Irmãos e irmãs,
Neste 3.º Domingo do Tempo Comum, a Igreja convida-nos a deter o olhar e o coração naquilo que está na origem da nossa fé: a Palavra de Deus. Uma Palavra que não é abstracta nem distante, mas luz que entra na história, que toca a vida concreta e abre caminhos novos.
A primeira leitura, do profeta Isaías, começa por descrever uma terra mergulhada na escuridão. Mas é precisamente aí que ressoa o anúncio:
“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz.”
A Palavra de Deus nasce muitas vezes neste contraste: não ignora a realidade, não disfarça as sombras, mas faz nascer luz onde parecia não haver esperança. Não é uma palavra de condenação, mas de promessa; não é um peso, mas uma abertura.
No Evangelho, São Mateus mostra-nos Jesus a iniciar a sua missão na Galileia, essa mesma terra evocada por Isaías. E a primeira Palavra que Jesus proclama é simples e decisiva:
“Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus.”
Esta conversão não é, antes de mais, um moralismo ou uma lista de obrigações. É um convite a mudar de olhar, a orientar a vida a partir de uma boa notícia: Deus está próximo, o Reino já começou. A Palavra de Deus não vem exigir o impossível; vem despertar o coração para algo maior.
Logo a seguir, Jesus chama os primeiros discípulos. Não lhes faz um discurso elaborado. Diz apenas:
“Vinde comigo.”
E a Palavra é tão forte que eles deixam as redes e seguem-no. Aqui percebemos algo essencial: a Palavra de Deus chama, cria relação, põe a vida em movimento. Quem a escuta de verdade descobre que a vida pode ser mais ampla, mais livre, mais fecunda.
Celebrar hoje o Domingo da Palavra de Deus é recordar que a fé nasce da escuta. Não seguimos uma ideia nem uma ideologia, mas uma Palavra viva que nos chama pelo nome. Uma Palavra que continua a ecoar na Igreja, na liturgia, na oração pessoal e na vida comunitária.
Esta Palavra foi também decisiva na vida de São Paulo, cuja conversão celebramos nestes dias. Paulo é alguém que conhecia bem as Escrituras, mas foi preciso um encontro vivo com Cristo para que a Palavra se tornasse vida nova. A sua conversão recorda-nos que a Palavra de Deus não se esgota no conhecimento, mas transforma quando é acolhida como encontro.
Na segunda leitura, São Paulo dirige um apelo forte à comunidade de Corinto:
“Que não haja divisões entre vós.”
Estas palavras soam de forma especial neste momento em que se encerra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A Palavra de Deus não nos separa; pelo contrário, chama-nos à comunhão, ajuda-nos a recentrar a fé em Cristo e não em preferências pessoais ou divisões humanas.
Quando a Palavra ocupa o centro, a Igreja reencontra a sua unidade. Não uma unidade uniforme, mas uma unidade enraizada em Cristo, a única Palavra que salva.
Irmãos e irmãs, o convite deste domingo é simples e luminoso:
deixarmo-nos encontrar pela Palavra de Deus. Escutá-la com confiança, acolhê-la com alegria, permitir que ela ilumine as nossas decisões e fortaleça a nossa comunhão.
A Palavra continua a dizer hoje: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz.”
Que essa luz nos alcance, nos una e nos ponha a caminho, como discípulos chamados, enviados e sustentados pela alegre proposta do Evangelho.
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