Quem nunca ouviu um avô ou uma avó dizer isto? Não é um lamento. É uma constatação. A vida é uma grande escola. Há lições que não se aprendem nos livros nem na universidade; aprendem-se vivendo.
Talvez seja por isso que Deus, na primeira leitura, faz uma pergunta tão curiosa a Salomão: "Pede-Me o que quiseres." E Salomão, sendo ainda muito novo, pede aquilo que normalmente só os mais velhos desejam: um coração sábio.
Não pediu dinheiro. Não pediu poder. Não pediu uma vida longa. Pediu a capacidade de distinguir o bem do mal, o importante do secundário, o essencial do acessório.
É precisamente essa sabedoria que Jesus descreve no Evangelho.
Um homem passa por um campo. Quantas pessoas já teriam passado por aquele mesmo lugar? Centenas, talvez milhares. Mas só ele encontra o tesouro. O tesouro estava lá. O que fez a diferença foi o olhar.
Também a pérola estava no mercado. Muitos comerciantes a viram. Mas só um percebeu que aquela valia mais do que todas as outras.
A vida é assim.
Duas pessoas podem viver a mesma realidade e ver coisas completamente diferentes. Há quem veja apenas problemas; há quem descubra oportunidades. Há quem veja um idoso e pense: "Já não serve para nada." E há quem veja uma biblioteca inteira de histórias, de fé, de luta, de amor, de vida.
É por isso que hoje celebramos os avós e os idosos.
O Papa Leão XIV recorda-nos que eles nunca devem ser considerados um peso. Pelo contrário, são memória viva da fidelidade de Deus. Uma família que escuta os seus avós é uma família que sabe de onde vem. E quem sabe de onde vem, sabe melhor para onde vai.
Penso que todos guardamos na memória alguma frase de um avô ou de uma avó. Talvez nem lhes déssemos importância na altura. E, anos mais tarde, percebemos: "Afinal, ele tinha razão."
É curioso: a sabedoria quase nunca faz barulho. Não grita. Não aparece nas redes sociais. Vai-se transmitindo numa conversa, à mesa, num conselho dado com simplicidade, numa oração rezada em família, num exemplo de trabalho honesto, numa mão que nunca desistiu.
São Paulo diz hoje que "tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus." Quem escreveu isto não vivia num mundo perfeito. Conheceu prisões, perseguições, incompreensões. Mas aprendeu a olhar para a vida com os olhos de Deus. E esse olhar muda tudo.
Talvez seja esse o maior pedido que podemos fazer hoje.
Não apenas: "Senhor, dá-me saúde." Ou: "Senhor, resolve os meus problemas."
Mas: "Senhor, dá-me um coração sábio. Ensina-me a reconhecer o verdadeiro tesouro antes que seja tarde."
Porque o maior drama não é perder dinheiro. Nem perder oportunidades. O maior drama seria passar pela vida inteira... e nunca descobrir aquilo que realmente lhe dava sentido.
Que os nossos avós, com a sabedoria dos anos, e Cristo, com a sabedoria do Evangelho, nos ensinem a olhar para a vida com um coração novo. E então descobriremos que o verdadeiro tesouro nunca esteve escondido por Deus. Muitas vezes estava apenas escondido aos nossos olhos.
Amén.
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