quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

1 de Março, 2026 - 02º Domingo da Quaresma - Ano A

Irmãos e irmãs,

A Palavra de Deus deste segundo domingo da Quaresma apresenta-nos dois movimentos espirituais fundamentais: partir e subir.

Na primeira leitura, Deus dirige-se a Abrão e pede-lhe algo radical:
“Sai da tua terra.”

Não é apenas uma mudança geográfica. É uma transformação interior. Deus convida Abrão a deixar seguranças, hábitos, certezas e até o modo antigo de viver para começar uma vida nova baseada apenas na confiança.

Abrão aceita.
E é por isso que se torna pai da fé.

No Evangelho, encontramos algo semelhante. Jesus sobe ao monte com Pedro, Tiago e João — e ali acontece a Transfiguração. Por um instante, os discípulos veem quem Jesus é verdadeiramente.

O Monte Tabor não é fuga da realidade.
É preparação para a cruz.

A Quaresma é exatamente isto:
👉 Deus chama-nos a subir com Cristo para depois descer transformados.

A verdadeira metamorfose

Como ouvimos na introdução a esta Eucaristia: a transformação de Abrão é semelhante à Transfiguração.

Também nós precisamos de uma metamorfose espiritual.

Mas há uma condição indispensável:
deixar o pecado.

O pecado pesa, prende, tira liberdade, rouba alegria e enfraquece a fé. Por isso, a Igreja pede algo simples e profundamente humano: confessar-nos ao menos uma vez por ano.

Não como obrigação fria, mas como regresso a casa.

Como recorda o nosso Bispo na Carta Pastoral, Jesus chama ao templo “Casa do meu Pai”.
Casa é lugar de encontro.
Casa é lugar de intimidade.
Casa é lugar onde somos acolhidos como somos.

A Confissão não é tribunal.
É abraço.
É recomeço.
É voltar a casa.

Escutar o Filho

No Tabor, escuta-se a voz do Pai:

“Este é o meu Filho muito amado. Escutai-O.”

A Quaresma não é primeiro fazer coisas.
É escutar Jesus.

Talvez hoje Deus nos peça:

  • deixar um pecado antigo;
  • abandonar uma indiferença;
  • reconciliar-nos com alguém;
  • voltar ao sacramento da Reconciliação;
  • recuperar a oração esquecida.

Quem escuta Cristo começa a mudar por dentro.

Descer do monte

Pedro queria ficar no monte.
Mas Jesus manda descer.

Porque a fé não é viver momentos bonitos apenas — é viver transformados no dia a dia:

  • na família,
  • no trabalho,
  • na comunidade,
  • nas decisões concretas.

A Quaresma não termina no Tabor.
Termina na Páscoa.

E só chega à Páscoa quem aceita deixar Deus transformar a própria vida.

Peçamos hoje a graça de Abrão: coragem para partir.
E a graça dos discípulos: olhos capazes de reconhecer Jesus.

Amen.




Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.