quinta-feira, 28 de junho de 2012

1 de Julho: XIII DOMINGO DO Tempo Comum - Ano B

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Leituras: aqui

1. Às portas do Ano da fé, a gente pergunta-se, perante os prodígios do evangelho deste domingo: qual é afinal a fé que nos salva? Na verdade, estas duas curas do evangelho, são-nos descritas, com grande pormenor, para a todos animar e reanimar a fé. Sigamos, pois, o caminho da fé, de Jairo, um homem de nome, e o daquela mulher anónima, cuja vida se consome há 12 anos na esterilidade.
1.1. Jairo, chefe de sinagoga, homem do aparelho religioso, era à partida, adversário confesso de Jesus... Mas a filha está a morrer e ele renuncia a toda a esperança humana, para confiar e apostar tudo em Jesus. Vence o medo, das críticas dos amigos da sua classe, avança movido pelo desejo da cura de sua filha. E procura Jesus. É ainda uma relação com Cristo, feita na base, talvez mais do interesse do que da entrega. Mas Jesus aceita fazer caminho com ele, apesar da multidão, entre apertos. E de repente, entra em cena uma mulher...
1.2. Hemorroíssa, impura a seus olhos e aos olhos dos outros, sai da sombra e, decidida, vence a inércia dos que nada lhe fazem e, entre apertos, e contra a lei que a proibia de se aproximar, ela toca, à falsa fé, a orla do manto de Jesus, na esperança de que Ele a pudesse curar. Para ela, Jesus é talvez ainda um mágico, um curandeiro. Mas Jesus contenta-se com a sua fé mestiça!
2. No meio destas duas figuras está Jesus. E no centro dos acontecimentos a fé. Jesus vai purificar a fé da mulher e a fé de Jairo. Vejamos, como:
2.1. Primeiro, Jesus procura um rosto e quer saber da mulher que o tocou! Chama e tira a mulher do anonimato, e dialoga com ela, num encontro pessoal. Jesus quer confirmar, na fé verdadeira, o que ela lhe tentou apanhar à falsa fé. Jesus quer fazê-la ver o imenso valor, as riquezas da graça, que tem dentro de si, e por isso lhe diz «A tua fé te salvou»! Essa fé, que se fez decisão, busca, risco, confiança em Jesus. Mais do que a cura, Jesus oferece-lhe a salvação pela fé, e a fé é bem mais do que simples admiração por Alguém de Quem se ouve falar. A fé torna-se encontro pessoal e vital com Jesus, resposta livre e pessoal ao dom do Seu primeiro amor por nós!
2.2. Depois, alguém diz a Jairo que a sua filha morreu. Neste momento de crise, que punha em perigo a fé de Jairo, é Jesus que vem em seu auxílio: «Não temas. Basta que tenhas fé! Não voltes atrás. Não te deixes levar, por quem te censura. Arrisca, sem medo. Quem crê nunca está só! Quem crê em Mim, não morrerá jamais”. E, contra toda a esperança, Jairo acreditou. E Jesus não só reanima a sua filha, como Se revela a Jairo, como o Único «Salvador do Mundo».
3. São duas belas histórias de fé, fora do programado, que nos mostram que a fé é o centro de tudo: "a tua fé te salvou", diz o Senhor muitas vezes no evangelho. Não é o contacto físico, não é o gesto exterior que decide, mas o facto de que aqueles doentes acreditaram.
Na verdade, “a fé não é mais uma informação como as outras. Sobre muitas informações, pouco nos importa se são verdadeiras ou falsas, pois não mudam a nossa vida. Mas se Deus não existe, a vida é vazia, o futuro é vazio. Mas, se Deus existe, tudo se transforma, a vida é luz, o nosso futuro é luz e temos a orientação para a nossa vida. Por isso, acreditar constitui a orientação fundamental da nossa vida” (Bento XVI, Homilia, 15.08.2006).
4. Advertia-nos Bento XVI: “Em todas as labutas do nosso tempo, a fé deve ter a prioridade. Há duas gerações, talvez ela ainda pudesse ser pressuposta como uma coisa natural: crescia-se na fé; ela, de certa forma, estava simplesmente presente como uma parte da vida e não tinha que ser procurada de modo particular. Precisava de ser plasmada e aprofundada, mas era vista como uma coisa óbvia. Hoje parece ser natural o contrário, isto é, que, no fundo, não é possível crer, que de facto Deus está ausente” (Discurso, 7.11.2006). E, na sua mais recente Carta Apostólica, “Porta da fé”, diz o Papa: “Sucede não poucas vezes que os cristãos (…) considerem a fé, como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado (….) devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas” (PF 2).
5.Vai nesse sentido, a feliz proclamação do Ano da Fé, em que se pretende “redescobrir o caminho da fé, para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo” (PF 2).
Concluído este ano pastoral, em torno da temática da Família, procuremos agora e sempre mais a fé!
Cada iniciativa, que pensarmos, para o Ano da Fé, nos leve a uma alegre redescoberta e a um testemunho renovado da fé. Que o Ano da Fé seja a ocasião privilegiada para partilhar aquilo que o cristão tem de mais caro: Cristo Jesus, Redentor do homem, Rei do Universo, "autor e consumador da fé" (cf. CDF, Indicações para o Ano da Fé, conclusão).
Fonte: aqui

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