segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Jovens «andam à deriva» por causa do «vazio de ideais» dos cristãos adultos, diz bispo de Beja

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O bispo de Beja, D. António Vitalino, considera que a ausência de aspirações dos cristãos adultos, que se reflecte especialmente no “dinamismo missionário perdido”, é a causa da desorientação da juventude.

Os jovens sentem o “vazio de ideais” das pessoas mais velhas e “andam à deriva”, pelo que “precisam de ver adultos e cristãos convictos, com uma identidade bem definida, coerentes com ela e felizes na sua pertença à Igreja, afirmou o prelado aos microfones da Rádio Pax.

Para D. António Vitalino, é o “espírito missionário que empolga a juventude e dá vida à Igreja”: “onde ele está presente, há alegria, esperança, amor, solidariedade, proximidade, boa vizinhança”, mas “onde ele falta, o isolamento, o egoísmo, a solidão, a tristeza e o desânimo apoderam-se das populações”.

Referindo-se ao fenómeno da emigração, área integrada na Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, a que preside, o bispo de Beja lamentou que “nem sempre” sejam “motivações missionárias e altruístas” a estar na origem da mudança para outro país em busca de novas oportunidades.

“Se a crise actual fosse apenas económica e financeira, mas houvesse ideais nobres, de amor ao próximo e de luta pelo bem comum, depressa estaria ultrapassada”, assinalou.

Ao recordar a proximidade do Natal, o prelado salientou que “o acolhimento da vida nascente, no meio da pobreza e da crise”, abre “o coração à esperança, à partilha” e dá “alegria”, enquanto que “o isolamento e o medo” paralisam “o espírito” e eliminam “as capacidades criativas, fonte de alegria e de superação das crises”.

A reflexão semanal do bispo de Beja foi inspirada na homenagem ao padre holandês Pedro Martinho Schellekens (1921-1988), realizada este Domingo pela Junta de Freguesia de Azinheira de Barros e a Câmara Municipal de Grândola.

O sacerdote escolheu a diocese para realizar a sua vocação missionária, tendo trabalhado como capelão das minas do Lousal e assistente regional dos Escuteiros, missões em que, segundo D. António Vitalino, “conquistou o coração da população e passou para a sua mente uma imagem de Igreja presente nas alegrias e tristezas do povo”.
In ecclesia

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