sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Domingo, 21 de Novembro, Solenidade de Cristo, REI DO UNIVERSO

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Com a solenidade de Cristo, REI DO UNIVERSO, encerramos hoje o Ano Litúrgico (Ano C).

Os reinos estão, hoje, muito desacreditados.
No entanto, na Bíblia, o tema é muito usado, no Antigo e no Novo Testamento.

A Palavra de Deus deixa claro, que é uma realeza diferente, que se exerce no amor, no serviço, no dom da vida.

Na 1ª Leitura David é ungido REI de todo o Povo de Israel. (2Sm 5,1-3)

O seu reino tornou-se símbolo do Reino de paz e de justiça, que um dia Deus haveria de instaurar na terra.
Os Profetas prometeram a chegada de um descendente de David, que iria realizar esse sonho.
Israel esperou durante muitos séculos essa Vinda.

O Evangelho apresenta a realização dessa promessa: o NOSSO REI preside esse Reino no Trono da CRUZ. (Lc 23,35-43)

A Cena é surpreendente e decepcionante para os homens.
Cristo não aparece sentado num trono de ouro, mas pregado numa cruz, com uma horrível coroa de espinhos na cabeça, com uma irónica inscrição pregada na cruz: "Jesus Nazareno REI dos Judeus".

Ele não está rodeado de súditos fiéis, que o louvam, mas dos chefes dos judeus que o insultam, e dos soldados que o escarnecem.
Nada o identifica com poder, com autoridade, com realeza terrena.

- Contudo, a inscrição, irónica aos olhos dos homens, descreve com precisão a situação de Jesus, na perspectiva de Deus: Ele é "rei", que preside, da cruz, a um "Reino" de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida.

- O quadro é completado por uma cena bem significativa...
Ao lado de Jesus estão dois malfeitores, crucificados com ele.
Enquanto um o insulta, representando os que recusam a proposta do "Reino", o outro, no suplício da cruz, reconhece a realeza de Jesus e pede um lugar nele. Jesus lhe garante: "Hoje mesmo estarás comigo no paraíso".

* A cruz é o Trono, em que se manifesta plenamente a realeza de Jesus, que é perdão e vida plena para todos.
A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita Amor e Entrega;

Na 2ª leitura Paulo apresenta um Hino litúrgico da Igreja primitiva, que celebra a Soberania absoluta de Cristo na Criação e na Redenção.
Cristo é o CENTRO da vida e da história. (Cl 1,12-20)

* Esta centralidade de Cristo está presente na nossa vida e na reflexão, na catequese e na vida da Comunidade cristã, ou há outros deuses (ou "santos") que ocupam o seu lugar?

+ A liturgia afirma:
"Seu Reino, Eterno e Universal, é o Reino da Verdade e da Vida, Reino
da Santidade e da Graça. Reino da Justiça, do Amor e da Paz".
(Prefácio)

+ Lendo o Evangelho, vemos que:
- A Missão de Cristo nessa terra foi precisamente inaugurar o Reino de Deus...
- A Missão da Igreja consiste em continuar na História o anúncio do Reino de Deus e convocar os homens para construí-lo na terra.
- Jesus convida-nos a fazer parte desse Reino e a trabalhar para que esse Reino chegue ao coração de todos.
É justamente essa a missão do LEIGO: Ser "Protagonista da Evangelização".
É também o que Ele nos convida a rezar no Pai Nosso: "Venha a nós o vosso Reino!"

+ Celebrar a festa de Cristo Rei:
- Não é celebrar um Deus forte, dominador, que se impõe aos homens do alto de sua onipotência e que os assusta com gestos espetaculares;
- É celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor.
A CRUZ é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do amor e do dom da vida.

+ Por isso, a festa de Cristo Rei convida-nos a repensar a nossa existência e os nossos valores.

- Diante deste "rei" despojado de tudo e pregado numa cruz, não nos parecem completamente ridículas as nossas pretensões de honras, de glórias, de títulos, de aplausos, de reconhecimento?

- Diante deste "rei" que dá a vida por amor, não nos parecem completamente sem sentido
as nossas manias de grandeza, as lutas para conseguirmos mais poder, as invejas mesquinhas, as rivalidades que nos magoam e separam dos irmãos?

- Diante deste "rei" que se dá sem guardar nada para si, não nos sentimos convidados a fazer da vida um dom?

Certamente nos sentimos felizes em sermos cidadãos desse Reino.
Por isso, alegremo-nos dessa dignidade e façamos com que ele tenha um lugar sempre maior dentro de nosso coração...

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa, aqui

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