O Evangelho de hoje apresenta-nos dois discípulos a caminho de Emaús. Vão
desiludidos, convencidos de que tudo acabou. Jesus aproxima-Se e caminha com
eles — mas eles não O reconhecem.
E há uma razão importante: Jesus já ressuscitou. Não é simplesmente o mesmo
de antes. Está em corpo glorioso. Por isso, não é reconhecido de forma
imediata. É preciso um caminho interior para chegar à fé.
E esse caminho acontece em três momentos.
Primeiro: a escuta. Jesus ouve-os e depois explica-lhes as Escrituras.
Ajuda-os a reler o que aconteceu à luz de Deus. A cruz, que parecia um
fracasso, afinal fazia parte do caminho.
Segundo: o coração. Eles dizem: “Não nos ardia o coração?” A Palavra começa
a tocar por dentro. A fé não entra pela força — acende-se.
Terceiro: o pão partido. É nesse gesto que os olhos se abrem. Reconhecem
Jesus ao partir o pão. É uma referência clara à Eucaristia: é aqui que Cristo
ressuscitado se torna presente e se deixa reconhecer.
E há um resultado imediato: levantam-se e voltam. Já não fogem. Tornam-se
testemunhas.
Este é o percurso da fé: escutar, deixar-se tocar e reconhecer Jesus
presente — para depois mudar de vida.
E agora a pergunta: isto acontece connosco?
Escutamos a Palavra com atenção? Deixamos que nos toque? Reconhecemos verdadeiramente
Cristo na Eucaristia?
Se não há mudança, se tudo fica igual, então ainda não chegámos a Emaús.
Um apontamento breve, mas importante, nesta Semana das Vocações, com o tema:
“Eu estou contigo”.
É exatamente isto que o Evangelho mostra: Jesus caminha com aqueles dois,
mesmo quando eles estão perdidos. Não os abandona.
A vocação começa aqui: perceber que Deus está presente na minha vida, que
caminha comigo. E, a partir daí, ter a coragem de não fugir, de não desistir,
de responder.
Hoje, Cristo continua a aproximar-Se. Fala-nos na Palavra. Dá-Se no pão.
Cabe-nos a nós fazer o caminho: passar da distração ao reconhecimento, da
rotina ao compromisso, da fuga ao testemunho.
Porque quem reconhece Cristo vivo… não pode ficar na mesma vida.
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