SIM, PAI
Irmãos e irmãs,
Deus continua a chamar. Chama-nos a todos a trabalhar na sua vinha, isto é, a colaborar na construção do seu Reino, de um mundo mais justo, mais fraterno e mais humano.
E diante do chamamento de Deus há sempre uma resposta: SIM ou NÃO.
O Evangelho apresenta-nos dois filhos. O pai pede aos dois a mesma coisa:
«Filho, vai hoje trabalhar na minha vinha.»
Um responde: «Não quero.» Mas depois arrepende-se e vai.
O outro responde: «Sim, Senhor.» Mas não vai.
E Jesus pergunta: «Qual dos dois fez a vontade do pai?»
A resposta é clara: aquele que foi.
Jesus não está a dizer que as palavras não têm importância. O que nos está a dizer é que o nosso “sim” a Deus tem de passar pelas nossas opções, pelos nossos gestos e pela nossa vida.
E aqui está uma pergunta que vale a pena fazermos hoje:
O meu “sim” a Deus é um sim apenas de palavras ou é um sim que se traduz na vida?
Há pessoas que, ao longo de toda a vida, foram dizendo “sim” a Deus: foram baptizadas, participam na Eucaristia, rezam, ajudam, servem a comunidade, estão presentes quando são precisas. Não podemos desvalorizar este “sim”. Pelo contrário: é uma graça e um testemunho.
Quantas pessoas, muitas vezes silenciosamente, mantêm viva a nossa comunidade! Estão na Eucaristia, ajudam, visitam doentes, colaboram, catequizam, limpam a igreja, acompanham os mais frágeis, dão do seu tempo.
A essas pessoas é justo dizer hoje: obrigado pelo vosso “sim”!
Mas também há outro “não”: o daqueles que se afastam da comunidade, que não querem compromissos, que aparecem apenas quando precisam de um sacramento e, depois, ainda se sentem no direito de exigir que a Igreja esteja sempre disponível para eles.
A Igreja não pode ser um supermercado de sacramentos, onde se entra quando se precisa de alguma coisa e se sai logo a seguir.
Ser cristão é muito mais do que pedir um Baptismo, uma Primeira Comunhão, um Crisma ou um casamento. É pertencer a uma comunidade, celebrar a fé, escutar a Palavra, participar na Eucaristia e assumir responsabilidades.
Não podemos querer os frutos da vinha sem querer trabalhar nela.
E isto leva-nos diretamente à catequese.
Começamos um novo ano catequético. E precisamos de dizer isto com toda a clareza, sobretudo aos pais:
A catequese tem duas partes.
A primeira acontece na sala de catequese: é o encontro, a formação, a descoberta da Palavra de Deus, o conhecimento de Jesus e da fé cristã.
Mas há uma segunda parte, absolutamente indispensável: a catequese continua na igreja, na Eucaristia.
Uma sem a outra fica incompleta.
Por isso, não podemos dizer que a criança fez catequese porque esteve uma hora na sala e depois foi para casa.
Isso não é completar a catequese.
E, com todo o respeito pelos pais, temos de dizer isto com firmeza: quando os pais vêm buscar os filhos à catequese para não participarem com eles na Eucaristia, estão a retirar-lhes precisamente a segunda parte da catequese.
É como ensinar uma criança a conhecer uma família e depois nunca a deixar estar com essa família.
A catequese prepara para a Eucaristia e a Eucaristia alimenta aquilo que se aprende na catequese.
Por isso, queridos pais: não entregueis a responsabilidade da educação cristã dos vossos filhos apenas ao catequista.
Vinde com eles. Participai com eles. Rezai com eles. Celebrai com eles.
E queridos catequizandos: esperamos por vós aqui. A igreja também é a vossa casa. A Eucaristia também é a vossa mesa.
E precisamos de mais “sins”
Mas há ainda outro apelo que hoje não podemos deixar de fazer.
Precisamos de catequistas.
Não podemos ficar à espera de que sejam sempre os mesmos a responder. A comunidade cresce quando cada um descobre que também pode servir.
Ser catequista não é apenas dar uma aula. É acompanhar crianças e jovens no encontro com Jesus. É semear. É estar presente. É testemunhar. É ajudar alguém a descobrir que Deus o ama.
Talvez alguém aqui já tenha pensado:
«Eu não tenho jeito.»
«Não sei se sou capaz.»
«Há pessoas mais preparadas do que eu.»
Mas a pergunta não é: «Sou perfeito para ser catequista?»
A pergunta é: «Senhor, estás a chamar-me?»
Se sentes esse apelo, não respondas “não posso” antes de experimentar.
Precisamos do teu SIM.
Precisamos do sim dos jovens, dos pais, dos avós, dos adultos. Precisamos de homens e mulheres que digam: «Aqui estou. Posso ajudar. Quero servir.»
O Senhor continua a dizer:
«Vai trabalhar na minha vinha.»
E talvez hoje a nossa comunidade precise menos de pessoas que digam «alguém devia fazer» e mais de pessoas que digam:
«Eu vou.»
«Eu ajudo.»
«Eu comprometo-me.»
«Sim, Senhor!»
Irmãos e irmãs,
O Evangelho de hoje não nos pergunta apenas o que dissemos no passado. Pergunta-nos o que estamos dispostos a fazer hoje.
Que o nosso “sim” não seja apenas uma palavra.
Que seja um “sim” à Eucaristia.Um “sim” à comunidade.
Um “sim” à catequese.
Um “sim” ao serviço.
Um “sim” aos irmãos.
Um “sim” à missão.
Um "sim" à generosidade.
E, neste novo ano catequético, que haja muitos catequizandos a dizer “sim”, muitos pais a dizer “sim”, muitos catequistas a dizer “sim” e toda a comunidade a dizer:
SIM, SENHOR.
Eis-nos aqui.
Queremos trabalhar na tua vinha.
Amém.