quinta-feira, 8 de novembro de 2012

XXXII Domingo do Tempo Comum - Ano B

Leituras: aqui
 
1. Não era um observador da troika, instalado na capital religiosa de um país ocupado! Nem sabia nada de finanças, nem estava ali a contar os tostões, por causa da crise ou à espera, no templo, do milagre do euro milhões. Mais do que isto, Jesus Cristo, diz o evangelista “observava como cada um deitava o dinheiro na caixa”. Jesus não nos vê, nem nos mede, como números ou à peça. Jesus vê “como” cada um dá! Jesus vê o coração que dá. Para Jesus conta muito mais o que fica no bolso de cada um, do que aquilo que cai na bolsa do templo!
2. Senão, voltemos à cena, e vejamos, com Jesus e como Jesus observa: A multidãopequenas moedas, como quem dá uma esmola, ou como quem descarrega a consciência do peso de um dever… Logo a seguir, vêm os ricos! Esses, pelo contrário, lançavam muitas moedas… Curiosamente, não se diz no texto, que davam grandes moedas ou muito dinheiro, mas diz-se que davam muitas moedas. Os ricos multiplicavam as moedas, para que o gesto demorasse ainda mais tempo e todos o pudessem ver e ouvir! Estes ricos não dão o que têm. Dão pouco, do muito que lhes sobra. Não dão esmolas. Dão nas vistas!
3. Mas, por fim, vem uma pobre viúva, que, sem perceber nada dos valores da bolsa, os mete a todos num bolso! Sem apoio familiar, sem assistência social, sem rendimentos mínimos ou de herança, esta pobre viúva não tem onde cair morta, não tem nada, não se atém a nada, não retém nada para si. E, por isso, não está refém de conta nenhuma. Pura e simplesmente, dá tudo o que tem para viver. E, dando tudo o que tem para viver, dá-se a si mesma! No fundo, entrega-se às mãos de Deus, rende-se a Ele, na certeza do melhor rendimento! Sem previdência social, ela confia-se à providência divina. Ela sabe muito bem que, aos olhos de Deus, vale mais do que os passarinhos, que se compram por duas moedas! Dar assim, dar-se sem reservar nada para si, é um verdadeiro ato de fé, um ato de entrega e de confiança absolutas no Senhor! Nesta entrega, a viúva antecipa a própria entrega de Cristo, que não tem nada para nos dar, mas que Se dará todo e inteiramente, por nós!
4. Outro exemplo luminoso de fé e de generosidade é-nos dado, hoje, pela figura popular de São Martinho. Também ele se distinguiu, pela coragem da fé, que o fez abandonar a vida pagã e tornar-se cristão, até escolher a vida monástica e ser eleito bispo. Nele, a fé frutificou em caridade, como é sabido do famoso gesto de repartir a capa, com um «sem-abrigo» da sua época!
5. Queridos irmãos e irmãs: quer a viúva do evangelho, quer a de Sarepta, quer o testemunho de São Martinho, vêm mostrar-nos que “a fé e a caridade, se reclamam mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho” (PF 14). Neste sentido, diz o Papa, “o Ano da Fé é uma ocasião propícia para intensificar o testemunho da caridade” (PF 14). E não é só o Ano da Fé, que nos dá essa oportunidade. É a gravíssima situação de crise, no nosso país, em que nenhum cristão pode jamais pensar em ter, ou reter só para si, em ter ou se ater àquilo que julga ser só seu, quando falta o necessário a um familiar, a um vizinho, a um doente, ou desempregado! Dar tudo o que se tem não significa não ter nada, mas implica que aquilo que se tem está disponível, está à mão, para o que for preciso, quando está em jogo a vida de um irmão! Olhai: Se esta crise nos ensinar a superar a lógica dos rendimentos e a viver na lógica da doação, então ela pode frutificar numa fé, capaz de arriscar tudo, em Deus e por Deus, sem medo do futuro. Quem sabe, uma nova cultura de entreajuda e o regresso à simplicidade de vida, não poderão preparar o terreno, para novas vocações ao sacerdócio?! É uma questão de querer dar a vida toda, toda a vida!
Fonte: aqui

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