quarta-feira, 28 de junho de 2017

Papa Francisco, novos cardeais, os atentados suicidas e o novo "Pacto Social"

Papa preside ao quarto consistório do seu pontificado
O Papa Francisco preside hoje, no Vaticano, ao quarto consistório do atual pontificado, para a criação de cinco cardeais.
O rito de entrega do barrete e do anel decorre na Basílica de São Pedro, a partir das 16h00 (hora local, menos uma em Lisboa), na véspera da festa de São Pedro e São Paulo.
Desde 2013, quando os cardeais eleitores da Europa representavam 56% do total, Francisco tem vindo a alargar as fronteiras das suas escolhas, com uma mudança mais visível no peso específico da África, Ásia e Oceânia.
Quando foi eleito, o atual Papa tinha como colaboradores apenas 22 cardeais eleitores destes três continentes; no final deste mês, vai haver 15 cardeais eleitores da Ásia, 15 de África, 17 da América Latina, 17 da América do Norte, 4 da Oceânia e 51 da Europa (42% do total).
Os cardeais "constituem um colégio peculiar, ao qual compete providenciar à eleição do Romano Pontífice", como refere o CDC (cânone 349).
As funções dos membros do Colégio Cardinalício vão, no entanto, para além da eleição do Papa: qualquer cardeal é, acima de tudo, um conselheiro específico que pode ser consultado em determinados assuntos quando o Papa o desejar, pessoal ou colegialmente.
Como conselheiros do Papa, os cardeais atuam colegialmente com ele através dos consistórios ordinários ou extraordinários, com a finalidade de fazer uma consulta importante ou tratar de outros assuntos de relevo.
Durante o período de "Sé vacante", após a morte ou renúncia do Papa, o Colégio Cardinalício desempenha uma função central no governo geral da Igreja e no do Estado da Cidade do Vaticano.
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Chamar «mártires» a bombistas suicidas «repugna aos cristãos»
O Papa Francisco disse hoje no Vaticano que a ideia de chamar “mártires” a quem comete atentados suicidas “repugna aos cristãos”.
“Não se pode usar a palavra mártir para referir-se a quem comete atentados suicidas, porque na sua conduta não se encontra a manifestação de amor a Deus e ao próximo que é própria da testemunha de Cristo”, referiu, na audiência pública semanal.
Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, o Papa sublinhou que o martírio não é “o ideal supremo da vida cristã”, porque acima dele “está a caridade, isto é, o amor a Deus e ao próximo”.
Francisco recordou as perseguições contra cristãos, por causa da sua fé, e defendeu que “nunca” se deve responder à violência com mais violência.
“O mal não se pode combater com o mal”, advertiu.
A intervenção dos cristãos “homens e mulheres contracorrente”, que seguem a lógica da esperança do Evangelho, marcada pela pobreza, o amor e a prudência.
“A única força do cristão é o Evangelho”, insistiu Francisco.
O Papa recordou o testemunho de fé dos mártires, desde os primeiros momentos do Cristianismo: “Lendo a história de tantos mártires de ontem e de hoje, que são mais do que nos primeiros tempos, ficamos espantados pela força com que enfrentaram a provação”.
(imagem de arquivo)
Papa pede «novo pacto social» que proteja quem se reforma e quem procura emprego
 
Papa Francisco alertou hoje no Vaticano para as consequências do desemprego na atual geração de jovens, enquanto os mais velhos têm de trabalhar “demasiado tempo”.
“É por isso urgente um novo pacto social humano, um novo pacto social pelo trabalho que reduza as horas de trabalho para quem está na última estação laboral, para criar emprego para os jovens que têm o direito-dever de trabalho”, disse, ao receber os delegados da Confederação Italiana dos Sindicatos de Trabalhadores.
O Papa deixou críticas a uma economia de mercado que deixa de parte natureza social da empresa.
“O capitalismo do nosso tempo não entende o valor do sindicato, porque se esqueceu da natureza social da economia, da empresa. Este é um dos maiores pecados”, declarou.
Francisco citou São João Paulo II para defender uma “economia social de mercado” em vez de uma “economia de mercado”, denunciando a desigualdade salarial que afeta as mulheres e o trabalho infantil.
O Papa considerou “desumano” que os pais não tenham tempo para estar com os seus filhos, por causa do trabalho, e pediu “outra cultura”.
“A vossa vocação é também proteger quem ainda não tem direitos, os excluídos do trabalho que estão excluídos também dos direitos e da democracia”, referiu aos delegados sindicais.
A intervenção apontou campos de ação para os sindicatos, que têm de lutar pelos “descartados do trabalho” e não só por quem já trabalha ou se reformou.
Francisco alertou para os perigos da corrupção no mundo sindical e pediu que a presença destes responsáveis se façam sentir “entre os imigrantes, os pobres que estão dentro dos muros da cidade”.

In Agência Ecclesia

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