quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A LIBERDADE RELIGIOSA É FUNDAMENTAL, A LIBERDADE NAS RELIGIÕES É URGENTE

A liberdade é, sem dúvida, um caminho para a paz. Aliás, a ausência de liberdade acarreta, quase sempre, a asfixia da paz e, consequentemente, o desencadear das guerras.

No Egipto, os judeus prosperavam. Tinham tudo. Excepto liberdade. Não aguentaram. Rebelaram-se e empreenderam os caminhos do êxodo, guiados por um Deus (Ele mesmo) libertador.

A liberdade pertence, pois, à natureza constitutiva do Homem. «Só presto para ser livre», afirmou Miguel Torga.

A liberdade religiosa inscreve-se aqui, no horizonte da liberdade humana.

A liberdade de crer (ou não crer) tem de ser integralmente respeitada.

Sabemos, porém, que este é um direito que está longe de ser adquirido.

Nos últimos tempos, têm-se multiplicado atentados e ceifado vidas.

Há quem não aceite o diferente. Há quem não suporte a crença diferente. A paz fica ameaçada.

Mas há outro ângulo do problema que importa contemplar.

A liberdade religiosa, para ser um direito, tem de constituir um dever.

É fundamental proclamá-la, mas é urgente, acima de tudo, cultivá-la.

A liberdade religiosa inclui a liberdade em cada religião.

A liberdade de cada crente há-de ser incrementada nas religiões.

É preciso ter presente que não são apenas os sistemas políticos que se demitem de promover a liberdade religiosa. As próprias religiões, que invocam a liberdade para si, nem sempre a estimam com a intensidade devida.

A conjugação entre liberdade e paz não resplandece com a transparência esperada no universo das religiões.

As religiões não mostram ter uma relação muito livre com a paz nem uma relação muito pacificada com a liberdade.

De facto, a paz é muito condicionada e, por vezes, assilada até à submissão pura e simples. No fundo, só quem aceitar não ser totalmente livre parece ser deixado em paz. Mas será paz esta paz?

Por aqui se vê que a relação das religiões com a liberdade não é muito pacífica. Não raramente, até é bastante atribulada. A diferença é, quase sempre, estigmatizada. O outro nem sempre é bem-vindo. A crítica dificilmente é tolerada. Como pode haver uma relação pacífica com a liberdade se a diferença é rejeitada?

Afinal, a consciência de cada um é uma instância de revelação do próprio Deus. Como é possível atentar, então, contra a liberdade?

Há, nas religiões, quem seja ameaçado, marginalizado. Há quem sofra processos. Há quem seja condenado a não publicar e a não falar.

A coerência impõe, como preceito elementar de decência, que pratiquemos o que, justamente, reivindicamos.

A liberdade religiosa é um bem inestimável. E tem de despontar como uma prioridade para todos. A começar pelas próprias religiões.

Nem sempre as religiões convivem facilmente com a liberdade.

Se Deus nos criou livres, como é que podemos, em nome de Deus, ferir a liberdade?

Fonte: aqui

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