quarta-feira, 31 de outubro de 2012

1 de Novembro: Dia de Todos os Santos

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UMA PROPOSTA PARA TODOS:
A SANTIDADE



 1. Em cada dia, os cristãos assinalam vários santos. 1 de Novembro é dia de todos os santos.
 A santidade é, sem dúvida, excepcional. Mas não devia ser a excepção.
 A santidade é para todos. É para os que sobrevivem na eternidade. E é para os que ainda caminham no tempo.
 
 2. Por aqui se vê como, ao contrário do que parece aos olhos de muitos, a santidade não nos retira do mundo. É, aliás, no mundo que somos chamados à santidade.
 Deus não deixa ninguém de lado no chamamento que faz. É por isso que o Concílio Vaticano II fala da «vocação universal» à santidade.
 
 3. É claro que as pessoas costumam indexar a santidade ao extraordinário. Mas a santidade habita, desde logo, naquilo que é ordinário.
 Habituámo-nos a relacionar a santidade com actos heróicos e gestos incomuns. Mas a santidade emerge na vida quotidiana, muitas vezes imperceptível e, quase sempre, incógnita.
 
 4. O registo da santidade é conferido pelo milagre. Mas o milagre não é só o que supera as leis da natureza.
 Há muitos milagres na existência diária de pessoas que estão à nossa beira. E nós nem reparamos neles.
 Não será um grande milagre subsistir no meio de tanta adversidade? No meio de tanta injustiça?
 
 5. A santidade não nos desmundaniza nem nos desumaniza. Pelo contrário, a santidade mundaniza-nos e humaniza-nos, fraternizando-nos.
 A santidade faz de nós irmãos. Torna-nos mais humanos e mais envolvidos na transformação do mundo.
 
 6. Existe santidade quando se reza. Mas também subsiste santidade quando se trabalha. Quando se participa na denúncia da injustiça e no anúncio da verdade.
 A santidade não é indiferença; é diferença. Santo não é aquele que se mostra indiferente ao que ocorre à sua volta. Santo é o que se envolve, o que se manifesta.
 A santidade nunca é fria. A santidade é quente, calorosa. O santo abraça, ri, chora, grita, insiste, persiste. E nunca desiste.
 
 7. A santidade é a surpresa da paz no meio da tempestade. A santidade não é estrepitosa. Muitas vezes, até é silenciosa, mas sempre interveniente, interpelante.
 A santidade está ao alcance de todos. A santidade acontece em casa, na estrada, no trabalho. O santo não é um anormal. O santo não deixa de ser pecador e todo o pecador pode tornar-se santo.
 
 8. Um dia, alguém perguntou a Óscar Wilde: «Sabes qual é a diferença
 entre um santo e um pecador?». O escritor irlandês respondeu: «Sei. É
 que o santo tem sempre um passado e o pecador tem sempre um futuro».
 No fundo, o santo é o pecador que, consciente do seu passado, continua a querer superar-se no seu futuro.
 
 9. Se pensarmos bem, os santos não estão apenas no altar nem figuram
 somente nos andores.
 Não há só santos de barro. Há muitos santos de carne e osso, às vezes, mais osso que carne. Há muitos santos com fome. Há muitos santos na rua. Há muitos santos de enxada na mão. Há muitos santos lágrimas no rosto e rugas na face.
 
 10. Não devemos reparar nos santos só depois da morte. Os santos merecem ser imitados durante a vida. Durante a sua vida. Durante a nossa vida!
 
 João António Pinheiro Teixeira,
padre

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