sexta-feira, 7 de outubro de 2016

9 Outubro 2016 - 28º Domingo do Tempo Comum – Ano C


Leituras: aqui

Ao escutarmos estas leituras, lembrei-me das três palavras-chave, que o Papa Francisco tantas vezes nos tem recordado. “Para mim, - diz ele - há três palavras que definem uma pessoa: com licença (por favor), perdão (desculpa) e obrigado”. 

1. Na primeira leitura, salta à vista, a gentileza e a gratidão do sírio Naamã. É um homem delicado e grato. É um homem que sabe dizer «por favor»: «Peço-te que aceites um presente». E perante a recusa de Eliseu ainda diz: «Se não aceitas, permite ao menos que se dê a este teu servo uma porção de terra para um altar». «Peço-te» e «permite ao menos» são duas formas gentis de dizer «por favor». Num mundo rude e arrogante, a gentileza preserva o amor! Aprendamos a dizer, humildemente, e sempre, «por favor». 

2. No evangelho, há dez leprosos, que se sentem pecadores, e por isso dizem a uma só voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». É uma forma de dizer «perdoa-nos», «tem misericórdia», «tem piedade de nós». É importante sabermos pedir perdão, quando falhámos, quando errámos, quando magoámos, quando fomos infiéis aos nossos compromissos. Todos os dias precisamos de pedir e de oferecer o perdão. Talvez não haja um dia que não façamos algo de errado. Em geral, é mais fácil acusar o outro de erro e desculpar-se a si próprio. Para poder seguir em frente, em casa, em família, na amizade, é preciso aprender a dizer «desculpa". 

3. Infelizmente só um dos dez leprosos, diz o evangelho, voltou atrás, para dizer «obrigado». É tão difícil hoje encontrar pessoas que saibam dizer «obrigad0», que se lembrem do bem recebido. São Paulo dizia a Timóteo: «lembra-te do que Jesus Cristo fez por ti». A gratidão é a memória do coração. E por isso devemos saber agradecer, aos outros e agradecer a Deus. Quantas vezes dizemos “obrigado” a quem nos ajuda, a quem vive perto de nós e nos acompanha na vida? Muitas vezes damos tudo isso por suposto, como se os outros tivessem sempre obrigação de fazer o que fazem e nós não ficássemos a dever essa atenção. Aprendamos a dizer «obrigado» do fundo do coração!  

4. E o mesmo acontece com Deus. É fácil ir até ao Senhor, vir à Missa, rezar para pedir alguma coisa, mas ir agradecer… Ah, isso é difícil. Será que a nossa infidelidade à Eucaristia, e o modo como nos descartamos tão levianamente deste compromisso, não é um sinal da nossa incapacidade para agradecer a Deus? As nossas faltas à Missa, não nos colocam na fila dos outros nove, que se esqueceram de voltar atrás e dizer «obrigado» ao Senhor? 

5. Queridos meninos e meninas, queridos pais: a Eucaristia é o nosso «obrigado», é a nossa ação de graças ao Pai, é a memória viva e agradecida de tudo quanto o Senhor fez por nós. Por isso, em cada domingo, «lembra-te» do que Jesus fez por ti, “lembra-te de que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos” (2.ª leitura).  

Em cada domingo, páscoa semanal, fazemos memória viva, ação de graças, deste amor do Senhor, que por nós dá a Vida. O Senhor está a dizer-te hoje: «por favor» lembra-te de Mim, «pede perdão» e agradece-Me, tudo quanto fiz por ti. 

 Seremos capazes de parar a correria da nossa vida e voltar aqui, diante do Senhor, para lhe agradecer?!
Amaro Gonçalo

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