segunda-feira, 20 de maio de 2013

Bispo de Beja desafia responsáveis políticos a partilharem dos mesmos sacrifícios exigidos às famílias

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«Boas propostas são aquelas que partem do testemunho», salienta D. António Vitalino
O bispo de Beja diz que chegou a hora dos governantes e políticos portugueses se mostrarem “realmente” comprometidos com a recuperação do país, partilhando dos mesmos sacrifícios que estão a ser exigidos às famílias.
“A mudança radical de modelo de vida não se impõe, mas propõe, e as boas propostas são aquelas que partem do testemunho”, sublinha D. António Vitalino, na sua nota semanal, enviada hoje à Agência ECCLESIA.
No seu texto, o prelado dirige-se diretamente àqueles “que tanto falam da necessidade de mudar de paradigma, procuram medidas de austeridade, impõem taxas de solidariedade”.
“Se estão realmente interessados no bem comum, pois foi para isso que foram eleitos, então que prescindam voluntariamente de parte dos seus vencimentos e mordomias”, sustenta o bispo alentejano.
Para o responsável católico, esta “seria uma prova de coerência” e ao mesmo tempo uma forma dos políticos recuperarem um pouco da “confiança” das pessoas, mostrando “o seu amor ao país e aos mais pobres”.
D. António Vitalino realça que a crise, mais do que “económica e financeira”, é sobretudo “ética e espiritual” - qualquer medida que não for ao encontro daquelas duas dimensões estará apenas a contribuir para “adiar a solução”.
As últimas medidas de austeridade, anunciadas pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho no início deste mês, preveem a aplicação de uma taxa sobre reformas e pensões, a redução de 30 mil funcionários públicos e o aumento da idade da reforma para os 66 anos de idade, entre outras medidas.
O bispo de Beja considera que os cortes, para serem compreendidos e aceites pelas pessoas, também deveriam atingir “os vencimentos exorbitantes de gestores de empresas públicas e de bancos e as mordomias de ex-políticos”.
Num país com quase um milhão de desempregados, o prelado propõe maior atenção a todos quantos “têm dificuldade em viver dignamente” e mais diálogo e entreajuda no meio das comunidades, na busca de “soluções no mercado de trabalho ou, pelo menos, no voluntariado social”.
“A pior crise e tristeza que nos pode afetar é sentirmo-nos inúteis ou fecharmo-nos sobre nós mesmos”, aponta D. António Vitalino, que sublinha a importância da implementação de uma cultura de “solidariedade” e a partilha de “horizontes de fé e de esperança, para que a depressão não tome conta” da sociedade.
“Cada pessoa tem a sua dignidade e os seus dons, mas estes são concedidos para o bem comum, para riqueza da comunidade a que se pertence. De pouco valem, se não forem exercidos nesse sentido”, conclui.
Fonte: aqui

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