quinta-feira, 7 de abril de 2016

Bispos reforçam «total rejeição» de legalização da eutanásia

Assembleia Plenária da Conferência Episcopal pede aposta nos cuidados paliativos


A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) reforçou hoje em Fátima a sua posição de “total rejeição” de uma eventual legalização da eutanásia no país.
“A Assembleia reafirmou a total rejeição da eutanásia, que elimina a vida de uma pessoa, matando-a. A Igreja nunca deixará de defender a vida como bem absoluto para o homem, rejeitando todas as formas de cultura de morte”, refere o comunicado final da reunião, que decorreu desde segunda-feira.
O organismo máximo do episcopado católico em Portugal debateu o tema “a partir da recente nota pastoral do Conselho Permanente” da CEP, com o contributo de “alguns peritos na área do direito e da medicina”.
Para o episcopado português, é necessário promover uma “cada vez mais uma efetiva proximidade junto dos que mais sofrem” e intensificar “a rede de cuidados paliativos como direito para todos, os quais servem para ajudar a viver e fomentar a esperança”.
D. Manuel Clemente, presidente da CEP, lamentou a resposta "muito minoritária" em termos de cuidados paliativos, face às necessidades do país, sublinhando aos jornalistas que esta deve ser a "verdadeira frente de combate".
"Isso implica investimento de recursos e de pessoas, mas há muita gente disponível para ir neste sentido", observou.
Para o cardeal-patriarca, importa recordar que o direito à vida é "inviolável", também do ponto de vista constitucional, lamentando que se elimine do "horizonte" a dimensão de sofrimento.
"Nós podemos usar muitos eufemismos, mas [a eutanásia] trata-se sempre de matar, de eliminar uma vida, mesmo que seja a pedido", referiu.
"Cuidar, não descartar, cuidar", acrescentou.
D. Manuel Clemente recusou que, em matéria de vida e morte, existam "zonas de sombra" ou de esquecimento, que possam levar à "eliminação" e a situações "muito complexas".
"A vida é um bloco: ou se leva todo ou não se leva", assinalou.
O presidente da CEP assumiu que, mesmo face a uma eventual legalização, a Igreja e a sociedade devem "retomar a questão e resolvê-la melhor, a seguir".
Nenhuma decisão, por via parlamentar ou referendo, poderia "fechar a questão", prosseguiu.
Neste contexto, o cardeal sustentou que o Estado Português deve canalizar recursos "no sentido mais alargado e capaz possível" para as áreas dos cuidados paliativos.
A 14 de março, o Conselho Permanente da CEP publicou a nota pastoral intitulada ‘Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador’.
Na mesma altura, divulgou também um conjunto de 26 questões sobre temas ligados à eutanásia e ao fim da vida, acompanhando a Nota Pastoral, em que se questiona o “absurdo” de um “direito” a morrer.
Fonte: aqui

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