quarta-feira, 5 de agosto de 2026

9 de Agosto, 2026 - 19º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Leituras: aqui
 
Todos nós conhecemos a sensação de ter o barco da vida abanado.

Há fases em que tudo parece correr bem. E, de repente, chega uma notícia inesperada, um problema de saúde, uma preocupação com um filho, um casamento que atravessa dificuldades, um emprego que se perde, um luto que não passa. De um momento para o outro, o mar fica agitado.

É precisamente aí que começa o Evangelho de hoje.

Os discípulos não estão a fazer nada de errado. Estão simplesmente a cumprir a missão que Jesus lhes deu. E, mesmo assim, encontram vento contrário. Isto é importante. Ter fé não nos livra das tempestades. Um cristão não vive uma vida sem problemas; vive-os de maneira diferente.

No meio da noite, quando já perderam a esperança de chegar à outra margem, Jesus aproxima-se.

Mas eles não O reconhecem. Pensam que é um fantasma.

Também connosco acontece. Muitas vezes perguntamos: "Onde está Deus?" E talvez a pergunta seja outra: será que O sabemos reconhecer quando passa pela nossa vida?

Às vezes, esperamos milagres extraordinários, e Deus aproxima-se através de uma pessoa que nos escuta, de uma palavra que nos devolve esperança, de alguém que nos estende a mão, ou de uma paz interior que não sabemos explicar.

Pedro pede para ir ao encontro de Jesus. Enquanto olha para Cristo, avança. Quando fixa os olhos nas ondas, começa a afundar-se.

É uma imagem muito atual. Hoje vivemos rodeados de notícias que alimentam o medo, de incertezas sobre o futuro, de tantas razões para desanimar. Se olharmos apenas para as ondas, acabamos por acreditar que tudo está perdido.

A fé não faz desaparecer as ondas. Dá-nos uma razão para não desistir.

E quando Pedro começa a afundar-se, Jesus não lhe faz um sermão. Estende-lhe imediatamente a mão. É assim Deus. Chega primeiro com a mão estendida e só depois convida a crescer na fé.

Talvez seja esta a boa notícia deste domingo: não precisamos de ser cristãos perfeitos. Basta, como Pedro, termos a humildade de dizer: "Senhor, salva-me." E descobrir que Cristo nunca fica a olhar para quem se afunda.

A primeira leitura completa esta mensagem. Elias procurava Deus nas manifestações grandiosas: no vendaval, no terramoto, no fogo. Mas Deus estava na brisa suave.

É curioso: no Evangelho, Deus encontra-nos no meio da tempestade; na primeira leitura, fala-nos no silêncio. São os dois lugares onde mais facilmente experimentamos a sua presença: quando a vida nos abala... e quando encontramos tempo para escutar.

Peçamos hoje ao Senhor uma fé menos feita de teorias e mais feita de confiança. Porque as tempestades continuarão a existir. Mas quem leva Cristo na barca nunca navega sozinho.

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