sexta-feira, 31 de agosto de 2012

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano B

Leituras: aqui
 
“Este Povo honra-me com os lábios,
mas o seu coração está longe de mim”!
(Mc.7,6; Is.29,13)

1. Fomos a banhos, nestes meses de Verão! E trazemos já, com certeza, as nossas mãos lavadas e o corpo despoluído, nas águas imensas do mar salgado. Mas a Palavra de Deus, neste regresso a casa, quer lavar-nos, por dentro, para nos deixar inteiramente limpos (cf. Jo15, 3)do contágio deste mundo, e preparar-nos assim, para o encontro com Deus! É isso mesmo a fé verdadeira! A fé é a abertura inteira do coração humano, a esse Deus, que vem até nós! E é mesmo o próprio Deus, que se aproxima de nós, que nos purifica e nos prepara, para viver na intimidade e na comunhão com Ele. Não somos nós que, a custo e à nossa custa, nos purificamos, para termos acesso a Deus e à sua morada santa. É Ele, que chegando até nós, nos purifica e santifica, por dentro, fazendo de nós a sua morada!
2. Tendo em vista o “Ano da Fé”, que já se avizinha e se apressa, é, por graça, que a Palavra de Deus, nos direciona precisamente neste sentido: ir ao coração da fé! E ir ao coração da fé significa e implica prender-se ao essencial, do nosso encontro pessoal, vital e eclesial, com Deus, sem nos perdermos no acessório, de práticas rotineiras antigas! Ir ao coração da fé significa e implica deixar de lado uma religião, feita de costumes e de meras práticas exteriores, para viver com Deus uma relação, que brota do mais profundo do coração, até a professar, celebrar, viver, rezar e testemunhar publicamente. Ir ao coração da fé significa e implica deixar de lado doutrinas que não passam de preceitos humanos, para acolher docilmente e pôr em prática a Palavra de Deus, em nós plantada, mas nem sempre implantada! Ir ao coração da fé significa e implica deixar de lado uma religião, reduzida a um catálogo de pecados, de obrigações e proibições, para viver a “religião pura e sem mancha” dos que limpam o coração, sujando as mãos, no esforço da caridade, que é o pleno cumprimento da Lei. Ir ao coração da fé significa e implica sobretudo descobrir e testemunhar a alegria e a beleza do nosso encontro com Cristo, na comunhão com a Igreja. Na verdade, “a fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele” (PF 10). Nesse encontro, renova-se e alegra-se a nossa própria vida!
3. E Jesus quer mesmo reconduzir-nos ao coração da fé. E, para tal, cita-nos o profeta Isaías (29,13): “Este Povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”. Por isso, em primeiro e último lugar ir ao coração da fé, significará e implicará sempre que a fé brote do coração. A fé não se resume a dizer ou a cantar, da boca para fora, um conjunto de palavras ou doutrinas que, na maior parte das vezes, não passam de preceitos humanos! Acreditar, desde a sua raiz, implica «dar o próprio coração», isto é, abrir o coração e aderir a Deus, que Se revela em Cristo. Como nos diz São Paulo: «Acredita-se com o coração. E, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Rm 10, 10). O coração é aqui o centro da pessoa, dos seus pensamentos e sentimentos, dos seus projetos e decisões fundamentais! Neste sentido, só o coração pode abrir-se a Deus e chegar à fé! Ou deixar-se endurecer e fechar-se a Ele! Por isso, “o coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça, que age e transforma a pessoa, até ao mais íntimo dela mesma” (PF 10).
4. Que o nosso coração, assim aberto pela graça de Deus, alcance sempre renovado o dom da fé: um dom a descobrir de novo, a cultivar continuamente e a testemunhar a todos, com renovado entusiasmo (cf. PF 7)!
Caminhemos juntos, na direção do essencial, até irmos bater à porta do coração da nossa fé! Ou à porta da fé, que bate, desde o nosso coração!
Fonte: aqui

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