segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Leituras: aqui

Quarta-feira de Cinzas

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje começamos a Quaresma. E começamos com um gesto simples e forte: cinza na cabeça.
Cinza que nos lembra uma verdade essencial: “Tu és pó e ao pó hás de voltar.”
Não para nos humilhar, mas para nos situar. Não para nos entristecer, mas para nos despertar.

A Palavra de Deus que escutámos ilumina este início.

O profeta Joel faz-nos um apelo claro e urgente:
“Convertei-vos a Mim de todo o coração.”
Não diz: mudai algumas coisas.
Não diz: fazei pequenos ajustes.
Diz: de todo o coração.

A Quaresma é isso: tempo de voltar o coração para Deus.
Não apenas práticas exteriores, mas uma transformação interior.

São Paulo, na segunda leitura, insiste:
“Reconciliai-vos com Deus.”
É como se dissesse: não adiem. Não deixem para depois.
Este é o tempo favorável. Este é o dia da salvação.

E no Evangelho, Jesus aponta-nos três caminhos muito concretos:
a esmola, a oração e o jejum.
Mas acrescenta algo essencial:
“O teu Pai, que vê no segredo, te dará a recompensa.”

Não é teatro.
Não é aparência.
É verdade de vida.

O sentido da Quaresma

A Quaresma é caminho.
Caminho de conversão pessoal e espiritual.
Caminho que percorremos juntos, como comunidade.

Cada domingo será uma etapa.
E este ano somos convidados a apoiar-nos em três pilares muito concretos:

  1. As leituras da Eucaristia de cada domingo
    A Palavra será o nosso mapa. Se a escutarmos com atenção, ela moldará o nosso coração.

  2. Os cinco mandamentos da Igreja
    Tão simples, tão esquecidos por alguns…
    Eles não são um peso, mas um mínimo necessário para manter viva a nossa pertença e comunhão eclesial.

  3. A carta pastoral do nosso Bispo
    Um convite a construirmos uma Igreja diocesana viva, unida, em permanente dedicação.

Neste ano especial em que olhamos, de passagem mas com gratidão, para a nossa Igreja Mãe, que celebra 250 anos de dedicação, somos chamados a recordar que a Igreja não é apenas pedra antiga.
É povo vivo.
Somos nós.
Pedras vivas chamadas à santidade.

O altar da caridade

Nesta comunidade temos um sinal muito bonito:
a caixa da renúncia quaresmal, colocada junto do altar.
Chamamos-lhe o altar da caridade.

Que imagem tão forte!

Do altar recebemos Cristo.
E ao lado do altar aprendemos a oferecê-Lo aos irmãos.

A renúncia quaresmal não é apenas “deixar de comer qualquer coisa”.
É transformar o que poupamos em gesto concreto de amor.
É jejum que se faz partilha.
É oração que se faz solidariedade.
É conversão que se faz caridade.

Quando colocarmos a nossa oferta naquela caixa, que não seja um gesto automático.
Que seja uma decisão do coração:
“Senhor, quero amar mais. Quero pensar menos em mim e mais nos outros.”

Rasgar o coração

O profeta dizia:
“Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes.”

Hoje recebemos cinza na cabeça.
Mas o que Deus deseja é que o nosso coração se abra.
Que deixemos cair o orgulho.
Que perdoemos.
Que nos confessemos.
Que regressemos à Missa dominical com mais fidelidade.
Que levemos a sério os mandamentos da Igreja.
Que escutemos verdadeiramente a Palavra.

A Quaresma não é tempo triste.
É tempo exigente, sim.
Mas profundamente esperançoso.

Porque o nosso Deus — como dizia Joel —
é clemente e compassivo, paciente e cheio de misericórdia.

Irmãos, ao aproximarmo-nos para receber as cinzas, façamos uma oração simples:

“Senhor, converte-me.
Converte o meu coração.
Ensina-me a rezar melhor, a jejuar com sentido, a amar com generosidade.
Que esta Quaresma me aproxime mais de Ti e dos meus irmãos.”

E que, caminhando domingo após domingo, sustentados pela Palavra, pelos ensinamentos da Igreja e pela orientação do nosso Bispo, cheguemos à Páscoa renovados.

Que esta cinza seja início de vida nova.
Que este tempo seja verdadeiro.
Que o nosso coração volte a Deus.

Ámen.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.