domingo, 30 de janeiro de 2011

"Não sinto nada cá dentro"

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Recordo o milho. No Verão, quando o calor aperta e a água falta, as folhas torcem-se todas, amarelam, definham. Parece que vai secar...

Mas eis que o agricultor abre ao tanque e deixa que a água escorra pela terra, molhando-lhe a raiz. Um tempinho depois, ei-lo, arrebitado, verde, pujante como quem quer comer a vida.

Acontece o mesmo com as pessoas. Às vezes sentem-se áridas por dentro, enroladas, secas. E então no plano da fé, acontece muito. Muitos queixam-se que nem vontade de rezar sentem.

O milho, sem a bênção da água, seca mesmo. É quando está mais torcido que mais precisa da água. Com as pessoas passa-se algo parecido. Quando se sentem mais áridas por dentro, com menos vontade, então é que Deus é mesmo importante. Se a gente se abrir ao tanque da água da sua graça, do seu amor, da sua ternura, Ele fará correr, pujante, a seiva do seu amor no coração humano.

Ninguém está livre de passar, agora ou logo, por uma sensação de aridez. Ouve-se gente a dizer: "Isto não me diz nada". Ou ainda: "Não sinto nada cá dentro". E também: "Há momentos em que coloco em causa a minha fé".
Nós não vivemos na visão, caminhamos na fé. E há momentos em que a "luzinha da fé" parece abaulada pelas sombras, pelas trevas, pelos medos, pelas dúvidas, pelas inquietações. Por isso se ouve dizer que quem nunca duvidou, nunca acreditou. A dúvida aparece, assim, como oportunidade para aprofundar a fé, encontrando respostas novas que, muitas vezes, julgávamos inexistentes.
Tantas vezes que Deus não nos dá a resposta que nos queremos, porque nos oferece aquela de que nós precisamos.
Na luz, na semi-escuridão ou nas trevas do coração, uma coisa nós sabemos: Deus nunca nos abandona, está lá porque ama. Tanta vez que tropeçamos n'Ele e não O reconhecemos!

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