quinta-feira, 9 de abril de 2026

2º Domingo da Páscoa (Ano A) - Domingo da Divina Misericórdia

A 1ª leitura dá-nos uma imagem poderosa da Igreja:
uma comunidade em construção.
Não idealizada — vivida:
perseverante na fé, unida, concreta na partilha, fiel na oração.
E o resultado é impressionante:
“tinham a simpatia de todo o povo.”
Porquê?
Porque a fé não era teoria — era visível nas relações.
É aqui que tudo começa hoje:
a Ressurreição não é só um acontecimento — é uma forma de viver juntos.

E então entendemos melhor o Evangelho.
Os discípulos estão fechados, com medo, fragmentados.
Jesus entra — e faz três coisas simples e decisivas:
dá a paz, mostra as chagas, envia em missão.
A paz recompõe por dentro.
As chagas mostram que o amor passou pela ferida.
A missão impede o fechamento.
E logo ali começa a nascer o que vemos nos Atos dos Apóstolos:
uma comunidade reconciliada, enviada, viva.
Mas atenção: isso não acontece automaticamente.
A comunidade constrói-se — ou destrói-se —
no modo como falamos, reagimos, corrigimos, esperamos.

E aqui entram critérios muito concretos.
Primeiro: saber dizer.
Nem tudo o que é verdade deve ser dito de qualquer maneira.
Nem tudo o que deve ser dito, deve ser dito já.
Se falo quando me apetece, posso ser verdadeiro…
e profundamente injusto.
Uma regra simples, mas exigente:
“Elogios em público, críticas em privado.”
Isto não é etiqueta — é caridade concreta.

Segundo: saber esperar.
A comunidade dos Atos não era perfeita — era paciente.
Saber esperar pelo momento certo,
tendo em conta o estado do outro.
Jesus fez isso com Tomé.
Não o expôs. Não o pressionou.
Deu-lhe tempo.
Sem paciência, não há comunhão — há pressão.

Terceiro: unir verdade e caridade.
Aqui decide-se tudo.
“Verdade sem caridade humilha e afasta.
Caridade sem verdade é falsidade.”
Uma comunidade sem verdade dissolve-se.
Uma comunidade sem amor torna-se dura.
O Evangelho mostra o equilíbrio:
Jesus diz a verdade a Tomé —
mas de forma que o levanta, não que o quebra.

Conclusão
A Igreja que vemos nos Atos não é um sonho distante.
É o fruto de homens que deixaram Cristo iransformar
a maneira de estar uns com os outros.
Hoje, o desafio é o mesmo:
Construir comunidade
— com palavras justas,
— com tempos respeitados,
— com verdade humilde.
Porque é assim que a Ressurreição se torna visível.
E é assim que, ainda hoje,
Deus continua a acrescentar… aqueles que se salvam.
Ámen.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

A Ressurreição de Jesus não é a mesma coisa que a ressurreição de Lázaro

 O mistério da Ressurreição é o centro da fé cristã. Nele, a Igreja proclama que Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, venceu a morte e abriu para toda a humanidade o caminho da vida nova. Não é apenas um facto do passado, mas uma realidade viva que dá sentido à nossa esperança.

Antes de mais, é essencial distinguir: a Ressurreição de Jesus não é a mesma coisa que a ressurreição de Lázaro. Lázaro voltou à vida terrena, à mesma condição de antes, e um dia voltou a morrer. Já Jesus não regressa à vida mortal: Ele ressuscita para uma vida nova, definitiva, onde a morte já não tem qualquer poder. A sua Ressurreição é passagem para a vida gloriosa.

O corpo ressuscitado de Jesus é real — não é uma ideia nem um espírito —, mas está transformado. É o mesmo corpo que sofreu na cruz, mas agora plenamente glorificado. Por isso, os Evangelhos mostram que Ele pode ser tocado e come com os discípulos, mas também aparece de modo inesperado e não está sujeito às limitações habituais do espaço.

Este é o chamado corpo glorioso. A tradição da Igreja ensina que ele possui características próprias: é incorruptível (já não sofre nem morre), é luminoso (participa da glória de Deus), é ágil (não está sujeito às limitações físicas como antes) e é plenamente espiritualizado (totalmente unido a Deus). É a realização plena daquilo que o ser humano é chamado a ser.

E aqui está o coração da nossa esperança: graças à Ressurreição de Cristo, também nós somos chamados à ressurreição para a vida gloriosa. A morte não é o fim, mas uma passagem. Aqueles que vivem em Cristo participarão da sua vitória, ressuscitando com um corpo transformado, semelhante ao d’Ele. A sua Ressurreição é a garantia da nossa.

Quanto a Maria, basta recordá-la como a Senhora da Alegria: aquela que, unida de modo único ao seu Filho, acolhe plenamente a vitória da Ressurreição e aponta para a esperança que nos está prometida.

Assim, tudo está profundamente ligado: Cristo ressuscita e inaugura a vida gloriosa; nós somos chamados a participar dessa mesma vida; e a fé na Ressurreição sustenta o nosso caminho. Não é apenas uma verdade para acreditar, mas uma vida nova que começa já agora e se cumprirá plenamente na eternidade.

domingo, 5 de abril de 2026

Dia de Páscoa: em partida rumo às pessoas e às famílias


Às 7 horas, saímos com a Procissão da Ressurreição a que se seguiu a Eucaristia.
Terminadas as cerimónias, os 11 giros pascais reuniram brevemente com o Pároco e logo depois seguiram o seu rumo, para levar Jesus Cristo ao mundo, às famílias e às casas.
Á tarde, em encontro com os vários grupos pascais, foram transmitidas as experiências do dia:
- Todos foram de opinião que a Visita Pascal correra bem, apesar do intenso calor para a época.
- As pessoas foram humanas, compreensivas, acolhedoras.
- Houve um esforço dos giros pascais para dar atenção às pessoas, apesar de alguns giros serem muito sobrecarregados.
- Foram sublinhados vários gestos das pessoas - de atenção, delicadeza e altruísmo - em relação às equipas pascais.
Estão de parabéns as pessoas que integraram os giros pascais. Obrigado. Estão de parabéns as pessoas e famílias desta comunidade paroquial pela forma como souberam estar e viver este dia de Ressurreição. Obrigado.

A Paróquia comunica com os Paroquianos.

 Boletim da Páscoa

A Paróquia comunica com os Paroquianos.
Nesta comunicação:
- encontra a Mensagem e as Boas Festas do Conselho Pastoral
- informações sobre a vida paroquial
- O tema pastoral deste ano

sábado, 4 de abril de 2026

Silêncio, Espera e Esperança: o Mistério do Sábado Santo

 

No Sábado Santo, Cristo está no túmulo.
Não há milagres, não há palavras, não há multidões. Só um corpo ferido, envolto à pressa, guardado na pedra fria. Quem acreditou, cala. Quem amou, não entende. Deus, naquele dia, não responde.

E cá fora, o mundo continua.

Há homens que enterram os seus mortos sem glória. Mães que acordam com o lado da cama vazio. Trabalhadores que seguem para o turno mesmo com o coração esmagado. Há quem perca tudo num dia e, no outro, tenha de levantar-se porque a vida não espera. Estes são os sábados dos homens: dias em que o céu parece fechado e a esperança, uma palavra quase ofensiva.

O Sábado Santo de Cristo não está longe desses dias.
É o mesmo chão duro, a mesma sensação de abandono, o mesmo silêncio pesado onde a fé não consola — apenas resiste.

Mas há um detalhe que quase passa despercebido:
o corpo permanece ali, mas a história não terminou.

Deus, nesse dia, não faz ruído — trabalha no escondido. Não evita a morte — entra nela. E é aí, nesse lugar onde tudo parece perdido, que algo começa a mudar sem que ninguém veja.

Também nos sábados dos homens é assim.
Não há sinais claros, nem certezas limpas. Há apenas a decisão difícil de continuar — de preparar o dia seguinte, de acender uma luz pequena, de não desistir completamente.

O Sábado Santo não engana: a dor é real, a ausência pesa, o silêncio fere.
Mas também não mente sobre isto — nem o túmulo foi o fim de Cristo, nem os dias mais escuros são o fim do homem.

Entre a pedra fechada e a vida que ainda não apareceu,
há um tempo duro, concreto, humano —
onde tudo parece parado,
mas nada está realmente perdido.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Fizemos a Via Sacra pelo Caminho das Cruzes

3 de abril, Sexta-Feira Santa, 15h. Começou a Via Sacra em Tarouca, seguindo pelo Caminhos das Cruzes até Santa Helena. Presidiu o Dr. Tozé. Os Jovens animaram os cânticos e leituras. Os Escuteiros trataram da logística. Em cada estação, um representante dos grupos, entidades, famílias, associações,  levaou a Cruz. 
Bastante calor e o caminho é íngreme. Muita gente a participar. 
O circuito das Cruzes havia sido composto graças à intervenção da Junta de Freguesia. Um bom trabalho que muito ajudou o ato religioso  e que também  favorece a logística do combate aos incêndios. No final da Via Sacra, a Junta de Freguesia ofereceu uma peça de fruta aos peregrinos e devotos. Por tudo, a Paróquia agradece ao senhoer Presidente da Junta e à Junta a que preside.
O Pároco, que pela idade e saúde, não pode acompanhar a Via Sacra, esteve na organização inicial, em Santa Helena presidiu a uma Via Sacra para os que não puderam vir pelo Caminhos das Cruzes e depois presidiu à Adoração da Cruz.
Uma palavra de gratidão para o Dr.Tozé, para os Jovens e Escuteiros, para quem transportou a Cruz, Comissão da Igreja, participantes. Estiveram muito bem.
O tremendo desafio que foi aquela subida para Santa Helena, exatamente à hora em que Cristo morreu na Cuz, trouxe  ao corpo e  ao espírito dos participantes a vivência do sacrifício que Jesus suportou pela nossa salvação.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Via Sacra da Rotunda de Santa Apolónia até à Capela da mesma Santa

Noite de Quinta-Feira Santa. Da Rotunda de Santa Apolónia até à Capela da mesma Santa, decorreu a Via Sacra.
Iniciada a Via Sacra, após a introdução, uma coreografia ajudou à concentração e à elevação.
Muita gente. Ambiente de silêncio. Leituras bem proclamadas. Cântico em todas as estações. 
É preferível quem erra fazendo do que quem não erra porque não faz nada.  Parabéns aos da iniciativa. Para o ano será melhor ainda. Teremos que ver itinerário, a hora e o dia mais propícios. Trabalhar mais um pouquinho a adequação das leituras - nunca longas - à assembleia. Para  a primeira vez, fizeram um belo trabalho. 5 estrelas! 
Parabéns a quem foi o responsável pelo som, pela colocação das cruzes, pela coreografia. Parabéns a quem levou a cruz - pessoas, famílias, grupos, associações, instituições e entidades públicas. A mudança da cruz decorreu com notável mobilidade silenciosa. 
Uma bela experiência de Fé! Por isso, parabéns também a todos os participantes. 

Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com a cerimónia do lava-pés

 Pelas 18 horas, iniciou-se na Igreja Paroquial a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com a cerimónia do lava-pés. A participação na Eucaristia foi marcada por quatro ideias fortes: Mandamento Novo do Senhor, instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia e a Comunidade Eclesial onde ela acontece, o sacerdócio ministerial que a perpetua através dos tempos. A Seguir à Missa, o Santíssimo Sacramento foi levado para a Capela do Mártir por entre a aclamação da  assembleia. Teve lugar então a desnudação dos altares.

Quem participou, participou mesmo. Parabéns pelo testemunho. 
Faltou i,ensa gente que ainda não percebeu a importância deste dia! 
Esperamos que as pessoas se consciencializem e participem mais!

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Missa Vespertina da Ceia do Senhor

Leituras: aqui

Ele morre — hoje. Morre agora

Não digas: “O Senhor morreu na cruz.”
Não o prendas ao passado, não o encerres num instante distante da história.

Ele morre — hoje.
Morre agora.

Morre em cada criança impedida de nascer,
em cada amor que se desfaz antes de florescer,
em cada lar onde o silêncio pesa mais do que o carinho.

Morre nos olhos de quem não tem pão,
no corpo cansado de quem perdeu a dignidade,
no coração ferido de quem nunca conheceu a paz.

Morre nas bombas que rasgam o céu,
nos gritos que ninguém escuta,
nas lágrimas que caem sem testemunhas.

Morre nos injustiçados,
nos abandonados,
nos caluniados —
em todos aqueles cuja dor não encontra defesa.

Morre no desempregado esquecido,
no migrante maltratado,
no jovem a quem roubaram o futuro antes mesmo de o sonhar.

Morre nas vítimas das drogas que aprisionam,
no tráfico que desumaniza,
no corpo transformado em mercadoria,
na vida reduzida a lucro.

Morre — silenciosamente —
em tantos corações fechados,
onde Deus já não encontra lugar,
onde se ergueram altares à beleza, ao dinheiro, ao poder, à fama.

Mas se Ele morre hoje,
então hoje também pode ressuscitar.

Ressuscita em cada gesto de amor gratuito,
em cada mão que se estende,
em cada palavra que devolve esperança.

Ressuscita em ti —
se tiveres coragem de não passar ao lado,
de não te calares,
de não te habituares.

Não digas apenas que Ele morreu.
Pergunta antes:

Onde está Ele a morrer — diante de mim — hoje?
E o que estou eu disposto a fazer… para que Ele viva?

sábado, 28 de março de 2026

quinta-feira, 26 de março de 2026

29 de Março, 2026 - Domingo de Ramos - Ano A

 Leituras: aqui

Homilia 

Hoje começamos com alegria: Jesus entra em Jerusalém e é aclamado. Mas rapidamente escutamos a Paixão segundo São Mateus. E percebemos: este não é um rei de poder, mas de amor até ao fim.

Na Paixão vemos a fragilidade humana — traição, medo, abandono — mas vemos sobretudo a fidelidade de Cristo. Ele não foge, não responde com violência, não desiste. Ama até ao fim.

Na cruz, Jesus entra no mais profundo da nossa dor: solidão, sofrimento, injustiça. Nada da nossa vida Lhe é estranho. E é precisamente aí que Deus nos salva — não evitando a cruz, mas transformando-a em amor.

Como diz São Paulo, Cristo humilhou-Se, fez-Se obediente até à morte — e por isso Deus O exaltou. Este é o caminho: o amor que se entrega é o amor que vence.

Por isso, não basta aclamar Jesus com ramos. Somos chamados a segui-Lo. A Semana Santa não é para assistir, é para viver.

E hoje isso torna-se muito concreto para nós: cuidar de Cristo nos pobres. Porque o mesmo Jesus que vemos na cruz continua presente nos que sofrem, nos esquecidos, nos que precisam.

A nossa Caixa da Renúncia quaresmal não é apenas um gesto simbólico. É um ato de amor. É dizer: “Senhor, não Te quero amar só com palavras, mas com gestos concretos.”

Assim, entramos verdadeiramente com Jesus em Jerusalém — não só com ramos nas mãos, mas com um coração que aprende a amar como Ele.

Senhor Jesus,
Tu que nos amaste até ao fim,
ensina-nos a seguir-Te no caminho da cruz.

Dá-nos um coração atento,
capaz de Te reconhecer nos pobres e nos que sofrem.

Ajuda-nos a viver com verdade
os nossos gestos de partilha e renúncia,
para que sejam sinal do Teu amor.

Faz-nos caminhar Contigo nesta Semana Santa,
com fidelidade e esperança,
até à alegria da Ressurreição.

Ámen.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Via Sacra como 6º Ano da Catequese

Na passada sexta-feira, 20 de março, pelas 20h, na igreja de São Pedro Tarouca,teve lugar a Via Sacra. Estiveram prsentes o 6º Ano da Catequese e pais, seus catequistas e a Drª Susana, que orienta o Coral da Missa Vespertina. Catequistas e responsável pelo coral falaram com o Párico e expuseram a sua ideia. Todos conversaram, acertaram pequnos pormenores e ... mãos à obra. Ninguém é dono da "criatividade pastoral" e hoje, como em 68, a mesma prposta: "Imaginação ao poder". Na comunhão da Igreja, temos que ser ousados, buscar novas fomas de levar Cristo às pessoas e e pôr as pessoa a caminho para Cristo. Infelizmete, hoje surge na igreja também uma corrente muito forte e determinada a propor que se repitam apenas e só caminhos já andados, Como se olhos de repente se deslocassem para a nuca...
Foi um momento belo e bom. Crianças e pais aderiram, participaram e sairam contentes, porque estar com Cristo é sempre fontre de felicidade. Excelente o trabalho dos dinamizadores.

domingo, 22 de março de 2026

Nem no andor, nem à margem: jovens em ação

Fala-se muito dos jovens — dos seus desafios, fragilidades e necessidades. E é verdade que crescer no mundo atual não é tarefa fácil. No entanto, há um risco subtil, mas real: o de olhar para a juventude como se fosse apenas um grupo a proteger, quase a “colocar no andor”, esperando pouco dela e exigindo ainda menos.

Ora, a juventude não precisa de ser idealizada nem desculpada — precisa de ser chamada.

Os jovens de hoje têm qualidades inegáveis: criatividade, sentido crítico, sensibilidade às injustiças e uma grande capacidade de adaptação. Mas, como qualquer geração, também enfrentam limites: alguma dificuldade na perseverança, tendência para o imediatismo e, por vezes, menor disponibilidade para o esforço e para causas que exigem continuidade e sacrifício. Vivendo numa cultura fortemente materializada, onde o conforto e o sucesso rápido são constantemente valorizados, torna-se mais difícil cultivar ideais que peçam entrega, renúncia e fidelidade.

Talvez por contraste, recordamos épocas em que a juventude se mobilizava mais facilmente por grandes causas. Hoje, não faltam motivos para agir — falta, muitas vezes, a disposição para ir até ao fim, para assumir compromissos duradouros e para transformar convicções em ações concretas.

E é precisamente aqui que entra a responsabilidade dos próprios jovens.

Crescer implica esforço. Implica saber ouvir, aprender, aceitar correção e assumir consequências. Implica perceber que a liberdade não é fazer tudo o que apetece, mas escolher o bem — mesmo quando custa.

Por isso, não basta perguntar o que a Igreja, a sociedade ou a família podem fazer pelos jovens. É igualmente necessário perguntar: que jovens queremos ser? Que lugar queremos ocupar? Que contributo estamos dispostos a dar?

A família tem aqui um papel absolutamente decisivo, especialmente na formação cristã. Não pode delegar apenas na catequese ou na paróquia aquilo que lhe pertence por natureza. É em casa que a fé deve ganhar raízes: no exemplo da oração, na vivência dos valores evangélicos, na coerência entre o que se diz e o que se vive. Quando essa base falta, torna-se muito mais difícil ao jovem reconhecer o valor da fé e integrá-la na sua vida. Educar cristãmente não é impor, mas propor com verdade, viver com autenticidade e acompanhar com perseverança.

A Igreja não pode limitar-se a entreter ou agradar. É chamada a propor exigência, caminho, verdade. A fé cristã nunca foi um facilitismo — é um convite a uma vida com sentido, que pede compromisso e coerência. Os jovens não precisam de uma Igreja que os “segure”, mas de uma Igreja que os desafie e confie neles.

A sociedade deve oferecer oportunidades, sim — mas também deve exigir responsabilidade. Uma cultura que evita o esforço, que desculpa tudo e que transforma direitos em absolutos, acaba por fragilizar aqueles que pretende proteger.

Mas, no centro de tudo, está o jovem como sujeito ativo. Não como espetador, não como vítima permanente, mas como alguém capaz de decidir, de falhar, de recomeçar e de crescer.

A juventude não precisa de pedestal — precisa de chão. Precisa de confiança, mas também de verdade. Só assim poderá tornar-se aquilo que é chamada a ser: uma geração que não apenas recebe o mundo, mas que o transforma.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Convite a todos os grupos e associações civis existentes na Freguesia de Tarouca

O Conselho Pastoral da Paróquia de São Pedro de Tarouca convida todos, todos, todos os grupos e associações civis existentes na Freguesia de Tarouca - humanitárias, culturais, sociais, recreativas e desportivas - a participar na Via Sacra que terá lugar em Sexta-feira Santa (3 de abril de 2026), pelas 15h. A Via Sacra partirá do cruzeiro junto à sede da Junta e caminhará, pelo Caminho das Cruzes, até Santa Helena onde terá lugar a adoração da Cruz. Agradecemos a vossa participação devidamente identificada.
Informamos ainda que esta atividade só poderá ser realizada deste modo se o tempo o permitir. Doutra forma, será efetuada na Igreja às 15h.

Que momento belo! As 24 Horas para o Senhor...

No passado dia 13 de Março, a comunidade paroquial organizou-se  para adorar o Santíssimo Sacramento exposto desde as 21.30h até às 0.30h da de sábado. Apesar de não durar  24 horas, este período de companhia a Jesus sacramentado, exposto sobre o altar, pôs-nos em sintonia com toda a Igreja que, nas vésperas do 4º Domingo da Quaresma, realiza este tempo consagrado ao Senhor. Tempo de adoração, contemplação, interioridade, conversão. 
Após a Via Sacra, que decorreu entre a Capela do Mártir e a Igreja Paroquial, via Lar, seguiu-se, no templo, a Exposição do Santíssimo Sacramento e o tempo de adoração, terminando com a Bênção do Santíssimo Sacramento.
Foi uma atividade que soube a espírito sinodal. Do Conselho Pastoral nasceu a equipa dinamizadora - Sandra, Lurdes, Ana e Diogo.  A vida é o qe é e aconteceu que houve dispersão - por doença, por trabalho, por estudos. Felizmente que há as novas tecnologias de que a equipa se serviu para levar a efeito  esta atividade.  Desde o contacto com todos os grupos paroquiais, pessoas e instituições, passando pelo guião de oração e terminando na prendinha oferecida a cada pessoa presente, como desperdador cristão, tudo fizeram, sempre em comunhão eclesial, sempre sem desanimar, sempre dispostos a fazer o melhor.  Quando os leigos querem e se lhes abrem as portas da participação e da comunhão, tudo tem outro sabor eclesial. O clericalismo é rançoso!  Parabéns a esta equipa dinamizadora. 
Foram ativados todos os meios disponíveis para ajudar as pessoas. Todos os grupos paroquiais colaboram -  e bem. Os projetores, o guião, as músicas, tudo, tudo ao serviço da celebração da fé e do encontro com o Senhor. 
Houve claramente quatro momentos. A Via Sacra. Clara, textos pequenos e centrados no essencial. Percurso marcado pela serenidade onde nada nos desconcentrou. Depois da Exposição do Santíssimo, o segundo momento:  terço rezado, comentado, cantado, participado. 
Depois um momento de oração mais voltado para a comunidade. Por fim, os jovens orientaram uma oração mais intimista. 
À medida que a noite foi avançando, a Igreja foi ficando mais vazia, o que até se entende. 
Parabéns à equipa dinamizadora, aos grupos, às pessoas!
Quem falhou? Quem esteve mal? Os que não participaram. Olhem-se ao espelho da consciência e perguntem-se se Cristo e os irmãos não lhe mereciam muito mais...