quarta-feira, 3 de junho de 2026

7 de Junho, 2026 - 10º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Leituras: aqui

A Palavra de Deus deste domingo deixa-nos uma pergunta muito concreta: o que é que Deus procura verdadeiramente no coração do homem?

Na primeira leitura, através do profeta Oseias, o Senhor diz uma frase que atravessa toda a Escritura: «Quero o amor e não os sacrifícios; o conhecimento de Deus mais do que os holocaustos.»

Deus não despreza o culto. Deus não despreza a oração. Deus não despreza os sacrifícios oferecidos por amor. O que Ele rejeita é uma religião vazia, feita apenas de aparências, de gestos exteriores, de tradições cumpridas sem conversão do coração.

No Evangelho, Jesus passa, vê Mateus sentado na banca dos impostos e diz-lhe simplesmente: «Segue-Me.» E Mateus levanta-se e segue-O. Depois, Jesus senta-Se à mesa com pecadores e publicanos, escandalizando aqueles que se julgavam justos. E responde-lhes: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»

Aqui está o coração da mensagem de hoje.

Deus não procura pessoas perfeitas. Procura pessoas disponíveis.

Não procura uma vida sem falhas. Procura um coração que se deixe encontrar.

Mateus tinha pecados, limites e uma vida pouco recomendável aos olhos de muitos. Mas tinha uma coisa fundamental: quando Jesus o chamou, não endureceu o coração.

O maior perigo para a vida cristã não é reconhecer-se pecador. O maior perigo é pensar que já não precisamos de conversão.

Por isso, a Palavra de Deus convida-nos a olhar para dentro de nós mesmos. Talvez frequentemos a igreja, talvez rezemos, talvez participemos em muitas iniciativas. Tudo isso é importante. Mas a pergunta continua a ser: o nosso coração está verdadeiramente com Deus?

Conhecer Deus não é apenas saber coisas sobre Ele. É deixar que Ele transforme a nossa maneira de viver, de falar, de trabalhar, de tratar a família, de olhar para os mais frágeis, de perdoar e de servir.

O cristianismo não é uma máscara religiosa. É uma amizade viva com Cristo.

E esta amizade manifesta-se na misericórdia. Jesus aproxima-Se dos pecadores porque quer salvá-los. Não os confirma no erro; oferece-lhes um caminho novo. O encontro com Cristo nunca nos deixa iguais. Quem O encontra de verdade levanta-se, como Mateus, e começa uma vida nova.

Neste tempo em que muitas das nossas terras vivem as suas festas populares e religiosas, esta Palavra é também uma luz para todos nós.

As festas cristãs têm valor quando nos ajudam a encontrar Deus, a fortalecer a fé, a unir as famílias e a construir a comunidade. A festa não é apenas animação, convívio ou tradição. A festa encontra o seu centro em Cristo.

Por isso, importa recordar que a Missa é o momento mais importante da festa. Tudo o resto ganha sentido a partir dela. É na Eucaristia que o Senhor reúne os seus filhos, fala ao seu povo e oferece a sua graça.

Que as nossas festas sejam vividas num ambiente de respeito, de acolhimento, de alegria serena, de paz entre todos, de atenção às orientações da Igreja e de verdadeiro espírito cristão. Que os momentos religiosos sejam vividos com dignidade e recolhimento, e que os momentos de convívio sejam marcados pela fraternidade e pela boa convivência.

Peçamos hoje ao Senhor a graça de um coração sincero. Não apenas uma fé de palavras ou de costumes, mas uma fé viva. Que, ao ouvirmos como Mateus o convite de Jesus — «Segue-Me» — tenhamos a coragem de nos levantar e caminhar com Ele.

Ámen.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.