quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O XXXIV DIA MUNDIAL DO DOENTE - 11 de fevereiro de 2026


“A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro”

Queridos irmãos e irmãs,

O XXXIV Dia Mundial do Doente será celebrado solenemente em Chiclayo, no Peru, a 11 de fevereiro de 2026. Para esta ocasião, quis propor novamente a imagem, sempre atual e necessária, do bom samaritano, a fim de redescobrirmos a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão, e chamar a atenção para os necessitados e para os que sofrem, como são os doentes.

Todos nós já ouvimos e lemos este texto comovente de São Lucas (cf. Lc 10, 25-37). A um doutor da lei que lhe pergunta quem é o próximo a amar, Jesus responde contando uma história: um homem que viajava de Jerusalém para Jericó, assaltado por ladrões, foi abandonado quase morto; um sacerdote e um levita passaram ao largo, mas um samaritano encheu-se de compaixão, tratou-lhe as feridas, levou-o para uma hospedaria e pagou para que cuidassem dele. Desejei propor a reflexão sobre esta passagem bíblica com a chave hermenêutica da Encíclica Fratelli tutti, do meu querido predecessor, Papa Francisco, na qual a compaixão e a misericórdia para com os necessitados não se reduzem a um mero esforço individual, mas realizam-se na relação: com o irmão necessitado, com aqueles que cuidam dele e, fundamentalmente, com Deus, que nos oferece o seu amor.

1 - O dom do encontro: a alegria de oferecer proximidade e presença.

Vivemos imersos na cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença, que impede de nos aproximarmos e pararmos no caminho para olhar as necessidades e os sofrimentos à nossa volta. A parábola relata que o samaritano, ao ver o ferido, não “passou ao largo”, mas teve para ele um olhar aberto e atento, o olhar de Jesus, que o levou a uma proximidade humana e solidária. O samaritano «parou, ofereceu-lhe proximidade, curou-o com as próprias mãos, pôs também dinheiro do seu bolso e ocupou-se dele. Sobretudo […] deu-lhe o seu tempo». Jesus não ensina quem é o próximo, mas como ser próximo, ou seja, como nos tornarmos nós mesmos próximos.  A este respeito, podemos afirmar, com Santo Agostinho, que o Senhor não quis ensinar quem era o próximo daquele homem, mas a quem ele devia tornar-se próximo. Na verdade, ninguém é próximo de outro enquanto não se aproxima voluntariamente dele. Por isso, fez-se próximo aquele que teve misericórdia. 

O amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro; ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar. Por isso, o cristão faz-se próximo daquele que sofre, seguindo o exemplo de Cristo, o verdadeiro Samaritano divino que se aproximou da humanidade ferida. Não são meros gestos de filantropia, mas sinais nos quais se pode perceber que a participação pessoal nos sofrimentos do outro implica dar-se a si mesmo, supõe ir mais além de satisfazer necessidades, para chegar ao ponto da nossa pessoa ser parte do dom.  Esta caridade alimenta-se, necessariamente, do encontro com Cristo, que por amor se entregou por nós. São Francisco explicava-o muito bem quando, falando do seu encontro com os leprosos, dizia: «O Senhor levou-me até eles» porque, através deles, havia descoberto a doce alegria de amar.

O dom do encontro nasce do vínculo com Jesus Cristo, a quem identificamos como o bom samaritano que nos trouxe a saúde eterna e a quem tornamos presente quando nos inclinamos diante do irmão ferido. Santo Ambrósio dizia: «Visto que ninguém nos é verdadeiramente tão próximo como aquele que curou as nossas feridas, amemo-lo vendo nele Nosso Senhor, e amemo-lo como nosso próximo; pois não há nada mais próximo dos membros do que a cabeça. E amemos também aquele que imita Cristo e quem se associa ao sofrimento dos necessitados para a unidade do corpo».  Ser um no Um, na proximidade, na presença, no amor recebido e partilhado, e desfrutar, tal como São Francisco, da doçura de o ter encontrado.

2 - A missão partilhada no cuidado dos doentes.

São Lucas continua dizendo que o samaritano “encheu-se de compaixão”. Ter compaixão implica uma emoção profunda, que conduz à ação. É um sentimento que brota do interior e leva a assumir um compromisso com o sofrimento alheio. Nesta parábola, a compaixão é a característica distintiva do amor ativo. Não é teórica nem sentimental, mas traduz-se em gestos concretos: o samaritano aproxima-se, cura, responsabiliza-se e cuida. Mas, atenção, pois ele não o faz sozinho, individualmente: «o samaritano procurou um estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem, como nós estamos chamados a convidar outros e a encontrar-nos num “nós” mais forte do que a soma de pequenas individualidades».  Na minha experiência como missionário e bispo no Peru, eu mesmo constatei como muitas pessoas partilham a misericórdia e a compaixão ao estilo do samaritano e do estalajadeiro. Familiares, vizinhos, profissionais e agentes pastorais da saúde e tantos outros que param, se aproximam, curam, carregam, acompanham e oferecem o que têm, dando à compaixão uma dimensão social. Esta experiência, que se realiza num entrelaçamento de relações, ultrapassa o mero compromisso individual. Assim, na Exortação apostólica Dilexi te, não me referi apenas ao cuidado dos doentes como uma “parte importante” da missão da Igreja, mas como uma autêntica “ação eclesial” (n. 49). Nela, citei São Cipriano para demonstrar como, nessa dimensão, podemos verificar a saúde da nossa sociedade: «Esta epidemia que parece tão horrível e funesta põe à prova a justiça de cada um e experimenta o espírito dos homens, verificando se os sãos servem aos enfermos, se os parentes se amam sinceramente, se os senhores têm piedade dos servos enfermos, se os médicos não abandonam os doentes que imploram». 

No Um ser um supõe sentirmo-nos verdadeiramente membros de um corpo no qual carregamos, segundo a nossa própria vocação, a compaixão do Senhor pelo sofrimento de todos os homens. Além disso, a dor que nos comove não é uma dor alheia, é a dor de um membro do nosso próprio corpo, ao qual a nossa Cabeça nos manda acudir para o bem de todos. Nesse sentido, identifica-se com a dor de Cristo e, oferecida cristãmente, acelera o cumprimento da oração do próprio Salvador pela unidade de todos. 

3 - Movidos sempre pelo amor a Deus, para nos encontrarmos a nós mesmos e ao próximo.

No duplo mandamento – «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo» ( Lc 10, 27) –, podemos reconhecer a primazia do amor a Deus e a sua direta consequência na forma do homem amar e se relacionar, em todas as suas dimensões. «O amor ao próximo é a prova tangível da autenticidade do amor a Deus, como atesta o Apóstolo João: “A Deus nunca ninguém o viu; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós. […] Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1 Jo 4, 12.16)».  Embora o objeto desse amor seja distinto – Deus, o próximo e nós mesmos –, e, nesse sentido, possamos entendê-los como amores distintos, eles são sempre inseparáveis.  A primazia do amor divino implica que a ação do homem seja realizada sem interesse pessoal ou recompensa, mas como manifestação de um amor que transcende as normas rituais e se traduz num culto autêntico: servir o próximo é amar a Deus na prática. 

Esta dimensão também nos permite contrastar o que significa amar-se a si mesmo. Implica afastar de nós o interesse de basear a nossa autoestima ou o sentido da nossa própria dignidade em estereótipos de sucesso, carreira, posição ou linhagem, recuperando pelo contrário a nossa própria posição diante de Deus e do irmão. Bento XVI dizia que «de natureza espiritual, a criatura humana realiza-se nas relações interpessoais: quanto mais as vive de forma autêntica, tanto mais amadurece a própria identidade pessoal. Não é isolando-se que o homem se valoriza a si mesmo, mas relacionando-se com os outros e com Deus». 

Queridos irmãos e irmãs, «o verdadeiro remédio para as feridas da humanidade é um estilo de vida baseado no amor fraterno, que tem as suas raízes no amor de Deus».  Desejo vivamente que nunca falte no nosso estilo de vida cristão esta dimensão fraterna, “samaritana”, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a sua raiz mais íntima na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo. Inflamados por esse amor divino, poderemos realmente entregar-nos em favor de todos os que sofrem, especialmente dos nossos irmãos doentes, idosos e aflitos.

Elevemos a nossa oração à Bem-Aventurada Virgem Maria, Saúde dos Enfermos, pedindo a sua ajuda por todos aqueles que sofrem e que precisam de compaixão, escuta e consolo, e supliquemos a sua intercessão com esta antiga oração, que se rezava em família, pelos que vivem na doença e na dor:

Doce Mãe, não vos afasteis,
vossos olhos de mim não aparteis.
Vinde comigo por todo o caminho,
e nunca me deixeis sozinho.
Já que me protegeis tanto
como uma verdadeira Mãe,
fazei com que me abençoem o Pai,
o Filho e o Espírito Santo.


Concedo de coração a minha bênção apostólica a todos os doentes, às suas famílias e aos que cuidam deles; também aos profissionais e agentes da pastoral da saúde e, muito especialmente, aos que participam neste Dia Mundial do Doente.

Vaticano, 13 de janeiro de 2026

LEÃO PP. XIV

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

8 de Fevereiro, 2026 - 05º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Leituras: aqui

A fé cristã não brilha pelo espetáculo, mas pela coerência: quando o Evangelho passa pelas nossas mãos, torna-se luz.

As leituras deste domingo colocam-nos diante de uma questão essencial: como é que a nossa fé se torna visível no dia-a-dia?

O profeta Isaías é muito concreto. Fala de repartir o pão com quem tem fome, de acolher o pobre, de não ignorar quem sofre. E promete: “Então a tua luz romperá como a aurora.” A luz nasce quando a fé se transforma em cuidado pelo outro. Não é uma fé teórica, mas vivida.

São Paulo, na segunda leitura, recorda-nos que não anunciou Cristo com palavras brilhantes ou sabedoria humana. Fê-lo com simplicidade, para que a fé dos cristãos não se apoiasse nos homens, mas no poder de Deus. A fé autêntica não procura impressionar; procura ser fiel.

No Evangelho, Jesus diz-nos com clareza: “Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo.” Não é um convite opcional, é uma identidade. O sal existe para dar sabor; a luz existe para iluminar. O cristão não vive fechado em si mesmo, mas para dar sentido e esperança ao mundo que o rodeia.

Mas Jesus também avisa: o sal pode perder o sabor e a luz pode ser escondida. Isso acontece quando há distância entre o que acreditamos e o modo como vivemos. Uma fé que não passa pelos gestos perde a sua força.

Hoje, somos chamados a deixar que a luz de Cristo se manifeste nas pequenas escolhas, na atenção aos mais frágeis, na coerência da nossa vida. Assim, como diz Jesus, os outros poderão ver as nossas obras e glorificar o Pai que está nos Céus.

Que o Senhor nos ajude a ser sal com sabor e luz que não se esconde.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Famílias reunidas e Encontro de Pais - "A família e as novas tecnologias"

15 horas do dia 31de janeiro, Centro Paroquial de Tarouca. Salão cheio de pais e filhos. Iniciava-se o Encontro de Famílias, com a celebração da Eucaristia vespertina, presidida pelo P.e Paulo Alves que fez a homilia.
Seguidamente, os filhos foram ver um filme ao Auditório Municipal sobre David (antigo rei de Israel), acompanhados pelos respetivos catequistas. Os pais ficaram no salão para o seu encontro que, sob o lema que tem a ver com o presente Ano Pastoral: "Igreja em construção, famílias em dedicação", Após a intervenção de um membro da equipa promotora, seguiu-se um "teatro de sombras", representando o papel das novas tecnologias na família, do agrado dos presentes. Esta atividade foi feita pelo Grupo de Jovens.
Depois, os pais dividiram-se por grupos de 7 e, em grupo, trabalharam durante algum tempo sobre novas tecnologias na família sob uma perspetiva cristã.
Este trabalho grupal já foi realizado em termos das modernas tecnologias, sem papéis.
Seguiu-se uma intervenção da psicóloga Dra. Milene e do P.e Paulo Alves, professor de Psicologia no Ensino Superior. Procuraram esclarecer e lançar luz sobre as conclusões dos grupos, num estilo simples, agradável, positivo. esperançoso que envolveu os presentes.
Pais, filhos, comunidade não devem nem endeusar nem demonizar as novas tecnologias. Devem humanizá-las e pô-las aio serviço da dignidade da pessoa humana. É o caso da Inteligência Artificial - IA. Ela só nos ajuda em verdade se nós formos inteligentes a interagir com ela.
De seguida, chegaram ao salão os filhos, vindos do filme, e teve lugar um chazinho, servido com bolo.

Notas finais:
1. Parabéns à equipa organizadora: Luís, Lurdes, Almerinda, Judite, Adelaide, Tozé, Susana e Natália. Bom trabalho de conceção,  planeamento e execução. 
2. Obrigado ao Grupo de Jovens  pela bela execução do "teatro de sombras".
3. Parabéns aos catequizandos  de todos os anos de catequese e seus catequistas.
4. Foi ótimo ver tantos pais, participativos e interessados.  É bom trabalhar para vós. Mas é ainda melhor trabalhar convosco. Juntos vamos mais longe...
5. Abraço de agradecimento e felicitação ao bom amigo, P.e Paulo e à Drª Milene. Estiveram muito bem. Como é costume. 
6. Através dos filhos, das Eucaristias dominicais, do Facebook, do Blog da Paróquia, do jornal Sopé da Montanha  procuramos chegar a todas as famílias. 
7. Parabéns aos escuteiros que, perante a família paroquial, deram um belo testemunho, simples e alegre, da vida escutista.  O escutismo é AMIGO das famílias!
Que belo momento da Família Paroquial! A paróquia é uma família de famílias.

Família, ecrãs e coração

Vivemos num tempo em que as novas tecnologias entraram definitivamente em casa. Estão na sala, no quarto, no bolso e até à mesa. Não bateram à porta: chegaram e ficaram. Por isso, mais do que perguntar se devemos lidar com elas, a verdadeira questão é como o fazemos — em família, com inteligência, com afeto e com responsabilidade.

Foi precisamente sobre isto que refletimos num belo e participativo encontro paroquial de famílias. Depois de os mais novos seguirem para as suas atividades, os pais ficaram à conversa, partilhando dúvidas, experiências e esperanças. Não houve receitas mágicas, mas houve escuta, proximidade e vontade de caminhar juntos.

As tecnologias não são inimigas nem salvadoras. Não são boas nem más por si mesmas. São ferramentas. Endeusá-las seria ingénuo; demonizá-las, injusto e pouco eficaz. O discernimento — tão caro à tradição cristã — continua a ser o melhor guia: usar bem o que existe, sem perder o essencial.

As crianças e os adolescentes precisam de limites. Precisam mesmo deles — ainda que protestem. Os limites não são castigos, são gestos de cuidado. Dão segurança e ajudam a crescer. A radicalidade, pelo contrário, raramente educa: fecha portas, alimenta a mentira e empurra para o uso escondido.

Num mundo cada vez mais digital, é importante estarmos atentos ao bullying informático. As palavras escritas num ecrã também ferem, e o silêncio pode aumentar a dor. A presença atenta dos adultos, o diálogo aberto e a confiança continuam a ser a melhor proteção.

Também a inteligência artificial e as novas tecnologias podem ser grandes aliadas, desde que estejam ao serviço da pessoa humana. A fé recorda-nos que nenhuma máquina substitui a consciência, a liberdade, o amor e a capacidade de escolher o bem.

A família continua a ser o primeiro lugar onde se aprende a usar o mundo — inclusive o digital. Com paciência, com quedas e recomeços, com regras e ternura. E quando caminhamos juntos, como comunidade cristã, torna-se mais fácil educar com esperança. Porque onde há encontro, há futuro. E onde há amor, Deus continua a passar.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

1 de Fevereiro, 2026 - 04º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Leituras: aqui
 

“Família: Igreja em construção e dedicação”

Irmãos e irmãs,

As leituras deste domingo falam-nos de algo muito simples e, ao mesmo tempo, muito exigente: onde Deus gosta de construir a sua casa.

O profeta Sofonias diz-nos que Deus procura um povo humilde, simples, que confia n’Ele. São Paulo lembra-nos que Deus não escolhe os mais fortes, nem os mais perfeitos, mas aqueles que se deixam amar. E no Evangelho, Jesus proclama as Bem-aventuranças: um verdadeiro “retrato” do coração de Deus.

Tudo isto tem muito a ver com a família, tal como ela é hoje.

Vivemos num mundo que valoriza o sucesso, a imagem, a rapidez, o ter sempre razão. As Bem-aventuranças vão noutra direção: falam de mansidão, de misericórdia, de fome de justiça, de coração puro, de quem constrói a paz.
Ora, não é isto que todos desejamos para a nossa família?

A família é, muitas vezes, o primeiro lugar onde aprendemos a ser felizes… e também onde aprendemos a perdoar.
É na família que descobrimos que amar não é só sentir, é dedicar-se, insistir, recomeçar.

Quando Jesus diz: “Felizes os pobres em espírito”, está a falar de quem não se acha dono de tudo.
Quantas vezes, na família, é preciso ser “pobre em espírito”: reconhecer limites, pedir desculpa, aceitar ajuda.

“Felizes os mansos.”
A mansidão não é fraqueza. É a força de quem escolhe o diálogo em vez do grito, a escuta em vez da indiferença.
Hoje, quantas famílias precisam desta mansidão para não se perderem no cansaço, na falta de tempo, nas tensões do dia a dia?

“Felizes os misericordiosos.”
Não há família perfeita. Há famílias que aprendem a perdoar.
Perdoar não apaga tudo, mas abre espaço para Deus continuar a construir.

A família cristã é chamada a ser uma pequena Igreja em construção.
Não uma Igreja acabada, perfeita, mas uma Igreja onde se reza, onde se fala de Deus, onde se aprende a amar como Jesus.

E esta construção não se faz sozinha.
Constrói-se com presença, com tempo partilhado, com palavras simples, com gestos pequenos, mas fiéis.
Constrói-se quando os pais educam com amor, quando os filhos aprendem a respeitar, quando os avós transmitem a fé e a memória.

Hoje, neste Dia da Família, não celebramos famílias ideais, mas famílias reais, com desafios, fragilidades e esperança.
E escutamos uma boa notícia: Deus continua a acreditar na família.
É nela que Ele quer habitar. É nela que Ele quer ser visível no mundo.

Que esta Eucaristia nos ajude a renovar o desejo de sermos famílias segundo as Bem-aventuranças:
famílias que constroem, famílias que se dedicam, famílias onde Deus se sente em casa.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

25 de Janeiro, 2026 - 03º Domingo do Tempo Comum - Ano A . Domingo da Palavra de Deus

Leituras: aqui

Irmãos e irmãs,

Neste 3.º Domingo do Tempo Comum, a Igreja convida-nos a deter o olhar e o coração naquilo que está na origem da nossa fé: a Palavra de Deus. Uma Palavra que não é abstracta nem distante, mas luz que entra na história, que toca a vida concreta e abre caminhos novos.

A primeira leitura, do profeta Isaías, começa por descrever uma terra mergulhada na escuridão. Mas é precisamente aí que ressoa o anúncio:
“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz.”
A Palavra de Deus nasce muitas vezes neste contraste: não ignora a realidade, não disfarça as sombras, mas faz nascer luz onde parecia não haver esperança. Não é uma palavra de condenação, mas de promessa; não é um peso, mas uma abertura.

No Evangelho, São Mateus mostra-nos Jesus a iniciar a sua missão na Galileia, essa mesma terra evocada por Isaías. E a primeira Palavra que Jesus proclama é simples e decisiva:
“Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus.”

Esta conversão não é, antes de mais, um moralismo ou uma lista de obrigações. É um convite a mudar de olhar, a orientar a vida a partir de uma boa notícia: Deus está próximo, o Reino já começou. A Palavra de Deus não vem exigir o impossível; vem despertar o coração para algo maior.

Logo a seguir, Jesus chama os primeiros discípulos. Não lhes faz um discurso elaborado. Diz apenas:
“Vinde comigo.”
E a Palavra é tão forte que eles deixam as redes e seguem-no. Aqui percebemos algo essencial: a Palavra de Deus chama, cria relação, põe a vida em movimento. Quem a escuta de verdade descobre que a vida pode ser mais ampla, mais livre, mais fecunda.

Celebrar hoje o Domingo da Palavra de Deus é recordar que a fé nasce da escuta. Não seguimos uma ideia nem uma ideologia, mas uma Palavra viva que nos chama pelo nome. Uma Palavra que continua a ecoar na Igreja, na liturgia, na oração pessoal e na vida comunitária.

Esta Palavra foi também decisiva na vida de São Paulo, cuja conversão celebramos nestes dias. Paulo é alguém que conhecia bem as Escrituras, mas foi preciso um encontro vivo com Cristo para que a Palavra se tornasse vida nova. A sua conversão recorda-nos que a Palavra de Deus não se esgota no conhecimento, mas transforma quando é acolhida como encontro.

Na segunda leitura, São Paulo dirige um apelo forte à comunidade de Corinto:
“Que não haja divisões entre vós.”
Estas palavras soam de forma especial neste momento em que se encerra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A Palavra de Deus não nos separa; pelo contrário, chama-nos à comunhão, ajuda-nos a recentrar a fé em Cristo e não em preferências pessoais ou divisões humanas.

Quando a Palavra ocupa o centro, a Igreja reencontra a sua unidade. Não uma unidade uniforme, mas uma unidade enraizada em Cristo, a única Palavra que salva.

Irmãos e irmãs, o convite deste domingo é simples e luminoso:
deixarmo-nos encontrar pela Palavra de Deus. Escutá-la com confiança, acolhê-la com alegria, permitir que ela ilumine as nossas decisões e fortaleça a nossa comunhão.

A Palavra continua a dizer hoje: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz.”
Que essa luz nos alcance, nos una e nos ponha a caminho, como discípulos chamados, enviados e sustentados pela alegre proposta do Evangelho.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

18 de Janeiro, 2026 - 02º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Leituras: aqui

Irmãos e irmãs,

Estamos no início do Tempo Comum. “Comum” não quer dizer banal. Quer dizer o tempo da vida como ela é, com trabalho, família, dúvidas, alegrias, cansaços. É precisamente aí que Deus se revela.

O Evangelho de hoje mostra-nos João Batista a apontar Jesus e a dizer uma frase curtinha, mas explosiva:
“Eis o Cordeiro de Deus.”

Reparem: João não segura as pessoas para si. Ele aponta. Não se põe no centro. Diz, em linguagem simples: “Não sou eu. É Ele.”
E isto já é uma primeira pergunta para nós:
👉 Para onde é que eu aponto com a minha vida? Para mim ou para Cristo?

“Eis o Cordeiro de Deus” – um Deus que se dá

Quando ouvimos “cordeiro”, pensamos em fragilidade, mansidão. Nada de triunfalismos.
João não diz: “Eis o leão que vai esmagar os inimigos.”
Diz: “Eis o Cordeiro que tira o pecado do mundo.”

O pecado do mundo não é só o pecado “dos outros”.
É tudo o que divide, fecha, endurece:

  • a indiferença,

  • o orgulho,

  • a incapacidade de escutar,

  • as guerras, também as pequenas guerras dentro de casa e da Igreja.

Jesus não tira o pecado com violência, mas entregando-se.
É assim que Deus salva: amando até ao fim.

Chamados a ser luz, não holofotes

A primeira leitura dizia:
“Fiz de ti luz das nações.”

Não diz: “fiz de ti um juiz”, nem “um fiscal da fé”.
Diz: luz.

A luz não grita, não empurra.
A luz ajuda a ver, aquece, orienta.

Num mundo cansado de discursos agressivos, o cristão é chamado a ser:

  • alguém que escuta,

  • alguém que constrói pontes,

  • alguém que não apaga a mecha que ainda fumega.

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Hoje começamos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
E isto não é um detalhe no calendário. É coisa séria.

Jesus é um só Cordeiro, não está dividido.
Mas os cristãos, muitas vezes, estão.

Unidade não significa todos iguais, mas todos voltados para o mesmo Senhor.

Talvez não possamos resolver séculos de divisões…
👉 mas podemos começar por coisas simples:

  • rezar uns pelos outros,

  • falar com respeito,

  • deixar de usar a fé como arma,

  • lembrar que o que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa.

A divisão é um escândalo.
A unidade, mesmo imperfeita, é um testemunho.

Preparar o Dia da Palavra de Deus

Dentro de oito dias vamos celebrar o Dia da Palavra de Deus.

O Evangelho de hoje mostra-nos algo essencial:
João Batista reconhece Jesus porque escuta, porque vê, porque medita.
Ele conhece Deus porque vive em diálogo com a Palavra.

Talvez esta seja uma boa pergunta para levarmos para casa:
👉 Que lugar tem a Palavra de Deus na minha semana?

  • Está aberta… ou fechada na estante?

  • É lida… ou só ouvida de longe na Missa?

  • É luz para as decisões… ou apenas uma tradição?

Preparar o Dia da Palavra de Deus é simples e exigente ao mesmo tempo:

  • pegar no Evangelho,

  • ler devagar,

  • perguntar: “Senhor, o que me queres dizer hoje?”

Conclusão

Hoje, João Batista continua a apontar e a dizer-nos:
“Eis o Cordeiro de Deus.”

Não diz: “Eis a solução mágica para todos os problemas.”
Mas diz: “Eis Aquele que caminha contigo, carrega contigo, salva-te amando.”

Que esta Eucaristia:

  • nos torne mais unidos,

  • mais atentos à Palavra,

  • mais luz no meio da vida comum.

E que também nós, com a nossa vida, saibamos dizer sem muitas palavras:
“Não sou eu. É Ele.”

domingo, 11 de janeiro de 2026

Textos bíblicos sobre o Batismo

 1. 1 Coríntios 12,13

“Todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo.”

2. Gálatas 3,26–28

“Todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, pois todos vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos sois um só em Cristo Jesus.”

3. Efésios 4,4–6

“Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança para a qual fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos.”

4. Romanos 6,3–5

“Não sabeis que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos, assim também nós vivamos uma vida nova.”

5. Gálatas 3,27

“Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.”

6. 1 Pedro 2,9

“Vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido, para proclamar as maravilhas d’Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.”

7. Romanos 8,14–17

“Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. […] Recebestes um Espírito de adopção filial, pelo qual clamamos: ‘Abbá, Pai’. O próprio Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus.”

8. João 1,12–13

“Aos que O receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que acreditam no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”

9. Mateus 28,19–20

“Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos mandei.”


Considerações finais 

  1. Somos Igreja porque somos batizados
    O Batismo não é um acto privado: incorpora-nos num corpo concreto, visível e missionário. Ninguém é cristão sozinho. Ser batizado é pertencer à Igreja e assumir responsabilidade por ela.

  2. Todo o batizado participa na missão de Cristo
    Não apenas os ministros ordenados, mas todo o batizado participa da missão profética, sacerdotal e real de Cristo. A fé não é para ser guardada, mas anunciada, vivida e testemunhada no quotidiano.

  3. Batizado uma vez, filho de Deus para sempre
    O Batismo imprime uma identidade permanente: somos filhos no tempo e na eternidade. Mesmo na fragilidade, no pecado ou na distância, a filiação permanece como fundamento da esperança e da conversão.

  4. O Batismo é exigente para a vida diária
    Ser batizado implica viver de modo coerente: na família, no trabalho, na sociedade. Cada escolha pode tornar visível — ou obscurecer — a identidade cristã recebida.

  5. Viver o Batismo é assumir uma missão concreta no mundo
    O Batismo não termina na pia baptismal: começa aí. Ele envia cada cristão a transformar o mundo a partir de dentro, como discípulo-missionário.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Festa do Baptismo do Senhor – Ano A

Leituras: aqui

Oração

Senhor Deus, Pai de bondade,
que no rio Jordão manifestastes Jesus, vosso Filho amado,
e fizestes ouvir a vossa voz de amor e de vida,
nós vos louvamos e agradecemos pelo dom do nosso Batismo.

Por ele fomos mergulhados em Cristo,
renascemos para uma vida nova
e nos tornámos membros vivos da Igreja que caminha na história.
Fazei de nós uma comunidade fiel ao Evangelho,
aberta ao vosso Espírito
e comprometida com a construção do vosso Reino.

Ajudai-nos a viver o Batismo como vocação e missão,
não apenas como um rito do passado,
mas como um compromisso assumido para toda a vida.
Que, fortalecidos pela vossa graça,
sejamos sinais do vosso amor no mundo,
testemunhas da fé, da justiça e da esperança.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Escuteiros: Bíblia e Ceia de Natal

21 de dezembro de 2025. Sede do Agrupamento 1006 do CNE. Encontro natalício.
Antes da refeição, uma bela surpresa. Este Agrupamento havia apresentado candidatura junto da "Sociedade Bíblica", tendo em conta a oferta de livros sobre a Bíblia, adaptados às diversas idades que integram o escutismo. Cada um dos presentes, de acordo com o seu status etário, recebeu um livro.
Após a explicação do processo, levado a cabo por um Chefe, o Pároco felicitou o Agrupamento pela iniciativa e falou com os presentes sobre a Bíblia, e sua importância na vida de crentes. A Palavra de Deus é Deus feito Palavra.  Insistiu com as crianças e jovens presentes sobre a importância quotidiana da leitura bíblica, acolhendo o que Deus transmite em cada dia. 
Seguiu-se a refeição, alegre e simples, com vários momentos engraçados.
Força, 1006! Prá frente, minha gente!

Anúncio da Páscoa e das festas móveis

Irmãos caríssimos,
a glória do Senhor manifestou-se
e sempre se manifestará no meio de nós
até ao seu retorno.
Na sucessão dos tempos e das festas
recordamos e vivemos
os mistérios da salvação.
O centro de todo o Ano litúrgico
é o Tríduo do Senhor
crucificado, sepultado e ressuscitado,
que culminará no domingo de Páscoa, dia 5 de abril .
Em cada domingo,
Páscoa da semana,
a santa Igreja torna presente
este grande acontecimento,
no qual Cristo venceu o pecado e a morte.
Da Páscoa procedem todos os dias santos:
as Cinzas, início da Quaresma, dia 18 de fevereiro,
a Ascensão do Senhor, dia 17 de maio,
o Pentecostes, dia 24 de maio 
e o primeiro domingo do Advento, dia  29 de novembro.
Também nas festas da santa Mãe de Deus,
dos apóstolos, dos santos
e na comemoração de todos os fiéis defuntos,
a Igreja peregrina sobre a terra
proclama a Páscoa do seu Senhor.
A Cristo
que era, que é e que vem,
Senhor do tempo e da história,
louvor e glória pelos séculos dos séculos.
R. Amen.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

4 de Janeiro, 2026 - Solenidade da Epifania do Senhor - Ano A

 

Leituras: aqui

Irmãos e irmãs,

Celebrar a Epifania é celebrar um Deus que não se esconde, mas se manifesta. Um Deus que não pertence a um grupo fechado, mas que se dá a conhecer a todos os povos. A luz que hoje brilha em Belém não é só para Israel: é para o mundo inteiro.

A primeira leitura do profeta Isaías é um grito de esperança: “Levanta-te, Jerusalém!” A cidade estava ferida, em reconstrução, ainda marcada pelo exílio. Mesmo assim, Deus diz: a luz já está presente. Isto é importante: Deus não espera que tudo esteja pronto para agir. Ele manifesta-se no meio do caminho, enquanto o povo ainda constrói, ainda aprende, ainda recomeça.

Aqui já tocamos o nosso tema: Igreja sempre em construção e dedicação. A Igreja não é um edifício acabado. É um povo em caminho, iluminado por Cristo, chamado a levantar-se todos os dias.

No Evangelho, os Magos representam aqueles que se deixam inquietar. Eles veem uma estrela e não ficam parados. Levantam-se, partem, arriscam. A fé verdadeira nunca é acomodada. Quem encontra sinais de Deus não se instala: põe-se a caminho.

Herodes, ao contrário, também ouve falar do Menino, mas reage com medo e fechamento. Eis uma pergunta direta para nós:
* Somos como os Magos, que procuram e se dedicam, ou como Herodes, que se defende e se fecha?

Os Magos chegam a Jesus e fazem três gestos simples e profundos: prostram-se, oferecem dons e mudam de caminho ao voltar. Aqui está um verdadeiro itinerário espiritual e pastoral:

  • Prostrar-se: reconhecer que Deus é Deus e nós não somos. Uma Igreja em construção começa na humildade.

  • Oferecer dons: ouro, incenso e mirra. Não deram sobras, deram o melhor. Uma Igreja viva é feita de pessoas que se dedicam de verdade, não apenas quando sobra tempo.

  • Voltar por outro caminho: quem encontra Cristo não continua igual. Uma Igreja em dedicação é uma Igreja que se deixa transformar.

São Paulo, na carta aos Efésios, recorda-nos o grande mistério da Epifania: todos são chamados à mesma herança. Não há cristãos de primeira e de segunda categoria. A Igreja constrói-se quando inclui, acolhe, escuta e caminha junto.

Por isso, esta festa interpela-nos com força:
* Que tipo de Igreja estamos a construir?
* Uma Igreja fechada em si mesma ou uma Igreja que irradia luz?
* Uma Igreja de espectadores ou uma Igreja de discípulos dedicados?

A Epifania lembra-nos que Cristo continua a manifestar-se hoje, através de uma comunidade que serve, que se doa, que não desiste. Cada gesto de dedicação, cada passo na construção do bem comum, cada esforço silencioso é uma estrela que aponta para Jesus.

Irmãos e irmãs, levantemo-nos. A luz já brilha. Não esperemos que a Igreja esteja perfeita para nos comprometermos. Ela constrói-se com a nossa fé, com a nossa dedicação e com a nossa coragem de seguir por caminhos novos.

Que, como os Magos, saibamos reconhecer a estrela, caminhar juntos e oferecer ao Senhor não apenas presentes, mas a nossa própria vida. Amém.

Tema do Dia Mundial da Paz, 1 de janeiro 2026: “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante” (Leão XIV)


Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz

O Papa convida a recordar a saudação de Jesus Ressuscitado: “A paz esteja convosco!” — não apenas como palavras bonitas, mas como um convite real a viver a paz no nosso dia a dia. Ele fala de uma paz que não depende de armas nem de força militar —uma paz desarmada e desarmante, que nasce do coração aberto e do diálogo, e não de medo ou ameaça. A paz que Jesus nos dá é humilde, perseverante, e transforma-nos por dentro. Ela cham-nos a: acolher a paz em nós mesmos; resistir à violência e ao medo; trabalhar pela justiça e pela confiança entre pessoas e povos. O Papa lembra que a paz é um caminho, não apenas um objetivo distante, e que começa nas pequenas escolhas de cada dia — nas nossas relações, na forma como tratamos os outros e como resolvemos conflitos.

Leia AQUI toda a  Mensagem do Papa!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

1 de janeiro - Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus – Ano A

 Juntos, na fraternidade e solidariedade

Juntos, na fraternidade
e
solidariedade

 

Nesse dia, celebramos várias comemorações:
- O 1º dia do ano;
- A Solenidade de Maria, Mãe de Deus;
- O "Dia Mundial da Paz".


Vamos refletir sobre essas motivações:


1. Mais um ano, que começa...
Inicialmente, desejo que o novo ano seja para todos vocês,
cheio de Paz e Prosperidade, com todas as bênçãos de Deus...
Olhando o ANO que termina e o outro que inicia... notamos que

muita coisa fizemos, muita coisa deixamos de fazer e

muita coisa ainda resta por fazer...


* E esse momento  leva-
nos a uma ATITUDE:

- de GRATIDÃO:

     - a DEUS... pelo dom da VIDA... pela sua GRAÇA... pela sua FORÇA...
     - às PESSOAS, que nos ajudaram na nossa caminhada...
- de PERDÃO: pelas vezes que falhamos...
  por pensamentos... por palawas... por ações... e omissões...
- de PRECE: Implorando a Bênção de Deus sobre o novo ano...


Na Leitura, Moisés, em nome de Deus, a fonte de toda a Bênção,

comunica a Aarão e seus filhos o ministério de abençoar:
"Abençoareis os filhos de Israel assim:
o Senhor te abençoe e te proteja!
O Senhor volte seu rosto para ti e se compadeça de ti!.
O Senhor dirija o seu olhar para ti e te conceda a Paz!
Assim invocarão o meu nome, e eu os abençoarei..."  
(Nm 6,22-27)


* É uma bênção litúrgica, que atualiza a Aliança e

assegura proteção, benevolência e paz.

 

+ Que sentido tem pedir a bênção?
A bênção não é um ato mágico para resolver todos os nossos problemas.

Quem a recebe terá as mesmas dificuldades que os outros homens.

Entretanto, recebe a força necessária para enfrentá-las

através da nova luz que procede da nossa fé. 

Pedir a BÊNCÃO: é uma maneira de reconhecer a nossa dependência de Deus em todos os dias do novo ano.

- Pedir a bênção das  nossas CASAS,
  é desejar que o Cristo visite o nosso lar e permaneça sob nosso teto.
- Pedir a bênção dos CARROS, não supõe que possamos abusar no trânsito...

- A força da bênção não depende dos poderes do Sacerdote que a profere,   mas do poder e da vontade de Deus...

2. Hoje também é o 59º DIA MUNDIAL DA PAZ DE 2026

Na sua mensagem para esse dia, o Papa Leão XIV escolheu o tema: "A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz 'desarmada e desarmante'".

É um apelo a rejeitar a violência e construir uma paz autêntica baseada no amor, justiça e diálogo, que desfaz conflitos e gera confiança.

A escolha recai sobre uma expressão utilizada logo no início do pontificado, quando apareceu pela primeira vez no balcão central da Basílica de São Pedro, no dia da sua eleição como Sucessor de Pedro:

"A paz esteja com todos vós! Caríssimos irmãos e irmãs,

esta é a primeira saudação de Cristo Ressuscitado,

o Bom Pastor, que deu a vida pelo rebanho de Deus.

Também eu gostaria que esta saudação de paz

entrasse no vosso coração, chegasse às vossas famílias,

a todas as pessoas, onde quer que se encontrem,

a todos os povos, a toda a terra.

A paz esteja convosco!" (Leão XIV) 

3. A Igreja celebra hoje também a festa de MARIA MÃE DE DEUS...

O Evangelho apresenta Maria, recebendo feliz a visita dos pastores...
e meditando em seu coração tudo o que falavam do Messias...
(Lc 2,16-21)
A reação dos pastores é numa atitude de ação de graças e de testemunho, glorificando e louvando a Deus, por tudo o que tinham visto e ouvido.


* A atitude meditativa de Maria, que interioriza e aprofunda os acontecimentos, e a atitude "missionária" dos Pastores, que proclamam a ação salvadora de Deus, 
manifestada no nascimento de Jesus, são duas atitudes essenciais, que devem estar presentes na vida de todos nós. 

Na 2ª Leitura, Paulo lembra o Amor de Deus,

que enviou o seu Filho ao encontro dos homens

para os libertar da escravidão da Lei e para os tornar seus "filhos".

Nesta situação, podemos chamar a Deus de "Abbá" (papai)...


+ E Você, que planos tem para este novo ano de 2026?

Que tal... COMEÇAR O ANO...

- Com um OLHAR novo sobre esta casa, esta cidade, este trabalho,  que a rotina já cansou e desgastou...

- Com um AMOR novo: com o pai... a esposa... os filhos ... o vizinho...  que talvez no dia a dia acabou esfriando...

- com um CORAÇÃO novo, disposto a descobrir em tudo e em todos,   o rosto e as mãos de um Cristo intensamente presente em nossa vida...

- E, a exemplo de MARIA, Mãe de Deus e Rainha da Paz,
  SEMEAR PAZ, ao redor de nós,
  para que este novo ano seja mais
humano, mais fraterno e mais cristão?...

 É O QUE DESEJO A TODOS NÓS!...

 

                                                      Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 01.01.2026