terça-feira, 1 de março de 2011

O PODER DA ALEGRIA


A alegria não consiste em acumular riquezas, obter poder ou ser indulgente nos prazeres. Consiste em viver a plenitude da vida enquanto se alcança o equilíbrio máximo emocional, psicológico e espiritual. Por que motivo a acumulação de coisas exteriores deveria fazer sentido, quando a alegria brota do interior? Elas estão a dar-lhe o que deseja? Será que a resposta correcta da nossa sociedade consumista a estas questões é “sim”?
Esse buraco de insatisfação e vazio mina os momentos de felicidade que podemos experimentar de vez em quando. Isto é bom, pois a nossa busca permanente de mais e mais felicidade mostra a necessidade de perfeição, imensidão e eternidade — Deus, a infinita alegria — mesmo quando não sabemos que é de Deus que andamos à procura. Deus está escondido por detrás dos momentos breves de felicidade, mas nós não o sabemos. Por este motivo, a alegria parece ter sempre um sabor do inalcançável. É por isto que a alegria é uma viagem no tempo e em profundidade, um novo modo de se ver a si mesmo na relação com Deus e com o mundo.
Quando nos virmos verdadeiramente como filhos de Deus e conhecermos o amor infinito de Deus por nós, não podemos viver senão no prazer que honra o Dador da Vida. «A maior honra que se pode dar a Deus», observou a mística Juliana de Norwich (1342-1 41 6), «é viver contente, com alegria pelo conhecimento do amor d’Ele». Só então, independentemente das circunstâncias, «aqueles que desejam cantar encontrarão sempre uma canção», tal como refere um provérbio sueco, e fá-lo-ão com todo o coração, com todo o poder e com toda a exaltação.
Quando a alegria se torna na nossa ligação mais profunda com Deus, na base do nosso verdadeiro “eu”, isto dar-nos-á sentido de atitude e equilíbrio interior, que é um ingrediente necessário ao processo de cura do corpo e da alma.
Quando aprendemos a ver a vida não com os nossos olhos, mas com os olhos de Deus, mesmo o desamparo pode tornar-se um estado de graça e as feridas podem tornar-se janelas e caminhos para Deus. Nesse momento, a vida será apenas cumulada de maravilhas, de bênçãos e de alegria, pois Deus é vida. Um sorriso genuíno dirá que Deus está a tomar conta de tudo e que a Sua alegria cura os rostos mais sombrios e melancólicos. Não existe nenhuma “tristeza” terminal quando o nosso sorriso é fruto de fé profunda.
Está a receber o que quer e as satisfações que procura na sua vida? Antes de responder a esta questão, lembre-se que pode ser mais do que foi até agora e que, independentemente de onde for, não pode fugir do seu verdadeiro “eu”. Não tente fugir de si próprio, não vai conseguir. Antes, entre de forma mais profunda em si, mais e mais, até descobrir as riquezas e os tesouros da graça de Deus.
A alegria não é apenas ordenar bem a nossa vida, mas é especialmente procurar ver as coisas bem, com a mente de Cristo (cf. 1 COR 2,14-1 6). A glória de Deus consiste na nossa alegre gratidão pelas bênçãos que recebemos. A alegria é uma oração de acção de graças viva.

Retirado do livro O Poder da Cura pela Alegria,
Jean Maalouf, PAULUS Editora
Fonte: Síntese

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