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Mar Mediterrâneo, quando deixarás tu de ser um cemitério ávido de vidas inocentes? Quando te cansarás de tragar os corpos dos pobres? Pareces que lhe ganhaste o vício. Praticamente não há semana nenhuma em que não surja a notícia de mais uns imigrantes ilegais que engoliste.
Não basta a essa gente a pobreza, a exploração, a guerra? Ainda te atrevas a tirar-lhe a vida? Mas para ti os pobres são carne para canhão?
Já foste o nosso mar. Ao longo dos tempos, aproximaste povos, divulgaste saberes, entrelaçaste culturas, partilhaste riqueza, fomentaste o progresso...
Cansaste-te? Envelheceste no mal? Tornaste-te antropófago? Queres descarregar nos pobres a tua fúria provocada pela poluição que te esgana o garganete?
Não, caro Mediterrâneo, não te estou a conhecer.
Sabes? Tenho saudades de quando eras o Mare Nostrum (o nosso mar). Magoa-me que estejas a descambar para cemitério de pobres e aflitos.
Sonho com o dia em que os poderosos deste mundo te metam nos eixos, reconduzindo-te ao bom caminho.
Sonho com o dia em que a comunicação social dê o mesmo impacto a um emigrante que tu engulas como dá à perda da vida de uma personagem importante da arte, do desporto ou da política.
Sonho com o dia em que os grandes deste mundo se recusem a vender armas que matam nos países pobres.
Sonho com o dia em que os fanáticos que matam invocando o nome santíssimo de Deus corem de vergonha só com a possibilidade de tal ideia lhes vir à mente.
Sonho com o dia em que o mundo seja uma mesa universal onde todos têm lugar marcado. Já enoja este refeitório mundial em que alguns ocupam lautamente as mesas, deixando as migalhas para a maioria.
Até lá, caro Mediterrâneo, peço-te que serenes e poupes a vida dos pobres que são o tesouro de Deus.
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