terça-feira, 11 de outubro de 2016

11 de outubro - São João XXIII


* São João XXIII. É difícil encontrar alguém com uma humanidade tão santa. E com uma santidade tão humana!
* João XXIII, o Papa bom, um Papa que encantava pelos seus gestos, que tinha um ar (e um porte) de verdadeiro pai. Sem desdouro para ninguém (antes pelo contrário), João XXIII é uma das minhas referências de vida. João XXIII não está longe da Igreja. Ele está no coração dos crentes. Está no coração dos homens.
* Passados uns dias da sua eleição, João XXIII anota no seu diário: «Esta manhã devo receber cardeais, muitos príncipes e membros importantes de governos. Mas, de tarde, quero passar alguns instantes com homens comuns. que não possuam nenhum título nem nenhuma dignidade senão a de serem seres humanos e filhos de Deus». E é neste espírito que, um dia, se dirige a operários e a agricultores: «Não viestes ver o filho de um rei nem de um imperador nem de um grande deste mundo, mas um padre que, filho de gente pobre, foi chamado pelo Senhor para carregar o peso do pontificado supremo».
* O Papa Bom não podia deixar de insistir na centralidade da bondade. «Não há nada mais excelente que a bondade. A inteligência humana pode procurar outros dons eminentes, mas nenhum deles se pode comparar à bondade». E, atenção, «o exercício da bondade pode sofrer oposição, mas acaba sempre por vencer porque a bondade é amor e o amor tudo vence».
* «Ser manso e humilde não é a mesma coisa que ser fraco e negligente». Esta frase pertence ao Papa João XXIII. A mansidão aparenta ser ingénua, mas não deixa de ser incómoda. Aprendamos com Jesus. Ele foi mansamente incómodo e incomodamente manso.
* Como se calcula, foi fatigante para João XXIII o dia 11 de Outubro de 1962. Inaugurara-se o Concílio Vaticano II.
O Santo Padre tem necessidade de repousar. Passado o tempo combinado, o secretário passa pelo quarto para despertar o Sumo Pontífice. Só que este não responde. Estava na capela.
Como vos sentis, Santo Padre? - inquire Loris Capovilla.
Com o que o Senhor me proporcionou, sinto-me bem. Mas, mais do que nunca, necessito de colóquio interior e de oração prolongada. Nós não somos nada. É o Senhor quem faz tudo.
À noite, ocorre uma procissão de velas na Praça de S. Pedro. João XXIII resolve vir à janela do apartamento e dirige-se à multidão como só ele sabia. Termina assim: Quando voltardes a vossas casas, encontrareis aí os vossos filhos. Fazei-lhes uma carícia e dizei-lhes: «É a carícia do Papa.
* Já perto da agonia, a morte veio a 3 de Junho de 1963, o Papa João XXIII continuava a comover o mundo. Ernesto Balducci escreveu: «Quando Deus manda homens como o Papa João, não será certamente para que se escrevam livros sobre ele, mas para que seja impossível continuarmos a viver e a pensar como se ele nunca tivesse vivido»!
* Quando, em Março de 1963, disseram a João XXIII que não havia esperança de recuperar da doença (tinha um cancro no estômago), o Papa virou-se para o secretário e pediu: «Ajudai-me a morrer como convém a um Papa», rogando que entregasse na Secretaria de Estado o dinheiro que tinha. «Desejo que o Senhor me encontre pobre, como sempre fui».
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Nesta terça-feira, 11 de Outubro, faz 54 anos que se iniciou em Roma o Concílio Ecuménico Vaticano II.
O Concílio decorreu em Roma (entre 1962 e 1965), mas parece que nunca terá chegado verdadeiramente até nós. Apercebemo-nos, seguramente, de alguns dos seus sinais (nomeadamente a Missa em português), mas creio que ainda não chegamos a penetrar no coração das suas propostas.
Sucede que o principal contributo do Vaticano II foi redespertar a nossa atenção para a centralidade de Deus e de Jesus Cristo. Reconduziu-nos, portanto, para as fontes da fé.
O Concílio Vaticano II descreve-nos a fé como uma resposta à proposta de Deus.
A Igreja, em primeira instância, não é uma organização dirigida por uma estrutura. Antes de mais e acima de tudo, a Igreja é a presença no tempo do mistério eterno de Deus, desvelado em Jesus Cristo.
É assim que a Igreja, na diversidade de tarefas realizadas pelos seus membros, é uma fraternidade de crentes e de discípulos. Não são um mundo à parte, mas uma parte do mundo. Partilham as suas tristezas e comungam das suas esperanças.
É a linguagem do mundo que a Igreja deve falar até porque é ao mundo que ela é chamada a dirigir-se.
Por conseguinte, a Igreja não está numa batalha contra o mundo. Ela tem de constituir uma presença solidária no mundo, alertando para as suas injustiças e não desistindo de o apoiar nos seus sonhos.
Daí que Karl Rahner tenha apontado o Concílio como um «novo começo». Precisamente porque ele procurou extrair toda a força que nos vem dos começos, dos tempos de Jesus e dos Apóstolos.
Sobre o Concílio Vaticano II, são muitos os comentários, o que é bom, mas são poucos os estudos, o que é pena. Ambos são necessários, até porque se enriquecem mutuamente.
Para haver comentários, é mister haver estudos. Caso contrário, tudo arrisca a pairar sobre a espuma de umas aproximações fugidias, pouco consistentes.
O Concílio não entrou em choque com o passado. Não eliminou as heranças do passado (nem sequer a Missa em Latim, que pôde e pode continuar a ser celebrada).
Ao mesmo tempo, franqueou as portas ao presente e abriu as janelas ao futuro.
Já não é pouco. É bastante. É o bastante!
João António Teixeira, in facebook



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