sexta-feira, 14 de setembro de 2012

XXIV Domingo do Tempo Comum - Ano B

Leituras: aqui
 
1. “A fé sem obras está morta(Tg.2,17)! Esta é, com certeza, uma verdade incontestada e incontestável. Todos diremos, sem quaisquer hesitações, que o amor é a expressão mais concreta e real da nossa fé, pois só a prática do amor, com as suas obras, dá um sinal claro de quanto, e até onde, Cristo nos conquistou o coração; de quanto Ele nos moveu até Ele e nos comoveu, voltando-nos mais para os outros! Então, como São Paulo, poderemos dizer: «o amor de Cristo nos impele» (I Cor. 5,4). Está, por isso, cheio de razão São Tiago, ao dizer-nos hoje: «mostra-me a fé sem as obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé» (Tg.2,18).Isto, no fundo, quer dizer: «só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor, é que me torna sensível também diante de Deus» (Bento XVI, DCE 18). Ou, dito ainda de modo mais simples e direto: “a fé sem a caridade não dá fruto” (PF 14). Nesta perspetiva, o Santo Padre desafia-nos a que “o Ano da Fé seja também uma ocasião propícia para intensificar o testemunho da caridade” (PF 14).
2. Mas que diríamos nós das obras sem a fé? Diz-nos ainda o Papa, sem papas na língua: “sem a fé, a própria caridade seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida”.Pois, se uma fé, sem obras, é uma ilusão sentimental, também as obras, sem a fé, se tornarão facilmente “obras de fachada”. Só a fé, que atua pelo amor (cf. Gal. 5.6)pode realizar as verdadeiras obras, aquelas que não servem à nossa vaidade, mas estão ao serviço dos outros e “glorificam o Pai, que está nos céus” (Mt.5,16). Sem fé, as obras elevam as mãos humanas mas escondem as mãos de Deus, “o autor de todo o bem”!
3. Neste sentido, a prática do autêntico amor, também precisa da fé, para ir mais longe, e para ir até ao fim! Na verdade, é “em virtude da fé, que podemos reconhecer, naqueles que pedem o nosso amor, o rosto do Senhor. Sustentados pela fé, é que podemos olhar com esperança o nosso serviço no mundo” (PF 14). Perguntemo-nos: Como seria possível, sem a fé, amar aquele que não me é nada, amar aquele que não me é simpático, amar aquele que não me merece, amar aquele que nem sequer conheço? Só pela fé, só«a partir desse encontro íntimo com Deus, é que posso amar, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem conheço sequer. Só pela fé, amo os que Jesus ama; só pela fé, aprendo a ver o outro, já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspetiva de Jesus Cristo» (DCE 18).
4. Queridos irmãos e irmãs: Não faltam, hoje, vozes altifalantes que nos seduzem: «não importa a fé; o que importa é o amor ao próximo». E, com este pretexto enganador, a única religião válida seria uma espécie de «filantropia social», isto é, um amor voluntarioso à causa da pessoa humana. Para outros, o cristianismo e a Igreja, só interessariam mesmo, enquanto instituições promotoras do desenvolvimento humano, moral, social ou cultural. Chega-se mesmo, ao cúmulo, entre nós, os cristãos, de “estarmos mais preocupados com as consequências sociais da fé, do que com a própria fé” (PF 2)!
5. Não será tudo isto uma ilusão perigosa, que põe o centro da vida, em nós mesmos, e acaba por dispensar a fé em Deus, como verdadeiro motor e animador da vida e do amor? A história mostra-nos que sempre que se quis construir o mundo, pelas próprias mãos, pondo Deus do lado de fora, o mundo se tornou pior e mais perigoso. Sem fé e sem Deus, o mundo torna-se um lugar sem esperança e sem amor! Nenhuma ilusão falseie o caminho da nossa fé! Para não fazermos da fé, uma carta de boas intenções! E para não fazermos das obras a torre do nosso orgulho! Fora da fé, as obras perdem a dimensão que merecem: a de serem obras de Deus. Por isso, é que a grande obra de Deus é que acrediteis (Jo.6,29). De modo, que a vossa fé atue pelo amor (cf. Gal.5,6).
Fonte: aqui


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