quarta-feira, 2 de março de 2022

Mensagem do nosso Bispo para esta Quaresma.

Debulha o teu grão, reparte o teu pão, olha para Deus com gratidão

 


1. Estamos outra vez, caríssimos irmãos e irmãs, a atravessar tempos difíceis, frios e sombrios. Como se não bastassem as chagas a sangrar da pandemia da Covid-19 com que temos ainda de lidar, eis-nos já a braços com os tresloucados desvarios que de tempos-a-tempos assolam a nossa pobre humanidade, e trazem à tona a doença de chegarmos a pensar que somos deuses, no pior sentido, isto é, tiranos e prepotentes, senhores do mundo, senhores dos outros e de tudo! Maus e mais ou menos imortais, assim pensamos, podemos matar e destruir, pois tudo o que há para além de nós não passa de lixo e de estorvo!

 

2. O Livro do Apocalipse bem nos lembra, com vigorosas imagens, que todos os nossos impérios caem: «Ai, ai, ó grande cidade! Vestias linho puro, púrpura e escarlate, e adornavas-te com ouro, pedras preciosas e pérolas: numa só hora tanta riqueza foi reduzida a nada!». A citação é do Capítulo 18, versículos 16-17, mas todo o Capítulo 18 repete, com ligeiras variantes, este refrão. O Apocalipse fala assim do destino de Roma (a que chama Babilónia) e de todas as “Roma” de todos os tempos, tenham lá o nome que tiverem.

 

3. A mim, como teu bispo, é imperioso que te lembre, meu irmão, minha irmã, que estamos também outra vez a entrar no tempo da Quaresma, que é um tempo favorável que Deus nos dá para abrirmos caminhos novos de amor e de paz dentro de nós. As coisas do mundo não podem alimentar-te nem encher de perfume a tua vida. A tua alegria não está entre as coisas passageiras. Relâmpagos, tempestades, terramotos, sons e vozes da terra são estrangeiros para ti. Tu, meu irmão a tempo inteiro, não deixes de sentir os pés no chão do terreiro, mas mantém também a cabeça no céu, ao léu, para poderes ouvir sempre bem a voz de Deus, e ver bem, belo e bom, para tirar o argueiro da vista do teu irmão e companheiro. Que o ódio e a violência nunca tomem conta do teu coração. Que o teu coração seja habitação de paz. Que nunca te seduza o som das espingardas. Debulha o teu grão, reparte o teu pão, olha para Deus com gratidão. Tens a quaresma e o ano inteiro para encher de amor o teu celeiro. Não tenhas medo do nevoeiro. Que todos os dias haja misericórdia no teu coração e nos teus gestos. Que o Senhor seja a tua Luz, meu irmão e irmão de Jesus.

 

4. Caríssimos irmãos e irmãs, o tempo da Quaresma é o tempo da conversão, o tempo da sementeira, em que Deus lança em nós novas sementes para que nasça em nós uma nova plantação, um novo coração, atento a Deus e aberto aos nossos irmãos mais necessitados. É por isso que em cada Quaresma que passa somos chamados a renovar o esforço da nossa Caridade, que se traduz na oferta da nossa esmola quaresmal. Costuma chamar-se a este esforço da nossa Caridade renúncia quaresmal, que por amor oferecemos no Ofertório do Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.

 

5. Quero voltar a informar (já o fiz o ano passado) as comunidades da nossa Diocese de Lamego que a Coleta da esmola da nossa Caridade quaresmal relativa ao ano de 2020 praticamente não se chegou a realizar por estarem as nossas igrejas encerradas ao culto devido à pandemia. Todavia, recolheram-se 1.339,20 euros. O principal destino da Coleta eram os nossos irmãos sofridos da Diocese de Alepo dos Maronitas, na Síria, e seguiria para o seu Arcebispo D. Joseph Tobji. Como o valor reunido era baixo, anunciei, no princípio da Quaresma passada (2021), que daríamos o mesmo destino do ano anterior à esmola da nossa Caridade quaresmal recolhida em 2021. Não obstante o clima ainda ser de pandemia, as igrejas já se encontravam abertas ao culto, e conseguimos reunir perto de 10.000,00 euros, quantitativo que já seguiu para a Nunciatura Apostólica na Síria, que o fará chegar às mãos do D. Joseph Tobji, Arcebispo da martirizada Diocese de Alepo dos Maronitas, na Síria.

 

6. Neste ano e nesta Quaresma de 2022, apelo a todos os meus irmãos espalhados pelas Paróquias da nossa Diocese, que nos sintamos comprometidos com três situações a necessitar do nosso apoio e onde trabalham missionários oriundos da nossa Diocese de Lamego: 1) vamos apoiar a construção de um Jardim de Infância e de uma Casa de Formação para Crianças e Jovens, em Laleia (Timor Leste), onde está a trabalhar a Ir. FELISMINA PEDRO, das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, e que é natural de S. João da Pesqueira; 2) vamos apoiar melhoramentos necessários na Paróquia de S. Kisito de Begou, Diocese de Sarh, no Chade, onde trabalha o Rev.do P. LEONEL CLARO, missionário Comboniano, natural de S. Pedro de Penude; 3) vamos apoiar as necessidades de D. MANUEL ANTÓNIO, Bispo da Diocese de S. Tomé e Príncipe, e também ele oriundo do chão da nossa Diocese de Lamego. O anúncio do destino da nossa Caridade Quaresmal será feito, como de costume, em todas as igrejas da nossa Diocese no Domingo I da Quaresma, realizando-se a Coleta no Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.

 

7. No início desta caminhada quaresmal rumo à Páscoa do Senhor, saúdo com afeto e alegria todos os meus irmãos e irmãs espalhados pelas paróquias da nossa Diocese. Todos mesmo, desde os mais velhinhos até aos mais pequenos. Ver-nos-emos logo que possível. Entretanto, a todos desejo, do fundo do meu coração, saúde, paz, paciência, resistência, e que a ninguém falte a graça de Deus e a mão fraterna de um irmão.

 

 

Lamego, 02 de março de 2022, Quarta-Feira de Cinzas

 

Na certeza da minha oração e comunhão convosco, a todos vos abraça o vosso bispo e irmão, + António


terça-feira, 1 de março de 2022

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Estas novas orientações substituem as que foram emitidas entre 8 de maio de 2020 e 11 de janeiro de 2022.

 Conferência Episcopal Portuguesa – Orientações para o Culto e atividades pastorais

Veja aqui

domingo, 27 de fevereiro de 2022

sábado, 26 de fevereiro de 2022

TAROUCA - CRIANÇAS DA CATEQUESE FAZEM CORDÂO HUMANO E REZAM PELA PAZ NA UCRÂNIA

 

Hoje, ao fim da catequese e antes da Eucaristia, na rua, os catequizanos fizeram um cordão humano, rezando pela paz na Ucrânia.
Gesto belíssimo!
Parabéns
aos pequenos e seus catequistas.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2022

«Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10a).

aqui

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

27 Fevereiro 2022 - 08º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Leituras: aqui

Mãe da Paz, que sabeis o que significa apertar nos braços o corpo morto do Filho, d’Aquele a Quem destes a vida, poupai a todas as mães desta terra a morte dos seus filhos, os tormentos, a escravidão, a destruição da guerra, as perseguições, os campos de concentração, as prisões!

Conservai-lhes a alegria do nascimento, da sustentação, do desenvolvimento da humanidade e da sua vida.

Em nome desta vida, em nome do nascimento do Senhor, implorai conosco pela paz e pela justiça no mundo.

Mãe da Paz, em toda a beleza e majestade da Vossa maternidade, que a Igreja exalta e o mundo admira, nós vos pedimos: estejais conosco a cada momento.

Amém!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Papa convoca jornada mundial de jejum pela paz, a 2 de março, e pede proteção divina contra a «loucura da guerra»

Papa lamenta agravamento do conflito na Ucrânia, alertando para «cenários cada vez mais alarmantes»

O Papa lamentou hoje no Vaticano o agravamento do conflito na Ucrânia, alertando para cenários “alarmantes” que colocam em causa a paz mundial.

“Sinto uma grande dor no coração pelo agravamento da situação na Ucrânia. Apesar dos esforços diplomáticos das últimas semanas, estão a abrir-se cenários cada vez mais alarmantes”, disse, no final da audiência pública semanal que decorreu no Vaticano.

Esta segunda-feira, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu os regimes separatistas de Lugansk e Donetsk no leste da Ucrânia, avançando com a colocação de tropas russas nestes territórios, justificando a decisão com a necessidade de “manutenção da paz”.

Francisco mostrou-se preocupado com os últimos desenvolvimentos, considerando que “a paz de todos está ameaçada por interesses particulares”.

“Como eu, muita gente em todo o mundo sente angústia e preocupação”, acrescentou.

Quero apelar a quantos têm responsabilidade políticas, para que façam um sério exame de consciência diante de Deus, que é o Deus da paz e não da guerra, é Pai de todos, não só de alguns, que nos quer irmãos e não inimigos”.

O Papa pediu a todas partes envolvidas que se abstenham de “qualquer ação que possa provocar ainda mais sofrimento à população, destabilizando a convivência entre as nações e desacreditando o direito internacional”.

Dirigindo-se a crentes e não-crentes, Francisco convidou todos a fazer do próximo dia 2 de março, Quarta-feira de Cinzas no calendário católico, uma “jornada de jejum pela paz”.

“Jesus ensinou-nos que, à insensatez diabólica da violência, se responde com as armas de Deus, com a oração e o jejum”, explicou.

Foto: Vatican Media

O Papa encorajou de forma especial os crentes, para que, neste dia, “se dediquem intensamente à oração e ao jejum”.

“Que a Rainha da Paz preserve o mundo da loucura da guerra”, concluiu.

Francisco tinha convocado uma jornada mundial de oração pela paz na Ucrânia, a 26 de janeiro.

A Rússia é acusada de instigar o conflito no território ucraniano, palco de uma guerra com oito anos, na sequência da anexação russa da península ucraniana da Crimeia.

Moscovo considera que as autoridades de Kiev desrespeitam os acordos de paz de Minsk (2015), sobre o conflito que opõe a Ucrânia aos separatistas pró-russos.

Fonte: aqui

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

A Diocese de Lamego promoveu um encontro dos Comités Organizadores Paroquiais (COP) para a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ)

A Diocese de Lamego promoveu um encontro dos Comités Organizadores Paroquiais (COP) para a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), assumindo a intenção de colocar o território no percurso do evento internacional de 2023.

‘A tua jornada começa aqui’, refere um outdoor, colocado este domingo no centro da cidade, para convidar à preparação e participação na JMJ 2023, que vai decorrer em Lisboa de 1 a 6 de agosto do próximo ano.

Veja aqui

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

domingo, 13 de fevereiro de 2022

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

AÍ ESTÁ O SOPÉ DA MONTANHA!

Está a chegar o Sopé da Montanha!
Acolha-o e ajude outros a acolhê-lo!
Ler, assinar e divulgar o jornal
é um ato cultural e um valor cívico.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas

  O Papa Francisco disse hoje que “cuidar, juntos, homens e mulheres” é o apelo deste Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, afirmando que “reconhecer a dignidade de cada pessoa é o primeiro ato de cuidado”.

“Cuidar, juntos, homens e mulheres, é o apelo deste Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas: Juntos podemos fazer crescer uma economia do cuidado e combater com todas as forças toda forma de exploração do tráfico de pessoas”, afirmou o Papa numa mensagem enviada à Agência ECCLESIA.

A Igreja Católica promove esta terça-feira o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Seres Humanos, este ano com o tema ‘A força do cuidado – mulheres, economia, tráfico de pessoas’, promovendo uma maratona online à qual o Papa se associou.

Esta jornada é promovida pela União Internacional das Superioras Gerais (UISG) e pela União dos Superiores Gerais (USG), e coordenado pela rede ‘Talitha Kum’, em colaboração com organizações nacionais e internacionais.

O Papa reafirmou que “tráfico de pessoas é violência” e incentivou a avançar “na luta contra o tráfico de pessoas e toda forma de escravidão e exploração”.

“Convido todos a manterem viva a indignação – manter viva a indignação! E todos os dias encontrar forças para se comprometerem com determinação nesta frente: Não tenham medo diante da arrogância da violência, não se rendam à corrupção do dinheiro e do poder”, apelou.

Francisco explicou que o tema deste dia mundial convida a considerar a condição de mulheres e meninas, “submetidas a várias formas de exploração”, através de casamentos forçados, escravidão doméstica e no trabalho.

“Milhares de mulheres e meninas que são traficadas todos os anos denunciam as consequências dramáticas dos modelos relacionais baseados na discriminação e submissão”, realçou.

O Papa observou que a organização das sociedades em todo o mundo “ainda está longe de refletir claramente” que “as mulheres têm a mesma dignidade e direitos dos homens”.

Francisco destacou que há muitas mulheres que têm a coragem de “se rebelar contra a violência” e os homens também são chamados a isso, “a dizer não a toda violência, inclusive contra as mulheres e meninas”.

“Juntos, podemos e devemos lutar para que os direitos humanos se expressem de forma específica, no respeito à diversidade e no reconhecimento da dignidade de cada pessoa, tendo no coração de forma particular aqueles que são prejudicados nos seus direitos fundamentais”, desenvolveu.

O Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas realiza-se na celebração litúrgica de Santa Bakhita, religiosa sudanesa que em criança foi raptada e escravizada mas “mostra o caminho para a transformação”.

“A sua vida diz-nos que a mudança é possível quando nos deixamos transformar pelo cuidado que Deus tem por cada um de nós. É o cuidado da misericórdia, é o cuidado do amor que nos transforma profundamente e nos torna capazes de acolher os outros como irmãos e irmãs”, salientou o Papa.

Segundo Francisco, “reconhecer a dignidade de cada pessoa é o primeiro ato de cuidado” e cuidar faz bem a todos, a quem dá e a quem recebe, “porque não é uma ação unidirecional, mas gera reciprocidade”, como Deus cuidou de Josefina Bakhita, acompanhando-a no processo de cura das feridas causadas pela escravidão.

Na sua mensagem, o Papa encorajou todas as mulheres e meninas que se comprometem “com a transformação e o cuidado, na escola, na família e na sociedade” e cada homem e cada menino “a não ficar de fora desse processo de transformação”, como o Bom Samaritano.

Além da maratona de oração online, está a decorrer uma ação de sensibilização através da rede social Twitter, com o marcador #PrayAgainstTrafficking, e é recomendado que as várias comunidades e movimentos católicos promovam momentos específicos dedicados ao tema.

Vídeo: aqui

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O XXX DIA MUNDIAL DO DOENTE

 DIA MUNDIAL DO DOENTE

Queridos irmãos e irmãs!

Há trinta anos, São João Paulo II instituiu o Dia Mundial do Doente para sensibilizar o povo de Deus, as instituições sanitárias católicas e a sociedade civil para a solicitude com os enfermos e quantos cuidam deles [1].

Agradecemos ao Senhor o caminho feito durante estes anos nas Igrejas particulares de todo o mundo. Já se deram muitos passos em frente, mas há ainda um longo caminho a percorrer para garantir a todos os doentes, mesmo nos lugares e situações de maior pobreza e marginalização, os cuidados de saúde, de que necessitam, e também o devido acompanhamento pastoral para conseguirem viver o período da doença unidos a Cristo crucificado e ressuscitado. Que o XXX Dia Mundial do Doente – por causa da pandemia, a sua celebração culminante não poderá ter lugar em Arequipa, no Perú, mas vai realizar-se na Basílica de São Pedro, no Vaticano – nos ajude a crescer na proximidade e no serviço às pessoas enfermas e às suas famílias.

1. Misericordiosos como o Pai

O tema escolhido para este trigésimo Dia Mundial – «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36) – faz-nos, antes de mais nada, voltar o olhar para Deus, «rico em misericórdia» (Ef 2, 4), que olha sempre para os seus filhos com amor de pai, mesmo quando se afastam d’Ele. Com efeito a misericórdia é, por excelência, o nome de Deus, que expressa a sua natureza não como um sentimento ocasional, mas como força presente em tudo o que Ele faz. É conjuntamente força e ternura. Por isso podemos dizer, cheios de maravilha e gratidão, que a misericórdia de Deus tem nela mesma tanto a dimensão da paternidade como a da maternidade (cf. Is 49, 15), porque Ele cuida de nós com a força dum pai e com a ternura duma mãe, sempre desejoso de nos dar vida nova no Espírito Santo.

2. Jesus, misericórdia do Pai

Suprema testemunha do amor misericordioso do Pai para com os enfermos é o seu Filho unigénito. Quantas vezes os Evangelhos nos narram os encontros de Jesus com pessoas que sofriam de várias doenças! Ele «começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades» (Mt 4, 23). Podemos perguntar-nos: Porquê esta atenção particular de Jesus para com os doentes, a ponto da mesma se tornar também a atividade principal na missão dos apóstolos, enviados pelo Mestre a anunciar o Evangelho e curar os enfermos (cf. Lc 9, 2)?

Um pensador do século XX sugere-nos uma razão: «A dor isola duma forma absoluta e é deste isolamento absoluto que nasce o apelo ao outro, a invocação ao outro» [2]. Quando uma pessoa experimenta na própria carne fragilidade e sofrimento por causa da doença, também o seu coração se sente acabrunhado, cresce o medo, multiplicam-se as dúvidas, torna-se mais impelente a questão sobre o sentido de tudo o que está a acontecer. A propósito, como não recordar os numerosos enfermos que, durante este tempo de pandemia, viveram a última parte da sua existência na solidão duma Unidade de Terapia Intensiva, certamente cuidados por generosos profissionais de saúde, mas longe dos afetos mais queridos e das pessoas mais importantes da sua vida terrena? Daqui vemos a importância de se ter ao lado testemunhas da caridade de Deus, que a exemplo de Jesus, misericórdia do Pai, derramem sobre as feridas dos enfermos o óleo da consolação e o vinho da esperança [3].

3. Tocar a carne sofredora de Cristo

O convite de Jesus a ser misericordiosos como o Pai adquire um significado particular para os profissionais de saúde. Penso nos médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, auxiliares e cuidadores dos enfermos, bem como nos numerosos voluntários que doam tempo precioso a quem sofre. Queridos profissionais da saúde, o vosso serviço junto dos doentes, realizado com amor e competência, ultrapassa os limites da profissão para se tornar uma missão. As vossas mãos que tocam a carne sofredora de Cristo podem ser sinal das mãos misericordiosas do Pai. Permanecei cientes da grande dignidade da vossa profissão e também da responsabilidade que ela acarreta.

Bendizemos o Senhor pelos progressos que a ciência médica realizou sobretudo nestes últimos tempos; as novas tecnologias permitiram dispor de vias terapêuticas de grande utilidade para os doentes; a pesquisa continua a dar a sua valiosa contribuição para derrotar velhas e novas patologias; a medicina de reabilitação desenvolveu notavelmente os seus conhecimentos e competências. Tudo isso, porém, não deve jamais fazer esquecer a singularidade de cada doente, com a sua dignidade e as suas fragilidades [4]. O doente é sempre mais importante do que a sua doença, e por isso qualquer abordagem terapêutica não pode prescindir da escuta do paciente, da sua história, das suas ansiedades, dos seus medos. Mesmo quando não se pode curar, sempre é possível tratar, consolar e fazer sentir à pessoa uma proximidade que demonstre mais interesse por ela do que pela sua patologia. Espero, pois, que os percursos de formação dos operadores da saúde sejam capazes de os habilitar para a escuta e a dimensão relacional.

4. Os lugares de tratamento, casas de misericórdia

O Dia Mundial do Doente é ocasião propícia também para determos a nossa atenção nos lugares de tratamento. A misericórdia para com os enfermos levou a comunidade cristã a abrir, no decorrer dos séculos, inúmeras «estalagens do bom samaritano» (cf. Lc 10, 34), onde pudessem ser acolhidos e tratados doentes de todo o género, sobretudo aqueles que, por indigência, pela exclusão social ou pelas dificuldades no tratamento dalgumas patologias, não encontravam resposta ao seu pedido de saúde. Em tais situações, são sobretudo as crianças, os idosos e as pessoas mais fragilizadas que pagam o preço mais alto. Misericordiosos como o Pai, muitos missionários acompanharam o anúncio do Evangelho com a construção de hospitais, dispensários e lugares de tratamento. São obras preciosas, através das quais se concretizou a caridade cristã e se tornou mais credível o amor de Cristo, testemunhado pelos seus discípulos. Penso sobretudo nas populações das zonas mais pobres da Terra, onde por vezes é necessário percorrer longas distâncias para encontrar centros de tratamento que, embora com recursos limitados, oferecem tudo o que têm disponível. Ainda há um longo caminho a percorrer e, nalguns países, receber adequados tratamentos continua a ser um luxo. Testemunha-o, por exemplo, a escassa disponibilidade, nos países mais pobres, de vacinas contra a Covid-19 e ainda mais a falta de tratamentos para patologias que requerem medicamentos muito mais simples.

Neste contexto, desejo reafirmar a importância das instituições sanitárias católicas: são um tesouro precioso que deve ser preservado e sustentado; a sua presença caraterizou a história da Igreja pela sua proximidade aos doentes mais pobres e às situações mais esquecidas [5]. Quantos fundadores de famílias religiosas souberam ouvir o clamor de irmãos e irmãs privados de acesso aos tratamentos ou mal atendidos, prodigalizando-se ao seu serviço! Ainda hoje, mesmo nos países mais desenvolvidos, a sua presença é uma bênção, porque, além de cuidar do corpo com toda a competência necessária, sempre podem oferecer também aquela caridade cujo centro da atenção são os doentes e os seus familiares. Numa época em que se difundiu a cultura do descarte e nem sempre se reconhece a vida como digna de ser acolhida e vivida, estas estruturas, como casas da misericórdia, podem ser exemplares na salvaguarda e no cuidado de cada existência, mesmo a mais frágil, desde o próprio início até ao seu termo natural.

5. A misericórdia pastoral: presença e proximidade

No caminho feito ao longo destes trinta anos, a própria pastoral da saúde viu o seu serviço ser cada vez mais reconhecido como indispensável. Na verdade, se a pior discriminação sofrida pelos pobres – e os doentes são pobres de saúde – é a falta dos cuidados espirituais, não podemos exonerar-nos de lhes oferecer a proximidade de Deus, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé [6]. A propósito, gostaria de lembrar que a proximidade aos enfermos e o seu cuidado pastoral não competem apenas a alguns ministros especificamente deputados para o efeito; visitar os enfermos é um convite feito por Cristo a todos os seus discípulos. Quantos doentes e quantas pessoas idosas há que vivem em casa e esperam por uma visita! O ministério da consolação é tarefa de todo o batizado, recordando-se das palavras de Jesus: «Estive doente e visitastes-Me» ( Mt 25, 36).

Queridos irmãos e irmãs, à intercessão de Maria, Saúde dos Enfermos, confio todos os doentes e as suas famílias. Unidos a Cristo, que carrega sobre Si o sofrimento do mundo, possam encontrar sentido, consolação e confiança. Rezo por todos os profissionais de saúde para que, ricos em misericórdia, ofereçam aos pacientes, juntamente com os tratamentos devidos, a sua proximidade fraterna.

De coração, a todos concedo a Bênção Apostólica.

Roma, São João de Latrão, na Memória de Nossa Senhora de Loreto, 10 de dezembro de 2021.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Pelas religiosas e consagradas – O Vídeo do Papa 02 – Fevereiro de 2022

Será que sabemos realmente tudo o que as religiosas e leigas consagradas fazem na Igreja? Como diz o Papa Francisco, “não se pode compreender a Igreja sem elas”. Elas não são apenas catequistas, teólogas e diretoras espirituais, mas também “trabalham especialmente junto dos pobres, dos marginalizados, de todos os que estão escravizados pelos traficantes”. Em seu vídeo para este mês, o Papa faz um pedido para que elas continuem encontrando novas respostas para os desafios do tempo atual e lhes agradece por quem são, pelo que fazem e pelo modo como o fazem. "Este mês, rezaremos de maneira especial pelas mulheres religiosas e as mulheres consagradas. O que seria da Igreja sem as religiosas e as leigas consagradas? Não se pode compreender a Igreja sem elas. Encorajo todas as consagradas a discernir e a escolher o que convém para a sua missão diante dos desafios do mundo em que vivemos. Exorto-as a continuar trabalhando especialmente junto dos pobres, dos marginalizados, de todos os que estão escravizados pelos traficantes; peço-vos especificamente que atuem sobre estes problemas. E rezemos para que mostrem a beleza do amor e da compaixão de Deus como catequistas, teólogas, acompanhantes espirituais. Convido-as a lutar quando, em alguns casos, são tratadas injustamente, mesmo dentro da Igreja; quando o seu serviço, que é tão grande, é reduzido à servidão. E às vezes por homens da Igreja. Não desanimem. Continuem dando a conhecer a bondade de Deus através das obras apostólicas que fazem. Mas sobretudo, através do testemunho da consagração. Rezemos pelas mulheres religiosas e consagradas, agradecendo-lhes a sua missão e a sua coragem, para que continuem a encontrar novas respostas aos desafios do nosso tempo. Obrigado por quem são, pelo que fazem e pelo modo como o fazem."

Catecismo da Igreja online

Catecismo da Igreja online, acesse: https://catecismo.net 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Bungalows (ou Bangalôs) em Santa Helena

Ao pé da fonte, junto ao parque de merendas em Santa Helena. Bangalôs. Para favorecer o turismo e a estada em Santa Helena. Dentro em pouco estarão operacionais.
(Fotos de Manuel Carmo Ferreira)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

D. José Ornelas é nomeado bispo da diocese de Leiria-Fátima e toma posse no dia 13 de março

D. José Ornelas, até agora bispo de Setúbal, foi hoje nomeado bispo de Leiria-Fátima, sucedendo ao Cardeal D. António Marto, que havia havia apresentado ao Papa a sua renúncia por «limite das forças físicas e anímicas». 

Veja aqui

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Papa convoca um dia de oração pela paz na Ucrânia

 Francisco propôs que a próxima quarta-feira, 26 de janeiro, seja um dia de oração pela paz. “Faço um forte apelo a todas as pessoas de boa vontade, para que elevem orações a Deus omnipotente, para que cada ação e iniciativa política esteja a serviço da fraternidade humana”, disse o Pontífice ao final da oração do Angelus deste domingo.

O Papa voltou a manifestar a sua preocupação com as tensões na Ucrânia, “que ameaçam infligir um novo golpe à paz” no país, colocando em discussão a segurança da Europa.
“Faço um forte apelo a todas as pessoas de boa vontade, para que elevem orações a Deus onipotente, para que cada ação e iniciativa política esteja a serviço da fraternidade humana”, disse Francisco, recordando que quem persegue os próprios fins em detrimento dos demais despreza a própria vocação do homem, "porque todos fomos criados irmãos".
Fonte: aqui

domingo, 23 de janeiro de 2022

Paróquia de São Pedro de Tarouca e o Domingo da Palavra de Deus

 3º Domingo do Tempo Comum, Domingo da Palavra de Deus. Em comunhão com toda a Igreja,  a Paróquia Tarouquense viveu este dia dedicado à PALAVRA DE DEUS. Em todas as celebrações do fim-de-semana,  foi dado destaque especial à Bíblia, essa grande carta de amor que Deus oferece ao seu povo.
  
Em setembro de 2019, o Papa Francisco instituiu um “Domingo da Palavra de Deus”, celebração anual nas comunidades católicas a decorrer no 3º Domingo do Tempo Comum, que visa promover a “familiaridade” com a Bíblia, com “a celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”.
A Liturgia de hoje lembra a importância da Palavra de Deus na vida do Povo de Deus, porque "as vossas Palavras, Senhor, são espírito de vida".
O Catecismo da Igreja Católica afirma: "A Sagrada escritura dá suporte e vigor à vida da Igreja. É para seus filhos firmeza da fé, alimento e fonte de vida espiritual.
Reunimo-nos convocados pela Palavra de Deus, para celebrar a Palavra de Deus, enviados pela Palavra de Deus e para anunciar a Palavra de Deus.
A Vossa Palavra, Senhor, é a luz dos nossos passos!

Desafios que ficam deste Dia:
A Bíblia é uma grande carta de amor que Deus oferece ao seu povo.
Tenha sempre a Bíblia em sua casa. Onde está a Palavra de Deus, está Deus!
Coloque a Bíblia num lugar de destaque em sua casa.
Leia diariamente um bocadinho da Bíblia, se possível em família, colocando-se numa atitude de escuta de Deus.
Se não lê a Palavra de Deus, como quer que Deus lhe fale?
Diante da Bíblia, tome a atitude do jovem Samuel: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta!”

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

23 Janeiro 2022 - 3º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Leituras: aqui

Admonição inicial                                                       Estamos no 3º Domingo do Tempo Comum, Domingo da Palavra de Deus. Em setembro de 2019, o Papa Francisco instituiu um “Domingo da Palavra de Deus”, celebração anual nas comunidades católicas a decorrer no 3º Domingo do Tempo Comum, que visa promover a “familiaridade” com a Bíblia, com “a celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”.
A Liturgia de hoje lembra a importância da Palavra de Deus na vida do Povo de Deus, porque " as vossas Palavras, Senhor, são espírito de vida".
O Catecismo da Igreja Católica afirma: "A Sagrada escritura dá suporte e vigor à vida da Igreja. É para seus filhos firmeza da fé, alimento e fonte de vida espiritual."
Estamos aqui convocados pela Palavra de Deus, reunidos pela Palavra de Deus, para celebrar a Palavra de Deus, enviados pela Palavra de Deus e para anunciar a Palavra de Deus.
A Vossa Palavra, Senhor, é a luz dos nossos passos!

Pai Nosso

Diz a Carta aos Hebreus: “Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por meio de quem fez o mundo. Este Filho, é resplendor da sua glória e tudo sustenta com a sua palavra poderosa.”

Jesus Cristo é a Palavra eterna e definitiva do Pai. É o próprio Jesus quem o afirma: “Eu e o Pai somos um. Quem me vê, vê o Pai.”

Peçamos ao Pai do Céu que acolhamos com a inteligência e o coração a Palavra de Seu Filho e nosso Salvador Jesus Cristo. 

 

Final

A Bíblia é uma grande carta de amor que Deus oferece ao seu povo.

Tenha sempre a Bíblia em sua casa. Onde está a Palavra de Deus, está Deus!

Coloque a Bíblia num lugar de destaque em sua casa.

Leia diariamente um bocadinho da Bíblia, se possível em família, colocando-se numa atitude de escuta de Deus.

Se não lê a Palavra de Deus, como quer que Deus lhe fale?

Diante da Bíblia, tome a atitude do jovem Samuel: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta!”

 

domingo, 16 de janeiro de 2022

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (18 a 25 de janeiro de 2022

 «Vimos sua estrela no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem» (Mt 2,2)

De acordo com o Evangelho de Mateus (2,1-12), o aparecimento da estrela no céu da Judeia representa um sinal de esperança aguardado há muito tempo, que conduz os magos, e de facto todos os povos da terra, ao lugar onde o verdadeiro rei e Salvador é revelado. Essa estrela é um dom, uma indicação da presença amorosa de Deus para toda humanidade. Para os magos era um sinal de que um rei havia nascido. Com seus raios de luz ela conduz a humanidade na direção de uma luz ainda maior, Jesus, a nova luz que ilumina cada pessoa e nos conduz para a glória do Pai e para o esplendor que ela irradia. Jesus é a luz que veio até as nossas trevas quando, por obra do Espírito Santo, encarnou na Virgem Maria e se tornou humano. Jesus é a luz que foi ainda mais adiante nas trevas do mundo quando, por nós e pela nossa salvação, se despojou e se tornou obediente até a morte. Ele fez isso para iluminar o nosso caminho para o Pai, para que pudéssemos conhecer o Pai e o amor que ele tem por nós, quando nos deu seu único Filho, para que acreditando nele pudéssemos não perecer mas ter a vida eterna.
Os magos viram a estrela e seguiram-na. Tradicionalmente os comentadores têm visto nas figuras dos magos um símbolo da diversidade de povos conhecidos naquele tempo, e um sinal da universalidade do chamamento divino que aparece na luz do astro que brilha vindo do oriente. Eles também veem na ansiosa busca dos magos por um rei recém-nascido toda a busca ansiosa da humanidade pela verdade, a bondade e a beleza. A humanidade vem buscando Deus desde o começo da criação para o venerar. A estrela apareceu quando o Menino Deus nasceu ao completar-se o tempo. Ela anunciou o ato de salvação de Deus, esperado há tanto tempo, que começa no mistério da encarnação.
Os magos revelam-nos a unidade de todas as nações, desejada por Deus. Eles viajam vindos de países distantes e representam culturas diversas, mas são impulsionados pela mesma fome de ver e conhecer o rei recém-nascido, e reúnem-se na pequena casa de Belém para o ato simples de prestar homenagem e oferecer presentes. Os cristãos são chamados a ser para o mundo um sinal de Deus, trazendo para cá essa unidade que Ele deseja. Vindos de diferentes culturas, raças e línguas, os cristãos partilham em comum a busca por Cristo e o desejo de o adorar. A missão do povo cristão, portanto, é ser um sinal como foi aquela estrela, para guiar a humanidade na sua busca de Deus, para conduzir todos a Cristo e para ser instrumento através do qual Deus vai trazendo para o meio de nós a unidade de todos os povos.
Parte do ato de homenagem dos magos consistiu em abrir os seus tesouros, oferecer os seus presentes, que, desde a antiguidade cristã, têm sido compreendidos como sinais de diferentes aspetos da identidade de Cristo: ouro como sinal de realeza; incenso para a sua divindade e mirra como previsão da sua morte. Os diversos presentes, portanto, oferecem-nos uma imagem de visões particulares que as diferentes tradições cristãs têm a respeito da pessoa e do trabalho de Jesus. Quando cristãos se reúnem e abrem os seus tesouros e os seus corações em homenagem a Cristo, todos se enriquecem à medida que essas perceções são partilhadas.
A estrela ergueu-se no oriente (Mt 2,2). É do oriente que o sol se levanta, e é do que chamamos Médio Oriente que a salvação apareceu pela misericórdia do nosso Deus que nos abençoou com o que veio do alto (Lc 1,78). Mas a história do Médio Oriente foi, e ainda é, caracterizada por conflito e violência, manchada com sangue, injustiça e opressão. Mais recentemente, desde a Nakba Palestina (o êxodo da população árabe da Palestina durante a guerra de 1948) a região tem presenciado uma série de guerras e revoluções sangrentas e o crescimento de extremismo religioso. A história dos magos também apresenta vários elementos lamentáveis, particularmente as ordens despóticas de Herodes para o massacre de todos os meninos ao redor de Belém que tivessem menos de dois anos (Mt 2, 16-18). A crueldade dessas narrativas ressoa junto com a longa história e a difícil realidade presente do Médio Oriente.
Foi no Médio Oriente que a Palavra de Deus criou raízes e deu frutos. E foi a partir desse Oriente que os apóstolos saíram para pregar o Evangelho até os confins da terra (At 1,8). O Médio Oriente produziu milhares de testemunhas cristãs e milhares de mártires cristãos. E ainda assim, agora, a própria existência da pequena comunidade cristã é ameaçada já que muitos são levados a buscar uma vida mais segura e serena em outro lugar. Como aconteceu com a luz que era o Menino Jesus, a luz do cristianismo do Oriente Médio é crescentemente ameaçada nestes tempos difíceis.
Jerusalém é um símbolo poderoso para os cristãos porque é a cidade de paz onde toda a humanidade foi salva e redimida. Mas hoje falta paz na cidade. Muitos partidos declaram o seu direito em relação a ela e desconsideram outros. Até a oração em Jerusalém passou a estar sujeita a medidas políticas e militares. Jerusalém foi a cidade de reis, de facto a cidade na qual Jesus entrará triunfante, aclamado como rei (Lc 19,28-44). Naturalmente os magos esperavam encontrar o rei recém-nascido revelado pela estrela naquela cidade real. No entanto, a narrativa diz-nos que, em vez de ser abençoada pelo nascimento do rei Salvador, toda a Jerusalém estava em tumulto, tanto como acontece hoje.
Hoje, mais do que nunca, o Médio Oriente precisa de uma luz celeste para acompanhar o seu povo. A estrela de Belém é um sinal de que Deus caminha com o seu povo, sente as suas dores, escuta os seus gritos e demonstra-lhes compaixão. Isso garante-nos que, mesmo que as circunstâncias mudem e os desastres terríveis possam acontecer, a fidelidade de Deus é infalível. O Senhor não dorme nem descansa. Ele caminha ao lado do seu povo e trá-lo de volta quando se vê perdido ou em perigo. A jornada da fé é essa caminhada com Deus, que sempre contempla seu povo e nos guia nos caminhos complexos da história e da vida. Para esta Semana de Oração, os cristãos do Oriente Médio escolheram o tema da estrela que se ergueu do oriente por um número de razões. Enquanto muitos cristãos ocidentais celebram o Natal, a festa mais antiga e ainda a festa principal de muitos cristãos orientais é a Epifania, quando a salvação é revelada às nações em Belém e no Jordão. Esse foco na teofania (a manifestação) é, em certo sentido, um tesouro que os cristãos do Médio Oriente podem oferecer aos seus irmãos e irmãs do mundo inteiro.
A estrela conduz os magos através do tumulto de Jerusalém, onde Herodes planeia o assassinato da vida inocente. Ainda hoje e, em muitas partes do mundo, inocentes sofrem violência e ameaças. Famílias de jovens fogem de tiranos como Herodes e Augusto. Nesse contexto, pessoas procuram um sinal de que Deus está com elas. Procuram o rei recém-nascido, o rei da delicadeza, da paz e do amor. Mas onde está a estrela que conduz a um caminho que leva a ele? É a missão da Igreja ser a estrela que ilumina o caminho para Cristo, que é a luz do mundo. Sendo uma estrela assim, a Igreja torna-se um sinal de esperança num mundo cheio de problemas e também sinal, no meio do seu povo, da presença de Deus, que acompanha a todos nas dificuldades da vida. Com a palavra e com a ação os cristãos são chamados a iluminar o caminho para que Cristo possa ser revelado, de novo, às nações. Mas as divisões entre nós diminuem a luz do testemunho cristão e obscurecem o caminho, evitando que outros encontrem a direção que leva a Cristo. Ao contrário, os cristãos unidos na sua adoração a Cristo e capazes de abrir seus tesouros numa partilha de dons tornam-se um sinal da unidade que Deus deseja para toda a sua criação.
Os cristãos do Médio Oriente oferecem estes recursos para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos conscientes de que o mundo partilha muitos dos problemas e dificuldades que eles experimentam, e anseiam por uma luz que aponte o caminho para o Salvador que pode vencer as trevas. A pandemia global da COVID-19, a permanente crise económica e o fracasso das estruturas políticas, económicas e sociais na proteção dos mais fracos e vulneráveis destacaram a necessidade global de uma luz que brilhe na escuridão. A estrela que brilhou no oriente, o Médio Oriente, há dois mil anos, ainda nos chama à manjedoura, onde Cristo nasceu. Ela conduz-nos para onde o Espírito de Deus está vivo e ativo, para a realidade do nosso batismo e para a transformação dos nossos corações.
Após encontrarem o Salvador e o adorarem juntos, os magos regressam aos seus países por um caminho diferente, tendo sido alertados num sonho. De modo semelhante, a comunhão que vivenciamos na nossa oração em conjunto deve inspirar-nos a voltar às nossas vidas, às nossas igrejas e ao nosso mundo de novas maneiras. Viajar por novos caminhos é um convite ao arrependimento e à renovação das nossas vidas pessoais, nas nossas igrejas e nas nossas sociedades. O seguimento de Cristo é o nosso novo caminho e, num mundo em mudança, os cristãos precisam de permanecer firmes e determinados como as constelações e planetas que brilham. Mas o que é que isso significa na prática? Servir o Evangelho hoje é algo que requer um compromisso na defesa da dignidade humana, especialmente no meio dos mais pobres, mais fracos e marginalizados. Isso exige das Igrejas transparência e reconhecimento responsável ao lidar com o mundo e uns com os outros. Isso significa que as Igrejas precisam de colaborar para providenciar alívio aos aflitos, para acolher os deslocados, para aliviar os sobrecarregados e para construir uma sociedade justa e honesta. Esse é um chamamento às Igrejas para o trabalho em conjunto para que os jovens possam construir um futuro de acordo com o coração de Deus, um futuro em que todos os seres humanos possam experimentar vida, paz, justiça e amor. O novo caminho entre as Igrejas é o caminho da unidade visível que, orando e celebrando, buscamos com coragem e audácia para que, dia após dia, «Deus seja tudo em todos» (1 Cor 15,28).
Fonte: aqui