sábado, 20 de novembro de 2021

Vem aí o Ano Litúrgico C. Um Livro para acompanhar a Palavra de Deus "DOMINGO A DOMINGO"

 Já se encontra disponível este livro à disposição de todos os amantes da Palavra de Deus, que vai ser proclamada aos domingos no próximo Ano Litúrgico. Que possa ajudar a crescer no amor da Palavra e na vivência da palavra do Amor. 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Migrações: Papa critica construção de muros e «deserto de indiferença», perante sofrimento de quem deixa a sua terra

O Papa Francisco criticou o “regresso ao passado” na gestão dos fluxos migratórios, com particular referência à “construção de muros”, numa mensagem divulgada hoje pelo Vaticano.

“A história nessas últimas décadas deu sinais de um regresso ao passado: os conflitos reacendem-se em diversas partes do mundo, nacionalismos e populismos reaparecem em diversas latitudes, a construção de muros e a devolução dos migrantes para lugares não seguros aparecem como única solução da qual os governos são capazes para gerir a mobilidade humana”, refere, num texto escrito por ocasião do 40.°aniversário do Centro Astalli, do Serviço Jesuíta aos Refugiados na Itália.

A saudação do Papa dirige-se, em particular, aos refugiados, que apresenta como “sinal” e “rosto” de esperança, apesar das dificuldades que enfrentaram.

“Muitos de vocês tiveram de fugir de condições de vida comparáveis às da escravidão, onde a pessoa humana é privada da sua dignidade e tratada como um objeto”, indica o texto.

Francisco assinala que, em muitos casos, a decisão de deixar a própria terra não representa uma “verdadeira libertação”, com muitos refugiados e migrantes a encontrar “um deserto de humanidade, uma indiferença que se tornou global e que mostra a aridez das relações entre as pessoas”.

mensagem identifica ainda sinais de “esperança”, nas últimas décadas, que permitem pensar num futuro mais justo e numa vida “plena e feliz”.

O Papa elogia quem trabalhou no Centro Astalli ao longo destes 40 anos, “milhares de pessoas que são muito diferentes umas das outras, mas unidas pelo desejo de um mundo mais justo no qual a dignidade e os direitos pertençam verdadeiramente a todos”.

Fonte: aqui

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

 

O desenho e as flores do Pedrito

O Pedrito tem 6 anos e entrou este ano na catequese. Quando chegou a casa da primeira sessão de catequese, à pergunta da mãe sobre como havia sido, respondeu que fora fantástico. Quando chegou a casa da segunda sessão, imediatamente perguntou à mãe se poderia fazer um desenho de Jesus. E depois de o fazer, perguntou-lhe se o podia enviar ao Pai Natal e à catequista, com este pedido: “Diz-lhes que fiz um Jesus com os braços abertos bem compridos para dar abraços muito bons.” E fez mesmo. O desenho estava lindíssimo. Por fora e por dentro.

Véspera de Todos os Santos. A mãe vai ao cemitério arranjar as campas de familiares falecidos. O Pedrito acompanha-a. Ele gosta muito de ajudar.
O petiz reparou que algumas campas estavam sem arranjos de flores. Achou estranho porque a grande maioria das campas tinha flores por todo o lado. Por isso perguntou à mãe: “Mamã, estas alminhas não foram muito amadas, pois não?”
A mãe explicou que já não deviam ter quem cuidasse das suas campas. Ele fez um silêncio do tamanho dele, isto é, pequenino, e disse: “E nós, porque não as amamos? Podíamos colocar flores nestas também.”

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Está a chegar o SOPÉ DA MONTANHA

Leia,
Assine,
Divulgue 
o Sopé da Montanha!

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Mensagem do Santo Padre Francisco para o V Dia Mundial dos Pobres

 (XXXIII Domingo do Tempo Comum – 14 de novembro de 2021)

«Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7) 

1. «Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7): estas palavras foram pronunciadas por Jesus, alguns dias antes da Páscoa, por ocasião duma refeição em Betânia na casa de Simão chamado «o leproso». Como narra o evangelista, entrou lá uma mulher com um vaso de alabastro cheio de perfume muito precioso e derramou-o sobre a cabeça de Jesus. Este gesto suscitou grande estupefação e deu origem a duas interpretações diversas.

A primeira delas é a indignação de alguns dos presentes, incluindo os discípulos, que, ao considerar o valor do perfume (cerca de 300 denários, equivalente ao salário anual dum trabalhador), pensam que teria sido melhor vendê-lo e dar o produto aos pobres. Segundo o Evangelho de João, é Judas que se faz intérprete desta posição: «Porque é que não se vendeu este perfume por trezentos denários, para os dar aos pobres?». E o evangelista observa: «Ele, porém, disse isto, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão e, como tinha a bolsa do dinheiro, tirava o que nela se deitava» (Jo 12, 5-6). Não é por acaso que esta crítica dura sai da boca do traidor: é a prova de que, quantos não reconhecem os pobres, atraiçoam o ensinamento de Jesus e não podem ser seus discípulos. Recordemos, a este propósito, as palavras fortes de Orígenes: «Judas, aparentemente, estava preocupado com os pobres. (…) Se, agora, ainda houver alguém que tem a bolsa da Igreja e fala a favor dos pobres como Judas, mas depois tira o que metem lá dentro, então tenha parte juntamente com Judas» (Comentário ao Evangelho de Mateus 11, 9).
A segunda interpretação é dada pelo próprio Jesus e permite individuar o sentido profundo do gesto realizado pela mulher. Diz Ele: «Deixai-a. Porque estais a atormentá-la? Praticou em Mim uma boa ação» (Mc 14, 6). Jesus sabe que está próxima a sua morte e vê, naquele gesto, a antecipação da unção do seu corpo sem vida antes de ser colocado no sepulcro. Esta visão ultrapassa todas as expetativas dos convivas. Jesus recorda-lhes que Ele é o primeiro pobre, o mais pobre entre os pobres, porque os representa a todos. E é também em nome dos pobres, das pessoas abandonadas, marginalizadas e discriminadas que o Filho de Deus aceita o gesto daquela mulher. Esta, com a sua sensibilidade feminina, demonstra ser a única que compreendeu o estado de espírito do Senhor. Esta mulher anónima – talvez por isso destinada a representar todo o universo feminino que, no decurso dos séculos, não terá voz e sofrerá violências –, inaugura a significativa presença de mulheres que participam no momento culminante da vida de Cristo: a sua crucifixão, morte e sepultura e a sua aparição como Ressuscitado. As mulheres, tantas vezes discriminadas e mantidas ao largo dos postos de responsabilidade, nas páginas do Evangelho são, pelo contrário, protagonistas na história da revelação. E é eloquente a frase conclusiva de Jesus, que associa esta mulher à grande missão evangelizadora: «Em verdade vos digo: em qualquer parte do mundo onde for proclamado o Evangelho, há de contar-se também, em sua memória, o que ela fez» (Mc 14, 9).

2. Esta forte «empatia» entre Jesus e a mulher e o modo como Ele interpreta a sua unção, em contraste com a visão escandalizada de Judas e doutros, inauguram um fecundo caminho de reflexão sobre o laço indivisível que existe entre Jesus, os pobres e o anúncio do Evangelho.
Com efeito, o rosto de Deus que Ele revela é o de um Pai para os pobres e próximo dos pobres. Toda a obra de Jesus afirma que a pobreza não é fruto duma fatalidade, mas sinal concreto da sua presença no nosso meio. Não O encontramos quando e onde queremos, mas reconhecemo-Lo na vida dos pobres, na sua tribulação e indigência, nas condições por vezes desumanas em que são obrigados a viver. Não me canso de repetir que os pobres são verdadeiros evangelizadores, porque foram os primeiros a ser evangelizados e chamados a partilhar a bem-aventurança do Senhor e o seu Reino (cf. Mt 5, 3).
Os pobres de qualquer condição e latitude evangelizam-nos, porque permitem descobrir de modo sempre novo os traços mais genuínos do rosto do Pai. Eles «têm muito para nos ensinar. Além de participar do sensus fidei, nas suas próprias dores conhecem Cristo sofredor. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas, e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles. O nosso compromisso não consiste exclusivamente em ações ou em programas de promoção e assistência; aquilo que o Espírito põe em movimento não é um excesso de ativismo, mas primariamente uma atenção prestada ao outro, considerando-o como um só consigo mesmo. Esta atenção amiga é o início duma verdadeira preocupação pela sua pessoa e, a partir dela, desejo de procurar efetivamente o seu bem» (Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 198-199).

3. Jesus não só está do lado dos pobres, mas também partilha com eles a mesma sorte. Isto constitui também um forte ensinamento para os seus discípulos de todos os tempos. As suas palavras – «sempre tereis pobres entre vós» – pretendem indicar também isto: a sua presença no meio de nós é constante, mas não deve induzir àquela habituação que se torna indiferença, mas empenhar numa partilha de vida que não prevê delegações. Os pobres não são pessoas «externas» à comunidade, mas irmãos e irmãs cujo sofrimento se partilha, para abrandar o seu mal e a marginalização, a fim de lhes ser devolvida a dignidade perdida e garantida a necessária inclusão social. Aliás sabe-se que um gesto de beneficência pressupõe um benfeitor e um beneficiado, enquanto a partilha gera fraternidade. A esmola é ocasional, ao passo que a partilha é duradoura. A primeira corre o risco de gratificar quem a dá e humilhar quem a recebe, enquanto a segunda reforça a solidariedade e cria as premissas necessárias para se alcançar a justiça. Enfim os crentes, quando querem ver Jesus em pessoa e tocá-Lo com a mão, sabem aonde dirigir-se: os pobres são sacramento de Cristo, representam a sua pessoa e apontam para Ele.
Temos muitos exemplos de Santos e Santas que fizeram da partilha com os pobres o seu projeto de vida. Penso, entre outros, no Padre Damião de Veuster, Santo apóstolo dos leprosos. Com grande generosidade, respondeu à vocação de ir para a ilha de Molokai – tinha-se tornado um gueto acessível apenas aos leprosos –, a fim de viver e morrer com eles. Lançando-se ao trabalho, tudo fez para tornar digna de ser vivida a existência daqueles pobres doentes e marginalizados, reduzidos à degradação extrema. Fez-se médico e enfermeiro, sem se preocupar com os riscos que corria, levando a luz do amor àquela «colónia de morte», como era designada a ilha. A lepra atingiu-o também a ele, sinal duma partilha total com os irmãos e irmãs pelos quais dera a vida. O seu testemunho é muito atual nestes nossos dias, marcados pela pandemia de coronavírus: com certeza a graça de Deus está em ação no coração de muitas pessoas que, sem dar nas vistas, se gastam concretamente partilhando a sorte dos mais pobres.

4. Por isso precisamos de aderir com plena convicção ao convite do Senhor: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1, 15). Esta conversão consiste, primeiro, em abrir o nosso coração para reconhecer as múltiplas expressões de pobreza e, depois, em manifestar o Reino de Deus através dum estilo de vida coerente com a fé que professamos. Com frequência, os pobres são considerados como pessoas aparte, como uma categoria que requer um serviço caritativo especial. Seguir Jesus comporta uma mudança de mentalidade a esse propósito, ou seja, acolher o desafio da partilha e da comparticipação. Tornar-se seu discípulo implica a opção de não acumular tesouros na terra, que dão a ilusão duma segurança em realidade frágil e efémera; ao contrário, requer disponibilidade para se libertar de todos os vínculos que impedem de alcançar a verdadeira felicidade e bem-aventurança, para reconhecer aquilo que é duradouro e que nada e ninguém pode destruir (cf. Mt 6, 19-20).
Mas o ensinamento de Jesus aparece em contracorrente também neste caso, porque promete aquilo que só os olhos da fé podem ver e experimentar com certeza absoluta: «Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19, 29). Se não se optar por tornar-se pobre de riquezas efémeras, poder mundano e vanglória, nunca se sará capaz de dar a vida por amor; viver-se-á uma existência fragmentária, cheia de bons propósitos mas ineficaz para transformar o mundo. Trata-se, portanto, de abrir-se decididamente à graça de Cristo, que pode tornar-nos testemunhas da sua caridade sem limites e restituir credibilidade à nossa presença no mundo.

5. O Evangelho de Cristo impele a ter uma atenção muito particular para com os pobres e requer que se reconheça as múltiplas, demasiadas, formas de desordem moral e social que sempre geram novas formas de pobreza. Parece ganhar terreno a conceção segundo a qual os pobres não só são responsáveis pela sua condição, mas constituem também um peso intolerável para um sistema económico que coloca no centro o interesse dalgumas categorias privilegiadas. Um mercado que ignora ou discrimina os princípios éticos cria condições desumanas que se abatem sobre pessoas que já vivem em condições precárias. Deste modo assiste-se à criação incessante de armadilhas novas da miséria e da exclusão, produzidas por agentes económicos e financeiros sem escrúpulos, desprovidos de sentido humanitário e responsabilidade social.
Além disso, no ano passado, veio juntar-se outra praga que multiplicou ainda mais o número dos pobres: a pandemia. Esta continua a bater à porta de milhões de pessoas e, mesmo quando não traz consigo o sofrimento e a morte, todavia é portadora de pobreza. Os pobres têm aumentado desmesuradamente e o mesmo, infelizmente, continuará a verificar-se ainda nos próximos meses. Alguns países estão a sofrer gravíssimas consequências devido à pandemia, a ponto de as pessoas mais vulneráveis se encontrarem privadas de bens de primeira necessidade. As longas filas diante das cantinas para os pobres são o sinal palpável deste agravamento. Um olhar atento requer que se encontrem as soluções mais idóneas para combater o vírus a nível mundial, sem olhar a interesses de parte. De modo particular, é urgente dar respostas concretas a quantos padecem o desemprego, que atinge de maneira dramática tantos pais de família, mulheres e jovens. A solidariedade social e a generosidade de que muitos, graças a Deus, são capazes, juntamente com projetos clarividentes de promoção humana, estão a dar e darão um contributo muito importante nesta conjuntura.

6. Entretanto permanece de pé uma questão, nada óbvia: Como se pode dar uma resposta palpável aos milhões de pobres que tantas vezes, como resposta, só encontram a indiferença, quando não a aversão? Qual caminho de justiça é necessário percorrer para que as desigualdades sociais possam ser superadas e seja restituída a dignidade humana tão frequentemente espezinhada? Um estilo de vida individualista é cúmplice na geração da pobreza e, muitas vezes, descarrega sobre os pobres toda a responsabilidade da sua condição. Mas a pobreza não é fruto do destino; é consequência do egoísmo. Portanto é decisivo dar vida a processos de desenvolvimento onde se valorizem as capacidades de todos, para que a complementaridade das competências e a diversidade das funções conduzam a um recurso comum de participação. Há muitas pobrezas dos «ricos» que poderiam ser curadas pela riqueza dos «pobres», bastando para isso encontrarem-se e conhecerem-se. Ninguém é tão pobre que não possa dar algo de si na reciprocidade. Os pobres não podem ser aqueles que apenas recebem; devem ser colocados em condição de poder dar, porque sabem bem como corresponder. Quantos exemplos de partilha diante dos nossos olhos! Os pobres ensinam-nos frequentemente a solidariedade e a partilha. É verdade que são pessoas a quem falta algo e por vezes até muito, se não mesmo o necessário; mas não falta tudo, porque conservam a dignidade de filhos de Deus que nada e ninguém lhes pode tirar.

7. Impõe-se, pois, uma abordagem diferente da pobreza. É um desafio que os governos e as instituições mundiais precisam de perfilhar, com um modelo social clarividente, capaz de enfrentar as novas formas de pobreza que invadem o mundo e marcarão de maneira decisiva as próximas décadas. Se os pobres são colocados à margem, como se fossem os culpados da sua condição, então o próprio conceito de democracia é posto em crise e fracassa toda e qualquer política social. Com grande humildade, temos de confessar que muitas vezes não passamos de incompetentes a respeito dos pobres: fala-se deles em abstrato, fica-se pelas estatísticas e pensa-se sensibilizar com qualquer documentário. Ao contrário, a pobreza deveria incitar a uma projetação criativa, que permita fazer aumentar a liberdade efetiva de conseguir realizar a existência com as capacidades próprias de cada pessoa. Pensar que a posse de dinheiro consinta e aumente a liberdade é uma ilusão de que devemos afastar-nos. Servir eficazmente os pobres incita à ação e permite encontrar as formas mais adequadas para levantar e promover esta parte da humanidade, demasiadas vezes anónima e sem voz, mas que em si mesma traz impresso o rosto do Salvador que pede ajuda.

8. «Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7): é um convite a não perder jamais de vista a oportunidade que se nos oferece para fazer o bem. Como pano de fundo, pode-se vislumbrar o antigo mandamento bíblico: «Se houver junto de ti um indigente entre os teus irmãos (…), não endurecerás o teu coração e não fecharás a tua mão ao irmão necessitado. Abre-lhe a tua mão, empresta-lhe sob penhor, de acordo com a sua necessidade, aquilo que lhe faltar. (…) Deves dar-lhe, sem que o teu coração fique pesaroso; porque, em recompensa disso, o Senhor, teu Deus, te abençoará em todas as empresas das tuas mãos. Sem dúvida, nunca faltarão pobres na terra» (Dt 15, 7-8.10-11). E no mesmo cumprimento de onda se coloca o apóstolo Paulo, quando exorta os cristãos das suas comunidades a socorrer os pobres da primeira comunidade de Jerusalém e a fazê-lo «sem tristeza nem constrangimento, pois Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7). Não se trata de serenar a nossa consciência dando qualquer esmola, mas antes contrastar a cultura da indiferença e da injustiça com que se olha os pobres.
Neste ponto, faz-nos bem recordar as palavras de São João Crisóstomo: «Quem é generoso não deve pedir contas do comportamento, mas somente melhorar a condição de pobreza e satisfazer a necessidade. O pobre só tem uma defesa: a sua pobreza e a condição de necessidade em que se encontra. Não lhe peças mais nada; mesmo que fosse o homem mais malvado do mundo, se lhe vier a faltar o alimento necessário, libertemo-lo da fome. (…) O homem misericordioso é um porto para quem está em necessidade: o porto acolhe e liberta do perigo todos os náufragos, sejam eles malfeitores, bons ou como forem. Aos que se encontram em perigo, o porto acolhe-os, coloca-os em segurança dentro da sua enseada. Também tu, portanto, quando vês por terra um homem que sofreu o naufrágio da pobreza, não o julgues, nem lhe peças conta do seu comportamento, mas liberta-o da desventura» (Discursos sobre o pobre Lázaro, II, 5).

9. É decisivo aumentar a sensibilidade para se compreender as exigências dos pobres, sempre em mutação por força das condições de vida. Com efeito, nas áreas economicamente mais desenvolvidas do mundo, está-se menos predisposto hoje que no passado a confrontar-se com a pobreza. O estado de relativo bem-estar ao qual se habituaram torna mais difícil aceitar sacrifícios e privações. Está-se pronto a tudo só para não ficar privado daquilo que foi fruto de fácil conquista. Deste modo, cai-se em formas de rancor, nervosismo espasmódico, reivindicações que levam ao medo, à angústia e, nalguns casos, à violência. Este não é o critério sobre o qual construir o futuro; também estas são formas de pobreza, para as quais não se pode deixar de olhar. Devemos estar abertos a ler os sinais dos tempos que exprimem novas modalidades de ser evangelizadores no mundo contemporâneo. A assistência imediata para acorrer às necessidades dos pobres não deve impedir de ser clarividente para atuar novos sinais do amor e da caridade cristã como resposta às novas pobrezas que experimenta a humanidade de hoje.
Faço votos de que o Dia Mundial dos Pobres, chegado já à sua quinta celebração, possa radicar-se cada vez mais nas nossas Igrejas locais e abrir-se a um movimento de evangelização que, em primeira instância, encontre os pobres lá onde estão. Não podemos ficar à espera que batam à nossa porta; é urgente ir ter com eles às suas casas, aos hospitais e casas de assistência, à  estrada e aos cantos escuros onde, por vezes, se escondem, aos centros de refúgio e de acolhimento… É importante compreender como se sentem, o que estão a passar e quais os desejos que têm no coração. Façamos nossas as palavras inflamadas do Padre Primo Mazzolari: «Gostaria de pedir-vos para não me perguntardes se existem pobres, quem são e quantos são, porque tenho receio que tais perguntas representem uma distração ou o pretexto para escapar duma específica indicação da consciência e do coração. (…) Os pobres, eu nunca os contei, porque não se podem contar: os pobres abraçam-se, não se contam» (Revista «Adesso», n.º 7, 15 de abril de 1949). Os pobres estão no meio de nós. Como seria evangélico, se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiríamos realmente reconhecê-los e fazê-los tornar-se parte da nossa vida e instrumento de salvação.

Roma, São João de Latrão, na Memória de Santo António, 13 de junho de 2021.
Papa Francisco

sábado, 6 de novembro de 2021

O velho pároco e o pai de 12 filhos - Testemunho de um padre

 “No dia da minha missa nova, o padre que tinha casado os meus pais e tinha batizado boa parte dos meus irmãos, já não era nosso pároco. Mas foi convidado e fez questão de me ir saudar, na minha casa de família. Na varanda, enquanto se ultimavam os preparativos da longa procissão para a Igreja, ele partilhou comigo esta cena da sua vida pastoral: «Quando pensei pôr bancos na Igreja, resolvi, no final da missa, perguntar aos fiéis: ‘Quem pode dar uma ajuda?’, ‘Quanto poderia cada família dar’? O teu pai – disse-me o Pe. Manuel Gonçalves – foi o primeiro a responder: ‘Eu, por mim, pago um banco inteiro’». Retorquiu o pároco de então: “Manel, tu não podes. É muito. Tens 12 filhos”. Meu pai respondera então: “Eles em casa também não se sentam no chão. Pago um banco, sim senhor; é a minha obrigação”. Perante a resposta do meu pai – confessou o velho pároco – “os outros todos sentiram-se na obrigação de dar, na mesma medida, e arranjámos o dinheiro que era preciso. Todos perceberam que a Igreja era também a sua Casa”. Esta história comoveu-me muito, mas ela repetia-se amiúde lá em casa: primeiro, dar o que é preciso para a Igreja, para as festas da paróquia, para os pobres da freguesia… só depois, se sobrasse alguma coisa, podíamos reclamar os nossos luxos: umas meias novas ou umas botas novas. A minha mãe, às vezes dia: “Manel, estás a dar muito. Olha que…”. O meu pai, que era bom em contas, respondia: “Rita, ele sai pela porta e entra pela janela”. Conto-vos estas coisas, porque o exemplo do meu pai deu-me um grande sentido de partilha, de amor à Igreja, deu-me a consciência da Igreja como Casa de família, a importância da sobriedade de vida, da preocupação com os pobres, a certeza de não valer a pena dar nada se não se der tudo. Podia ainda lembrar duas viúvas, que, no tempo de seminário, a primeira coisa que faziam, quando recebiam a sua pequeníssima reforma, era darem-me alguma coisa, em troca de umas ave-marias, antes que o dinheiro desaparecesse!”

Amaro Gonçalo Ferreira Lopes

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Sinodalidade: “É a própria Igreja a fazer-se”

 O Pe. Diamantino  Alvaíde, sacerdote da Diocese de Lamego,  é o Coordenador Diocesano da Pastoral. Foi também nomeado como responsável diocesano do Sínodo dos Bispos, na fase diocesana.



Entrámos no novo ano pastoral. Quais as linhas, orientações, iniciativas que destacarias?

Destacaria três orientações e três iniciativas, mais relevantes. As três linhas orientadoras: 1) A necessidade de retomarmos a ação eclesial presencial, em todas as frentes. Daí o lema “Levantai-vos! Vamos!”. 2) A caminhada sinodal que somos convidados a fazer até abril de 2022, com todas as dioceses do mundo. 3) A preparação próxima da Jornada Mundial da Juventude 2023. Das iniciativas destaco: 1) As visitas de alguns departamentos da pastoral aos arciprestados da nossa diocese. 2) O Dia Mundial das Famílias, em comunhão com Roma, em junho de 2022. 3) O Dia da Família Diocesana, em que receberemos os símbolos da JMJ, que vão percorrer a diocese.

A Igreja deu início ao Sínodo (2021-2023), que procurará auscultar a Igreja, no seu conjunto, localmente, em todas as dioceses. No Vaticano, o Papa inaugurou o Sínodo no passado dia 9 de outubro, na nossa diocese, como em muitas outras, iniciou no dia 17 de outubro. Tu, com a Equipa da Coordenação Pastoral, coordenarás e conjugarás, a nível diocesano, tudo o que tem a ver com este Sínodo.
Para percebermos melhor, o que significa um Sínodo, e este Sínodo em concreto? Que expetativas tens? O que se pode esperar do Sínodo?


O Sínodo, conforme hoje o concebemos, é uma assembleia alargada de bispos de diversas regiões (e às vezes diversas Igrejas) e peritos escolhidos pelo Papa, que se reúnem ordinária ou extraordinariamente, com o objetivo de aconselhar o Romano Pontífice em assuntos de especial importância e oportunidade para o governo pastoral da Igreja. Foi o Papa Paulo VI que, em 1965, quase ao terminar o Concilio Vaticano II, e resultante do mesmo, criou o Sínodo dos Bispos. É o Papa, no exercício das suas funções, que convoca o Sínodo e decide o tema a tratar. Desta vez, o Papa Francisco entendeu que era oportuno tratar o tema da Sinodalidade. Para tal, e dada a suma importância desse assunto, quis o Santo Padre alargar a preparação do próximo Sínodo dos Bispos a todo o povo de Deus. Pede, por isso e para isso, que se faça uma auscultação alargada da opinião e vivência do maior número de fiéis, possível. É esse trabalho que será feito, nos próximos cinco meses, na nossa e em todas as dioceses. Depois de recolhidas essas opiniões e tratadas essas informações, a nível diocesano e a nível nacional, serão enviadas ao Papa, para servirem de ponto de partida para os trabalhos da Assembleia Sinodal, em Roma, em outubro de 2023.
Tenho boas expectativas a respeito deste sínodo. O assunto é bastante pertinente. A envolvência de todo o povo de Deus parece um fator muitíssimo enriquecedor e determinante para a discussão e documento finais.
Gosto muito da definição que o nosso Bispo dá de Sinodalidade: “É a própria Igreja a fazer-se”. É a Igreja, na sua essência, a acontecer em tempo e espaço reais. Este Sínodo vai permitir (ou deveria permitir) perceber se a forma como a Igreja hoje se está a fazer é ou não a mais fiel à sua natureza e identidade. Quero com isto dizer que, aquilo que em meu entender se pode esperar deste Sínodo, é que obrigue a Igreja a redirecionar-se. Ou seja, a ajustar e a afinar a Sua rota de acordo com a bússola de Deus.

(Da entrevista que o P.e Diamantino concedeu à Voz de Lamego) - aqui

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

As pessoas que sofrem de depressão - O Vídeo do Papa - Novembro de 2021


O esgotamento extremo, a depressão e a angústia são algumas das enfermidades mais comuns no mundo hoje. Muitas vezes, "a tristeza, a apatia, o cansaço espiritual acabam dominando a vida das pessoas que estão sobrecarregadas com o ritmo de vida atual."O que podemos fazer para ajudar aqueles que sofrem desses males? Estar ao seu lado, acompanhá-los e lembrá-los de que "junto com o acompanhamento psicológico essencial, útil e eficaz, as palavras de Jesus também ajudam". Assista ao Vídeo do Papa deste mês e, caso você conheça alguém que esteja passando por alguma dessas situações, compartilhe com ele(a) as palavras do Papa Francisco. "A sobrecarga de trabalho e o estresse laboral fazem com que muitas pessoas experimentem uma exaustão extrema, um esgotamento mental, emocional, afetivo e físico. A tristeza, a apatia, o cansaço espiritual acabam dominando a vida das pessoas que estão sobrecarregadas com o ritmo de vida atual. Procuremos estar perto daqueles que estão esgotados, daqueles que estão desesperados, sem esperança, muitas vezes simplesmente escutando em silêncio , porque não podemos chegar e dizer a uma pessoa: “Não, a vida não é assim. Escuta-me, vou te dar a receita”. Não existe receita. E, além disso, não esqueçamos que, junto com o imprescindível acompanhamento psicológico, útil e eficaz, as palavras de Jesus também ajudam. Vem-me à mente e ao coração: "Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos darei descanso”. Rezemos para que as pessoas que sofrem de depressão ou de esgotamento extremo recebam o apoio de todos e recebam uma luz que as abram à vida".

terça-feira, 2 de novembro de 2021

2 de novembro - Comemoração dos Fiéis Defuntos: MEMÓRIA, GRATIDÃO E ESPERANÇA

"Trazemos flores e acendemos velas, como sinal de esperança, e até se poderia dizer, como prenúncio daquela festa a céu aberto no encontro definitivo com o Senhor, que nos atrai no Seu amor. Avivemos esta esperança de sermos atraídos, transformados e alcançados pelo Amor do Pai que nos criou, do Filho que nos salvou, do Espírito Santo que dá vida nova aos nossos corpos mortais." (Amaro Gonçalo)
 

Senhor, que,
pela vitória do vosso Filho sobre a morte,
O exaltastes no reino da glória,
concedei aos nossos irmãos
que, libertados desta vida mortal,
possam contemplar-Vos para sempre
como seu Criador e Redentor


terça-feira, 26 de outubro de 2021

SEMANA DE ORAÇÃO PELOS SEMINÁRIOS/2021

«Jesus chama para si aqueles que Ele quer, para estarem com Ele e para os enviar a proclamar» (Mc 3,13-14)



1. No início do seu Evangelho, Marcos põe perante nós a cena sublime do chamamento ou vocação e missão dos «doze»:

«E Ele sobe para a montanha e chama para si aqueles que Ele queria, e andaram para Ele. E Ele fez doze, para que estivessem com Ele, e para os enviar a pregar (Marcos 3,13-14).

2. A iniciativa é de Jesus. Ele chama para si aqueles que Ele quer. E eles vão para Ele em admirável sinergia, respondendo de forma determinada e sem qualquer hesitação à iniciativa de Jesus. O que o texto regista a seguir é sublime e exclusivo de Marcos: «Ele fez doze»: admirável ato criador! No relato da criação (Génesis 1,1-2,4a), ouve-se o verbo «fazer» por dez vezes. Portanto, este «fazer» de Jesus é um ato criador. Primeira finalidade desta nova criação: estar com Ele. Simplesmente estar com Ele, atentos a Ele, para aprender a viver com Ele, como Ele. Este primeiro tempo deve ser sempre o primeiro, o mais intenso, intenso e pleno, como se não houvesse nenhum outro. Só depois vem o envio para a pregação do Evangelho.

3. Esta missão evangelizadora de levar a todos o Evangelho que é Jesus é de novo expressa por Jesus, no final do mesmo Evangelho de Marcos, com o particípio da liberdade, «indo!»:

«E Ele disse-lhes: Indo por todo o mundo, anunciai o Evangelho a toda a criatura» (Marcos 16,15).

4. Este particípio histórico faz-nos tomar parte no caminho concreto de Jesus e de todos os vocacionados da Escritura, desde que Abraão ouviu o imperativo: «Vai!» (Génesis 12,1). E o narrador diz-nos que «Abraão foi» (Génesis 12,4).

5. Aquele que é assim chamado e enviado por Deus é uma nova criatura, vive dessa alegria nova e dá testemunho dessa maneira nova de viver. Não tem de demonstrar nada. Apenas mostrar e testemunhar. Seja onde for. Seja a quem for. Mostrar Jesus. A experiência da testemunha é sempre mais forte e mais radical do que as provas que eventualmente queira dar. É por isso que Filipe fala de Jesus a Natanael, mas face às objeções deste, não lhe dissipa as dúvidas (João 1,45-46); diz-lhe simplesmente: «Vem e vê!» (João 1,46). O testemunho não é eficaz senão quando incita o destinatário, não a inclinar-se, vencido, perante as provas, mas a fazer, por sua vez, a experiência.

6. Note-se, todavia, uma diferença fundamental: os chefes das nações ou das empresas preparam a sua sucessão quando pressentem o fim da carreira e que o termo da sua vida se aproxima e que é inevitável a sua retirada de cena; os mestres escolhem os

seus continuadores sobre a base de uma longa seleção entre os seus discípulos. Ao contrário, no que se refere a Jesus, é no princípio da sua missão que Ele chama os seus discípulos, e é durante a sua própria missão que os envia em missão. Esta cooperação e contemporaneidade implica com Jesus os seus discípulos. Mas implica-nos a nós do mesmo modo, impedindo a sua e a nossa catalogação como meros continuadores da missão evangelizadora de Jesus. Continuadores é o que os discípulos de Jesus são e o que nós somos aos olhos da história empírica. Mas nós somos outra coisa bem diferente na estrutura do relato do Evangelho. Ele connosco sempre. Nós com Ele sempre. Nunca nós sem Ele, ou depois d’Ele. Fica connosco, Senhor, neste tempo de graça. Fica connosco. Preside-nos e precede-nos sempre. E que nós estejamos lá sempre atrás de Ti, perto de Ti. Contigo.

7. Estamos outra vez na Semana dos Seminários, que este ano acontece entre os Domingos 31 de outubro e 07 de novembro. É uma semana que se quer de Oração pelos jovens que nos Seminários cultivam a sua vocação e por aqueles que os acompanham no amadurecimento da sua vocação humana, cristã, eclesial e sacerdotal A temática é aquela que abre esta Carta, e que deve despertai em lodo o povo cristão a nossa vinculação a Jesus Cristo e à sua missão evangelizadora. Os nossos seminaristas frequentam, de momento, o Seminário de Lamego (4) e o Seminário Interdiocesano de S. José (7), sediado em Braga, para possibilitar aos nossos seminaristas, na última fase da sua formação académica, poder frequentar a Faculdade de Teologia da Universidade Católica. Apenas para se ter uma ideia mais clara, aqui deixamos os seus nomes e proveniência:
Seminário de Lamego (Jesus, Maria e Anal): Hugo Mourão (Trevões) – 10º Ano; Carlos Almeida (Piães - Cinfaes); Leandro Camelo (Cinfães); Tiago Sequeira (Lamego) - 11° Ano.
Seminário Interdiocesano  (S.José): Celestino Ribeiro (Pereira - Castro Daire); Pilipe Jácome (Brasil) – Ano propedêutico; António Fenandes (Piães – Cinfães) - 2o ano de Teologia: João Vingadas Tarouca ; Tiago Samuel (Piães - Cinfaes) - 3° ano de Teologia; João Patrício (Vila Nova de Foz Côa); Tiago Tones (Lamego) - 4o ano de Teologia.

8.  Ergamos, pois, reconhecidos, o nosso coração e a nossa oração ao Bom Pastor, para que continue a chamar estes e outros jovens e para que eles se encaminhem para Ele, para que seja Ele a «fazê-los» ao seu jeito, e a enviá-los a levar o Evangelho a este mundo. Peço, então, uma vez mais que, sendo generosos na oração, o sejamos também na dádiva de nós próprios, concretizada no Ofertório do Domingo, dia 07 de- novembro, que será destinado, na sua inteireza, para as necessidades dos nossos Seminários.~

Que Deus nos abençoe e guarde em cada dia, que nos dê saúde e alegria, e faça frutificar o labor das nossas mãos e dos nossos Seminários.

Lamego, 18 de outubro de 2021, Festa de S. Lucas, Evamgelista

+ António, vosso bispo e irmão


segunda-feira, 25 de outubro de 2021

O QUE É UMA «IGREJA SINODAL»?


 1. Desta vez, não estamos apenas a preparar um Sínodo; a prioridade é redescobrir o rosto de uma «Igreja sinodal».

Nada de novo, diga-se. A «sinodalidade» — vocábulo imperceptível para muitos — pertence à natureza mais genuína da Igreja.

2. A vocação da Igreja é chegar a todos (cf. Mc 16, 15). É por isso que ela é «católica».
É preciso, entretanto, que todos «caminhem em conjunto». Daí que a Igreja, enquanto «católica», seja «sinodal».

3. Sucede que, como notou Gustave Thibon, «estar junto» não é só — nem principalmente — «estar com»; é sobretudo «estar em».
Neste caso, «estamos juntos» quando todos «estamos em» Jesus Cristo (cf. Mt 18, 20).

4. Isto significa que a «sinodalidade» não é uma espécie de «plug-in», um aditamento de última hora para reagregar ao «conjunto» os que estão cada vez mais «disjuntos».
Aliás, a «sinodalidade» já era muito vivenciada nos primórdios.

5. O Sínodo de 2023 postula a intervenção de todos. É neste sentido que a fase diocesana já está em curso.
As palavras-chave são «participação, comunhão e missão». Para que a «missão» seja assumida por todos e para que se aprofunde a «comunhão» entre todos, é indispensável a «participação» de todos.

6. Percebe-se igualmente que esta participação não possa limitar-se ao acontecimento chamado «Sínodo».
Ela tem de envolver a totalidade da vida da Igreja.

7. Nenhum corpo está completo se faltar um membro que seja. É vital, pois, «sair» para «encontrar», «escutar» e «discernir».
Este discernimento — como frisou o Papa Francisco — é essencialmente espiritual, «que se faz na adoração, na oração, em contacto com a Palavra de Deus».

8. O Jesus do Evangelho é o critério supremo e o Evangelho de Jesus desponta como a referência maior.
Tal como «a gota de água limpa em que brilha o amor de Deus» (Santa Teresa de Calcutá), a sinodalidade há-de ser, antes de mais, um percurso de conversão a Jesus Cristo.

9. Por conseguinte, é de esperar que cada um não exponha — egocentricamente — o que espera da Igreja. Mas que, em Cristo, se disponibilize para o que a Igreja espera dele.
Que cada cristão convide outro a participar na Eucaristia, na formação, na caridade. E que este outro convide outros, deixando bem vincado que a sua participação é insubstituível e desejada.

10. O primeiro a ser escutado tem de ser Jesus Cristo, realmente presente na Eucaristia e vitalmente activo nos irmãos. É imperioso que a sinodalidade avulte como alegria pela presença dos irmãos e pela possibilidade de caminhar a seu lado.
Nem todos quererão vir, mas nós não podemos deixar de ir. A catolicidade só será real com a presença — e a participação — total. 
João António Teixeira, aqui

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

PLANO PASTORAL DIOCESANO 2021/2022

 Veja aqui
- Encontra a Carta Pastoral do nosso Bispo
- O Plano Pastoral 

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Lamego: Bispo presidiu à abertura diocesana do Sínodo dos Bispos

Lamego: Bispo presidiu à abertura diocesana do Sínodo dos Bispos: D. António Couto Apresentação do Plano Pastoral 2021-2022 e celebração Lamego, 19 out 2021 (Ecclesia) – O bispo de Lamego presidiu à abertura do Sínodo dos Bispos a nível diocesano, na Sé, e à sessão de apresentação do Plano Pastoral 2021-2022, intitulado ‘Levantai-vos! Vamos’, no seminário, no domingo, dia 17 de outubro. Na nota enviada […]

Igreja: «A grande catequista é a própria comunidade», afirma a nova diretora do Departamento Nacional da Catequese (c/vídeo)

Igreja: «A grande catequista é a própria comunidade», afirma a nova diretora do Departamento Nacional da Catequese (c/vídeo): Irmã Arminda Faustino afirma que Semana Nacional da Educação Cristã, que iniciou este domingo, ajuda a «tomar mais consciência do contributo» de cada pessoa nas comunidades Lisboa, 18 out 2021 (Ecclesia) – A diretora do Departamento de Catequese do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) afirmou que este setor pastoral se destina às crianças, aos […]

Nota Pastoral para a Semana Nacional da Educação Cristã 2021


Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé

SEMANA NACIONAL DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

17 a 24 de outubro de 2021

A Igreja, no Concílio Vaticano II, é apresentada como “Povo de Deus” em que todos os membros são enriquecidos com dons ou carismas do Espírito Santo para participar ativa e responsavelmente na missão. Esta imagem renovada da Igreja implica necessariamente um estilo sinodal, como tem recomendado o Papa Francisco, desde o início do seu ministério petrino: “Importante é não caminhar sozinho, mas ter sempre em conta os irmãos e, de modo especial, a guia dos bispos” (EG 33). No cinquentenário da instituição do sínodo dos bispos (17 de outubro de 2015), insistiu nesta opção: “O mundo, em que vivemos e que somos chamados a amar e servir mesmo nas suas contradições, exige da Igreja o reforço das sinergias em todas as áreas da sua missão. O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio”. Aquilo que o Senhor nos pede, de certo modo, está já tudo contido na palavra sínodo: caminhar juntos.

Aliança educativa para uma humanidade mais fraterna

A necessidade de unir e conjugar esforços faz-se sentir de forma especial no campo educativo. Nesse sentido, o Papa Francisco lançou, em 12 de setembro de 2019, um convite para um encontro mundial em ordem a «Reconstruir o pacto educativo global», afirmando: “Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna”. Citou a propósito um provérbio africano: “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”. Mas essa aldeia, acrescentou o Papa Francisco, temos de a construir como condição para a educação.

O encontro veio a realizar-se apenas a 15 de outubro de 2020 devido às dificuldades da pandemia. Mas este flagelo, notou o Papa na sua mensagem para este dia, tornou ainda mais urgente o referido pacto educativo global “que empenhe as famílias, as comunidades, as escolas e universidades, as instituições, as religiões, os governantes, a humanidade inteira na formação de pessoas maduras. Apelamos, em todas as partes do mundo, de maneira particular aos homens e mulheres da cultura, da ciência e do desporto, aos artistas, aos operadores dos meios de comunicação social, para que adiram – também eles – a este pacto e, com o seu testemunho e trabalho, façam-se promotores dos valores de desvelo, paz, justiça, bondade, beleza, acolhimento do outro e fraternidade”.

Educadores cristãos empenhados na Aliança Educativa e na pedagogia sinodal

Este desafio da aliança educativa e da pedagogia sinodal interessa grandemente aos educadores cristãos. Em vez de cuidar apenas do seu grupo, precisam de ser promotores da “aldeia global” integrando e conjugando a sua atividade com todas as forças envolvidas no processo educativo: família, escola, associações desportivas e culturais, catequese e atividades da paróquia, Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), escola católica e outras. Cada uma destas instituições precisa de conhecer, apoiar e unir os seus esforços a todas as outras. De facto, assistimos ao emergir de uma época diferente que não se coaduna com as perspetivas fechadas e exclusivistas de algumas forças políticas ou sociais. A pandemia fez vir ao de cima a interdependência e a urgência de colaboração de todas as componentes sociais. Precisamos de caminhar para um novo modelo cultural que realce a solidariedade, o valor da transcendência, a liberdade e dignidade de todas as pessoas e a fraternidade social; um modelo que eduque para a capacidade de viver em relação com os outros e de cuidar da casa comum. São recomendações insistentes do Papa Francisco que um educador cristão não pode deixar de valorizar em ordem a encontrar caminhos novos para uma educação integral.

Âmbitos da educação cristã que é necessário cuidar

1. A equipa de catequistas é chamada a tornar-se um fermento de vida comunitária e de sinodalidade. Nesse sentido, os catequistas, em comunhão com o pároco, organizem-se em equipa, com encontros periódicos, diálogo constante entre eles e forte interação com a vida pastoral da comunidade cristã (profética, litúrgica e social), pois é a comunidade a matriz da vida cristã.

Outra preocupação da pedagogia sinodal da catequese é promover um trabalho coordenado de pais e catequistas, através do diálogo, escuta da opinião de cada um, envolvimento e valorização do contributo de ambos, reconhecendo e criando condições para o protagonismo educativo da família. Nesse sentido, procure cada comunidade cristã oferecer às famílias percursos de fé que as ajudem a ter consciência da sua missão evangelizadora e as capacite para tal.

2. A Educação Moral e Religiosa Católica desenvolve-se, igualmente, no seio de uma comunidade educativa. Desde logo, considere-se a pessoa do aluno como centralidade dessa comunidade, no sentido de que os esforços dos diversos agentes educativos convergem para a sua formação. O desenvolvimento de uma ação educativa em espírito sinodal apela a que essa colaboração se aprofunde, através de um diálogo mais estreito e articulado entre todos: família, aluno, professores e outros educadores em presença na escola.

A disciplina de EMRC surge, neste processo, com um contributo muito relevante, na medida em que, através do docente de EMRC, ajuda a construir laços entre os diferentes implicados. Enquanto estilo educativo, a sinodalidade chama-o a realizar esta missão em estreita ligação, também, com os demais professores de EMRC, com o Secretariado Diocesano, com a comunidade eclesial à qual pertence e, igualmente, com aquela a que pertence a sua escola. Enviado pela Igreja, é chamado a participar e mesmo protagonizar iniciativas que impliquem a participação de todos, constituindo-se, com o seu testemunho e agir cristãos, também ele, apoio e parceiro para os demais.

 

3. Nas escolas católicas todos os educadores são chamados a fazer caminho juntos, interagindo, animando-se e apoiando-se no nobre serviço a uma educação integral e integrante, “na qual sobressaem os valores de inteligência, da vontade, da consciência e da fraternidade, valores que se fundam em Deus Criador e que foram admiravelmente restaurados e elevados por Cristo” (DC 105).

 

Porque o tempo que vivemos é sobretudo um tempo de esperança, de abertura ao futuro, na redescoberta da originalidade da missão e de novos caminhos para a realizar, não tenhamos medo de mergulhar no interior dos diferentes contextos em que vive a humanidade, de pensar e percorrer o caminho juntos! 

Festa de S. Mateus, apóstolo e evangelista.

Lisboa, 21 de setembro de 2021

Lema Pastoral da Diocese de Lamego 2021-2022

 


domingo, 17 de outubro de 2021

sábado, 16 de outubro de 2021

O processo de consulta lançado pelo Papa até outubro de 2023 vai ser tempo de aprendizagem para todos os católicos.

  
“Este período de dois anos de Sínodo é um tempo de formação, educar a Igreja para a sinodalidade, sob a iluminação do Espírito. Esse processo está a começar. Não é um sínodo como evento, como era feito antigamente, é um processo diferente”.

“Se a Igreja se educar na sinodalidade, vai ser muito mais fácil discutir outros temas, é preparar o chão para começar a discutir outros problemas, para haver dentro da Igreja essa capacidade de diálogo e mudança”.

O padre Valdir de Castro realça que a vida religiosa tem a sua experiência de sinodalidade.

“A própria vida comunitária é sinodal, assim como os capítulos. Mas também nas dioceses há experiências de reunião de comissões, conselhos das várias pastorais”.

(...) que esses momentos de sinodalidade devem ser vividos para lá dos “eventos”.

Muitos problemas surgem porque não fazemos caminho juntos, ou transformamos um encontro num documento, e o Papa Francisco está a insistir muito que, sim, os documentos podem ajudar, mas às vezes temos o documento e depois acaba.

O desafio é perceber como é que vivemos uma Igreja comprometida com a sinodalidade, que nunca acaba”.

O processo sinodal é um “processo de comunicação”.

“Se o Sínodo continuar com esse processo, ele vai ajudar-nos a ser uma Igreja em saída, uma congregação em saída, que não é autorreferencial, que não olha só para dentro”, indica.

(Padre Valdir José de Castro, superior-geral dos Paulistas)