quarta-feira, 20 de junho de 2012

O retrato da Igreja-mãe de Jerusalém

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1. Vale sempre a pena começar por receber, com particular atenção e carinho, o retrato da Igreja-mãe de Jerusalém, tal como nos chega pela paleta de tintas do Autor do Livro dos Actos dos Apóstolos:

«Eram perseverantes no ensino dos Apóstolos e na comunhão, na fracção do pão e na oração. (...)  Todos os que acreditavam estavam no mesmo lugar e tinham tudo em comum. (...) Todos os dias frequentavam juntos o Templo, e partiam o pão em cada casa, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e tendo graça junto de todo o povo. E o Senhor acrescentava em cada dia o número dos que estavam a ser salvos» (Act 2,42.44.46-47).

Trata-se de uma visita guiada à primeira Catedral da Igreja nascente - mas com ramificações em todas as casas, em todos os corações -, bem assente em quatro colunas: o ensino dos Apóstolos (1), a comunhão fraterna (2), a fracção do pão (3) e a oração (4). Com a boca cheia de louvor, os olhos de graça, as mãos de paz e de pão, as entranhas de misericórdia, a comunidade bela crescia, crescia, crescia. Não admira. Era uma comunidade jovem, leve e bela, tão jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam para entrar nela!

2. É uma comunidade bela, fecunda e feliz, que cuida de si, da sua imagem, mas que não está voltada sobre si, mas para fora, luz que alumia os que estão na casa  e os que entram na casa, dando testemunho da sua bela identidade, sem peias nem vergonha, no meio de um mundo hostil e agressivo. Testemunhar é gerar novos filhos e filhas, fazer nascer com o nosso testemunho e a dádiva da nossa vida novas vidas cheias de Cristo, novas teias de esperança e de sentido.

3. É assim que o Apóstolo Paulo se dedica a anunciar o Evangelho, de forma personalizada, calorosa e a tempo inteiro, mãe e pai dos seus filhos  e dá à luz  e vela sobre eles até à sua configuração com Cristo, até à medida da estatura da plenitude de Cristo.
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A paróquia é «a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas»
 
  4. O Papa Beato João Paulo II deixou escrito, numa linguagem afectuosa, comovente e profética, que a paróquia é «a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas» (Exortação Apostólica pós-sinodal Christfide1es Laici [30 de Dezembro de 1988], n.° 26). E já tinha dito alguns anos antes, no mesmo sentido, que a vocação da paróquia «é a de ser a casa de família, fraterna e acolhedora» (Exortação Apostólica Catechesi tradendae [16 de Outubro de 1979], n.° 67).

5. Suponho que fica claro que a imagem que transvaza da comunidade jovem, leve e bela do Livro dos Actos dos Apóstolos, bem como a imagem da paróquia que ressalta dos textos citados do Papa João Paulo II, se confundem e ambas são remissíveis para o Pai de quem somos filhos adoptivos  (Rm 8.15 GI 4,5). para a Luz verdadeira de que somos apenas reflexo, para o Bom Pastor de quem devemos ser transparência pura.
D. António Couto (adaptado)

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