Irmãos e
irmãs,
A Palavra de
Deus deste segundo domingo da Quaresma apresenta-nos dois movimentos
espirituais fundamentais: partir e subir.
Na primeira
leitura, Deus dirige-se a Abrão e pede-lhe algo radical:
“Sai da tua terra.”
Não é apenas
uma mudança geográfica. É uma transformação interior. Deus convida Abrão
a deixar seguranças, hábitos, certezas e até o modo antigo de viver para
começar uma vida nova baseada apenas na confiança.
Abrão
aceita.
E é por isso que se torna pai da fé.
No
Evangelho, encontramos algo semelhante. Jesus sobe ao monte com Pedro, Tiago e
João — e ali acontece a Transfiguração. Por um instante, os discípulos
veem quem Jesus é verdadeiramente.
O Monte
Tabor não é fuga da realidade.
É preparação para a cruz.
A Quaresma é
exatamente isto:
👉 Deus chama-nos a subir com Cristo para depois descer
transformados.
A verdadeira metamorfose
Como ouvimos na introdução a esta Eucaristia: a transformação de Abrão é semelhante à
Transfiguração.
Também nós
precisamos de uma metamorfose espiritual.
Mas há uma
condição indispensável:
deixar o pecado.
O pecado
pesa, prende, tira liberdade, rouba alegria e enfraquece a fé. Por isso, a
Igreja pede algo simples e profundamente humano: confessar-nos ao menos uma vez
por ano.
Não como
obrigação fria, mas como regresso a casa.
Como recorda
o nosso Bispo na Carta Pastoral, Jesus chama ao templo “Casa do meu Pai”.
Casa é lugar de encontro.
Casa é lugar de intimidade.
Casa é lugar onde somos acolhidos como somos.
A Confissão
não é tribunal.
É abraço.
É recomeço.
É voltar a casa.
Escutar o Filho
No Tabor,
escuta-se a voz do Pai:
“Este é o
meu Filho muito amado. Escutai-O.”
A Quaresma
não é primeiro fazer coisas.
É escutar Jesus.
Talvez hoje
Deus nos peça:
- deixar um pecado antigo;
- abandonar uma indiferença;
- reconciliar-nos com alguém;
- voltar ao sacramento da
Reconciliação;
- recuperar a oração esquecida.
Quem escuta
Cristo começa a mudar por dentro.
Descer do monte
Pedro queria
ficar no monte.
Mas Jesus manda descer.
Porque a fé
não é viver momentos bonitos apenas — é viver transformados no dia a dia:
- na família,
- no trabalho,
- na comunidade,
- nas decisões concretas.
A Quaresma
não termina no Tabor.
Termina na Páscoa.
E só chega à
Páscoa quem aceita deixar Deus transformar a própria vida.
Peçamos hoje
a graça de Abrão: coragem para partir.
E a graça dos discípulos: olhos capazes de reconhecer Jesus.
Amen.
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