quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

4 de Janeiro, 2026 - Solenidade da Epifania do Senhor - Ano A

 

Leituras: aqui

Irmãos e irmãs,

Celebrar a Epifania é celebrar um Deus que não se esconde, mas se manifesta. Um Deus que não pertence a um grupo fechado, mas que se dá a conhecer a todos os povos. A luz que hoje brilha em Belém não é só para Israel: é para o mundo inteiro.

A primeira leitura do profeta Isaías é um grito de esperança: “Levanta-te, Jerusalém!” A cidade estava ferida, em reconstrução, ainda marcada pelo exílio. Mesmo assim, Deus diz: a luz já está presente. Isto é importante: Deus não espera que tudo esteja pronto para agir. Ele manifesta-se no meio do caminho, enquanto o povo ainda constrói, ainda aprende, ainda recomeça.

Aqui já tocamos o nosso tema: Igreja sempre em construção e dedicação. A Igreja não é um edifício acabado. É um povo em caminho, iluminado por Cristo, chamado a levantar-se todos os dias.

No Evangelho, os Magos representam aqueles que se deixam inquietar. Eles veem uma estrela e não ficam parados. Levantam-se, partem, arriscam. A fé verdadeira nunca é acomodada. Quem encontra sinais de Deus não se instala: põe-se a caminho.

Herodes, ao contrário, também ouve falar do Menino, mas reage com medo e fechamento. Eis uma pergunta direta para nós:
* Somos como os Magos, que procuram e se dedicam, ou como Herodes, que se defende e se fecha?

Os Magos chegam a Jesus e fazem três gestos simples e profundos: prostram-se, oferecem dons e mudam de caminho ao voltar. Aqui está um verdadeiro itinerário espiritual e pastoral:

  • Prostrar-se: reconhecer que Deus é Deus e nós não somos. Uma Igreja em construção começa na humildade.

  • Oferecer dons: ouro, incenso e mirra. Não deram sobras, deram o melhor. Uma Igreja viva é feita de pessoas que se dedicam de verdade, não apenas quando sobra tempo.

  • Voltar por outro caminho: quem encontra Cristo não continua igual. Uma Igreja em dedicação é uma Igreja que se deixa transformar.

São Paulo, na carta aos Efésios, recorda-nos o grande mistério da Epifania: todos são chamados à mesma herança. Não há cristãos de primeira e de segunda categoria. A Igreja constrói-se quando inclui, acolhe, escuta e caminha junto.

Por isso, esta festa interpela-nos com força:
* Que tipo de Igreja estamos a construir?
* Uma Igreja fechada em si mesma ou uma Igreja que irradia luz?
* Uma Igreja de espectadores ou uma Igreja de discípulos dedicados?

A Epifania lembra-nos que Cristo continua a manifestar-se hoje, através de uma comunidade que serve, que se doa, que não desiste. Cada gesto de dedicação, cada passo na construção do bem comum, cada esforço silencioso é uma estrela que aponta para Jesus.

Irmãos e irmãs, levantemo-nos. A luz já brilha. Não esperemos que a Igreja esteja perfeita para nos comprometermos. Ela constrói-se com a nossa fé, com a nossa dedicação e com a nossa coragem de seguir por caminhos novos.

Que, como os Magos, saibamos reconhecer a estrela, caminhar juntos e oferecer ao Senhor não apenas presentes, mas a nossa própria vida. Amém.

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