Hoje
celebramos o Pentecostes: a festa do Espírito Santo. Não é apenas a recordação
de algo que aconteceu há muitos séculos. É a certeza de que Deus continua hoje
a soprar vida nova sobre a Igreja e sobre o mundo.
O Evangelho
mostra os discípulos fechados, com medo, inseguros, sem coragem. As portas
estavam fechadas… mas Jesus entrou. E a primeira palavra que lhes disse foi: “A
paz esteja convosco”. Depois soprou sobre eles o Espírito Santo.
É bonito
perceber isto: o Espírito Santo entra mesmo quando as portas estão fechadas. Há
portas fechadas dentro de nós: o medo, a tristeza, a falta de esperança, o
egoísmo, o cansaço, as divisões. E é precisamente aí que Deus quer entrar.
O Espírito
Santo não faz barulho exterior apenas; faz sobretudo transformação interior.
Pessoas medrosas tornam-se corajosas. Pessoas fechadas tornam-se capazes de
amar. Pessoas desanimadas reencontram esperança.
Pentecostes
lembra-nos que ser cristão não é viver uma religião triste ou pesada. Um
cristão sem alegria contradiz o Evangelho. O Espírito Santo é fogo: aquece o
coração, ilumina a vida e dá entusiasmo para seguir Jesus.
E hoje
precisamos muito deste Espírito:
– nas famílias, para haver mais diálogo e perdão;
– na Igreja, para haver unidade e alegria;
– no mundo, tão cheio de violência e indiferença;
– em cada um de nós, para não vivermos apenas para nós próprios.
O Espírito
Santo não transforma apenas os “santos”. Transforma pessoas normais, como nós. Basta
abrir o coração.
Talvez a
pergunta importante deste Pentecostes seja esta: que espaço damos nós ao
Espírito Santo? Há cristãos batizados, mas que vivem como se Deus estivesse
longe. Há corações fechados à novidade de Deus.
Hoje o
Senhor repete: “Recebei o Espírito Santo”.
Recebê-lo
significa deixar Deus conduzir a nossa vida. Significa falar com mais bondade,
julgar menos, perdoar mais depressa, servir com alegria, levar paz onde há
conflito.
No fundo,
Pentecostes acontece sempre que alguém deixa o amor de Deus vencer dentro de
si.
Peçamos
hoje:
“Vinde, Espírito Santo. Acendei em nós o fogo do vosso amor. Renovai a nossa
comunidade, as nossas famílias e o nosso coração.”
Amém.

