quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Está a chegar o Sopé da Montanha

13 de Setembro, 2026 - 24º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Leituras: aqui
 

Perdão sem limites

Há coisas que custam muito na vida.
Uma delas é perdoar.

Talvez porque, quando alguém nos magoa, não fica apenas uma recordação. Fica qualquer coisa dentro de nós. Uma ferida, uma tristeza, uma desilusão. Às vezes, até uma certa amargura.

E há mágoas que ficam anos.

Podemos continuar a nossa vida, fazer as nossas coisas, encontrar essa pessoa de vez em quando… mas aquela história continua lá, dentro de nós.

É por isso que o perdão é tão difícil.

A Palavra de Deus fala-nos hoje precisamente disso.

Pedro pergunta a Jesus:

«Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe?»

Pedro quer saber qual é o limite. Até onde temos de ir.

Jesus responde:

«Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.»

Não é uma questão de fazer contas.

Jesus está a dizer-nos: não transformes o perdão numa contabilidade.

Porque, quando começamos a contar, o coração fica preso ao passado:

«Eu já lhe perdoei uma vez...»

«Depois daquilo que me fez, ainda quer que lhe perdoe?»

«Eu perdoo, mas não esqueço.»

E talvez seja precisamente aqui que começa o nosso problema.

Porque, muitas vezes, dizemos que perdoámos, mas continuamos a viver presos àquilo que aconteceu.

A pessoa já seguiu a sua vida.
Nós é que continuamos a carregar aquela história.

E Jesus conta então uma parábola.

Um homem tem uma dívida enorme e o seu senhor perdoa-lhe tudo.

Mas, logo a seguir, esse homem encontra alguém que lhe deve muito menos e exige-lhe que pague.

É uma imagem muito forte.

Ele recebeu misericórdia, mas não foi capaz de dar misericórdia.

E talvez seja esta a pergunta que o Evangelho hoje nos deixa:

Não será também assim connosco?

Nós pedimos a Deus tantas vezes:

«Senhor, perdoa-me.»

E confiamos que Deus não fica a contabilizar as nossas faltas.

Mas, quando é o outro que nos magoa, já somos muito mais exigentes.

Deus conhece as nossas fraquezas e continua a dar-nos uma oportunidade.

Nós, às vezes, olhamos para o outro e pensamos:

«Comigo acabou.»

É aqui que o Evangelho nos provoca.

Não para nos dizer que aquilo que nos fizeram não foi importante.

Nem para dizer que devemos fingir que nada aconteceu.

Há coisas que doem. Há injustiças que deixam marcas. Há relações que ficam profundamente feridas.

Perdoar não é dizer que o mal foi bem feito.

Perdoar é não deixar que o mal continue a mandar em nós.

É talvez a diferença mais importante.

Porque o ressentimento prende-nos.

Ficamos dependentes daquilo que o outro fez. A nossa paz fica nas mãos daquela pessoa.

E o perdão, pouco a pouco, devolve-nos a liberdade.

Nem sempre significa voltar a ter a mesma relação. Nem sempre significa esquecer. Às vezes, até é necessário manter uma certa distância.

Mas significa deixar de alimentar dentro de nós aquilo que nos destrói.

E isto é muito concreto na nossa vida.

Acontece entre marido e mulher.

Acontece entre pais e filhos.

Acontece entre irmãos.

Acontece entre amigos.

Acontece também nas nossas comunidades.

Às vezes, começa por uma palavra. Uma decisão. Um mal-entendido. Uma coisa que alguém fez e que nos magoou.

Depois vem o silêncio.

Deixa-se de falar.

Cumprimenta-se apenas por educação.

E passa o tempo.

E, quando damos por isso, passaram-se anos.

Talvez nenhum dos dois já se lembre exatamente de como tudo começou.

Mas ninguém dá o primeiro passo.

Quanto sofrimento se prolonga simplesmente porque ninguém quer ser o primeiro a dizer: «Vamos conversar»?

É por isso que o perdão não é uma ideia bonita.

É uma necessidade da nossa vida.

Sem perdão, uma família pode ficar dividida durante anos.

Sem perdão, amizades acabam.

Sem perdão, uma comunidade perde pessoas.

Sem perdão, nós próprios vamos ficando mais duros por dentro.

E talvez por isso Jesus nos diga hoje que devemos perdoar «setenta vezes sete».

Não porque seja fácil.

Mas porque há coisas que só o perdão consegue libertar.

E nós sabemos isso também pela nossa própria experiência.

Que bem nos faz quando alguém, depois de uma mágoa, nos diz:

«Eu perdoo-te.»

Que alívio quando conseguimos finalmente dizer a alguém:

«Desculpa-me.»

Há momentos em que essas palavras mudam uma relação.

E há momentos em que mudam uma vida.

Por isso, talvez hoje não seja preciso pensar em grandes teorias sobre o perdão.

Basta pensar numa pessoa.

Há alguém que ainda não conseguimos perdoar?

Há alguém com quem precisamos de dar um primeiro passo?

Ou talvez sejamos nós que precisamos de pedir perdão.

Não é preciso resolver tudo hoje.

Talvez seja apenas preciso começar.

E, quando nem isso conseguimos, podemos ao menos levar essa pessoa à oração e dizer:

«Senhor, eu ainda não consigo perdoar. Mas não quero continuar a viver assim. Ajuda-me.»

Talvez seja aí que começa o perdão.

Porque o perdão não nasce apenas da nossa força.

Nasce também da experiência de sermos perdoados.

É isso que a primeira leitura nos recorda: Deus conhece a nossa fragilidade e é misericordioso connosco.

E talvez a grande conversão de que precisamos seja esta:

deixar que o perdão que recebemos de Deus transforme a maneira como olhamos para os outros.

No fundo, é isto que Jesus nos pede.

Não que sejamos perfeitos.

Mas que não deixemos morrer a possibilidade de recomeçar.

Que não fechemos definitivamente a porta.

Que não permitamos que uma ferida tenha a última palavra.

Porque onde há perdão, pode haver um recomeço.

E onde há um recomeço, há sempre um pouco mais de vida.

Amen.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Festa de Santa Tecla 2026 em Valverde


Correu bem a Festa em honra de Santa Tecla, em Valverde, como é próprio de gente de bem.Além dos foguetes, banda, fados, conjuntos, as pessoas mostram-se acolhedoras, alegres e pacíficas.

No aspeto religioso, houve Missa solene e procissão no domingo, dia 6 de setembro.
Num tempo de dificuldades, não é fácil organizar uma festa, por isso os mordomos são credores do reconhecimento das pessoas, mormente, como foi o caso, se preocupam em acolher as orientações da Igreja no que se refere às festas religiosas.
Refira-se que, ao longo do ano, várias foram as ações levadas a cabo pela comissão visando a aquisição de fundos para a festa. Entre elas, saliente-se a realização de almoços tradicionais que tiveram boa adesão da população.
Por tudo, Valverde está de parabéns.
Mordomos para a festa de 2027: João Santos Carvalho, Ana Maria Teixeira, Fernando Vitorino, Ilda Carvalho, Bruno Carvalho, Isabel Costa Santos, André Monteiro, Lucinda Santos, Marco Rodrigues, Filipa Lopes, Joaquim Vieira, Valentina, Rúben Mauríci, Isabel Dias Francisco.
(Post ainda em construção)

sábado, 5 de setembro de 2026

A intenção de oração do Papa Leão XIV para setembro de 2026

 Pelo cuidado com a água

O convite é para rezarmos para que a água seja cuidada, protegida e partilhada de forma justa, reconhecendo-a como um bem essencial para toda a humanidade e para a criação. A intenção oficial da Rede Mundial de Oração do Papa é precisamente «Pelo cuidado com a água»

É também uma intenção que nos chama a passar da oração à ação concreta: evitar o desperdício, proteger rios e fontes, e preocupar-nos especialmente com as pessoas que sofrem por falta de água potável.

Oração pelo cuidado com a água

Senhor nosso Deus,

agradecemos-Te pelo dom da água, fonte de vida e sinal da Tua bondade para toda a criação.

Ajuda-nos a reconhecer a água como um bem precioso, que não deve ser desperdiçado nem negado a ninguém.

Dá-nos um coração atento às pessoas que sofrem por falta de água potável e inspira-nos a cuidar dos rios, dos mares, das fontes e de toda a criação.

Ensina-nos a usar a água com responsabilidade, simplicidade e solidariedade, pensando sobretudo nos mais pobres e nas gerações futuras.

Que as nossas escolhas e atitudes contribuam para proteger este dom que recebemos de Ti.

Senhor, faz de nós instrumentos de cuidado, justiça e fraternidade.

Por intercessão de Maria, Mãe de toda a criação, ajuda-nos a caminhar juntos no cuidado da nossa casa comum.

Ámen.

Matrícula das crianças que vêm pela 1ª vez para a catequese

Na Paróquia de S. Pedro de Tarouca, para realizar a matrícula de uma criança que vai frequentar a catequese pela primeira vez em 2026/27, os pais, durante o mês de setembro, devem dirigir-se à sacristia da Igreja Paroquial aos fins-de-semana, antes ou depois da Missa.

As outras crianças, que frequentaram a catequese nesta Paróquia nos anos anteriores, não precisam de se matricular. 
Mas se umna criança andou na catequese noutra paróquia e, neste ano, pretende  frequentar aqui a catequese, deve fazer a sua matrícula nesta paróquia. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

6 de Setembro, 2026 - 23º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Leituras: aqui
 Falar ou calar?

Uma situação concreta que muitas vezes nos aflige:

Diante de uma pessoa amiga que está no erro, que atitude devemos tomar: falar ou calar?

As leituras bíblicas de hoje ajudam-nos a encontrar uma resposta.

Na primeira leitura, o profeta Ezequiel aparece como uma «sentinela» que Deus colocou a vigiar a «Casa de Israel» (Ez 33, 7-9).

A sentinela é alguém que está atento, que vê o perigo e dá o alerta para proteger os outros.

Assim também o profeta: é chamado a estar atento à realidade e a ajudar o povo a não se afastar dos caminhos de Deus.

Ezequiel é, sobretudo, o profeta da esperança. Mesmo no meio das dificuldades e do sofrimento, recorda ao povo que Deus não o abandonou.

Também nós, como cristãos, somos chamados a ser, de algum modo, sentinelas uns dos outros. Não para vigiar ou condenar, mas para cuidar, ajudar e, quando necessário, advertir.

Na segunda leitura, São Paulo recorda-nos que «o amor é a plenitude da Lei» (Rm 13, 8-10).

E uma das formas de amar pode ser precisamente corrigir o irmão quando ele está a seguir um caminho errado.

Mas há uma condição fundamental: a correção deve nascer do amor.

Corrigir alguém não é humilhá-lo, julgá-lo ou mostrar que somos melhores. É procurar o seu bem.

Por isso, antes de corrigirmos alguém, talvez devêssemos perguntar:

Quero realmente ajudar esta pessoa ou quero apenas mostrar-lhe que ela está errada?

A correção fraterna

No Evangelho, Jesus apresenta-nos um caminho concreto para lidar com o erro de um irmão (Mt 18, 15-20).

O primeiro passo é muito significativo:

«Vai ter com ele e repreende-o a sós.»

Jesus pede-nos, antes de tudo, discrição e respeito pela pessoa.

Quantas vezes fazemos precisamente o contrário!

Em vez de falarmos com a pessoa, contamos a outros o que aconteceu. O comentário espalha-se, surgem interpretações, juízos e ressentimentos. E aquilo que talvez pudesse ser resolvido numa conversa transforma-se num problema muito maior.

Por isso, é importante saber quando falar, quando calar e, sobretudo, como falar.

Nem tudo o que sabemos precisa de ser contado. Nem toda a verdade precisa de ser dita a toda a gente.

Há palavras que, embora verdadeiras, quando são ditas sem caridade podem ferir profundamente, destruir relações e aumentar os conflitos.

Mas isso também não significa que devamos calar sempre.

Há situações em que o silêncio pode ser cumplicidade ou falta de coragem.

Precisamos, portanto, de discernimento.

Antes de falar, podemos perguntar:

Aquilo que vou dizer vai ajudar? Vai construir? Vai aproximar? Vai favorecer a reconciliação?

Se a conversa pessoal não resultar, Jesus propõe que se procure a ajuda de outras pessoas sensatas e prudentes.

E, se necessário, pode recorrer-se à comunidade.

Mas sempre com o mesmo objetivo: recuperar o irmão, e não condená-lo.

Isto aplica-se também às nossas famílias e às nossas comunidades cristãs.

Quantas vezes falar mal da própria família ou da própria comunidade não resolve problema algum. Pelo contrário, aumenta os ressentimentos e as divisões.

Também nas nossas paróquias precisamos de ter cuidado com a murmuração.

Uma crítica feita com caridade pode ajudar a melhorar.

Mas falar pelas costas, alimentar comentários e colocar uns contra os outros destrói a comunhão.

E quando já não sabemos o que fazer?

O Evangelho termina apontando-nos outro caminho: a oração.

Jesus diz:

«Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou Eu no meio deles.»

Quando as palavras já não chegam, quando a conversa não resolve, quando não sabemos mais o que fazer, podemos sempre rezar.

Deus pode tocar o coração de uma pessoa onde nós já não conseguimos chegar.

Que espécie de «sentinela» sou eu?

Esta Palavra de Deus deixa-nos algumas perguntas:

  • Sou capaz de ajudar um irmão que está a errar, com misericórdia e caridade?
  • Tenho coragem para falar quando é necessário?
  • Sei calar quando as minhas palavras apenas iriam provocar mais sofrimento?
  • Antes de falar de alguém, pergunto-me se aquilo que vou dizer vai ajudar ou prejudicar?
  • Aceito com humildade as correções justas que os outros me fazem?

Ser sentinela não significa andar à procura dos erros dos outros.

Significa amar o suficiente para cuidar, ter humildade para corrigir e sabedoria para saber quando e como fazê-lo.

Peçamos ao Senhor um coração semelhante ao de Cristo: um coração verdadeiro, mas também misericordioso; capaz de dizer a verdade sem ferir e de amar sem ser indiferente.

E que, nas nossas famílias, nas nossas comunidades e na Igreja, saibamos ser pessoas que constroem a comunhão, promovem a reconciliação e ajudam os outros a aproximarem-se de Deus.