domingo, 14 de março de 2010

O senhor António conversa com a Ana sobre a Confissão

– Bom dia, Ana!
– Bom dia, Senhor António! Venha com Deus. Olhe que nunca me sabe tão bem dizer bom dia como agora que está a chegar a primavera!
– É verdade, Ana! Tu nem calculas a alegria que me vai na alma quando, por estes dias, me ponho a mirar a cerejeira que está no cimo do quintal. Coisa de espanto! E dou por mim a louvar a Deus pelas enor­mes maravilhas que nos deu na natureza criada. Mas também há outras vezes em que me ponho a pedir-lhe perdão, arrependido de todas aquelas circunstâncias em que desperdicei a contemplação devida a esta infinidade de cores e de perfumes que nos são dados gratuitamente em cada Primavera.
– Isso não é propriamente pe­cado, senhor António!
– Depende da sensibilidade de cada um, Ana! Eu cá, quando chega a Quaresma e vou cumprir o preceito de me confessar ao menos uma vez cada ano, costumo pôr no rol as faltas de agradecimento e os pecados por omissão, que é um campo muito esquecido, mas no qual quase todos temos variadas culpas.
– Faltas de omissão!?
– Sim, Ana! São os pecados do nosso tempo, como dizia Paulo VI. O bem que podíamos fazer, mas que deixamos de fazer por preguiça, medo de "dar o corpo ao manifesto", egoísmo, desinteresse, comodismo...
– Ah! Percebi! Mas quer dizer então que o senhor António confessa-se uma vez por ano?
– Eu não disse uma coisa dessas, Ana! Faço a minha confissão qua­­­resmal, para cumprir o segundo mandamento da Santa Igreja, mas não deixo de o fazer em outras ocasiões. Por exemplo, quando chega o dia do meu aniversário gosto de me reconciliar. Quando vou de férias, procuro também ir preparado. E, graças a Deus, não me tem faltado a quem recorrer, em tais ocasiões. Habitualmente peço ao meu afilhado Jacinto que me leve a Lamego. Costumo ir à igreja de São Francisco, onde encontro sempre um dos padres franciscanos a atender os penitentes. Basta tocar à campainha. E também me disseram que, na Sé, costuma estar um sacerdote a atender. O mesmo acontece no Santuário dos Remédios…
E NÃO te esqueças que no próximo sábado, dia 27 de Março, é a nossa COMUNHÃO PASCAL. É o Banquete do perdão de Deus ao dispor da nossa comunidade paroquial.
– Lugares onde um cristão possa pôr as contas da sua vida em dia não faltam, senhor António!
– É verdade! E o nosso Abade está sempre disposto a atender os que dele se abeirem. Por isso, não é ainda por falta de quem oiça os penitentes que os cristãos se não preparam para a Páscoa da Ressurreição.
– O meu cunhado Acácio e a Erme­linda, de vez em quando, metem-se na carripana, e aí vão eles até Fátima.
– É outra hipótese, Ana! Como vês é uma desculpa sem grande sentido a daqueles que passam anos e anos sem receberem o sacramento da confissão por alegados motivos de falta de oportunidade. O que há é muita gente que se vai descuidando, que vai adiando, e acaba por já nem saber às quantas anda.
– E este ponto é um dos que contam para alguém se poder considerar cristão praticante! Não é, senhor António?
– Claro, Ana! Muito boa gente pensa que, para se ser praticante, basta ir à missa aos domingos e festas de guarda. Mas esse é apenas o primeiro de cinco mandamentos, chamados da Santa Igreja, e que vêm desde tempos imemoriais, tendo sido codificados pelo grande Papa Inocêncio III no Concílio de Latrão de 1215.
– Por acaso eu ainda me recordo desses cinco princípios e procuro pô-los em prática na minha vida e na vida da minha família. Além da missa dominical e da confissão quaresmal, também comungamos sempre pela Páscoa (e todos os outros domingos). Além disso cumprimos os dias de jejum e abstinência determinados pela Igreja, e também contribuímos para as despesas do culto e sustentação dos ministros da Igreja.
– Eu sei, Ana! Tu és uma mulher cumpridora dos teus deveres de cidadã e de cristã. Se bem que esses cinco mandamentos são apenas um mínimo. Porque os cristãos não devem esquecer igualmente a prática das boas obras. De facto, quem vai à missa ao domingo e não pratica a justiça e a caridade para com o próximo... achas que se pode dizer que seja praticante?
– Pois é, senhor António! E eu penso que hoje, além das circunstâncias serem difíceis, há também muita falta de cate­quese. Vivemos num tempo em que já não basta aquela enfarinhadela de meia dúzia de orações e pouco mais. É preciso que nós, os leigos, nos reunamos para fazer estudo em conjunto, lendo a palavra de Deus ou seguindo mesmo o Catecismo da Igreja Católica. Isto mesmo sem a presença do senhor Padre. Porque nós também sabemos ler. E eu acho que é muito preferível ficarmos com algumas dúvidas do que não nos interessarmos por nada.
– Essa é uma óptima ideia, Ana! Porque não formas com Adélia, a Joana, a Mercês e os respectivos maridos um grupo de catequese de adultos?
– Boa ideia, senhor António! E certamente podemos contar consigo…
(Texto elaborado com base em http://www.oamigodopovo.com/)

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