sexta-feira, 26 de maio de 2017

28 Maio 2017 – Solenidade da Ascensão – Ano A

Leituras: aqui

1. «Eu estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos» (Mt 28,20). Jesus é o Deus sempre presente, que caminha ao nosso lado e vai à nossa frente; não é um herói isolado, na sua coroa de glória! É o «Emanuel», o Deus connosco, que diz a cada um, de modo pessoal e único: “Não tenhas medo, que Eu estou contigo” (Is 43,5). Não é, por isso, um Deus ausente, distante, raptado ou arrebatado para um Céu longínquo; ao contrário, é um Deus apaixonado, incapaz de Se separar de nós. Na verdade, “quando Jesus subiu ao Céu, levou para junto do Pai celeste a humanidade – esta nossa humanidade – que Ele tinha assumido no seio da Virgem Mãe, e nunca mais a largará” (Papa Francisco, Homilia, 13.05.2017). Por isso, somos hoje convidados a exultar em santa alegria, porque “a ascensão de Cristo é a festa da nossa esperança: chegando à nossa frente, à glória do céu, como nossa Cabeça, para aí nos atrai como membros do Seu Corpo” (cf. Oração coleta). “Ele é como um chefe de grupo, quando se escala uma montanha, que chega ao cimo e nos puxa para junto de Si, conduzindo-nos para Deus (Papa Francisco, Audiência, 17.4.2013). 

2. Jesus permanece então unido, colado a nós, e nós agarrados e atraídos por Ele ao Pai. Junto do Pai, Jesus intercede por nós! Por isso, ainda que dentro de nós ou à nossa volta, haja tantas más notícias, de sofrimento, de tristeza, de escuridão, que não podemos ignorar, mas que, por vezes, parecem arruinar a nossa esperança, a verdade é que continuamos a crer e a esperar, porque temos esta boa notícia estampada no rosto: o Senhor está connosco, não nos abandonou à desgraça, não nos deixou órfãos! Graças à ação do Seu Espírito Santo, ainda que nos pareça o contrário, perante o cenário de tanta destruição, a verdade é que “o amor sempre conseguirá suscitar corações capazes de se comover, rostos capazes de não se abater, mãos prontas a construir. Nasce, assim, uma esperança acessível a todos, precisamente no lugar onde a vida conhece a amargura do fracasso” [Papa Francisco, Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais (DMCS), 2017].

3. Ao longo do nosso caminho, esta promessa de Jesus «Eu estou convosco» (Mt 28,20), ou dito ainda de modo mais pessoal, «Não tenhas medo, que Eu estou contigo” (Is 43, 5), leva-nos a estar de pé, erguidos, com esperança, convictos de que o bom Deus está sempre a agir a nosso favor e a transformar o mal num bem maior, a realizar aquilo que nos parece impossível. “Na verdade, o fio, com que se tece toda a história sagrada (a da Bíblia e a nossa), é a esperança, e o seu tecedor só pode ser o Espírito Santo Consolador” (Papa Francisco, MDMCS 2017). Que Ele nos ensine a comunicar a esperança e a confiança, no nosso tempo!

4. Foram-nos propostos, há dias, dois grandes comunicadores da esperança, uma esperança vivida, com os pés bem assentes na terra, mas com o coração voltado para o céu. Esta grande esperança foi-nos testemunhada e comunicada pelos pastorinhos de Fátima. “Eles compreenderam e viveram a beleza do Céu, que o Anjo e Nossa Senhora lhes fizeram saborear, como plenitude do amor de Deus, que os fascinou”. E assim mesmo “creram, esperaram e amaram”, rezaram e sofreram, sem medo algum de morrer, na esperança feliz do encontro luminoso, com Nosso Senhor e Nossa Senhora, lá no Céu. 

5. Como eles, não percamos do horizonte da nossa esperança o Céu, que não acaba aqui, mas aqui começa, onde Deus está, mesmo se escondido, como semente, em esperança. Levemos aos outros a Boa Nova, que é este Jesus, Deus connosco, até ao fim dos tempos, e tornemo-nos, como os Pastorinhos, “faróis que iluminam a rota e abrem novas sendas de confiança e esperança” (Papa Francisco, MDMCS 2017) no nosso tempo, conscientes de que Deus nos criou como uma esperança para os outros.

Caminhemos, então, Povo de Deus, como peregrinos da esperança, a caminho do Céu, com Maria, pelas fontes da alegria!
Amaro Gonçalo

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