Durante gerações, milhares de portugueses partiram para França, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, Canadá, Estados Unidos, Venezuela... Levaram consigo a saudade da terra, a coragem de recomeçar e a esperança de encontrar o que o seu país, naquele momento, não lhes podia oferecer.
Quem, entre nós, não tem um familiar, um amigo ou um vizinho que fez esse caminho?
Por isso, a 54.ª Semana Nacional das Migrações, que a Igreja celebra de 9 a 16 de agosto, sob o tema «Da fragilidade à Esperança», é também um convite a fazer memória. Um povo que conhece, por experiência própria, o que significa partir, dificilmente pode fechar o coração a quem hoje chega à procura de paz, de trabalho ou de um futuro para os seus filhos.
Na mensagem para esta Semana, os bispos portugueses recordam que há fragilidades provocadas pela guerra, pela pobreza, pela violência e pela injustiça, que roubam a esperança e obrigam milhões de pessoas a abandonar a sua terra. Perante essa realidade, a resposta cristã não pode ser o medo, o preconceito ou a indiferença. É o encontro, a proximidade e a defesa incondicional da dignidade de cada pessoa.
Os dias 12 e 13 de agosto serão marcados pela tradicional Peregrinação do Migrante e do Refugiado ao Santuário de Fátima, onde emigrantes, imigrantes, refugiados e peregrinos se reunirão para confiar a Nossa Senhora as suas vidas e renovar a esperança.
Num tempo em que se levantam vozes que procuram dividir, recordar a nossa própria história talvez seja o melhor antídoto. Porque um povo que foi acolhido em tantos lugares do mundo não pode esquecer o valor de acolher.
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