terça-feira, 11 de agosto de 2026

16 de Agosto, 2026 - 20º Domingo do Tempo Comum - Ano A

 Leituras: aqui

«Senhor, socorre-me!»

Há momentos em que rezamos e parece que Deus não responde. Pedimos, insistimos, esperamos… e o silêncio permanece. É talvez uma das experiências mais difíceis da fé: continuar a confiar quando não vemos resposta.

É precisamente aí que encontramos hoje aquela mulher cananeia. Ela aproxima-se de Jesus com uma dor muito concreta: a sua filha sofre. Não faz um discurso, não apresenta méritos. Apenas grita a sua necessidade: «Senhor, socorre-me!»

E Jesus parece não responder.

É um silêncio que nos desconcerta. Mas aquela mulher não vai embora. Continua. Insiste. A sua fé não é uma fé feita de certezas tranquilas; é uma fé ferida, mas persistente. Mesmo quando tudo parece fechar-se diante dela, continua a acreditar que Jesus pode trazer vida à sua casa.

Talvez seja esta a pergunta que o Evangelho nos deixa: o que fazemos quando Deus parece silencioso?

Há quem desista. Há quem se afaste. Há quem deixe simplesmente de rezar. Mas há também quem, como esta mulher, continue a dizer: «Senhor, ajuda-me.» Mesmo sem compreender, mesmo sem sentir nada, mesmo cansado.

E no fim Jesus reconhece nela uma fé grande.

Talvez porque a verdadeira fé não seja nunca ter dúvidas ou nunca sentir abandono. A verdadeira fé é continuar a voltar-se para Deus mesmo quando não conseguimos perceber o que Ele está a fazer.

Há ainda outra coisa muito bonita neste Evangelho. Aquela mulher era estrangeira, não pertencia ao povo de Israel. E, no entanto, Jesus mostra que a fé não se mede pela origem, pela aparência, pelo grupo a que pertencemos. Deus vê o coração.

Também nós precisamos de aprender isto: não há pessoas que estejam demasiado longe para Deus. Não há vidas demasiado complicadas, histórias demasiado feridas ou pessoas demasiado diferentes para merecerem a nossa proximidade.

A mulher cananeia aproxima-se de Jesus por causa da filha. E talvez aqui esteja também um convite para nós: levar ao Senhor as pessoas que amamos, sobretudo aquelas por quem já não sabemos o que fazer. Continuar a rezar por elas. Continuar a acreditar que Deus pode tocar aquilo que nós já não conseguimos alcançar.

Que esta mulher nos ensine uma fé mais interior: uma fé que não precisa de muitas palavras, que sabe esperar, que sabe insistir e que, mesmo no silêncio, continua a dizer:

«Senhor, socorre-me.»

E que o Senhor nos dê também um coração capaz de acolher todos aqueles que, de alguma maneira, chegam até nós a pedir simplesmente: «Ajuda-me.»

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