quinta-feira, 30 de julho de 2026

2 de Agosto, 2026 - 18º Domingo do Tempo Comum - Ano A

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O Pão Partilhado
A mesa ocupa um lugar muito especial na vida das famílias e das comunidades. É à volta dela que se partilham alegrias e preocupações, se fortalecem os laços de amizade e se celebram os momentos mais importantes da vida.

Também Deus nos convida a sentarmo-nos à sua mesa. Na Eucaristia, oferece-nos gratuitamente o alimento que sacia a fome mais profunda do coração humano: a fome de amor, de esperança, de paz e de vida eterna.

Na primeira leitura (Is 55,1-3), o profeta Isaías apresenta-nos um Deus que convida todos para um banquete abundante:

«Vinde todos os que tendes sede… Vinde, comprai e comei, sem dinheiro e sem pagar.»

É um convite dirigido a um povo cansado pelo sofrimento do exílio, mas também a todos aqueles que procuram um novo começo. Deus promete uma vida renovada, onde ninguém é excluído e todos encontram lugar à sua mesa.

Na segunda leitura (Rm 8,35.37-39), São Paulo recorda-nos uma certeza que sustenta toda a vida cristã: nada nos poderá separar do amor de Cristo. É este amor fiel e incondicional que nos fortalece nas dificuldades e alimenta a nossa esperança.

O Evangelho (Mt 14,13-21) apresenta-nos o conhecido milagre da multiplicação dos pães. Jesus vê uma multidão cansada e faminta. Não permanece indiferente. Antes de alimentar os corpos, acolhe as pessoas, cura os doentes e anuncia-lhes a Palavra de Deus.

Quando os discípulos sugerem que a multidão seja despedida para procurar alimento, Jesus responde com um desafio que continua a ecoar na vida da Igreja:

«Dai-lhes vós mesmos de comer.»

Estas palavras não são dirigidas apenas aos Apóstolos, mas a todos os discípulos de Cristo, também hoje.

Jesus mostra-nos o caminho.

Em primeiro lugar, ensina-nos a abrir os olhos diante das necessidades dos irmãos. Há muitas formas de fome: fome de pão, mas também de afecto, de escuta, de justiça, de esperança e de sentido para a vida.

Depois, convida-nos à partilha. Os cinco pães e os dois peixes pareciam insuficientes perante uma multidão tão grande. No entanto, quando são colocados nas mãos de Jesus, tornam-se alimento para todos. O verdadeiro milagre nasce da generosidade e da confiança.

Por fim, Jesus dá graças ao Pai antes de repartir o pão. Reconhece que tudo é dom de Deus. Aquilo que recebemos não nos pertence exclusivamente; somos chamados a administrar os bens que Deus nos confia e a colocá-los ao serviço dos outros.

Este Evangelho recorda-nos que o problema da fome e da pobreza continua muito presente no nosso mundo. A resposta cristã não passa pela indiferença nem pelo comodismo, mas pela solidariedade, pela justiça e pela partilha.

Cada um pode contribuir com aquilo que possui. Nem sempre será muito, mas, quando é oferecido com amor, Deus multiplica-o e transforma-o em bênção para muitos.

O milagre da partilha não acontece apenas com os bens materiais. Um pouco do nosso tempo, uma visita a quem vive sozinho, uma palavra de conforto, um gesto de acolhimento ou um sorriso sincero podem alimentar corações marcados pela solidão e pelo sofrimento.

A multiplicação dos pães aponta ainda para a Eucaristia. Tal como Jesus tomou o pão, ergueu os olhos ao Céu, pronunciou a bênção, partiu-o e entregou-o aos discípulos, também hoje continua a oferecer-Se a nós no Pão da Vida.

Quem participa na Eucaristia é chamado a prolongar na vida aquilo que celebra no altar. Não podemos receber o Corpo de Cristo e permanecer indiferentes às necessidades dos irmãos.

Peçamos ao Senhor a graça de um coração atento, generoso e disponível para repartir o pão, o tempo, a amizade e a esperança. Assim, a nossa comunidade será um verdadeiro sinal do Reino de Deus, onde ninguém se sente excluído e todos encontram lugar à mesa do Senhor.

Texto de P.e António Dalla  Costa, adaptado.

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