sexta-feira, 28 de setembro de 2012

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano B

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1. Era uma casa muito engraçada. Não tinha teto, não tinha nada. Ninguém podia entrar nela, não, porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede”. Recordei-me desta musiquinha, com letra do compositor brasileiro Vinícius de Moraes, ao escutar as respostas de Moisés e de Jesus: ambos rejeitam a ideia de um povo ou de uma comunidade, como se estas se tornassem uma espécie de reserva ecológica do Espírito de Deus! Na verdade, não há uma linha, que separe o terreno de ação do Espírito de Deus. Não tem portas, nem cerca, nem cancelas, o Espírito de Jesus, que pelos vistos, prefere entrar e sair, por frestas e janelas! Nada O veda, porque este Espírito Santo se derramará, por todos, e por toda a parte, sem distinção de cor, de raça, ou de religião. Por isso mesmo, nenhuma fronteira, desenhada por nós, impedirá o Espírito de Deus, de falar ou de agir, de soprar ou de mexer, onde quer e como quer e por quem quer!
2. Mas há sempre, quem tenha mãos de travão, pés curtos e vistas estreitas, para impedir que “os que não são dos nossos” manifestem as riquezas do Espírito de Deus! Moisés não alinha nesta espécie de tolerância zero e deixa claro um voto universal e direto: “Quem dera que todo o Povo do Senhor fosse profeta”! Parece dizer mais: “Quem dera que a Casa do Povo de Deus, tivesse e mantivesse «sempre aberta a porta da fé, que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja»” (PF 1).
3. No fundo, a mensagem é clara: «Não excluir» nenhum dom profético. Não rejeitar ninguém, em função da cor ou do passado, de cada um. Acolher sempre e discernir, aproveitando e valorizando todo o bem e tudo o que é bom. A comunidade cristã não pode transformar-se numa espécie de «coutada de alguns senhores ou senhoras». A Igreja deve ser uma comunidade aberta, tolerante, capaz de acolher, quem chega, de perto ou de longe!
4. O Ano da fé é também um tempo propício a dialogar com aqueles que julgamos andarem longe de Deus, só porque estão para lá da linha visível da Igreja. «No nosso contexto cultural – diz o Papa – há muitas pessoas que, embora não reconheçam em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro “preâmbulo” da fé, porque move as pessoas, pela estrada que conduz ao mistério de Deus” (PF 10). É preciso aprendermos a escutar estas pessoas, que nos interpelam, nas suas dúvidas; que nos desafiam a propor a fé, em novas linguagens e contextos. Não faltam hoje, fora do círculo visível da Igreja, sobretudo no mundo da cultura, homens e mulheres de boa vontade, que levantam a voz e profetizam, anunciando-nos um Deus oculto, mas um Deus interessado neste mundo; são pessoas que não tem os nossos hábitos religiosos, mas sabem denunciar corajosamente as ilusões e os perigos de um mundo sem fé e sem Deus! E profetizam, mais do que nós e melhor do que nós! Pois, como disse Jesus, se nós nos calarmos, “gritarão as pedras” (Lc.19,40).
5. Às portas do Ano de Fé, renova-se, aqui e agora, para nós, o voto de Moisés: Quem dera que todo o Povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito Santo sobre eles” (Num.11,29). Quem dera, que os pais, os avós, os catequistas, os professores e todos educadores, nunca fossem para os mais frágeis, pedras de tropeço, que fazem cair, mas estrelas, que guiam no caminho da fé! Quem dera, pois, que, ao longo deste ano pastoral, “a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2 Tes. 3,1; PF 15), em todos, por todos, e por toda a parte!
Fonte: aqui

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