sexta-feira, 4 de novembro de 2016

6 Novembro 2016 - 32º Domingo do Tempo Comum – Ano C


Leituras: aqui

1. Quem diz o que não deve, ouve o que não quer! A história rocambolesca contada pelos saduceus era a história de uma paternidade sete vezes falhada, de uma vida não transmitida, que desembocara sempre na morte! Mas Jesus não brinca com a coisa mais séria da vida! A história que Jesus conta é outra: é a história da vida verdadeira de Deus, da vida transmitida, dada pelo Deus vivo, e Deus dos vivos, Paternidade nunca falhada, mas sempre realizada. Portanto, negar a ressurreição é negar a vida que vem de Deus, e equivaleria a negar a própria existência de Deus. Se Abraão, Isaac e Jacob estão vivos, não é pelo facto de terem desposado mulheres e gerado filhos, mas pelo facto de serem eles mesmos «filhos de Deus», e, por isso mesmo, e para sempre, recebedores da própria vida de Deus. Portanto, apesar destes patriarcas terem morrido, Deus continua a ser o seu Deus, o seu protetor, o seu amigo. A morte não pode destruir o amor e a fidelidade de Deus, para com eles. Já assim o pensavam e acreditavam os sete irmãos macabeus! 

2. Mas a resposta de Jesus permite-nos dizer que a ressurreição não é, obviamente, a reanimação de um cadáver, ou o simples o prolongamento do jogo da vida presente. Há realmente uma diferença radical entre a nossa vida terrestre e essa vida plena, sustentada diretamente pelo amor de Deus, depois da morte. Essa vida é absolutamente «nova». É mesmo “outra” vida, vida plena, vida eterna, sem que deixe de ser a vida de cada pessoa, mas doravante sem os limites do tempo e do espaço, uma vida inteiramente transfigurada por Deus. Continuaremos, obviamente, a ser nós, esta pessoa que somos, envolta na teia dos laços que significam amor e amizade. Mas seremos nós mesmos, totalmente outros, porque inteiramente imersos e transformados pelo amor de Deus. Por isso, esta vida nova da ressurreição, podemos e devemos esperá-la com amor, mas não nos é possível descrevê-la ou explicá-la, como se fosse obra das nossas mãos.

3. A semelhança e a diferença, a continuidade e a novidade, entre a vida dos “filhos deste mundo” e a vida futura dos “filhos da ressurreição”, pode ser comparável àquela que se verifica na transformação da semente no seu próprio fruto! Neste sentido, o nosso corpo sepultado tem a sorte do Corpo de Jesus, qual “grão de trigo, que, uma vez lançado à terra, tem de morrer, para frutificar(cf. Jo 12,23-24)! Tem de ser consumido, para se consumar! O crente sabe, que naquele cadáver, entregue à terra, se desenvolveu uma vida, que está chamada, não a desintegrar-se, como cinzas ao vento, ou a diluir-se, como cinzas deitadas ao mar; ou a fundir-se como pó, no seio da mãe natureza (cf. Instrução Ad resurgendum cum Christo, n.º 3). Na ressurreição, esta vida única e original dada a cada um, será plenamente realizada e finalizada, quando Deus for tudo em todos (cf. 1 Cor 15,28).

4. As primeiras gerações cristãs mantiveram essa atitude humilde e honesta diante do mistério da ressurreição e da «vida eterna». Paulo diz aos crentes de Corinto: «o que os (vossos) olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu, isso Deus preparou para aqueles que O amam» (1 Cor 2,7). Estas palavras servem-nos de sã advertência e de orientação gozosa. Por um lado, o céu é uma «novidade» que está para além de qualquer experiência terrestre, mas, por outro, é uma vida «preparada» por Deus, para o cumprimento pleno das nossas aspirações mais profundas! O que é próprio da fé não é satisfazer ingenuamente a curiosidade, mas alimentar o desejo, a expectativa e a esperança colocada em Deus «de que Ele nos ressuscitará» (2 Mac 7,14) 

5. Iremos, de seguida, traduzir em 12 afirmações, o que significa a nossa fé na ressurreição. Procurai ouvir e meditar em cada frase, para que o Senhor vos console. E, nesta “feliz esperança, dirija os vossos corações para que amem a Deus e aguardem a Cristo, com perseverança” (2 Tes 2,16.3,5)!
Amaro Gonçalo

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