quinta-feira, 16 de julho de 2026

19 de Julho, 2026 - 16º Domingo do Tempo Comum - Ano A

O Reino dos Céus é Graça, Paciência e Misericórdia!  

Leituras: aqui


O Trigo e o Joio: a paciência de Deus

Ao olharmos para o mundo de hoje, percebemos que o bem e o mal caminham lado a lado.

Porque permite Deus tudo isto? Porque não intervém?

Basta recordar o tempo da pandemia, em que vimos surgir gestos de grande solidariedade, mas também atitudes marcadas pelo interesse e pelo egoísmo.

A Liturgia deste domingo, através de dois exemplos, fala-nos da paciência de Deus e convida-nos a viver com prudência e serenidade perante esta realidade.

A primeira leitura
(Sb 12, 13.16-19)
A primeira leitura apresenta-nos uma experiência do povo de Israel.
A conquista da Terra Prometida aconteceu após muitos anos de guerra. Deus poderia ter evitado tanto sofrimento, eliminando os povos pagãos que habitavam aquela terra. No entanto, não teve pressa em castigá-los.
Deus ama todas as pessoas que criou, mesmo quando praticam o mal.
Quantas vezes interpretamos certos acontecimentos como sendo "castigos de Deus". Contudo, Deus é justo, paciente e misericordioso. A sua bondade está sempre acima do desejo de punir.
E convida-nos a assumir essa mesma atitude.

A segunda leitura (Rm 8, 26-27)
São Paulo recorda-nos que o Espírito Santo «vem em auxílio da nossa fraqueza», guiando-nos no caminho que conduz à vida plena.
Também aqui se manifesta a bondade e a misericórdia de Deus, que nunca nos abandona.

O Evangelho
(Mt 13, 24-43)
O Evangelho apresenta-nos três parábolas: o trigo e o joio, o grão de mostarda e o fermento na massa.
Na parábola do trigo e do joio encontramos duas atitudes bem diferentes.
A impaciência dos homens
Os servos perguntam ao dono: «Queres que vamos arrancar o joio?»
A reação humana é eliminar imediatamente aquilo que consideramos mau.
A paciência de Deus
O dono responde: «Deixai crescer ambos até à ceifa.»
Deus não deseja a destruição do pecador nem a exclusão dos maus.
Como nos recorda o Salmo:
«O Senhor é compassivo e misericordioso, paciente e cheio de bondade.»
Na construção do Reino de Deus é necessária paciência. A separação definitiva pertence ao tempo da colheita.
O Reino já está presente no mundo e nele todos — bons e maus — têm espaço para crescer, amadurecer e converter-se.
Um convite para nós:
A paciência de Deus perante o joio convida-nos a rejeitar atitudes de rigidez, intolerância, incompreensão e vingança.

Somos chamados a olhar para os outros — com as suas limitações, defeitos e fragilidades — com o mesmo olhar paciente e misericordioso de Deus.

O trigo e o joio existem em toda a parte, até nas nossas comunidades cristãs.
Encontramos divisões, invejas, murmurações, críticas e conflitos.
E qual costuma ser a nossa primeira reação?
Arrancar o joio?

Ao longo da história, muitas vezes os cristãos tornaram-se especialistas em "arrancar joio", quando deveriam ter sido testemunhas do perdão, da misericórdia e do amor.

Esquecemo-nos de que:o bem e o mal coexistem no mundo, na sociedade e no coração de cada pessoa; o Reino de Deus é feito de luz e de sombras, de paz e de conflito, de alegria e de sofrimento; o joio de hoje pode transformar-se no trigo de amanhã; dentro de cada um de nós também coexistem trigo e joio.

E Cristo continua a repetir-nos:
«Deixai crescer ambos até à ceifa.»
O Reino continua a crescer
O Reino de Deus é uma realidade irreversível. Está presente no mundo e continua a crescer.

Esta parábola interpela particularmente: os responsáveis das comunidades que desejam uma comunidade perfeita de um dia para o outro; os pais que gostariam de ver os filhos mudar de imediato; os animadores de grupos e movimentos que esperam que todos pensem e atuem da mesma forma.

Aprendamos a viver no meio dos conflitos sem perder a esperança.
Devemos ficar de braços cruzados?
Não.

As outras duas parábolas completam a mensagem.

Somos chamados a ser como o grão de mostarda: pequeno e aparentemente insignificante, mas capaz de crescer e oferecer abrigo.
Somos chamados a ser como o fermento, que transforma silenciosamente toda a massa.
É assim que ajudamos a transformar o joio em trigo.
O Reino de Deus já está presente entre nós, mesmo quando parece pequeno como um grão de mostarda ou discreto como o fermento escondido na massa.
O Reino não é um espaço reservado apenas aos "bons" ou aos "perfeitos". Nele há lugar para todos, porque o amor de Deus continua a realizar uma obra permanente de conversão, transformação e vida nova.
E nós?
Somos trigo, produzindo frutos de amor, dedicação e serviço?
Ou, por vezes, somos joio, alimentando a discórdia, a divisão ou a calúnia?
Uma das formas mais eficazes de transformar o mundo é continuar a semear sempre trigo e nunca joio.
Só vivendo o Evangelho poderemos renovar verdadeiramente o mundo.
O Espírito Santo vem em nosso auxílio para que sejamos pessoas transformadas e, ao mesmo tempo, agentes de transformação.
Pe. António Geraldo Dalla Costa

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