sábado, 18 de abril de 2026

19 de Abril, 2026 - 03º Domingo da Páscoa - Ano A

Leituras: aqui

O Evangelho de hoje apresenta-nos dois discípulos a caminho de Emaús. Vão desiludidos, convencidos de que tudo acabou. Jesus aproxima-Se e caminha com eles — mas eles não O reconhecem.

E há uma razão importante: Jesus já ressuscitou. Não é simplesmente o mesmo de antes. Está em corpo glorioso. Por isso, não é reconhecido de forma imediata. É preciso um caminho interior para chegar à fé.

E esse caminho acontece em três momentos.

Primeiro: a escuta. Jesus ouve-os e depois explica-lhes as Escrituras. Ajuda-os a reler o que aconteceu à luz de Deus. A cruz, que parecia um fracasso, afinal fazia parte do caminho.

Segundo: o coração. Eles dizem: “Não nos ardia o coração?” A Palavra começa a tocar por dentro. A fé não entra pela força — acende-se.

Terceiro: o pão partido. É nesse gesto que os olhos se abrem. Reconhecem Jesus ao partir o pão. É uma referência clara à Eucaristia: é aqui que Cristo ressuscitado se torna presente e se deixa reconhecer.

E há um resultado imediato: levantam-se e voltam. Já não fogem. Tornam-se testemunhas.

Este é o percurso da fé: escutar, deixar-se tocar e reconhecer Jesus presente — para depois mudar de vida.

E agora a pergunta: isto acontece connosco?
Escutamos a Palavra com atenção? Deixamos que nos toque? Reconhecemos verdadeiramente Cristo na Eucaristia?

Se não há mudança, se tudo fica igual, então ainda não chegámos a Emaús.

Um apontamento breve, mas importante, nesta Semana das Vocações, com o tema: “Eu estou contigo”.

É exatamente isto que o Evangelho mostra: Jesus caminha com aqueles dois, mesmo quando eles estão perdidos. Não os abandona.

A vocação começa aqui: perceber que Deus está presente na minha vida, que caminha comigo. E, a partir daí, ter a coragem de não fugir, de não desistir, de responder.

Hoje, Cristo continua a aproximar-Se. Fala-nos na Palavra. Dá-Se no pão.

Cabe-nos a nós fazer o caminho: passar da distração ao reconhecimento, da rotina ao compromisso, da fuga ao testemunho.

Porque quem reconhece Cristo vivo… não pode ficar na mesma vida. 


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