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rosto da criança interrompe a rotina do nosso quotidiano e interpela-nos.
Evoca, a infinidade de crianças desaparecidas, e outro tanto de menores
desacompanhados.
O rosto da família recorda-nos tantas famílias que buscam legítimas condições de vida, proteção, concretização de sonhos, sonegados pelo egocentrismo, pela lentidão burocrática aliada à falta de decisão política, por medos e suspeitas intoleráveis, que agravam o drama de milhares de migrantes e refugiados, que nos espaços a que estão confinados interpelam as sociedades e os Estados.
Milhares
de pessoas viram as suas vidas transtornadas e, por razões alheias à sua
vontade, denunciam a falta de paz, a miséria, as desigualdades sociais e
territoriais, a corrupção, os diversos perigos acumulados durante o seu
percurso migratório. O fenómeno migratório recorda-nos que o planeta terra é a
nossa casa comum, património de toda a humanidade, e que os povos estão
interligados. E por esse motivo também ao nível dos Estados precisamos de nos
encontrar e construir uma política mais humana, que sirva a promoção da
dignidade das pessoas, famílias e povos. Sociedades, países e grupos que se
fecham e erguem barreiras estão doentes e necessitam de cuidados. O terrorismo,
o tráfico de pessoas, a exploração laborai e sexual são chagas conhecidas que carecem de um combate urgente.
Diante
de inúmeras questões, medos, suspeitas e desconfianças, o imperativo ético de
acolher e integrar concretiza-se em iniciativas e manifestações de solidariedade
de cidadãos e instituições da sociedade civil que, movida pela compaixão,
recorda que a nossa humanidade não está adormecida nem é indiferente, e
redescobre localmente o poder da cooperação, para responder a questões
complexas, onde todas as instituições civis, estatais, religiosas e cidadãos
são imprescindíveis.
É no
encontro que se promove a paz e a justiça tão necessárias. É no encontro que o
rosto da misericórdia se revela. E uma vez acolhido no humano se converte em
lei. A misericórdia é o único caminho capaz de resgatar a nossa humanidade. A
misericórdia alarga horizontes de fraternidade e recorda-nos que a fragilidade
da nossa condição restabelece-se em gestos de proximidade
O
acolhimento é o gesto e atitude interior que resgata da morte, cuida e devolve
a vida. Na perspetiva de quem é acolhido, encontra naquele que não é
indiferente, o rosto do bom samaritano, que reconhece naquele que sofre e está
abandonado à própria sorte um irmão, uma pessoa que merece ser socorrida,
abrigada e protegida, independentemente da sua nacionalidade ou credo.
O
diálogo é o caminho a percorrer e a aprofundar, rumo à cultura do encontro que
constrói verdadeiras fraternidades sem fronteiras culturais e religiosas,
nomeadamente entre comunidades unidas pelo Deus da Misericórdia.
A
misericórdia tem um rosto que para os cristãos converge para Cristo, que se
encontra simultaneamente nos migrantes e refugiados, mas também naqueles que, à
semelhança do Bom Samaritano, não são indiferentes ao seu próximo.
Este ano a peregrinação dos migrantes ao Santuário de
Fátima, nos dias 12 e 13 de agosto, promovida pela Comissão Episcopal e a OCPM,
irá ser presidida pelo Senhor Arcebispo D. Angelo Vincenzo Zani, Secretário da
Congregação para a Educação Católica e no domingo, dia 14 de agosto, dia em que
as nossas paróquias e comunidades cristãs são convidadas a celebrar a
Eucaristia em ação de graças pelos migrantes e pelo trabalho pastoral que a
Igreja desenvolve em favor dos mesmos, recordamos que o ofertório consignado
reverte em favor da pastoral da mobilidade humana da Igreja em Portugal. Será
também o dia da Jornada de Solidariedade em prol das migrações.
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