terça-feira, 6 de outubro de 2026

"Às vezes... aqui também sou padre"


Livro recorda Padre António Seixeira e duas décadas de ligação a Salzedas

Obra de José Simões recupera memórias e episódios do percurso do sacerdote, que foi pároco de Salzedas entre 1993 e 2014

A memória do Padre António Seixeira, figura que marcou a vida de Salzedas durante mais de duas décadas, está agora reunida no livro Às vezes... aqui também sou padre, da autoria de José Simões. A obra foi apresentada na sacristia do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, num momento que juntou pessoas ligadas à comunidade e que quiseram recordar o percurso do sacerdote e a relação que construiu com a população.

Padre António Seixeira foi pároco de Salzedas entre 1993 e 2014, período durante o qual desenvolveu um trabalho que deixou marcas na freguesia. A sua ligação às pessoas e às vivências da comunidade são alguns dos aspetos que a obra procura preservar, através de histórias e memórias associadas ao seu percurso.

Na apresentação do livro, o Presidente da Câmara Municipal de Tarouca, José Damião Melo, destacou precisamente a importância do sacerdote para a comunidade local.

«Sem dúvida alguma, o Padre António Seixeira foi uma figura marcante para Salzedas, pelo trabalho que desenvolveu e pela relação que construiu com as pessoas ao longo dos anos», afirmou o autarca.

José Damião Melo felicitou ainda José Simões pela iniciativa, sublinhando o papel da escrita na preservação da memória coletiva. «Escrever também é uma forma de preservar e perpetuar no tempo o nosso património, a nossa cultura e, sobretudo, as memórias das pessoas que fizeram parte da nossa história», considerou.

Mais do que uma biografia, Às vezes... aqui também sou padre procura guardar uma parte da memória de Salzedas. As histórias e vivências associadas ao Padre António Seixeira tornam-se, através da publicação, um testemunho para as gerações futuras sobre uma figura que acompanhou uma importante etapa da história recente da freguesia.

A apresentação decorreu num dos espaços mais emblemáticos do património de Tarouca, o Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, criando uma ligação simbólica entre a história do lugar e a memória das pessoas que contribuíram para a construção da identidade da comunidade.

Através desta obra, José Simões contribui para manter vivo o percurso do Padre António Seixeira e, simultaneamente, para preservar histórias de Salzedas que, com o passar do tempo, poderiam perder-se. Uma forma de recordar uma figura que, entre 1993 e 2014, fez parte da vida da freguesia e deixou a sua marca junto daqueles com quem se cruzou.

Observação: O Pároco de Tarouca não pôde estar presente  neste ato, porque se encontrava em trabalho pastoral com os catequistas em Santa Helena. Mas fica contente com a homenagem oresrada ao amigo P.e Seixeira, falecido em 2014.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

11 de Outubro, 2026 - 28º Domingo do Tempo Comum - Ano A


Leituras: aqui

Jesus fala-nos hoje de um convite.
Há uma festa preparada.
Deus convida.
Mas os convidados arranjam desculpas.

Tinham outras coisas para fazer.

Hoje começa a catequese.
As crianças e adolescentes vêm.
Mas o convite não é só para eles.

É também para os pais.

Pais, não tragam os filhos à catequese e vão embora.
Não fiquem no café.
Não fiquem na conversa.
Entrem. Fiquem. Celebrem.

Os filhos percebem muito bem o que é importante para os pais.

Se a catequese é importante, a Missa também tem de ser.
Se queremos que eles conheçam Jesus, temos de Lhe dar lugar na nossa própria vida.

Não se pode pedir aos filhos um caminho que os pais não querem fazer.

Hoje começa a catequese.
Começa também um desafio para as famílias:

Se queremos que os nossos filhos vivam a fé, temos de lhes mostrar que ela também conta para nós.

Caminhemos com eles.

O convite está feito.

Deus prepara a mesa.
Não faltemos.

Jornal Sopé da Montanha está mesmo a chegar!

domingo, 4 de outubro de 2026

Em Santa Helena, catequistas preparam o novo ano catequético que terá início no sábado, dia 10, às 15h, na Igreja Paroquial

Realizou-se hoje, em Santa Helena, uma reunião de Catequistas da Paróquia de São Pedro de Tarouca, juntamente com o pároco, com o objetivo de preparar o novo ano catequético que se aproxima.

A Paróquia de São Pedro de Tarouca conta com cerca de 250 crianças na catequese, acompanhadas ao longo do ano por Catequistas que, de forma voluntária, dedicam parte do seu tempo à transmissão da fé e ao acompanhamento das crianças e jovens.

Durante o encontro foi recordado que todos são chamados a participar na missão de evangelizar, pois «Deus não quer videiras inúteis». Ser Catequista é, assim, colocar-se ao serviço dos outros e ajudar a fazer crescer a fé.

Foi também lembrada uma frase do Papa Francisco: «Ser Catequista é tomar alguém pela mão e acompanhá-lo para Cristo». Uma missão que não pertence apenas aos Catequistas. Também os pais, os avós e toda a comunidade têm um papel importante na transmissão da fé, começando esse caminho no seio da própria família.

O encontro terminou com a celebração da Eucaristia na Capela de Santa Helena. A figura de Santa Helena recorda também a importância da família na evangelização. Mãe do imperador Constantino, a sua fé e o seu testemunho estiveram ligados ao caminho de conversão do próprio filho.

Tal como Maria acompanhou Jesus e viveu a fé no coração da família, também cada família é chamada a ser um lugar onde a fé nasce, cresce e é transmitida. Catequistas, pais, avós e comunidade partilham, assim, a mesma missão: acompanhar as novas gerações no caminho da fé.


Paula Pio

terça-feira, 29 de setembro de 2026

A Igreja fora das igrejas

 
Concelho de Tarouca. As festas concelhias -Festas de S-Miguel - foram acontecendo. Dias de movimento, de encontros e de festa. Etnografia, música, astronomia, animação, tendas para todos os gostos e, hoje, a feira anual, com a sua mistura tão própria de gente, negócios, pregões e encontros.E a Igreja esteve lá.

Hoje, esteve aberta.

De portas abertas para quem quis entrar. Houve Eucaristia. E, porque eram as festas do concelho, rezou-se pelo concelho: pelas suas gentes, pelas famílias, por quem trabalha, por quem sofre, por quem procura caminhos. Houve tempo para oração pesoal, confissões, atendimento às pessoas...

Mas a Igreja não ficou apenas dentro da igreja.

A Igreja saiu para a rua.

No cortejo etnográfico, os Escuteiros levaram consigo a sua presença, a sua alegria e o seu jeito de estar. E continuaram presentes, com a sua tenda aberta no recinto dos espetáculos.

E hoje, no meio da feira, lá estava outra "tenda". Ao fundo do recinto, a do GASPTA.

E aquela "tenda" trazia uma história.

Nos dias anteriores, o GASPTA foi pedindo. E as pessoas foram dando. Aqui uma oferta, ali outra. Coisas que foram chegando pelas mãos generosas de muitos e que hoje foram a sorteio. Pequenos gestos que, juntos, se transformaram numa ajuda concreta para quem mais precisa.

No meio da feira, onde quase tudo tem um preço, aquela tenda tinha outra lógica.

Não estava ali para vender. Estava ali para ajudar.

E talvez seja isto que vale a pena guardar destas festas: a Igreja não se fechou sobre si mesma. Esteve dentro da igreja, sim. Mas também esteve no cortejo, no recinto, na feira, no meio da gente.

Não ficou à espera que as pessoas fossem ter com ela.

Foi ao encontro delas.

Uma palavra de apreço aos Escuteiros e ao GASPTA. Pela presença, pela disponibilidade, pelo trabalho escondido que muitas vezes começa muito antes de a tenda aparecer.

Porque Igreja não é só o que acontece dentro das igrejas.

Há Igreja quando se reza.
Há Igreja quando se acolhe.
Há Igreja quando se serve.
Há Igreja quando se dá.

E, às vezes, é precisamente no meio da rua, entre uma feira, uma festa e uma multidão, que a Igreja se vê melhor.

A Igreja fora das igrejas.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

27 de Setembro, 2026 - 26º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Leituras: aqui
 

SIM, PAI

Irmãos e irmãs,

Deus continua a chamar. Chama-nos a todos a trabalhar na sua vinha, isto é, a colaborar na construção do seu Reino, de um mundo mais justo, mais fraterno e mais humano.

E diante do chamamento de Deus há sempre uma resposta: SIM ou NÃO.

O Evangelho apresenta-nos dois filhos. O pai pede aos dois a mesma coisa:
«Filho, vai hoje trabalhar na minha vinha.»

Um responde: «Não quero.» Mas depois arrepende-se e vai.

O outro responde: «Sim, Senhor.» Mas não vai.

E Jesus pergunta: «Qual dos dois fez a vontade do pai?»

A resposta é clara: aquele que foi.

Jesus não está a dizer que as palavras não têm importância. O que nos está a dizer é que o nosso “sim” a Deus tem de passar pelas nossas opções, pelos nossos gestos e pela nossa vida.

E aqui está uma pergunta que vale a pena fazermos hoje:
O meu “sim” a Deus é um sim apenas de palavras ou é um sim que se traduz na vida?

Há pessoas que, ao longo de toda a vida, foram dizendo “sim” a Deus: foram baptizadas, participam na Eucaristia, rezam, ajudam, servem a comunidade, estão presentes quando são precisas. Não podemos desvalorizar este “sim”. Pelo contrário: é uma graça e um testemunho.

Quantas pessoas, muitas vezes silenciosamente, mantêm viva a nossa comunidade! Estão na Eucaristia, ajudam, visitam doentes, colaboram, catequizam, limpam a igreja, acompanham os mais frágeis, dão do seu tempo.

A essas pessoas é justo dizer hoje: obrigado pelo vosso “sim”!

Mas também há outro “não”: o daqueles que se afastam da comunidade, que não querem compromissos, que aparecem apenas quando precisam de um sacramento e, depois, ainda se sentem no direito de exigir que a Igreja esteja sempre disponível para eles.

A Igreja não pode ser um supermercado de sacramentos, onde se entra quando se precisa de alguma coisa e se sai logo a seguir.

Ser cristão é muito mais do que pedir um Baptismo, uma Primeira Comunhão, um Crisma ou um casamento. É pertencer a uma comunidade, celebrar a fé, escutar a Palavra, participar na Eucaristia e assumir responsabilidades.

Não podemos querer os frutos da vinha sem querer trabalhar nela.

E isto leva-nos diretamente à catequese.

Começamos um novo ano catequético. E precisamos de dizer isto com toda a clareza, sobretudo aos pais:

A catequese tem duas partes.

A primeira acontece na sala de catequese: é o encontro, a formação, a descoberta da Palavra de Deus, o conhecimento de Jesus e da fé cristã.

Mas há uma segunda parte, absolutamente indispensável: a catequese continua na igreja, na Eucaristia.

Uma sem a outra fica incompleta.

Por isso, não podemos dizer que a criança fez catequese porque esteve uma hora na sala e depois foi para casa.

Isso não é completar a catequese.

E, com todo o respeito pelos pais, temos de dizer isto com firmeza: quando os pais vêm buscar os filhos à catequese para não participarem com eles na Eucaristia, estão a retirar-lhes precisamente a segunda parte da catequese.

É como ensinar uma criança a conhecer uma família e depois nunca a deixar estar com essa família.

A catequese prepara para a Eucaristia e a Eucaristia alimenta aquilo que se aprende na catequese.

Por isso, queridos pais: não entregueis a responsabilidade da educação cristã dos vossos filhos apenas ao catequista.

Vinde com eles. Participai com eles. Rezai com eles. Celebrai com eles.

E queridos catequizandos: esperamos por vós aqui. A igreja também é a vossa casa. A Eucaristia também é a vossa mesa.

E precisamos de mais “sins”

Mas há ainda outro apelo que hoje não podemos deixar de fazer.

Precisamos de catequistas.

Não podemos ficar à espera de que sejam sempre os mesmos a responder. A comunidade cresce quando cada um descobre que também pode servir.

Ser catequista não é apenas dar uma aula. É acompanhar crianças e jovens no encontro com Jesus. É semear. É estar presente. É testemunhar. É ajudar alguém a descobrir que Deus o ama.

Talvez alguém aqui já tenha pensado:
«Eu não tenho jeito.»
«Não sei se sou capaz.»
«Há pessoas mais preparadas do que eu.»

Mas a pergunta não é: «Sou perfeito para ser catequista?»

A pergunta é: «Senhor, estás a chamar-me?»

Se sentes esse apelo, não respondas “não posso” antes de experimentar.

Precisamos do teu SIM.

Precisamos do sim dos jovens, dos pais, dos avós, dos adultos. Precisamos de homens e mulheres que digam: «Aqui estou. Posso ajudar. Quero servir.»

O Senhor continua a dizer:
«Vai trabalhar na minha vinha.»

E talvez hoje a nossa comunidade precise menos de pessoas que digam «alguém devia fazer» e mais de pessoas que digam:

«Eu vou.»
«Eu ajudo.»
«Eu comprometo-me.»
«Sim, Senhor!»

Irmãos e irmãs,

O Evangelho de hoje não nos pergunta apenas o que dissemos no passado. Pergunta-nos o que estamos dispostos a fazer hoje.

Que o nosso “sim” não seja apenas uma palavra.

Que seja um “sim” à Eucaristia.
Um “sim” à comunidade.
Um “sim” à catequese.
Um “sim” ao serviço.
Um “sim” aos irmãos.
Um “sim” à missão.
Um "sim" à generosidade.

E, neste novo ano catequético, que haja muitos catequizandos a dizer “sim”, muitos pais a dizer “sim”, muitos catequistas a dizer “sim” e toda a comunidade a dizer:

SIM, SENHOR.
Eis-nos aqui.
Queremos trabalhar na tua vinha.

Amém.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

20 de Setembro, 2026 - 25º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Leituras: aqui
Na Vinha do Senhor

A Palavra de Deus deste domingo fala-nos da vinha do Senhor.
E o Evangelho toca numa coisa muito humana: as contas que fazemos uns com os outros e até com Deus.
O dono da vinha chama trabalhadores ao longo de todo o dia. Uns começam de manhã; outros chegam mais tarde; outros quase no fim.
E a todos diz:
«Ide também vós para a minha vinha.»
No fim do dia, paga a todos o mesmo.
E os que trabalharam desde manhã reclamam:
«Estes últimos trabalharam apenas uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós!»

É aqui que começa o nosso problema.
Nós fazemos contas.
Eu estou aqui há muitos anos.
Eu trabalhei.
Eu dei muito.
Eu fiz sacrifícios.
Eu estive sempre disponível.
E, sem darmos por isso, começamos a pensar:
«Por isso, eu mereço mais.»
Mais consideração.
Mais atenção.
Mais poder de decisão.
Mais privilégios.
Mais regalias.
Mas o Senhor pergunta:
«Estás com inveja porque eu sou bom?»
E aqui está uma palavra muito séria para todos nós:
Na vinha do Senhor, ninguém trabalha para comprar privilégios.
Quem serve não fica dono da vinha.
Quem trabalha muitos anos na Igreja não se torna proprietário da Igreja.
Quem dá muito não adquire direitos sobre os outros.
O serviço não é uma moeda de troca.
Se eu sirvo para ser reconhecido, já não estou a servir apenas por amor.
Se ajudo para depois exigir, já comecei a fazer contas.
Se trabalho na Igreja esperando tratamento especial, então já não compreendi o Evangelho da vinha.
Jesus não nos chama para sermos importantes.
Chama-nos para sermos servidores.
E isto vale para todos: para quem chega agora e para quem está aqui há cinquenta anos.
Porque ninguém pode dizer:
«Esta Igreja é minha.»
Não é.
A vinha é do Senhor.

E há ainda outra palavra muito bonita neste Evangelho.
O Senhor continua a chamar trabalhadores até ao fim do dia.
Isto significa que ninguém chega tarde demais para Deus.
Há quem tenha passado muitos anos afastado. Há quem tenha errado. Há quem tenha perdido a fé. Há quem nunca tenha encontrado o seu lugar na comunidade.
E o Senhor continua a dizer:
«Ide também vós para a minha vinha.»
Ainda há lugar.
Mas esta palavra também nos interpela a nós.
Não basta dizer:
«Eu já fiz muito.»
A pergunta é:
«O que estou disposto a fazer hoje?»
E sem exigir nada em troca.
Quem precisa de ser escutado?
Quem está sozinho?
Quem precisa de ajuda?
Quem precisa de ser acolhido?
Quem está à porta e ninguém convidou?

Talvez haja pessoas fora da vinha não porque tenham recusado o convite, mas porque ninguém as chamou.
E talvez essa seja uma das nossas maiores responsabilidades.
Não guardar a vinha para nós.
Abrir a porta.
Não fazer contas.
Servir.
Não procurar privilégios.

Amar.
E quando Deus é bom para alguém que chegou depois de nós, não devemos sentir que perdemos alguma coisa.
Pelo contrário.
Se mais uma pessoa encontrou o caminho de Deus, todos ganhámos.
A vinha é grande. O trabalho é muito. E há lugar para todos.
Por isso, quando o Senhor hoje nos diz:
«Ide também vós para a minha vinha»,
não respondamos:
«E o que é que eu ganho com isso?»
Respondamos:
«Senhor, onde precisas de mim?»
E depois façamos o que Ele nos pede.
Sem contas.
Sem privilégios.
Sem regalias.
Por amor.
Ámen.

Valverde: Nossa Senhora das Dores 2026

Noite de 15 de Setembro. Valverde celebrou a Senhora das Dores.Após a procissão de velas, com o andor da Senhora das Dores, que se iniciou na capela, teve lugar a Eucaristia celebrada junto ao nicho de Nossa Senhora das Dores e animada coralmente por pessoas de Valverde, que também proclamaram a Palavra de Deus. Após a Missa, seguiu-se a procissão de regresso à capela.
As pessoas estiveram na procissão e na Missa em silêncio e postura de fé, numa noite serena e agradável.
Falou-se de Maria. Das suas muitas dores. Mas também das suas alegrias. Ninguém se alegrou tanto com a Ressurreição de Cristo como a Sua Mãe!
Cristo é o centro da vida, do coração e do ensinamento de Maria: "Fazei tudo o que Ele vos disser."
Que em cada momento de dor, sintamos a presença amorosa e acolhedora de Nossa Senhor. Que nunca esperança desapareça! Que s nossas dores e alegrias sejam vistas no seguimento de Cristo e à luz do Seu Mistério Pascal!
Parabéns à comissão, à responsável pela Capela e às pessoas que deram o seu donativo e colaboração.
Parabéns às pessoas que marcaram presença.

Quando uma festa religiosa dá contas à comunidade

 Há exemplos que merecem ser conhecidos, não por serem extraordinários, mas porque mostram como uma festa popular religiosa pode ser organizada com sentido de comunidade, responsabilidade e transparência.

Há dias, participei numa Eucaristia dominical numa paróquia onde, no final da celebração, o pároco apresentou à comunidade as contas da festa da terra. Louvou os mordomos pelo trabalho realizado, pelo rigor na gestão dos dinheiros recebidos e pelo esforço desenvolvido para que a componente religiosa da festa decorresse com toda a beleza e dignidade, tanto na celebração da Missa como na procissão.

Depois, deu conta de uma decisão tomada em diálogo com os mordomos: as sobras da festa seriam aplicadas no restauro de um imóvel da paróquia. Uma pequena parte seria destinada à solidariedade, neste caso às vítimas do tremor de terra na Venezuela.

É um exemplo que merece ser registado.

Uma festa popular religiosa não deve ser pensada apenas em função dos dias da celebração. O trabalho dos mordomos começa muito antes e deve ter também em vista a criação de recursos que possam beneficiar a comunidade e a caridade.

Isso exige trabalho determinado na angariação de fundos, mas também uma gestão cuidadosa das despesas e das receitas. O objetivo não deve ser simplesmente realizar a festa e gastar tudo o que foi angariado. Deve existir a preocupação de conseguir um acréscimo que permita, no final, deixar algo de útil à comunidade e apoiar quem mais precisa.

Neste caso, houve ainda a preocupação de organizar as atividades da festa sem interferir com a Missa dominical e com as restantes ações da paróquia. E houve rigor na gestão das ofertas recebidas.

Porque o dinheiro dado pelo povo deve ser tratado com responsabilidade e transparência.

Por isso, a apresentação pública das contas é tão importante. Quem contribuiu para a festa tem o direito de saber quanto foi recebido, quanto foi gasto e qual o destino dado às sobras. "Quem vive com contas vive com honras", diz o conhecido ditado.

Também o destino das sobras não deveria levantar dúvidas. Numa festa religiosa, o resultado positivo deve reverter em favor da comunidade cristã e da caridade, de acordo com as orientações da Igreja e em diálogo com o pároco.

Não são verbas destinadas a convívios ou jantaradas. Não são dinheiro para ficar simplesmente à disposição da comissão seguinte. E não devem ser aplicadas segundo a vontade pessoal de quem integra a comissão de festas.

São recursos que resultaram do contributo de toda uma comunidade e que, por isso, devem regressar à comunidade sob a forma de obras, necessidades pastorais ou ajuda a quem precisa.

É este conjunto de atitudes — trabalho, cuidado com a celebração religiosa, gestão rigorosa, pagamentos atempados – civis e religiosos -,preocupação em gerar excedentes, prestação de contas e aplicação transparente das sobras — que dá verdadeiro sentido ao serviço dos mordomos.

Ninguém é obrigado a assumir essa responsabilidade. Mas quem aceita ser mordomo de uma festa popular religiosa sabe que não está apenas a organizar um programa festivo. Está a assumir uma tarefa ao serviço da comunidade e da Igreja.

E, quando esse serviço é feito com rigor e transparência, a festa não termina com a última celebração. Deixa também um resultado concreto para a comunidade e para a caridade.

É um bom exemplo. E, sobretudo, é um exemplo que deveria ser seguido.