porquê?
Na maioria das vezes, isso acontece porque se querem “mostrar duros”, emancipados e emancipadas, pois, hoje em dia, elas estão também a entrar, aos poucos, nesta onda de vandalismo…
O vandalismo, como muitas pessoas pensam, é uma atitude que não leva a nada.
O que ganham eles com isso?
Nada! A não ser provocar destruição, violência e uma falta de respeito, enorme, com os seus pais e familiares, e com as pessoas que os viram crescer e com quem convivem na sua terra.

Desta feita “atacaram” a Igreja Paroquial de S. Pedro de Tarouca, (Onde, quem sabe? Foram baptizados, fizeram a catequese, comungaram… se calhar, com os seus pais…), originando prejuízos desnecessários, principalmente, quando se tenta construir um Centro Paroquial para servir a Comunidade… de TODOS!
Fonte: http://aquarianus.blogspot.com/

domingo, 29 de agosto de 2010

BISPO DE LAMEGO LAMENTA ENCERRAMENTO DE ESCOLAS


O Bispo de Lamego alertou para as implicações familiares e sociais do encerramento de escolas primárias, uma decisão governamental com particular incidência no Concelho, onde encerram 21 estabelecimentos.
“Estamos a retirar das nossas populações, já tão carenciadas e esquecidas, um meio que ainda poderia ser um factor de atracção, pelo que o encerramento das escolas é um factor que no futuro contribuirá, sem dúvida, para uma maior desertificação”, sublinha D. Jacinto Botelho, em declarações à Agência ECCLESIA.
O prelado, que ficou surpreendido quando soube que o concelho lamecense é o mais afectado pela decisão, critica o encerramento generalizado de estabelecimentos com menos de 21 estudantes, embora reconheça que a medida é positiva no caso de as escolas agora fechadas não terem “o mínimo de condições”.
As consequências familiares da medida são uma das principais preocupações de D. Jacinto Botelho: “O retirar as crianças aos pais implica afastá-los do ambiente próprio da sua educação, onde elas poderiam crescer de forma normal”.
O prelado alerta para a retenção dos alunos durante “praticamente todo o dia” nos centros escolares para onde vão ser transferidos e para a distância entre a residência e os estabelecimentos de ensino, que poderá “obrigar as crianças a levantar-se demasiadamente cedo”.
D. Jacinto Botelho também manifesta a sua perplexidade pelo facto de o Governo apontar para a necessidade de travar a desertificação das regiões do interior ao mesmo tempo que executa uma medida que, no seu entender, vai estimular o abandono das povoações afastadas dos centros urbanos.
“É um valor que existia nas nossas comunidades e que se vai perdendo” lamenta o prelado, que não esconde a “tristeza” pelo fecho dos 21 estabelecimentos de ensino no concelho.
Este responsável defende que os estabelecimentos de ensino com mais de dez crianças deveriam permanecer abertos: “Se há mais de uma dezena de alunos num lugar, dá-me a impressão de que deveriam continuar com as escolas existentes”.
Para D. Jacinto Botelho, esta é “uma questão complexa para a qual é preciso haver um discernimento muito equilibrado, sem sentimentalismos exacerbados, mas ao mesmo tempo com a preocupação de procurar ver a realidade”.
“Tudo o que seja em favor de uma melhor educação é óptimo. Mas é preciso que ela ajude ao crescimento em muitos aspectos”, realça.
No entender do prelado, a causa destes encerramentos está na diminuição da natalidade, situação que por sua vez radica numa questão moral: “Há um grande egoísmo por parte das famílias na questão da paternidade, pelo que hoje os filhos são muito menos”.
As Direcções Regionais de Educação divulgaram esta Quarta-feira a lista dos 701 estabelecimentos de ensino que vão encerrar no próximo ano lectivo, ao abrigo do programa de reordenamento da rede escolar.
A região Norte será a mais afectada, ao ver 384 escolas a fechar portas no início do próximo ano lectivo. No Centro serão encerradas 152 escolas, na região de Lisboa e Vale do Tejo outras 121, no Alentejo 32 e no Algarve 12.
Agência Ecclesia

domingo, 15 de agosto de 2010

Cristão praticante
Há anos, era olhado de soslaio aquele que não praticava. Hoje parece que é "chic" não praticar, ou fazê-lo só em certas alturas. Pelo menos em algumas terras.
Admiro profundamente as pessoas que trabalham toda a semana, às vezes tendo só como dia livre o domingo, e não deixam vazio o seu lugar na comunidade crente. Podiam ficar na cama mais um bocado, podiam ir à caça ou à pesca, podiam ir até ao café, podiam aproveitar para fazer desporto... Mas estão ali, louvando com os irmãos o Senhor. Esta gente só pode ser fantástica! Merece todo o respeito e consideração pelo exemplo e pelo testemunho que irradiam para uma sociedade materialista e relativista que põe Deus no banco dos suplentes da vida.

Talvez fruto da grande cristandade, ainda persiste um certo tipo de discurso no seio da própria Igreja. Consiste em estar sempre a "puxar as orelhas" aos que lá vão. Não, não concordo. E esta minha posição tem sido repetidamente assumida. Quem lá vai merece todo o respeito, acolhimento, admiração. Geralmente, estes não criam problemas ao evoluir da comunidade porque acompanham o seu crescimento. Já o disse e repito. Quem cria problemas são os tais "não praticantes". E olhem que são já dezenas de anos de serviço às comunidades! Não falo de cor.

Claro que quem caminha para a comunidade que se reúne na casa do Senhor também tem que caminhar para a comunidade no dia-a-dia. Como diz a Bíblia, ninguém pode dizer que ama a Deus se não amar os irmãos. E aqui, concordo, ainda há um longo caminho a percorrer. O Cristo que louvamos, escutamos e comungamos na Igreja é inseparável do Cristo que está em cada irmão. Sim, sei que nós, os praticantes, falhamos bastante neste aspecto. Precisamos de melhorar. E muito. Os nossos gestos, palavras, acções e sentimentos precisam de ser alimentados constantemente pelo Cristo que acolhemos e adoramos na Igreja. É urgente que a Igreja saia para fora das igrejas pelo testemunho dos cristãos.

Quero que fique claro que há muitas pessoas que não frequentam e que têm um excelente comportamento humano, solidário, fraterno. Gente que respeita, que não critica quem vai, que aceita até humildemente que está em falta para com Deus, que entusiasma outros a irem. Em muitos destes, instalou-se a falta de hábitos de participação ou o tal respeito humano que, sobretudo nos homens, tem um peso abocanhante.

Lá está a história da moeda. Uma mesma moeda, mas com duas faces. Uma vida cristã, dois amores. Amor a Deus e amor ao próximo. Se não há moeda com uma só face, não há vida cristã sem estas duas vivências em simultâneo.
Podemos lá chegar, sem dúvida! O coração humano é fantástico quando quer. E Deus está sempre lá, no sítio certo.
Vamos aceitá-l'O para termos mais força para transformar este mundo pelo fermento libertador do Evangelho?

Cristão não praticante faz algum sentido?
No mundo da moda, no mundo do desporto, no mundo artístico, no mundo dos sub-grupos, está mesmo na moda:
- Eu sou católico (a) não praticante.
Ou então:
- Sou agnóstico(a).
Mais raramente:
- Sou ateu, ateia.

É sobretudo o mundo dos "católicos não praticantes" que mais problemas causa às comunidades cristãs. Com um pé dentro e outro fora, não são "frios nem quentes", aparecem quando lhes convém - normalmente nos baptizados, casamentos, funerais e algumas festas.
Mais, temos hoje pessoas que só entram nas igrejas porque os levam. No baptismo foram levados pelos pais e nos funerais são levados por outros.

Por norma, estes ditos "católicos não praticantes" são muito críticos para com a Igreja, não porque a amem, mas para desculpar a sua possível má consciência. Já se diz no futebol que a melhor defesa é o ataque...
Então dizem que não frequentam por causa do padre, do catequista, do vizinho, dos que lá vão... Sim, a culpa é sempre dos outros. Deles, claro que não! Ai, eles são um exemplo, uma referência, os melhores!!! Lá está, a melhor defesa é o ataque...
Centralidade de Cristo? Está quieto! Cristãos por causa de Cristo? Pois, mas isso é exigente...Então é mais fácil acusar outros para se desculpar.

Que diriam se fossem muito aflitos ao médico e este se negasse a atendê-los, dizendo que era médico não praticante? Ou se chamassem, numa emergência, os bombeiros e estes dissessem que não iam, porque eram bombeiros não praticantes? Ou se o treinador mandasse jogar o Cristiano Ronaldo e este se negasse, alegando que era futebolista não praticante? Que diriam? Então agora concluam... Cristão não praticante faz algum sentido???

Fugindo da comunidade, não crescem com a comunidade, não caminham com a comunidade, não fazem experiência de comunidade a qual passa a ser para os não praticantes um corpo estranho.

Urge ter a coragem de assumir as suas próprias responsabilidades. Urge a grandeza de não andar sempre a atirar pedras aos outros e de se desresponsabilizar com os outros.
A vida é bela. Assuma-a com alegria.

Assunção da Virgem Maria como dogma de fé

Pela Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, de 1 de Novembro de 1950, o Papa Pio XII proclamava a Assunção da Virgem Maria como dogma de fé. Mas é desde os primeiros séculos do Cristianismo que o Povo de Deus proclama e vive com amor esta realidade. Quantas igrejas, paróquias e dioceses a têm como Padroeira! E, neste particular, este recanto Peninsular, terra de Santa Maria, não podia ser excepção. O Povo de Deus desde muito cedo aclamou a Assunção de Maria, Mãe de Deus e esperança da nossa frágil humanidade.

sábado, 14 de agosto de 2010

Vem com os homens, vem caminhar! Santa Maria vem!



Senhora da Visitação ou da Saudação,

que corres ligeira sobre os montes,

Senhora da Assunção ou da Dormição,

Santa Maria Rainha,

vela por nós, fica à nossa beira.

É bom ter a esperança como companheira.

António Couto


Foi há dez anos que D. António faleceu

1. As primeiras impressões dificilmente se extinguem. Mas são as últimas recordações que jamais se apagam.

D. António de Castro Xavier Monteiro chegou a Lamego com um coração de pastor e, quase 28 anos depois, despediu-se de Lamego com um olhar de pai.

Se a primeira marca constituíra já um registo forte, a derradeira imagem ofereceu, sem dúvida, uma memória imperecível.

É sabido que, ao aproximar-se o fim, D. António quase não falava. Mas não deixava de comunicar. Acima de tudo, com o olhar.

Era um olhar sofrido. Mas também um olhar sereno. Um olhar acolhedor. Um olhar agradecido. Um olhar de pai.

2. Foi há dez anos que D. António faleceu. Eram 18h30 do dia 13 de Agosto de 2000.

Confesso que me causa alguma estranheza que esta efeméride tenha passado incógnita na terra para onde ele veio com alegria e que serviu com extremos de dedicação.

D. António enchia as pessoas com a sua palavra e preenchia os ambientes com a sua presença.

Entrou na cidade a 8 de Outubro de 1972, vindo de Lisboa onde era bispo auxiliar do então Patriarca, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

3. Ao saber da nomeação, não escondeu o contentamento: «Foi de joelhos, diante do altar, que li a carta onde me era significada a transferência para Lamego. Agradeci ao Senhor esta nova e grande chamada Sua ao seu serviço; e só Lhe pedi, mas comovidamente, que estivesse sempre comigo».

A partir dessa altura, Lamego passou a ser «a minha casa e a minha família». Em Lamego queria «ser pastor, vínculo de paz, de amor e de unidade».

4. A entrada de D. António na diocese foi um acontecimento marcante.Mobilizou toda a gente. E nem os mais pobres foram esquecidos.

As Conferências Vicentinas aumentaram (com mais um quilo de arroz, um quilo de açúcar, um quilo de massa e um pacote de chã) as dádivas para as velhinhas e (com alguns maços de cigarros) para os velhinhos!

Acompanhava o cabaz uma estampa em que se assinalava a «especial predilecção e ternura que o senhor Arcebispo já mostrara por esses membros sofredores de Cristo que são os pobrezinhos e os necessitados de toda a ordem».

5. A intervenção social e política não foi esquecida.

Nas eleições legislativas de 1979, publicou uma nota que teve larga repercussão.

Alertava ele: «A Igreja tem o uma dupla missão: afirmar e promover o respeito pelos direitos do Homem e denunciar e condenar todas as suas violações».

Já há trinta anos, D. António mostrava-se cônscio de que «a contestação das ideias pode ser um direito e até um dever» ao passo que «a destruição das pessoas nunca se justifica».

6. A sua grandeza ficava bem patente em pequenos gestos.

A 15 de Outubro de 1978, foi a Espadanedo, concelho de Cinfães, em visita pastoral.

Arlindo Pinto da Silveira, de 49 anos, estava paralítico há 36 em consequência do reumatismo agudo que o afectou. Pois D. António fez questão de o ir crismar a casa, ficando a corresponder-se com ele a partir desse dia.

7. Cultivava o D. António uma proximidade que surpreendia e cativava.

Era dotado de uma nobre simplicidade. Não falava muito, mas estimulava imenso.

D. António tinha, efectivamente coração de pastor, palavra de mestre e olhar de pai.

8. Não deixemos apagar o seu rasto. Não esbatamos a sua memória. Honremos o seu legado.

Disse Elie Wiesel que «esquecer é rejeitar». Seria imperdoável esquecer quem nunca nos esqueceu.

9. Jamais poderei esquecer a sua estatura espiritual, humana e intelectual.

A sua delicadeza sempre o distinguiu e nobilitou.

D. António nunca esqueceu Lamego durante a vida. Que Lamego não se esqueça de D. António após a sua morte.

10. Aqui deixo uma prece sentida. Daqui verto uma recordação entremeada de saudades. Profundas. Imensas.

http://theosfera.blogs.sapo.pt/348933.html

D. António Xavier Monteiro partiu para o Pai exactamente no dia do meu aniversário.

Tenho pelo senhor D. António, o bom Arcebispo-Bispo de Lamego, um carinho muito especial. A sua bondade lavrou no coração de quanto o conheceram pegadas impagáveis.

Foi o senhor Arcebispo quem me ordenou sacerdote faz neste dia 15 de Agosto 31 anos.

O Senhor D. António Xavier Monteiro referia-se então aos 3 sacerdotes que residiam em Mondim da Beira ( entre os quais me incluía) como "os meus rapazes". Jamais esquecerei quanto carinho ressoava nestas palavras. Obrigado, senhor Arcebispo!

Ainda hoje quando ouço referencias à presença do bondoso Arcebispo em Santa Helena onde sempre marcava apreciada presença, extravasam nas palavras dos que ali o viram imenso apreço, admiração, estima. "A figura altiva do senhor Arcebispo impunha solenidade e respeito. As suas palavras, proximidade e afecto faziam-no sentir como um pai e mestre", dizia-me há pouco uma senhora que nunca falta em Santa Helena.

Sim, é uma figura que a diocese não pode esquecer. Nunca. Até porque ele, junto do Eterno, é uma súplica intercessora pela diocese que amou e serviu com sábia e misericordiosa presença.

Por tudo e por tanto, obrigado, senhor Arcebispo!

P. Carlos

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Domingo, 15 de Agosto de 2010 - Assunção e Glorificação de Nossa Senhora

O olhar sobre Maria, renasce ou nasce inteiramente de uma forma nova, com uma densidade fundamental para a devoção da Igreja. A mulher do Apocalipse, aparece como um sinal, uma revelação oferecida por Deus. Temos, então, a Assunção de Maria, sinal último dessa utopia tornada realidade para os homens.
E aparece vestida de sol como são os olhos de Deus. Vestida para significar isso mesmo: o amor e a ternura apaixonada de Deus que veste os lírios do campo mais glorioso que o rei Salomão (cf. Mt 6, 30), que adorna de vestes finíssimas e ornamentos preciosos a sua esposa Israel (Ez 16, 10-13), que reveste Sião da sua magnificência (Is 52, 1). A esta mulher-sinal, Deus a veste de sol, de toda a luz da sua própria glória e poder.
Toda a devoção não poderia ser melhor cantada naquela estrofe inesquecível do poema “A Nossa Senhora” de Ruy Cinatti: “Vómitos de cera/ honram-na em lágrimas/ humedecendo faces/ ou repentes de alegria./ Ei-la, portanto, senhora/ nos espaços sederais/ e na terra mãe/ desamparada./ Seu olhar magoado/ fere um intranquilo/ raio de luz./ E entro no templo/ onde milhares de mãos compadecidas/ acendem círios./ Digo: Maria!/ Ouço: Meu filho!”( Corpo-Alma, p. 79-80).
O dia da Assunção de Maria, constitui por si mesmo não o último sinal do desígnio salvador de Deus, mas a confirmação em glória do papel essencial de Maria na obra de Redenção. A criação de Deus, a História do mundo e dos homens, conheceram outras veredas que não levavam à felicidade. Por isso, quis Deus, por graça, manifestar outros sentidos e outras possibilidades de salvação.
Maria, foi e é a primeira criatura a tomar parte nesse desejo, a obra de Deus no mundo. Ela acolhe no seio o caminho último do sentido da vida. Maria, fecunda a possibilidade redentora para toda a família humana. A “sublimidade” desceu radicalmente através do seio dessa mulher, à natureza que se dizia irremediavelmente perdida.
A sua Assunção e Glorificação são o reacender da luz na obscuridade do silêncio das trevas e aí confirma-se a visibilidade clara das paisagens baças da humanidade. Nela, a esperança renasce com toda a força fecundante. A devoção a Maria encontra um lugar seguro, onde descansa a razão de ser da esperança e encontra também um sentido para os contornos inquietantes da vida.
http://jlrodrigues.blogspot.com

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Deus é capaz de trocar reinos por ti



Deus é capaz de trocar reinos por ti,
abrir mares pra que possas atravessar
e se preciso fosse daria novamente a vida por ti!
Deus só não é capaz,de deixar de te amar...

Padre Fabio de Mello

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Devoções Populares


O Sínodo de 1985, disse que "as devoções populares mereciam maior atenção por parte dos pastores" e Paulo VI considerava "a religiosidade popular uma realidade, ao mesmo tempo rica e vulnerável". E preciso reconhecer seus inegáveis valores e superar os seus possíveis desvios, nomeadamente a superstição e a deturpação religiosa.
É certo, digo eu, que a Liturgia oficial apresenta, por vezes, uma imagem do Sagrado demasiado racional, abstracta e distante, quando as necessidades vitais do dia-a-dia precisam de alguém mais próximo e familiar a quem recorrer, sem susto ou terror sagrado.

Podemos distinguir várias devoções na nossas tradições po­pulares, quer seja a Jesus Cristo, a Nossa Senhora e aos santos.

DEVOÇÕES A CRISTO:

Via-Sacra
As catorze estações da Via-sacra actuais devem-se ao traba­lho espiritual dos franciscanos, tradicionais devotos da Paixão do Senhor e guardiões da Terra San­ta. Concordamos que o número das estações é arbitrário e que os conteúdos poderiam ser, quantas vezes, evangelicamente mais fundamentadas. Concordamos igualmente que, para além dos tormentos e dores de Jesus, deveria haver referências à Ressurreição do Senhor. Quem não compreende que da meditação do amor de Deus, manifestado em Jesus, que­ se entregou por nós, podem nas­cer sentimentos de conversão e de mudança de vida? Como todos os meios de santificação, este exercí­cio da Via-Sacra pode ser utilizado, com proveito, por muitas pessoas, embora eu preferisse ver o nosso povo entregue à Leitura Orante da Bíblia, partindo dos textos do Evangelho.

Devoção ao Coração de Jesus
Trata-se de uma devoção, que foi e é ainda um pouco polémica. Costuma recordar-se a influência de Santa Gertrudes e de São João Eudes, como antepassados ilustres desta devoção. Mas, como hoje é entendida, a prática devota ao Coração de Jesus provém das reve­lações a Santa Margarida Alacoque e do empenhamento, dizem, dos Jesuítas, a partir do século XVII.
A devoção das primeiras sextas-feiras, nove meses seguidos, com todas as implicações sentimentais e resultados garantidos de salvação, nasceu num contexto litúrgico decadente e passou-se entre os frios jansenistas, que afastavam os crentes da comunhão frequente e os devotos intransigentes do Coração de Jesus.
Pio XII, numa encíclica, pro­curou dar consistência teológica a esta devoção, que, por vezes, insistiu demasiado nas promessas de uma salvação fácil e automática, graças ao desagravo, infantilmente proposto e celebrado de forma su­persticiosa... A grande conclusão a tirar é que a melhor devoção ao Co­ração de Jesus é viver, diariamente, as duas vertentes da Eucaristia: Palavra de Deus e recepção do Corpo e Sangue de Jesus, entregue em cada Missa por nós.

DEVOÇÕESA NOSSA SENHORA:

Angelus ou Trindades
A devocão das Três Ave Marias é muito antiga, mas não se conhece a sua origem. Talvez tenha aparecido no século XVII por influência dos Frades Menores.
Das pessoas da minha geração, quem não conhece o toque dos sinos de manhã, ao meio-dia e à noite? Quem não se lembra do quadro do "Angelus" de Millet que fixa na tela um costume cristão antigo, sobretudo dos camponeses? Espe­remos que a inevitável urbanização não acabe com esta eficaz maneira de santificar o tempo... e de agra­decer a Deus os dons recebidos.

O Terço do Rosário
Trata-se de um género de ora­ção - quanto ao método - comum à Índia, ao Egipto e ao islamismo. Trata-se da repetição, quantas ve­zes monótona, às vezes cansativa e fastidiosa, de Pai-Nossos e Ave­Marias, através das contas do Ro­sário e da meditação dos mistérios da vida , morte e ressurreição de Cristo. Fala-se do rosário para incutir no crente a ideia de que cada AVE-MARIA devia ser uma rosa a oferecer a Nossa Senhora. Fala-se da influência de São Domingos na divulgação desta devoção e das aparições de Fátima em 1917, em que a Mãe do céu pediu a recitação do Terço como meio de acabar com a guerra. Para João Paulo II, esta era a sua oração preferida.
A.Matos, in JB

Cruz das Jornadas concentra atenções em Lamego

Jovens e comunidade disseram presente, e nem o ciclismo desviou as pessoas...

Veja aqui.

Tarouca entre os dez concelhos com maior poder de compra do distrito

Veja aqui.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

OS GESTOS NA LITURGIA

Falar de gestualidade litúrgica é lembrar-nos de que a nossa natureza humana tem e se exprime "num corpo".
A gestualidade funda-se biblicamente numa experiência vital de Deus. Hoje para os cristãos esta experiência vital dá-se no interior da comunidade eclesial e na celebração dos sacramentos.
O gesto coloca o corpo em oração, como pessoa inteira. Com a renovação litúrgica foi reencontrada «a nobre simplicidade dos ritos» (Constituição Litúrgica Sacrosanctum Concilium, n.° 34).
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O gesto é um acto que exprime um estado interior da pessoa. Os gestos na liturgia estão modelados segundo os próprios gestos que Cristo usou. O fundamento dos gestos é o próprio Cristo. Ao pensarmos n'Ele favorece-se o nível máximo de interiorização. Ele assumiu a dimensão da corporei­dade humana, tornando-Se assim a referência de toda a gestualidade litúrgica.
Narra-nos a Carta aos Hebreus (10,5): «Entrando no mundo, Cristo disse: não quisestes sacrifício nem oblação, mas preparaste-Me um corpo.» É deste núcleo que deriva todo o posterior gesto litúrgico, porque a nossa espiritualidade litúrgica deve ser modelada e orientada sobre a gestualidade de Cristo. Assim, quando rezamos, tentamos imitar todos os gestos corporais da vida de Cristo, que foram muitos e vêm descritos no Evangelho, dando realce especial à Sua "paixão", durante a qual «Ele estendeu as mãos e morreu na cruz».

O sinal é algo sensível que significa ou indica outra realidade ausente ou presente, e informa e orienta.
O símbolo é uma linguagem muito mais expressiva e rica de co­notações do que simplesmente a falada. Tem uma função mediadora, comunicativa e unificadora. Apoia os fiéis na sua "procura" de Deus. Estabelece uma relação afectiva entre uma pessoa e a realidade pro­funda que não se consegue exprimir bem de outra forma. A liturgia e os costumes cristãos estão cheios de símbolos: a água para o baptismo, o pão para a Eucaristia, o vinho, o gesto de reconciliação, as palavras da absolvição e da consagração, a imposição das mãos, a bênção...
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A seguir descrevemos o significado de alguns gestos que aparecem na celebração eucarística — o sacramento "principal" (porque os sa­cramentos são mais diferentes do que iguais), mais conhecido.
De pé: é uma postura que significa a ressurreição de Cristo que se levantou do sepulcro, e que ganhou a liberdade para estar, conforme a sua promessa, em todas as assembleias cristãs. É sinal de atenção, adesão, respeito e disponibilidade. A lição do Evangelho ouve-se sempre "de pé".
De joelhos: traduz uma atitude de penitência, de humildade e de oração intensa. Recomenda-se para acompanhara Oração Eucarística, após a aclamação do "santo".
A genuflexão: é o gesto de dobrar o joelho direito até ao solo, com perfeição e na vertical. Indica respeito, reverência, adoração. Na Missa é feita pelo sacerdote 3 vezes: na ostensão do pão e do cálice consagrados e antes da Comunhão. Porém, todos os fiéis o devem fazer, com perfeição e calma, quando passam diante do SS.° Sacramento, diante do sacrário, e na procissão do Corpo de Deus. Genuflexões perfeitas são hoje em dia muito raras em Portugal, mas os santos faziam-nas perfeitíssimas, cheios de fé.
Sentados: é a postura de quem ensina com autoridade ou de quem escuta com atenção muito especial.
Beijo (Abraço da paz): na Missa é um rito antes da Comunhão. Significa concórdia, intimidade, união dos corações e dos ideais.
Sinal da Cruz: é uma profissão de fé baptismal, trinitária, identi­ficação com Cristo Crucificado.
Bater no peito: sinal de arrependimento e desejo de conversão. Usa-se no acto penitencial no início da Missa.
Mãos postas: muitos juntam-lhes também os olhos fechados. Significa intensidade, elevação, oração sincera, recolhida, elevador para a contemplação.
Estender os braços: imitação de Cristo que também estendeu os braços para morrer na Cruz.
Mãos abertas: louvor, petição, entrega e acolhimento dos dons de Deus.
Lava-mãos: sinal de purificação do pecado. Fá-lo o sacerdote antes de oferecer o sacrifício de Cristo e da Igreja.
Imposição das mãos: gesto bíblico muito antigo. Usa-se como epiclese (súplica ao Espírito Santo), para consagração de coisas e sobretudo de pessoas.
Elevação (a grande): é um gesto novo próprio da Missa, diferente da ostensão e colocado ao fim da Oração Eucarística, antes do Pai Nosso, quando o sacerdote eleva o pão e o vinho, mostrando-os aos fiéis e esperando que estes digam «Amen» em ratificação da oração sacerdotal. Sempre que o sacerdote presta atenção correcta a este rito, como é sua obrigação, revela uma sensível eclesiologia de admirar.
Fracção do pão: rito usado pelo próprio Cristo quando celebrava a Eucaristia. Simboliza o amor de entrega de Jesus por nós, e a paz e reconciliação que Ele nos adquiriu e em que nos colocou no decorrer da Santa Missa.
Silêncio: é um espaço em que Deus vive e Se manifesta. Cria o ambiente especialmente favorável ao encontro com Ele. Usa-se no espaço sagrado e todo o sacerdote o favorece antes das orações, na Comunhão e nas adorações eucarísticas.
Bênção: É "bem-dizer", primeiro a Deus; depois, Deus tem bênçãos espirituais em Cristo para os fiéis, e muitas bênçãos materiais para todas as criaturas.
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Tudo o que se faz e acontece na liturgia exige um entendimento. A catequese litúrgica torna-se cada vez mais necessária, e não admira que tenha sido inculcada pelo próprio Concílio Vaticano II. É uma maneira de se evitar "o adormecimento" ou "o aborrecimento" dos fiéis e de se exibir a "unidade" em Cristo de toda a comunidade cristã. Porque é que muitos em Portugal, especialmente os jovens, e muitos dos quais até costumam ir à Missa, dizem com facilidade que tudo isto «é uma "seca"»? — Isto apenas traduz o deserto laico, secularizante que hoje se vive. É o baixar dos braços, pior que um freio, à evangelização.
Há, porém, quem interprete a sua corporeidade precária, com todas as pobrezas que salienta (repetição, cansaço, doença, incomunicabilidade, medo, solidão e morte), como lugar histórico do triunfo de Cristo que vem, qual templo vivente, consagrado pelo Espírito do Filho enviado pelo Pai, ao qual suplicam com veemência: «Até quando; Senhor, Tu que és santo e veraz; até quando não virás para nos fazeres justiça?» (AP 6,10), e, porque se sente Esposa, diz com a voz do Espírito: «Vinde, Senhor Jesus» (AP 22,17.20). É assim que se descobre a profundidade das palavras de Tertuliano: caro salutis cardo (a carne é invólucro da salvação). Assim é, de facto, na "materialidade" dos sacramentos e na pluralidade dos gestos e sinais litúrgicos.
Pe. Mário Santos, Sacerdote Paulista
In Revista SÍNTESE

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cruz da Jornada Mundial da Juventude em Portugal

10 de Agosto
Lamego

02-08h00: Acolhimento pela Paróquia de Almacave
08h-09h30: Mosteiro Dominicano de Clausura
09h30-12h30. Visita ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios com as Irmãs Franciscanas Hospedeiras
12h30: Caminhada para a Catedral de Lamego
15h30: Vigília de Adoração à Cruz
17h00: Celebração da Eucaristia presidida por D. Jacinto Botelho e entrega aos jovens do Porto

Há 2324 portugueses presos no estrangeiro

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Estão detidos 622 portugueses em França, 334 em celas britânicas e 348 espalhados por prisões na América Latina. No total há 2324 portugueses presos em 45 países de todos os continentes. Na Dinamarca, por exemplo, estão detidos 13 pessoas com bilhete de identidade nacional, no Japão, seis, e até na China há um recluso português.
O número real de portugueses atrás das grades será maior, mas os dados existentes são apenas dos reclusos que solicitaram apoio consular à Secretaria de Estado das Comunidades.

Fonte: aqui
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Nesta Semana Nacional de Migrações, é importante recordar esta realidade.
Quando se fala em roubos, violências, insegurança, etc, em Portugal, a tendência é de colocar logo a culpa sobre os estrangeiros que cá vivem.
Infelizmente, como se vê pelos dados acima, os portugueses não são menos desordeiros...
Mais moderação, humildade e contenção precisam-se!

domingo, 8 de agosto de 2010

Denúncias de exploração das crianças migrantes

Comissão Episcopal da Mobilidade Humana lembra quem vive em Portugal «sem documentos nem registo de existência».

A Igreja Católica em Portugal está preocupada com a situação dos migrantes e refugiados menores, alertando para “a delinquência, o abuso e o tráfico, a exploração” e até mesmo o aluguer para a “mendicidade”.
A posição é assumida por D. António Vitalino, Bispo de Beja e presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH), em texto assinado para o semanário Agência ECCLESIA.
Segundo este responsável, “os adultos, a sociedade e os Estados programam a sua vida e as suas estruturas quase exclusivamente a partir de si mesmos, do seu bem estar individual, deixando os outros e muito especialmente os mais débeis para últimos nos seus projectos de vida”.
Embora muitos digam que emigram por causa da família, sobretudo dos filhos, para lhes dar um futuro melhor, no entanto acabam por prejudicá-los ao pensar apenas nos valores financeiros e económicos”, lamenta.
Para o presidente da CEMH, é importante recordar que muitas crianças “vivem em condições desumanas, sem alimentação conveniente, sem cuidados de saúde, sem higiene e sem casa, sem escola adequada”.
Os menores foram o tema escolhido por Bento XVI para a mensagem do 96.º Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados e estará no centro da semana nacional de migrações, em Portugal, de 8 a 15 de Agosto, sob o lema “Com Francisco e Jacinta acolher Cristo nos migrantes e refugiados menores”.
Ao lançar esta celebração, a CEMH lembra “os filhos dos imigrantes nascidos em Portugal, muitos deles votados à marginalidade, sem documentos nem registo de existência, excluídos pelo país onde nasceram e não aceites pelo país de origem dos pais por não os considerar seus”.
“A estes é preciso fazer justiça dando-lhes uma identidade e nacionalidade, pois não conhecem outro país senão aquele que os viu nascer e que, ao excluí-los está a contribuir para que surjam organizações juvenis marginais, muitas vezes criminosas e identificadas com determinada origem étnica, que são, na verdade, uma forma de defesa contra um meio social que lhes é hostil”, indica a Comissão, no texto com que anuncia a semana nacional de migrações 2010.
ecclesia

sábado, 7 de agosto de 2010

De 8 a 15 de Agosto de 2010 - 38ª SEMANA NACIONAL DE MIGRAÇÕES

Com Francisco e Jacinta
acolherr Cristo nos Migrantes
e Refugiados Menores

Decorre, de 8 a 15 de Agosto de 2010, a 38ª Semana Nacional de Migrações que, em Portugal, nos convida a "com Francisco e Jacinta acolher Cristo nos Migrantes e Refugiados Menores". É o tema dos que vivem a aventura difícil de serem emigrantes do seu País – tantos de Portugal – tornando-se imigrantes num qualquer País estrangeiro – tantos em Portugal.
Reflectindo em todas as implicações desta realidade, damo-nos conta de quanto custa ser migrante em qualquer lugar, experimentando a tremenda dificuldade de ser 2 vezes estrangeiro: onde entra e de onde sai. Esta Semana Nacional pede-nos um duplo esforço de acolhimento: a quem vem para passar férias na sua terra de origem e a quem está, procurando hospitalidade, acolhimento, trabalho, justiça e respeito.
Sabemos que têm acontecido verdadeiras coisas horríveis no campo da exploração humana e, tantas vezes, na dimensão infantil. O que tantas pessoas e tantas crianças têm sofrido, sem o quererem e sem o merecerem, experimentando escravaturas e desumanidades, no pior sentido e com as piores consequências!... Sentíamos ser impossível – sobretudo com os actuais avanços de transparência, de proximidade global, de reflexão e de aprofundamento dos direitos fundamentais – haver tremendas injustiças, desigualdades e violências que, sem justificação alguma, são cometidas por vampiros sugadores da dignidade humana mais elementar.
Sentíamos ser impossível – no sector das crianças e dos menores – haver tamanho aproveitamento para benefício (qualquer que seja) de injustos exploradores das fragilidades de outros…
Estamos solidários com todos os Migrantes que procuram justiça, trabalho, igualdade, humanidade!... Igualmente, com os que querem a união e a justa convivência familiar – reconhecimento fundamental do direito à família unida – no País que os acolhe e lhes dá trabalho!... Muito justamente com a salvaguarda dos direitos das crianças e de todos os menores!...
D. Ilídio Leandro, Bispo de Viseu

Homilia no XIX Domingo Comum - Ano C

«É preciso ter calma. Não dar o corpo pela alma»! A frase assentaria como uma luva na conclusão do Evangelho de hoje, mesmo que tenha saído da irreverência de um cantor como o Pedro Abrunhosa.
Toda a palavra evangélica se concentra nestas palavras: «onde está o teu tesouro aí está o teu coração». Há um apelo de vigilância, de atenção sobre a vida, de um olhar crítico sobre o tempo presente, que não se enquadra nada com esta ideia tão moderna do «carpe diem». Quer dizer, da curtição. Retratada na parábola, pela figura do servo, administrador infiel. «Carpe diem»! Ele goza o instante»!... Curte a vida. Aproveita agora, que depois será tarde. Absorve o
tutano da vida, porque o futuro não lhe pertence. «Comer, beber, embriagar-se» com vinho ou com barulho ou com fumo... é tudo o que ele julga levar deste mundo.
Porque regressamos nós afinal à máxima pagã do «gozo do instante»? Que move afinal o homem contemporâneo? Que valores o acalentam? Que desejos o animam? Que esperança o guia? Onde põe o ser humano o seu coração? Onde crê que se encontra o seu verdadeiro bem? Jesus diz: «Onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração». Porque onde puseres toda a tua esperança, aí estará o mais fundo do teu ser.
Entregue às coisas, dominado pela posse delas, o homem moderno parece hipotecar o seu coração e fazer dele uma sucata de desejos fugazes. Sonhos que tão depressa se cumprem como se desfazem. Porque deixou de acreditar no futuro, o homem não espera mais que o presente. E o tempo que nos é dado, mais do que para construir a cidade do futuro serve para alienar o presente. E isto porque morreu a esperança. E se morre a esperança é porque o homem deixou de acreditar na Promessa de um futuro já começado, de uma Pátria por alcançar. A sedução do mundo sufoca a esperança da Pátria futura e ata-nos à terra, sem horizontes.
Nós «esperamos a cidade de sólidos fundamentos cujo arquitecto e construtor é Deus». Que esta esperança mantenha viva a chama do futuro e nos comprometa no presente. E assim nos faça caminhar. Solidários nos bens e nos perigos. À maneira de Abraão, aí vamos como peregrinos do infinito, prisioneiros do invisível...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Regresso de Deus

Há cem anos dizia-se que a religião iria se acabar. O progresso da ciência e da técnica iria colocá-la no museu, relegada à idade infantil da história. O que vemos hoje é um pulular de seitas e novos movimentos religiosos, um acentuado interesse por tudo o que diz respeito à religião. Nunca se falou tanto de Deus, embora continue a haver quem diga que Ele é uma invenção humana.
Apareceu há dias a tradução portuguesa de um livro que dois editores da revista Economist publicaram, que tem precisamente por título "O Regresso de Deus", com um subtítulo apelativo: "Como o regresso da fé está a mudar o mundo".
Partindo do relato do que acontece numa casa chinesa, onde um grupo católico de profissionais bem sucedidos cumpre um ritual religioso, os autores levam o leitor a ver como o progresso das novas e velhas religiões ocorre a par e passo com o crescimento do país, tal como acontece pelo resto do mundo.
Partindo desta casa, os autores fazem uma investigação sobre as tendências religiosas em todo o mundo identificando um padrão: a velha ideia europeia de que a religião é um entrave ao progresso está, por todo o mundo, a dar lugar ao ideal americano de pluralismo e convivência pacífica entre a Modernidade e a Fé.
Numa Europa que tenta negar que a herança cristã é indissociável da nossa história e civilização, este livro mostra-nos a realidade do resto do mundo. Um mundo onde a religiosidade floresce e cada vez mais faz parte do quotidiano e da vida pública. Acresce uma escrita cativante de John Micklethwait e Adrian Wooldridge, dois excelentes jornalistas da revista The Economist, aliás o primeiro é o próprio editor.
O que achei mais interessante e o que verdadeiramente sobressai neste livro é a reflexão feita sobre o papel da religião na sociedade e sobre a sua relação com a Política. Só um país tolerante perante a religião, no qual o pluralismo seja uma realidade e no qual Igreja e Política não se misturem, pode prosperar. É esta a conclusão a que chegam Micklethwait e Wooldridge.
E eu pergunto: a crise em que vive o mundo ocidental, sobretudo a Europa, não será também devida ao afastamento da religião? É que é aqui, neste continente, que mais se tem sentido a crise económica e a crise espiritual.
In O Amigo do Povo

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Precisamos de Santos sem véu ou batina

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Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.
Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo todo o dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem a sua castidade.
Precisamos de Santos modernos, santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc man.
Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refrigerante ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de desporto.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.
Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos".

João Paulo II
Fonte: O BANQUETE DA PALAVRA

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Porque não pode comungar este casal?

Bateram à porta. Perguntaram quando tinha um tempinho para os atender. Combinámos uma hora que agradou a todos.
Apareceram pontualmente. As palavras eram de inibição. A custo, ela foi falando. Disse que ambos haviam sido convidados para padrinhos de baptismo de uma sobrinha por parte dele. Gostariam muito, mas que tinham a certeza que não podiam, sabiam disso. Não estavam casados catolicamente, pois ambos eram divorciados. Fora a cunhada que insistira para eles virem ter comigo, dizendo-lhes que talvez, com um bocadinho de jeito, conseguissem. Mas eles sabiam que não era possível.
Procurei acolhê-los o melhor que pude, sentir a sua mágoa, colocar-me no seu lugar. Foram-se soltando e, pouco a pouco, foi rolando o filme das suas vidas. Impressionou-me. Não pressenti nunca um sentimento, uma atitude de revolta, de mal querer, de contestação.
Disseram que agora eram felizes. No seu lar, não havia lugar para a agressão, para o azedume, para o egoísmo emproado. Compreendiam-se muito bem, ajudavam-se imenso e cada um procurava fazer o que podia para que o outro fosse feliz. Os olhares mútuos que iam trocando deixavam entender que aquelas palavras escorriam mesmo do fundo de suas vidas.
Nenhum deles tinha filhos do anterior casamento e do actual havia um casalinho, encanto e enlevo de ambos. Procuravam educar os filhitos o melhor que podiam e sabiam, confessando, contudo, que gostariam de saber mais para poderem ser mais pais. Também testemunharam a sua preocupação pela educação cristã dos rebentos.
Rezavam com eles em casa, acompanhavam-nos à catequese, levavam-nos à Missa.
- Sabe, eu acho que não procedemos bem, já que nem eu nem ele vamos à Missa. Levamos os filhos, mas esperamos por eles cá fora – dizia ela compungidamente, acrescentando – como não podemos comungar, temos a impressão que estamos lá a mais. Que nos diz?
Disse-lhes que Deus os amava profundamente, os compreendia e estava presente nas suas vidas. Que procurassem descobrir e saborear essa presença de Deus no carinho, encantamento, e doação existentes no seu lar. Que esta era uma bela forma de comunhão, porque onde há caridade e amor, aí está Deus. Falei-lhes que era bom para toda a comunidade que levassem à Eucaristia esta experiência e testemunho de casal unido, altruísta, carinhoso. Assim tínhamos todos mais um belo motivo para louvar o Senhor e eles viram de lá ainda mais casal, pois é dando que se recebe. Celebrando o Amor entregue por nós, sentimo-nos mais fortes e inclinados para vivermos a entrega aos outros no amor.
Disse-lhes que podiam fazer parte do grupo de leitores, dar catequese, integrar comissões, irmandades, outros grupos… Poderiam prestar um serviço tão importante aos outros!...
Responderam que não sabiam, pensavam que tudo lhes estava vedado. Sentiam-se mais leves, mais sorridentes, mais confiantes.
- Então o senhor Padre acha que, embora não podendo receber o Corpo de Cristo, podemos comungar o Amor de Cristo e reparti-lo pelos irmãos?
Fantástico! Gente boa mesmo! Quão longe pode chegar um coração humilde e uma mente aberta!
- Pronto, agora percebemos. Só não podemos comungar e ser padrinhos. De resto, podemos participar em tudo – afirmou ele com um tom de voz convicto.
Procurei explicar-lhes as razões pelas quais a Igreja lhes diz que não podem comungar nem ser padrinhos. Penso que não conseguiram convencer-se a sério. Mas a palavra última da senhora foi maravilhosa:
- Se a Igreja diz que não podemos, não podemos. Queremos aceitar e caminhar em frente. Olhe que no dia em que nós compreendêssemos tudo, pareceríamos uns pavões… Até Deus correríamos do Céu.
Que noite! Quantas voltas dei na cama! Não me saía do coração aquele encantador encontro! Quem me dera aquela humildade, aquela disponibilidade, aquela serenidade, aquela vontade de acertar e caminhar.
Mas porquê, Senhor, porquê? Tenho tanta dificuldade em compreender por que motivo gente desta beleza interior não se pode abeirar da Sagrada Comunhão…
Confesso que não me cheira nada a Evangelho.

Fonte: Blog Asas da Montanha

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Não quiseram a Missa de Corpo Presente pelo Pai

Uma amiga contou-me há dias este episódio. Ela fora ao funeral do pai de uma colega de trabalho e sua amiga. Qual não foi o seu espanto quando verificou que, na cerimónia do funeral, fora feita apenas uma leitura bíblica seguida de uma brevíssima homilia.
Dias depois conversou com a amiga e manifestou-lhe a sua estranheza pela ausência da Missa de Corpo Presente. Ainda por cima era conhecida a militância católica da amiga...
Então a filha do falecido disse-lhe, calma e tranquilamente, que tal aconteceu por respeito para com o pai que, em vida, não ia à Missa. Se ele não a quisera durante a vida, os filhos não lha quiseram impor após a morte. Era uma questão de respeito pela liberdade do pai.
Referiu ainda que ela e os irmãos pediram o funeral católico, porque o pai fora baptizado e nunca lhe sentiram qualquer vontade de sair da Igreja Católica. E então, a Igreja que o acolhera no Baptismo também o acompanhava na hora da partida...
A minha amiga referiu-me que ficou intrigada, mas ao mesmo tempo edificada pela coerência daquela senhora. Ainda mais quando a sua amiga lhe falou das "bocas" e dos comentários que ouviu por causa de não terem pedido a Missa de Corpo Presente. Mas para ela e seus irmãos eram muito mais importantes a coerência e a verdade do que os costumes e comentários dos outros...

Muitas vezes, há "ditos cristãos" que só aparecem na Igreja "empurrados". Foram levados ao colo pelos pais no Baptismo ; foram pressionados para fazerem "as comunhões" e o Crisma pelos pais; foi-lhe imposta a Missa pelos filhos após a morte.

Tantos filhos que precisavam de ter a coragem, a humildade e a verdade desta senhora! Mas qual quê!? "Mas se outros tiveram, o meu pai também tem de ter!" Mesmo que em vida nunca quisesse nada com a Igreja!
Há cá uma verdade nesta gente!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

Estes jovens não fogem da comunidade

Ela acabara a sua licenciatura. Os pais, felizes, resolveram fazer-lhe uma festinha em que participaram familiares, o namorado, colegas e amigos.
Um dia apareceram pais e filha na sacristia:
- Senhor Padre, vimos pedir-lhe um favor caso possa.
- Digam então.
- Vamos comemorar o êxito escolar da nossa filha. Mas queríamos agradecer a Deus a ajuda que nos deu para a educarmos, a saúde e o trabalho para podermos custear os seus estudos.
- E eu - acrescentou a filha - gostava de agradecer a Deus o tino que me deu, as capacidades intelectuais e o amor ao estudo.
No dia combinado, foi celebrada a Eucaristia de acção de graças. Antes, a jovem perguntou ao Pároco se no fim poderia ler um pequeno texto.
- Certamente!
No momento próprio, subiu ao ambão e leu um pequeno texto, rápido, conciso e sentido de agradecimento às pessoas que a haviam ajudado na sua caminhada estudantil e educativa. Depois acrescentou:
- E agora, se me dão licença, gostava de consagrar a minha vida, o meu futuro, a Nossa Senhora.
E leu o seu texto de consagração. Que elevação! Que gratidão! Que confiança!
Lágrimas de alegria escorriam pelos rostos de familiares e colegas. Felizes pela grandeza interior desta jovem.

Foram muito unidos enquanto estudantes liceais e continuam unidos quando o emprego, a universidade ou a academia os separam.
Andem por onde andarem, cada ano, no último domingo de Maio, juntam-se. Para um bailarico? Para uns jogos de internet? Para umas tainadas? Para irem juntos à disco? Por causa de umas músicas de ocasião? NADA DISSO.
Para organizarem a Festa da Senhora de Fátima que preparam como podem. Sempre com alegria e gosto jovem. Mais, são eles que transportam o andor até à aldeia mais próxima da mesma freguesia. E olhem que a pé, é bastante mais de uma hora!

No último fim-de-semana de Julho, por casualidade, estavam muitos na terra.No sábado encontraram-se e imaginamos as histórias, alegrias, dúvidas e dissabores que partilharam. Chegaram a um consenso que agradou a todos. No domingo seguinte, ao fim da Missa, iriam pedir ao Pároco um encontro para com ele debater algumas questões que os preocupavam.
Após os cumprimentos da praxe, um deles, em nome do grupo, falou:
- Senhor Padre, nós sabemos que não há respostas para tudo. Mas gostávamos de partilhar com o senhor algumas questões que nos preocupam, ouvir o que tem para nos dizer, conhecer melhor o pensamento da Igreja. Sabe, hoje somos inundados com tantas e tão diversas informações e pontos-de-vista...
- Sempre às vossas ordens, miúdos! - respondeu convictamente o sacerdote, já não jovem.
E combinaram a data do encontro...

Quando a juventude quer, é imbatível!
Estes não se queixam, não ficam à espera que os venham buscar, não procuram o folclore e o que dá nas vistas, não fogem da comunidade, mas mergulham nela.
Para estes jovens, a fé é algo muito forte, comprometedor e bonito.