A Palavra de Deus deste domingo deixa-nos uma pergunta muito concreta: o
que é que Deus procura verdadeiramente no coração do homem?
Na primeira leitura, através do profeta Oseias, o Senhor diz uma frase que
atravessa toda a Escritura: «Quero o amor e não os sacrifícios; o
conhecimento de Deus mais do que os holocaustos.»
Deus não despreza o culto. Deus não despreza a oração. Deus não despreza os
sacrifícios oferecidos por amor. O que Ele rejeita é uma religião vazia, feita
apenas de aparências, de gestos exteriores, de tradições cumpridas sem
conversão do coração.
No Evangelho, Jesus passa, vê Mateus sentado na banca dos impostos e diz-lhe
simplesmente: «Segue-Me.» E Mateus levanta-se e segue-O.
Depois, Jesus senta-Se à mesa com pecadores e publicanos, escandalizando
aqueles que se julgavam justos. E responde-lhes: «Eu não vim chamar os
justos, mas os pecadores.»
Aqui está o coração da mensagem de hoje.
Deus não procura pessoas perfeitas. Procura pessoas disponíveis.
Não procura uma vida sem falhas. Procura um coração que se deixe encontrar.
Mateus tinha pecados, limites e uma vida pouco recomendável aos olhos de
muitos. Mas tinha uma coisa fundamental: quando Jesus o chamou, não endureceu o
coração.
O maior perigo para a vida cristã não é reconhecer-se pecador. O maior
perigo é pensar que já não precisamos de conversão.
Por isso, a Palavra de Deus convida-nos a olhar para dentro de nós mesmos.
Talvez frequentemos a igreja, talvez rezemos, talvez participemos em muitas
iniciativas. Tudo isso é importante. Mas a pergunta continua a ser: o
nosso coração está verdadeiramente com Deus?
Conhecer Deus não é apenas saber coisas sobre Ele. É deixar que Ele
transforme a nossa maneira de viver, de falar, de trabalhar, de tratar a
família, de olhar para os mais frágeis, de perdoar e de servir.
O cristianismo não é uma máscara religiosa. É uma amizade viva com Cristo.
E esta amizade manifesta-se na misericórdia. Jesus aproxima-Se dos pecadores
porque quer salvá-los. Não os confirma no erro; oferece-lhes um caminho novo. O
encontro com Cristo nunca nos deixa iguais. Quem O encontra de verdade
levanta-se, como Mateus, e começa uma vida nova.
Neste tempo em que muitas das nossas terras vivem as suas festas populares e
religiosas, esta Palavra é também uma luz para todos nós.
As festas cristãs têm valor quando nos ajudam a encontrar Deus, a fortalecer
a fé, a unir as famílias e a construir a comunidade. A festa não é apenas
animação, convívio ou tradição. A festa encontra o seu centro em Cristo.
Por isso, importa recordar que a Missa é o momento mais importante
da festa. Tudo o resto ganha sentido a partir dela. É na Eucaristia
que o Senhor reúne os seus filhos, fala ao seu povo e oferece a sua graça.
Que as nossas festas sejam vividas num ambiente de respeito, de acolhimento,
de alegria serena, de paz entre todos, de atenção às orientações da Igreja e de
verdadeiro espírito cristão. Que os momentos religiosos sejam vividos com
dignidade e recolhimento, e que os momentos de convívio sejam marcados pela
fraternidade e pela boa convivência.
Peçamos hoje ao Senhor a graça de um coração sincero. Não apenas uma fé de
palavras ou de costumes, mas uma fé viva. Que, ao ouvirmos como Mateus o
convite de Jesus — «Segue-Me» — tenhamos a coragem de nos
levantar e caminhar com Ele.
Ámen.
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