quarta-feira, 23 de março de 2011

Marcelo Candia, o santo moderno


O nosso mundo materialista e pagão precisa de santos como de pão para a boca. De pessoas que dêem exemplo de amor a Deus e ao próximo em grau elevado. E o testemunho que apresento esta semana é de um Cristão com maiúscula.
Marcelo Candia era um bem sucedido empresário italiano, figura modelar de leigo cristão que vivia o Evangelho. Um dia, resolveu vender a sua indústria química e transferir-se para o Brasil.

Com o lucro da venda da sua empresa, construiu para os pobres o Hospital São Camilo, no Amapá, confiando-o posteriormente aos padres médicos camilianos. Passou, em seguida, a viver na colónia-leprosário de Marituba, partilhando a sua vida com os leprosos, visitando a Europa para angariar fundos para os seus doentes, ainda mais quando o governo desactivou a cidade-leprosário que ficou praticamente a seu cargo, de dom Aristides Pirovano, ex-bispo de Amapá, e de padres e irmãs.

Marcelo não deixou nada escrito, mas somente o testemunho de sua vida de apóstolo da caridade, que se despojou de tudo e seguiu a Cristo, servindo aos pobres: o exemplo de um santo moderno que fez da riqueza um meio para a sua santidade. Ao concluir o processo diocesano para a beatificação de Marcelo, o então cardeal Martini, de Milão, sintetizou a sua vida em poucas palavras:

«Marcelo Candia é o modelo do leigo comprometido, dedicado, corajoso, que levou ao extremo a palavra de Cristo de vender tudo e de se pôr a serviço dos pobres, dos últimos, com toda a sua riqueza».

Marcelo Candia é o santo dos tempos modernos: dois títulos universitários, tenente de artilharia durante a Segunda Guerra, industrial de sucesso que dava o justo valor ao dinheiro, sempre envolvido em obras de solidariedade, provava com sua vida que as riquezas podem ser instrumento de santidade heróica e que um rico se pode tornar santo.

A grandeza do Dr. Marcelo brotava da sua vida de fé e de caridade. Era um empresário livre, como foi um santo livre. Não pertencia a nenhum movimento, nem instituto religioso e definia-se, simplesmente, como um "baptizado" que via nos pobres e, especialmente, nos leprosos, a imagem de Cristo sofredor e rejeitado pela sociedade opulenta e acomodada. Quando se fixou em Marituba, dividia a sua vida com os leprosos, sem nenhuma separação ou restrição em relação aos doentes e gostava de conviver com eles.

In O Amigo do Povo

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