Na primeira leitura, Deus apresenta-Se a Moisés como “misericordioso e compassivo, lento para a ira e rico em bondade”. O primeiro rosto de Deus não é o castigo; é a misericórdia.
No Evangelho, ouvimos uma das frases mais belas da Bíblia:
“Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o seu Filho.”
Deus não veio para condenar, mas para salvar.
E São Paulo termina desejando:
“Vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco.”
É isto a Trindade:
o Pai que ama,
o Filho que salva,
o Espírito Santo que permanece connosco e nos transforma.
Mas esta festa não é apenas para compreender uma verdade da fé.
É para mudar a nossa maneira de viver.
Se acreditamos num Deus que é comunhão, então um cristão não pode viver fechado em si mesmo, alimentando divisões, indiferenças ou rancores.
A Trindade torna-se concreta quando:
em casa há mais escuta do que gritos;
quando sabemos perdoar;
quando alguém deixa de viver apenas para si;
quando criamos pontes em vez de muros.
Hoje o mundo tem muita comunicação, mas pouca comunhão.
Muitos contactos, mas pouca proximidade verdadeira.
A Trindade recorda-nos que só o amor constrói a vida.
E neste fim do mês de maio, olhamos para Maria.
Maria foi a mulher totalmente aberta ao amor de Deus.
Filha amada do Pai, Mãe do Filho, templo do Espírito Santo.
Na sua vida vemos como Deus habita numa pessoa que diz “sim”.
Maria não guardou Deus para si. Levou-O aos outros.
Também nós somos chamados a isso: levar esperança, paz, fé e reconciliação às pessoas que encontramos.
Talvez a melhor maneira de celebrar a Santíssima Trindade seja esta pergunta simples:
Quem encontra em mim mais amor, mais paz e mais misericórdia?
Porque o sinal da cruz que fazemos tantas vezes — “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” — só faz sentido se depois a nossa vida também falar de amor.

