terça-feira, 20 de outubro de 2026

A Igreja é de Cristo ou dos nossos costumes?

 O que é a Igreja?

A Igreja é a comunidade dos que acreditam em Jesus Cristo, O seguem e procuram viver segundo os Seus ensinamentos. É importante sublinhar uma verdade fundamental: a Igreja existe por causa de Cristo, nasce de Cristo e só n’Ele encontra a sua razão de ser. Sem Cristo, a Igreja perderia a sua identidade, a sua missão e o sentido da sua existência.

Quem constitui a Igreja? 

A Igreja é constituída por todos os baptizados: leigos, religiosos e ministros ordenados (diáconos, padres e bispos), unidos na fé em Jesus Cristo. Todos são chamados a participar na vida e na missão da Igreja, cada um segundo a sua vocação e responsabilidade.

Quem fundou a Igreja e para quê?

Foi Jesus Cristo quem fundou a Igreja e lhe confiou a missão de anunciar o Evangelho, testemunhar o amor de Deus e chamar todos à salvação. A Igreja não anuncia a si mesma: anuncia Cristo, morto e ressuscitado, centro da fé cristã e fonte da esperança.

Para que existe a Igreja?

A Igreja existe para anunciar Cristo, celebrar os sacramentos, testemunhar o amor de Deus e conduzir as pessoas ao encontro com Ele. Através da oração, da evangelização e do serviço ao próximo, procura ajudar todos a viver segundo o Evangelho.

Qual é a vocação universal da Igreja?

A vocação universal da Igreja é a santidade. Todos os baptizados, sem excepção, são chamados a ser santos, vivendo unidos a Cristo e seguindo o Seu exemplo de amor, humildade e serviço. Esta vocação não é exclusiva dos padres, dos religiosos ou de pessoas extraordinárias: é para todos, todos, todos! Cada pessoa é chamada a viver a santidade na sua condição concreta, na família, no trabalho e na sociedade, através das pequenas e grandes escolhas de cada dia.

Qual é o papel da Igreja na sociedade actual?

Fiel a Cristo, a Igreja é chamada a defender a dignidade humana, promover a justiça e a paz, combater a pobreza e a exclusão e cuidar dos mais frágeis. A sua missão não se limita aos templos: deve chegar às famílias, aos locais de trabalho e a todos os ambientes da sociedade, levando a luz do Evangelho.

Qual é o papel dos leigos na Igreja?

Os leigos são membros fundamentais da Igreja. Pelo baptismo, participam na missão de Cristo e são chamados a testemunhar o Evangelho na família, no trabalho e na sociedade. A sua missão vai muito além da colaboração nas actividades paroquiais: consiste também em transformar o mundo à luz dos valores cristãos, através da sua vida, das suas escolhas e do seu compromisso com os outros.

Porque é tão importante a participação dos leigos?

Porque a Igreja não é apenas o clero: é todo o Povo de Deus, unido em Cristo. Os leigos não são simples colaboradores dos sacerdotes; são membros activos e responsáveis da missão da Igreja. Com os seus dons e talentos, ajudam a levar Cristo aos lugares onde vivem e trabalham, contribuindo para a transformação cristã da sociedade.

Qual é a diferença entre as tradições humanas e a Tradição da Igreja?

As tradições humanas são costumes, práticas e formas de expressão que se desenvolvem ao longo do tempo e podem mudar de acordo com as épocas e as culturas. A Tradição da Igreja, por sua vez, é a transmissão viva da fé recebida de Jesus Cristo e dos Apóstolos, sob a acção do Espírito Santo, ao longo das gerações.

A Tradição, juntamente com a Sagrada Escritura, transmite e ajuda a compreender a única Revelação de Deus. Nem todos os costumes religiosos são, por isso, elementos essenciais da fé. É importante distinguir aquilo que pertence ao núcleo da fé cristã daquilo que são práticas culturais ou devocionais, legítimas, mas susceptíveis de mudança. As tradições humanas podem mudar; a Tradição apostólica guarda e transmite fielmente a fé que a Igreja recebeu de Cristo.

Que Igreja precisamos de construir hoje?

Precisamos de uma Igreja centrada em Cristo, fiel ao Evangelho, próxima das pessoas, acolhedora e missionária. Uma Igreja que escuta, serve e testemunha com obras aquilo que anuncia com palavras. Uma Igreja mais livre do mundanismo e da dependência de tradições humanas que, por vezes, se sobrepõem ao essencial da fé. Uma Igreja que não se limite a justificar as suas práticas com expressões como «sempre foi assim», «é costume» ou «o povo quer», mas que saiba discernir, à luz do Evangelho, o que verdadeiramente conduz a Cristo. Os costumes podem ter valor, mas não podem ocupar o lugar de Jesus nem impedir a renovação necessária da Igreja. Precisamos de uma Igreja em que todos os baptizados reconheçam a sua vocação à santidade e assumam, com liberdade e responsabilidade, a missão que Cristo lhes confiou.

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