sexta-feira, 6 de novembro de 2026

8 de Novembro, 2026 - 32º Domingo do Tempo Comum - Ano A

 

Leituras: aqui

«Aí vem o esposo! Ide ao seu encontro!»

Irmãos e irmãs:

O Evangelho apresenta-nos dez jovens que aguardam a chegada do esposo para a festa de casamento. Todas levam lâmpadas, mas nem todas levam azeite suficiente. O esposo demora, a noite avança e, quando chega o momento, cinco estão preparadas e cinco ficam de fora.

A questão central da parábola não é o sono das jovens, porque todas adormeceram. É a falta de preparação daquelas que não levaram azeite. Jesus deixa-nos um aviso: não podemos viver de qualquer maneira, adiando continuamente o que é essencial. Há coisas na vida que não se improvisam à última hora.

Mas esta parábola não fala apenas da nossa preparação para o encontro definitivo com Deus. Fala também da maneira como vivemos hoje, das nossas escolhas, das nossas prioridades e da sociedade que estamos a construir.

A primeira leitura, do Livro da Sabedoria, diz-nos que a Sabedoria se deixa encontrar por aqueles que a procuram. E o salmo coloca-nos nos lábios uma expressão muito bela: «A minha alma tem sede de Vós, meu Deus». Ora, talvez uma das grandes doenças do nosso tempo seja precisamente esta: perdemos a sede do essencial!

Vivemos rodeados de coisas, de solicitações, de informações, de imagens e de distrações. Passamos horas agarrados aos telemóveis, preocupamo-nos com a aparência, com o consumo, com o que os outros pensam de nós, com as novidades e com tantas coisas que, afinal, pouco acrescentam à nossa vida. Temos cada vez mais meios para comunicar, mas nem sempre mais disponibilidade para escutar; temos cada vez mais possibilidades de entretenimento, mas nem sempre sabemos encontrar sentido para a vida.

Corremos muito, mas nem sempre sabemos para onde vamos. Preocupamo-nos com tantas coisas secundárias e deixamos para depois as perguntas fundamentais: Que sentido tem a minha vida? Que lugar ocupa Deus nas minhas escolhas? Que estou a fazer pelos outros? Que mundo estou a ajudar a construir?

É neste contexto que Jesus nos diz: «Vigiai!» Não vivais distraídos! Não deixeis apagar a lâmpada da vossa vida!

E quando olhamos à nossa volta, encontramos razões muito sérias para esta vigilância.

Há pessoas a manifestar-se, a sair à rua, a protestar porque sentem que não são ouvidas. Há pessoas a viver sem uma casa, sem condições mínimas de dignidade. Há jovens que trabalham, mas não conseguem arrendar uma habitação; famílias que fazem contas até ao último cêntimo porque a vida está cada vez mais cara; idosos que vivem com pensões insuficientes. Imigrantes a viver em situações degradantes e privados da mais elementar justiça e dignidade

Há também uma sociedade marcada por tensões, conflitos e confrontos. Vemos pessoas reprimidas, forças policiais chamadas a intervir, políticos que gastam tantas energias em guerras entre si, enquanto problemas fundamentais continuam sem resposta.

Não podemos olhar para esta realidade como se não fosse connosco. Não podemos habituar-nos a ver pessoas a dormir na rua, famílias sem condições de vida, jovens sem esperança de construir o seu futuro, crianças superprotegidas ou criadas “ao Deus dará” e idosos entregues à sua sorte.

É aqui que a Palavra de Deus tem de iluminar a nossa consciência.

Que espécie de sabedoria é a nossa quando conseguimos desenvolver tanta tecnologia, produzir tanta riqueza e, ao mesmo tempo, não conseguimos garantir condições dignas de vida a tantas pessoas?

Que espécie de sociedade estamos a construir quando o acesso a uma casa se transforma num luxo, quando o trabalho nem sempre permite viver com dignidade e quando a preocupação com os mais frágeis parece ficar tantas vezes para segundo plano?

A parábola das virgens prudentes e imprudentes também nos interpela enquanto sociedade. Porque o azeite que falta não é apenas uma questão individual. Falta-nos, tantas vezes, a sabedoria para distinguir o essencial do acessório, a capacidade de olhar para o futuro e a responsabilidade de preparar um mundo mais justo.

Não basta ter lâmpadas acesas, fazer discursos, anunciar promessas ou proclamar grandes princípios. É preciso que haja azeite, isto é, obras, decisões e compromissos que deem consistência às palavras.

E nós, cristãos, não podemos ficar à margem destas preocupações. A fé não nos torna indiferentes aos problemas do mundo. Pelo contrário, torna-nos mais responsáveis. Não podemos celebrar a Eucaristia e esquecer quem tem fome; falar de fraternidade e ignorar quem não tem casa; rezar pela paz e alimentar divisões; falar de dignidade humana e permanecer indiferentes à dignidade ferida de tantos irmãos.

São Paulo, na segunda leitura, fala-nos da esperança que nasce da morte e ressurreição de Jesus. Não somos pessoas sem futuro, nem estamos condenados ao pessimismo. Mas a esperança cristã não é cruzar os braços à espera de que Deus resolva tudo. É acreditar que vale a pena trabalhar, lutar pelo bem, defender a dignidade humana e construir um mundo mais fraterno, porque Cristo venceu a morte.

Neste domingo termina também a Semana de Oração pelos Seminários. O lema proposto pelos nossos bispos, «Comunidade que reza, Seminário que floresce», recorda-nos que as vocações são responsabilidade de toda a comunidade cristã. Precisamos de jovens que descubram a alegria de entregar a vida ao Evangelho e de sacerdotes que sejam homens de Deus, próximos das pessoas, atentos às suas dores e comprometidos com a construção de uma sociedade mais humana.

Irmãos e irmãs:

Talvez a pergunta mais importante deste domingo seja esta: onde estamos a gastar o nosso azeite?

Naquilo que é passageiro e superficial ou naquilo que verdadeiramente dá sentido à vida? Na crítica fácil ou no compromisso? Na indiferença ou na solidariedade? Na preocupação exclusiva com os nossos interesses ou na construção do bem comum?

Não deixemos que a nossa vida se encha de coisas e fique vazia do essencial. Não deixemos que a nossa fé se reduza a palavras e celebrações sem consequências na vida.

Peçamos ao Senhor a sabedoria de que fala a primeira leitura, a esperança que São Paulo anuncia e a vigilância a que Jesus nos convida.

E que, quando ouvirmos o grito «Aí vem o esposo!», não tenhamos apenas uma lâmpada nas mãos, mas uma vida cheia de fé, de justiça, de solidariedade e de amor.

Porque uma Igreja com as lâmpadas acesas tem de ser também uma Igreja capaz de iluminar as noites dos homens e das mulheres do nosso tempo.

Ámen.

sábado, 31 de outubro de 2026

 

Semana de Oração pelos Seminários 2026 - entre 1 e 8 de novembro

Oração pelos Seminários

Senhor Jesus, Bom Pastor,
dá-nos um espírito orante,
cheio de esperança e audácia,
ao pedirmos operários para a tua vinha.

Leva-nos a compreender que
uma Comunidade que reza,
é um Seminário que floresce,

cuidando com amor e ternura
das sementes lançadas
como boa nova da Vocação.

Fixa o teu olhar luminoso
nos candidatos ao sacerdócio
e acompanha-os nas suas etapas de formação,
para que respondam com generosidade
ao teu chamamento.

Concede-nos a graça de cultivar
o dom da vocação presbiteral
nas famílias, nas paróquias
e nos diversos movimentos e grupos da diocese,
através de uma oração contínua
e da partilha do pão para a sustentabilidade
dos nossos Seminários diocesanos.

Confiamos-te,
sob a proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria,
todos os que trabalham nos Seminários,
para que sejam escolas vivas
onde se aprende a discernir e a configurar
a vida ao Bom Pastor que és Tu.

Ámen!


Semana de Oração pelos Seminários 2026

Nota pastoral

Comunidade que reza, Seminário que floresce

Entre 1 e 8 de novembro, decorre a Semana de Oração pelos Seminários Diocesanos.

Como sequência e ressonância do Simpósio Nacional para o Clero de Portugal, sob o tema “Irmãos no Sacerdócio e Testemunhas do Evangelho”, a Comissão Episcopal Vocações e Ministérios optou pela incidência da comunidade, paroquial ou não, na formação sacerdotal e no suporte de relações fraternas, onde o sacerdote também se constitui como membro indispensável. Não para lutar contra o isolamento, mas para que experimente o seu ministério integrado num conjunto de relações humanas, a promover de forma autêntica e significativa.

Além da equipa formadora que acompanha de perto os seminaristas candidatos ao sacerdócio, não podemos esquecer e nem podemos prescindir da comunidade, sobretudo paroquial, como suporte dos futuros sacerdotes.

E o primeiro sinal de pertença neste processo alargado que compete à comunidade é a oração. Da oração nascem todos os projetos que são de Deus. Daí a necessidade e o apelo à oração. Comunidade cristã que não reza não é comunidade cristã, comunidade cristã que não reza pelos seus Seminários é uma comunidade ausente e desligada da família geradora de vocações para o sacerdócio.

Valorizando a imagem do bom semeador, a oração é a semente que muitos lançam com insistência, mesmo sem conhecerem os terrenos, nos quais apenas confiam e reconhecem potencialidades. Rezar, rezar, semear, semear.

E os frutos? Ninguém adivinha, ninguém sabe quando vão germinar, mas acreditam que um dia irão surgir. É um futuro que está para além dos desenhos, dos mapas, das previsões, que tantas vezes vão sendo definidos.

Mas uma certeza não abandonamos: sem oração, o Seminário não pode florescer, as sementes não poderão corresponder Àquele que é a origem de todos os dons, incluindo obrigatoriamente o sacerdócio. Como membros de uma única família, equipas formadoras, comunidades paroquiais, onde se desenvolvem vínculos e relações, a oração antecede e precede o florescimento de sacerdotes.

Rezemos pelos Seminários, pelos formadores, e que também estão além do institucional. Rezemos pelos seminaristas, sintamo-nos comunidades comprometidas, para que os Seminários floresçam. Sem a oração de todos, sobretudo das comunidades cristãs, os Seminários não podem crescer espontaneamente, não podem prosperar as vocações sacerdotais e não se podem desenvolver com sucesso as sementes que já estão depositadas no coração de muitos jovens.

É natural que o futuro não corresponda ao que sonhamos e necessitamos como resultado prático, mas que corresponda ao plano de florescimento que reside na visão do Senhor dos Seminários, dos seminaristas, que é Jesus, o nosso Bom Pastor, Aquele que é o Senhor das ovelhas.

Que Maria, Mãe das Vocações e Refúgio das comunidades cristãs, Mulher de vínculos de proximidade, ampare esta nossa intenção e a nossa fervorosa oração, nesta primeira semana de novembro.

+ Vitorino José Pereira SoaresPresidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios

1 de Novembro, 2026 - Solenidade de Todos os Santos

Leituras: aqu

Irmãos e irmãs,

Quem de nós não gostaria de ser feliz? Não apenas ter alguns momentos felizes, mas sentir que a vida vale a pena, que não estamos aqui por acaso, que o melhor da nossa existência ainda está para vir?

É precisamente de felicidade que Jesus nos fala hoje. Abre a boca e diz: «Felizes… felizes… felizes…»

E é curioso: Jesus não começa por nos dar ordens, nem por nos apresentar uma lista de obrigações. Começa por nos falar de felicidade. Como se nos dissesse: «Quero que a vossa vida seja bela. Quero que descubrais a alegria para a qual vos criei».

Mas há uma surpresa. Jesus chama felizes aos pobres em espírito, aos mansos, aos misericordiosos, aos que têm fome e sede de justiça, aos que trabalham pela paz. Não fala de pessoas que vivem para si, que precisam de vencer sempre ou de estar acima dos outros. Fala de pessoas cujo coração tem espaço para Deus e para os outros.

E aqui começa a nossa festa.

Hoje celebramos Todos os Santos. Celebramos uma multidão imensa de homens e mulheres que descobriram que vale a pena viver com Deus. Não foram pessoas que passaram pela vida a cumprir regras, com medo de falhar. Foram pessoas que encontraram em Cristo uma maneira nova de viver, de olhar para os outros, de trabalhar, de amar e de construir o mundo.

A santidade não tira alegria à vida. Dá-lhe uma alegria mais funda.

Um santo pode ser uma pessoa que trabalha com entusiasmo, que gosta de estar com os amigos, que aprecia a beleza da natureza, que sabe rir e fazer os outros rir. Pode ser alguém que se entrega apaixonadamente à sua profissão, que educa os filhos com amor, que serve a comunidade com generosidade. A santidade não nos torna menos humanos. Torna-nos mais disponíveis para viver plenamente aquilo que somos.

E há uma coisa importante: não precisamos de esperar que a vida corra mal para procurar Deus.

Precisamos d'Ele quando temos um problema, sim. Mas também quando tudo corre bem. Quando nasce uma criança, quando celebramos um aniversário, quando contemplamos um pôr do sol, quando conseguimos realizar um sonho, quando sentimos a alegria de estar com quem amamos. Também nesses momentos precisamos de Deus, não para nos estragar a festa, mas para nos ajudar a reconhecer a beleza da vida como um dom.

Quem ama não procura a pessoa amada apenas nos momentos difíceis. Procura-a porque a sua presença faz bem, porque a vida ganha outro sabor quando é partilhada. Também a nossa relação com Deus é assim: não é apenas um recurso para as horas de aflição. É uma relação que dá unidade e profundidade a toda a nossa existência.

É isso que vemos nos santos. Deus não foi para eles um último recurso. Foi o centro da vida, a fonte da sua liberdade, a razão da sua esperança e a força do seu amor.

E não pensemos que a santidade pertence apenas às figuras extraordinárias que conhecemos pelos livros. Há uma santidade discreta, que nunca chega aos altares da terra: a de quem vive com retidão, cumpre a sua palavra, cuida dos seus, faz bem o seu trabalho, acolhe quem chega e não precisa de ser aplaudido para fazer o bem.

Talvez tenhamos conhecido pessoas assim. Talvez algumas estejam hoje no nosso pensamento. A sua vida mostrou-nos que é possível viver de outra maneira.

Mas a festa de hoje vai ainda mais longe. Não celebramos apenas o bem que os santos fizeram na terra. Celebramos também a meta a que chegaram: a vida plena em Deus.

A primeira leitura mostra-nos uma multidão imensa, de todas as nações, povos e línguas, diante de Deus. Que imagem extraordinária! Tanta gente diferente, tantas histórias, tantos caminhos, reunidos numa alegria que não acaba.

É para isso que caminhamos. O Céu não é um lugar aborrecido onde ficamos parados a olhar para o alto. É a plenitude da vida com Deus, a alegria de O conhecer sem limites, de O amar sem reservas e de viver numa comunhão perfeita com todos os que Ele reuniu junto de Si. É o encontro com Aquele de quem recebemos a vida e em quem o nosso coração encontra a sua plenitude.

Não sabemos descrever o Céu. Mas sabemos que Deus nos promete muito mais do que conseguimos imaginar. São João diz-nos, na segunda leitura, que ainda não se manifestou plenamente aquilo que havemos de ser. A nossa vida tem diante de si um horizonte que ultrapassa tudo o que vemos e conhecemos.

E é por isso que esta solenidade também nos reúne junto dos túmulos dos nossos familiares e amigos.

Num cemitério, cada nome nos recorda uma vida concreta: alguém que amámos, com quem conversámos, de quem recebemos tanto e a quem demos alguma coisa de nós. Mas hoje não queremos olhar apenas para trás. Queremos olhar para a frente, iluminados pela promessa de Cristo.

A fé cristã não nos diz que a morte não importa. Diz-nos que ela não tem a última palavra. Jesus ressuscitou, e é nesta certeza que entregamos a Deus aqueles que partiram antes de nós.

Rezamos por eles, agradecemos a sua vida e confiamos na misericórdia de Deus. E, ao fazê-lo, lembramo-nos de que a nossa própria vida também está a caminho de um encontro. Não estamos destinados ao nada, mas à plenitude do amor de Deus.

Por isso, a solenidade de Todos os Santos não é uma festa triste. Mesmo junto dos túmulos, é uma festa de esperança. Recordamos os que partiram, mas celebramos sobretudo aquilo que Deus prepara para aqueles que n'Ele confiam.

Irmãos e irmãs, há uma pergunta que fica para cada um de nós: e se levássemos a sério o convite de Jesus à felicidade?

E se deixássemos de pensar na santidade como uma coisa distante, reservada a pessoas especiais? E se começássemos a descobrir que Deus nos chama a viver com mais verdade, mais liberdade, mais generosidade e mais alegria?

Não temos de fazer todos as mesmas coisas. Temos, sim, de deixar que Cristo transforme a maneira como vivemos. Para uns, isso significará dedicar mais tempo à família; para outros, trabalhar com mais honestidade, recuperar a oração, servir melhor a comunidade ou ter a coragem de dar um passo que há muito adiam.

Não por medo de Deus. Não para comprar um lugar no Céu. Mas porque somos amados e queremos responder a esse amor com a nossa vida.

Hoje, os santos lembram-nos que esse caminho é possível. E a multidão que já está junto de Deus lembra-nos que a nossa história não acaba nas pequenas alegrias que agora conhecemos. Somos chamados a uma alegria maior, a uma vida que não termina, a uma comunhão que nenhuma despedida poderá destruir.

Peçamos a graça de viver com os olhos postos nessa meta e com os pés bem assentes na terra. Que saibamos agradecer a vida, desfrutar do bem que recebemos, fazer o bem que está ao nosso alcance e caminhar com Cristo, na certeza de que Deus nos espera.

Porque ser santo é aprender, desde já, a viver com Deus. E o Céu será a alegria de nunca mais vivermos sem Ele.

Ámen.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

25 de Outubro, 2026 - 30º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Irmãos e irmãs,

A primeira leitura é muito clara: Deus manda proteger o estrangeiro, o pobre, a viúva e o órfão. Recorda ao seu povo que também ele foi estrangeiro no Egito. Quem conheceu a dificuldade de ser acolhido não pode esquecer o sofrimento de quem hoje procura uma vida melhor.

Esta Palavra é muito atual em Portugal, onde a imigração levanta preocupações reais sobre a habitação, o trabalho, a segurança e a integração. É legítimo procurar respostas justas para estas dificuldades. Mas, como cristãos, não podemos deixar que os problemas nos façam esquecer a dignidade de quem chega. O estrangeiro não é apenas mais um problema a resolver: é uma pessoa a respeitar.

Na segunda leitura, São Paulo elogia os cristãos de Tessalónica porque acolheram a Palavra e se tornaram exemplo para outros. A fé que receberam transformou a sua vida e tornou-se testemunho. Também nós somos chamados a deixar que a Palavra de Deus ilumine as nossas escolhas e a nossa maneira de olhar para os outros.

No Evangelho, Jesus apresenta-nos o fundamento de tudo: amar a Deus com todo o coração e amar o próximo como a nós mesmos. Não são dois amores separados. Quanto mais enraizados estivermos no amor de Deus, mais seremos capazes de olhar para os outros com justiça, verdade e misericórdia.

Peçamos ao Senhor que ilumine Portugal na procura de soluções responsáveis para os desafios da imigração. E que, na oração, encontremos a força para construir uma sociedade onde a justiça não exclua a compaixão e onde o respeito pela dignidade humana não dependa da nacionalidade de cada pessoa.

Ámen.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

A Igreja é de Cristo ou dos nossos costumes?

 O que é a Igreja?

A Igreja é a comunidade dos que acreditam em Jesus Cristo, O seguem e procuram viver segundo os Seus ensinamentos. É importante sublinhar uma verdade fundamental: a Igreja existe por causa de Cristo, nasce de Cristo e só n’Ele encontra a sua razão de ser. Sem Cristo, a Igreja perderia a sua identidade, a sua missão e o sentido da sua existência.

Quem constitui a Igreja? 

A Igreja é constituída por todos os baptizados: leigos, religiosos e ministros ordenados (diáconos, padres e bispos), unidos na fé em Jesus Cristo. Todos são chamados a participar na vida e na missão da Igreja, cada um segundo a sua vocação e responsabilidade.

Quem fundou a Igreja e para quê?

Foi Jesus Cristo quem fundou a Igreja e lhe confiou a missão de anunciar o Evangelho, testemunhar o amor de Deus e chamar todos à salvação. A Igreja não anuncia a si mesma: anuncia Cristo, morto e ressuscitado, centro da fé cristã e fonte da esperança.

Para que existe a Igreja?

A Igreja existe para anunciar Cristo, celebrar os sacramentos, testemunhar o amor de Deus e conduzir as pessoas ao encontro com Ele. Através da oração, da evangelização e do serviço ao próximo, procura ajudar todos a viver segundo o Evangelho.

Qual é a vocação universal da Igreja?

A vocação universal da Igreja é a santidade. Todos os baptizados, sem excepção, são chamados a ser santos, vivendo unidos a Cristo e seguindo o Seu exemplo de amor, humildade e serviço. Esta vocação não é exclusiva dos padres, dos religiosos ou de pessoas extraordinárias: é para todos, todos, todos! Cada pessoa é chamada a viver a santidade na sua condição concreta, na família, no trabalho e na sociedade, através das pequenas e grandes escolhas de cada dia.

Qual é o papel da Igreja na sociedade actual?

Fiel a Cristo, a Igreja é chamada a defender a dignidade humana, promover a justiça e a paz, combater a pobreza e a exclusão e cuidar dos mais frágeis. A sua missão não se limita aos templos: deve chegar às famílias, aos locais de trabalho e a todos os ambientes da sociedade, levando a luz do Evangelho.

Qual é o papel dos leigos na Igreja?

Os leigos são membros fundamentais da Igreja. Pelo baptismo, participam na missão de Cristo e são chamados a testemunhar o Evangelho na família, no trabalho e na sociedade. A sua missão vai muito além da colaboração nas actividades paroquiais: consiste também em transformar o mundo à luz dos valores cristãos, através da sua vida, das suas escolhas e do seu compromisso com os outros.

Porque é tão importante a participação dos leigos?

Porque a Igreja não é apenas o clero: é todo o Povo de Deus, unido em Cristo. Os leigos não são simples colaboradores dos sacerdotes; são membros activos e responsáveis da missão da Igreja. Com os seus dons e talentos, ajudam a levar Cristo aos lugares onde vivem e trabalham, contribuindo para a transformação cristã da sociedade.

Qual é a diferença entre as tradições humanas e a Tradição da Igreja?

As tradições humanas são costumes, práticas e formas de expressão que se desenvolvem ao longo do tempo e podem mudar de acordo com as épocas e as culturas. A Tradição da Igreja, por sua vez, é a transmissão viva da fé recebida de Jesus Cristo e dos Apóstolos, sob a acção do Espírito Santo, ao longo das gerações.

A Tradição, juntamente com a Sagrada Escritura, transmite e ajuda a compreender a única Revelação de Deus. Nem todos os costumes religiosos são, por isso, elementos essenciais da fé. É importante distinguir aquilo que pertence ao núcleo da fé cristã daquilo que são práticas culturais ou devocionais, legítimas, mas susceptíveis de mudança. As tradições humanas podem mudar; a Tradição apostólica guarda e transmite fielmente a fé que a Igreja recebeu de Cristo.

Que Igreja precisamos de construir hoje?

Precisamos de uma Igreja centrada em Cristo, fiel ao Evangelho, próxima das pessoas, acolhedora e missionária. Uma Igreja que escuta, serve e testemunha com obras aquilo que anuncia com palavras. Uma Igreja mais livre do mundanismo e da dependência de tradições humanas que, por vezes, se sobrepõem ao essencial da fé. Uma Igreja que não se limite a justificar as suas práticas com expressões como «sempre foi assim», «é costume» ou «o povo quer», mas que saiba discernir, à luz do Evangelho, o que verdadeiramente conduz a Cristo. Os costumes podem ter valor, mas não podem ocupar o lugar de Jesus nem impedir a renovação necessária da Igreja. Precisamos de uma Igreja em que todos os baptizados reconheçam a sua vocação à santidade e assumam, com liberdade e responsabilidade, a missão que Cristo lhes confiou.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

XXIX Domingo do Tempo Comum|Ano A Dia Mundial das Missões

Leituras: aqui


Irmãos e irmãs,

«Dai a Deus o que é de Deus.»

E o que é de Deus? Toda a nossa vida!

Dar a Deus o que é de Deus é deixar que o Evangelho ilumine as nossas escolhas, dê sentido ao nosso trabalho e inspire a nossa relação com os outros.

Hoje, celebramos também o Dia Mundial das Missões. E a missão tem a sua raiz no nosso Batismo.

Pelo Batismo, recebemos a fé e tornámo-nos membros da Igreja. Mas recebemos também uma missão: levar Cristo ao mundo!

O Papa Leão XIV convida-nos a viver a missão unidos em Cristo. Não somos missionários isolados. Somos uma comunidade chamada a testemunhar o mesmo Senhor e a levar a todos a alegria do Evangelho.

E é importante lembrar uma coisa: Portugal também é terra de missão!

Às vezes, pensamos que a missão acontece apenas em terras distantes, noutros continentes, entre povos e culturas diferentes. Mas a missão começa também aqui, nas nossas terras, nas nossas famílias, nas nossas cidades e aldeias.

Também aqui há pessoas à procura de sentido, de esperança e de Deus. Também aqui somos chamados a testemunhar Cristo.

Uns partem para longe. Outros são enviados para junto daqueles com quem vivem todos os dias. Os caminhos são diferentes. A missão é a mesma: tornar Cristo presente pelo testemunho da fé e pela força do amor.

A missão não começa quando partimos. Começa quando vivemos o nosso Batismo. Quando deixamos Cristo orientar a nossa vida. Quando fazemos da nossa presença uma presença de paz, de esperança e de fraternidade.

Irmãos e irmãs,

Hoje, a Palavra de Deus deixa-nos um convite muito concreto.

Dar a Deus toda a nossa vida. E fazer da nossa vida uma missão.

Não somos apenas destinatários do Evangelho. Somos também seus anunciadores.

Batizados em Cristo, somos enviados ao mundo. Unidos a Cristo, somos chamados a levar o Seu amor a todos — aqui e além-fronteiras!

Que o Senhor renove em nós a alegria do Batismo e nos ajude a viver, cada dia, esta missão.

Ámen.


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Reunidos e unidos em volta da Mãe, numa prece pela Paz e pelo Papa Leão XIV!

 
No passado dia 12 de Outubro de 2026, os paroquianos de Tarouca, unidos a toda a Igreja católica, reuniram-se na Igreja paroquial para a recitação do Terço.

Foi uma noite grande para a comunidade paroquial, que congregou muita gente em devoção a Nossa Senhora de Fátima, recordando a sua última aparição a dia 13 de Outubro de 1917.

Foram meditados os mistérios Gozozos e dinamizada a celebração pelos grupos corais da paróquia (Grupo das 8h, grupo da catequese, grupo de Gondomar, grupo do Castanheiro, Escuteiros, grupo das 11h e grupo de jovens), que embelezaram a celebração entoando cânticos a Nossa Senhora.

Foi uma cerimónia simples,mas intensa de fé, onde cada um pode rezar pelas suas intenções particulares e foi também intenção da comunidade a saúde do Santo Padre Leão XIV, e a paz no mundo inteiro.

Nossa Senhora insiste na sua mensagem aos pastorinhos que é urgente voltar a Deus, e aqui estamos, como peregrinos deste imenso amor, a rumar à casa de Deus, amparados pela nossa mãe, em família Cristã, unidos pela fé que nos move.

Peregrinamos não só com os pés, mas com o coração, quando deixamos as diferenças de lado e nos focamos somente na oração, podendo provar o seu verdadeiro valor.

Terminada a recitação do terço em comunidade, foi pedida a Nossa Senhora, que sempre nos acompanha e guia, a sua bênção.

Pedindo em especial à mãe Santíssima a sua proteção para as famílias da nossa comunidade paroquial, para as crianças, os jovens, os que vivem sós, os que estão doentes, os que migram à procura de melhores condições de vida, as mães que ainda são meninas, os que já partiram e as vítimas da fome e da guerra.

Sandra Carvalho

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Papa dá entrada no Gemelli e vai ser operado esta tarde



Cidade do Vaticano, 12 out 2026 (Ecclesia) – O Papa deu hoje entrada no Hospital Gemelli, de Roma, pouco depois das 13h00 locais, para ser operado a um nódulo no pulmão.

“Conforme anunciado, o Papa Leão XIV dirigiu-se ao Hospital Universitário Agostino Gemelli para ser internado. Esta tarde, será submetido a uma cirurgia ao nódulo no pulmão pela equipa médica de cirurgia torácica liderada pelo professor Stefano Margaritora”, informou o Vaticano, em nota enviada aos jornalistas.

Segundo a sala de imprensa da Santa Sé, “serão fornecidas mais informações ainda esta tarde”.

O próprio Leão XIV anunciou este domingo, após a oração do ângelus, que iria ser submetido a esta intervenção cirúrgica, a conselho dos seus médicos, na sequência da deteção um nódulo “circunscrito” ao pulmão e detetado numa fase “muito inicial”.

Veja aqui

domingo, 11 de outubro de 2026

Iniciámos o novo Ano Catequético!

 

Sábado, 10 de outubro, na Igreja Paroquial. Abertura do Ano Caquético.
Com a presença de pais, catequizandos, catequistas e de outros membros da comunidade paroquial, foi celebrada a Eucaristia, dinamizada coralmente pelos catequistas com o apoio de outras pessoas, tendo sido proclamadas as leituras por catequizandos e catequistas.
No início da celebração, os pais realizaram o seu compromisso, após a representante dos pais no Conselho Pastoral lhes ter transmitido uma mensagem bela e desafiante..
Antes do Pai Nosso, catequistas fizeram igualmente o seu compromisso. Também os catequizandos realizaram o seu compromisso após o momento da Comunhão.

Na homilia o pároco falou de Cristo, Banquete de Salvação para todos, bons e maus. O nosso Deus teima em chamar para o Banqueta da Salvação todos os homens, pois quer que todos se salvem.  Um dos cordenadores falou das orientações para a catequese.
Antes do Pai Nosso, foi apresentado o calendária da Catequese e  
Finda a Eucaristia, procedeu-se à cerimónia do envio, ano por ano. Os mais novos, acompanhados pelos catequistas tiveram o 1º encontro. Seguiu-e uma reunião com ospais em que intervieram a responsável diocesana pela Catequese, o pároco e a representante dos pais. Houve ainda atendimento pessoal para diversas situações.
Bom e belo ANO CATEQUÉTICO PARA TODOS! 
Força, miúdos!