quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Fundamentalismo

O mundo contemporâneo diz ter horror ao fundamentalismo. Entenda-se: ao fundamentalismo religioso. Nisso, os ataques de origem muçulmana que têm ceifado centenas de vítimas ao longo destes últimos decénios são tomados como o grande exemplo. Mas, depois, habitualmente mal contadas e preconceituosas, aos relatos desses massacres logo se juntam todas as estórias do chamado “fundamentalismo cristão”.
É claro que, para a opinião pública e para os seus fazedores não existe, à partida, fundamentalismo judaico, ou budista, ou hindu, porque esses não incomodam, a nós europeus e ocidentais, que queremos viver comodamente e sem preocupações – aliás, do oriente só nos vem uma forma etérea de viver: de paz, de tranquilidade, da harmonia, de introspeção… leia-se: de auto-justificação dos nossos pecados e do nosso bem-estar… De lá não nos chegam nunca notícias de violências nem de guerras…
Tudo o que vai contra os dogmas do mundo contemporâneo ocidental é rotulado de fundamentalismo. É fundamentalismo não defender os “direitos dos animais”; é fundamentalismo não ser ecologista; é fundamentalismo não achar que o Matrimónio é uma realidade passageira, que deve durar apenas enquanto durar a paixão; é fundamentalismo não defender os “direitos dos homossexuais”; é fundamentalismo ser contra o aborto.
Ao contrário, já não é fundamentalismo uma desconhecida agência da ONU exigir à Igreja que deixe de ser contra o aborto; não é fundamentalismo raparigas semi-nuas invadirem celebrações eucarísticas com protestos contra os cristãos, em França e em Espanha; não é fundamentalismo ser multado pelo Estado francês porque se ofereceu, silenciosamente, uns pequenos sapatos de recém-nascido a uma mulher que queria praticar o aborto; não é fundamentalismo proibir que se seja cristão em tantos países muçulmanos; não é fundamentalismo os arcebispos de Bruxelas e Madrid serem ofendidos publicamente porque se limitaram a dizer as verdades incómodas do Evangelho; não é fundamentalismo defenderem que os cristãos se deviam calar para que apenas os auto-proclamados “bem-pensantes” deste mundo se possam fazer ouvir… Estranho e contraditório mundo, este que é o nosso!
O perdão continua a ser a exigência evangélica. Mas o mesmo Evangelho há-de ser proclamado. Ainda que façam a chantagem de nos marcarem com o rótulo de “fundamentalistas”.
D. Nuno Brás, aqui

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