quarta-feira, 2 de setembro de 2026

6 de Setembro, 2026 - 23º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Leituras: aqui
 Falar ou calar?

Uma situação concreta que muitas vezes nos aflige:

Diante de uma pessoa amiga que está no erro, que atitude devemos tomar: falar ou calar?

As leituras bíblicas de hoje ajudam-nos a encontrar uma resposta.

Na primeira leitura, o profeta Ezequiel aparece como uma «sentinela» que Deus colocou a vigiar a «Casa de Israel» (Ez 33, 7-9).

A sentinela é alguém que está atento, que vê o perigo e dá o alerta para proteger os outros.

Assim também o profeta: é chamado a estar atento à realidade e a ajudar o povo a não se afastar dos caminhos de Deus.

Ezequiel é, sobretudo, o profeta da esperança. Mesmo no meio das dificuldades e do sofrimento, recorda ao povo que Deus não o abandonou.

Também nós, como cristãos, somos chamados a ser, de algum modo, sentinelas uns dos outros. Não para vigiar ou condenar, mas para cuidar, ajudar e, quando necessário, advertir.

Na segunda leitura, São Paulo recorda-nos que «o amor é a plenitude da Lei» (Rm 13, 8-10).

E uma das formas de amar pode ser precisamente corrigir o irmão quando ele está a seguir um caminho errado.

Mas há uma condição fundamental: a correção deve nascer do amor.

Corrigir alguém não é humilhá-lo, julgá-lo ou mostrar que somos melhores. É procurar o seu bem.

Por isso, antes de corrigirmos alguém, talvez devêssemos perguntar:

Quero realmente ajudar esta pessoa ou quero apenas mostrar-lhe que ela está errada?

A correção fraterna

No Evangelho, Jesus apresenta-nos um caminho concreto para lidar com o erro de um irmão (Mt 18, 15-20).

O primeiro passo é muito significativo:

«Vai ter com ele e repreende-o a sós.»

Jesus pede-nos, antes de tudo, discrição e respeito pela pessoa.

Quantas vezes fazemos precisamente o contrário!

Em vez de falarmos com a pessoa, contamos a outros o que aconteceu. O comentário espalha-se, surgem interpretações, juízos e ressentimentos. E aquilo que talvez pudesse ser resolvido numa conversa transforma-se num problema muito maior.

Por isso, é importante saber quando falar, quando calar e, sobretudo, como falar.

Nem tudo o que sabemos precisa de ser contado. Nem toda a verdade precisa de ser dita a toda a gente.

Há palavras que, embora verdadeiras, quando são ditas sem caridade podem ferir profundamente, destruir relações e aumentar os conflitos.

Mas isso também não significa que devamos calar sempre.

Há situações em que o silêncio pode ser cumplicidade ou falta de coragem.

Precisamos, portanto, de discernimento.

Antes de falar, podemos perguntar:

Aquilo que vou dizer vai ajudar? Vai construir? Vai aproximar? Vai favorecer a reconciliação?

Se a conversa pessoal não resultar, Jesus propõe que se procure a ajuda de outras pessoas sensatas e prudentes.

E, se necessário, pode recorrer-se à comunidade.

Mas sempre com o mesmo objetivo: recuperar o irmão, e não condená-lo.

Isto aplica-se também às nossas famílias e às nossas comunidades cristãs.

Quantas vezes falar mal da própria família ou da própria comunidade não resolve problema algum. Pelo contrário, aumenta os ressentimentos e as divisões.

Também nas nossas paróquias precisamos de ter cuidado com a murmuração.

Uma crítica feita com caridade pode ajudar a melhorar.

Mas falar pelas costas, alimentar comentários e colocar uns contra os outros destrói a comunhão.

E quando já não sabemos o que fazer?

O Evangelho termina apontando-nos outro caminho: a oração.

Jesus diz:

«Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou Eu no meio deles.»

Quando as palavras já não chegam, quando a conversa não resolve, quando não sabemos mais o que fazer, podemos sempre rezar.

Deus pode tocar o coração de uma pessoa onde nós já não conseguimos chegar.

Que espécie de «sentinela» sou eu?

Esta Palavra de Deus deixa-nos algumas perguntas:

  • Sou capaz de ajudar um irmão que está a errar, com misericórdia e caridade?
  • Tenho coragem para falar quando é necessário?
  • Sei calar quando as minhas palavras apenas iriam provocar mais sofrimento?
  • Antes de falar de alguém, pergunto-me se aquilo que vou dizer vai ajudar ou prejudicar?
  • Aceito com humildade as correções justas que os outros me fazem?

Ser sentinela não significa andar à procura dos erros dos outros.

Significa amar o suficiente para cuidar, ter humildade para corrigir e sabedoria para saber quando e como fazê-lo.

Peçamos ao Senhor um coração semelhante ao de Cristo: um coração verdadeiro, mas também misericordioso; capaz de dizer a verdade sem ferir e de amar sem ser indiferente.

E que, nas nossas famílias, nas nossas comunidades e na Igreja, saibamos ser pessoas que constroem a comunhão, promovem a reconciliação e ajudam os outros a aproximarem-se de Deus.

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