quinta-feira, 15 de março de 2012

"Estrangeiro maluco" ajuda carenciados

Escrevo este "Testemunho" no dia de S. João de Deus – 8 de Março – , um santo português nascido em Montemor-o-Novo, em 1495, que foi considerado louco pelas suas obras de penitência extravagantes a que se votou após ouvir um Sermão de S. João de Ávila, e acabou internado num hospício. Os maus tratos que aí recebeu, levaram-no a dedicar o resto da sua vida ao tratamento humanizado dos doentes. Com ajudas diversas fundou um amplo e bem organizado hospital em Granada, onde se lhe juntaram diversas pessoas que deram início à Ordem dos Irmãos Hospitaleiros.

Um pouco a exemplo deste nosso santo, leio nos jornais de hoje que um americano, de nome Hunter Halder, começou há um ano a distribuir por famílias carenciadas de uma freguesia lisboeta as sobras de alimentos que recolhia em restaurantes.

A viver há 20 anos em Portugal, o norte-americano Hunter Halder viu-se sem emprego e começou a ajudar os carenciados. Montado numa bicicleta, Hunter Halder ia aos restaurantes, pedia os restos da comida, enchia a bicicleta de
embrulhos e levava-os a quem sabia que precisava. Hoje, o projecto do "estrangeiro maluco" conta com mais de cem voluntários.

"Foram sete acções. O Re-Food foi a última a ser concebida e a primeira a ser lançada", contou Hunter Halder à Lusa no centro operacional do projecto, situado num anexo da igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Mas recuemos a 09 de março de 2011. "Naquela altura era só um estrangeiro maluco e as pessoas a olharem para mim e a pensarem: 'o que é isto?'", lembrou.

Quem o via passar começou a abordá-lo e a perguntar o que fazia montado numa bicicleta munida de cestos à frente e atrás, carregados de embalagens. Ao fim de 30 dias, tinham aderido ao Re-Food 30 restaurantes e 30 voluntários, como atesta a fotografia pregada num placard do centro de operações.

Hoje está tudo mais organizado com a ajuda da Igreja e dos voluntários. Um número cada vez maior de pessoas beneficia de refeições a meio do dia e à noite. E a iniciativa vai atingir depois da páscoa a paróquia inteira. E esta obra irá decerto estender-se a outras zonas de Lisboa – e quem sabe? – do país.
In O Amigo do Povo

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